sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A CABANAGEM NO PARÁ (1835-1840)

 


Uma das maiores revoltas do período regencial.
Em um dia como hoje, no ano de 1835, começava a Cabanagem no Estado do Pará.
Para saber como foi, clique no link abaixo:
 

 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte III

 


MONGÓLIA

DE GENGIS KHAN A MARCO POLO

Parte III

O CERTO CASAMENTO ERRADO

Temudjin nasceu em 1160 ou 1162, filho de Yesugei, neto de Khabul Khan.

Uma profecia supostamente previa sua vinda, na figura de um lobo que devorava a Terra.

Por conta disso, ao matar um lobo enquanto ainda era muito jovem, ele começou a ganhar fama entre os seus.1

Aos nove anos, com a missão de refazer a paz entre seu clã Bojigin e o Clã dos Merquitas, Temudjin foi escolher sua esposa entre estes.

A inimizade surgiu quando Yesugei roubou a esposa de um membro do clã Merquita. 2

Assim, coube a Temudjin restabelecer as relações com um casamento “normal” desta vez.

Entretanto, ele acabou escolhendo sua esposa em outro Clã, o Onggirat, no qual pernoitou a caminho dos Merquitas. A moça por quem o jovem se apaixonou era Borte.


No retorno dessa jornada matrimonial, o pai de Temudjin foi assassinado por envenenamento e como seus filhos ainda fossem apenas garotos, o comando do clã foi assumido por Targutai, que fora soldado de Yesugei.

Para evitar contestações a seu poder, Targutai expulsou a família de Temudjin, condenando-os a viver isolados nas estepes.

Continua

1  https://pt.wikipedia.org/wiki/Gengis_Khan – Acesso: 23/09/20

2  https://pt.wikipedia.org/wiki/Iesucai – Acesso: 23/09/20

 

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

IGREJA MATRIZ DE CACHOEIRA - BAHIA


Nesta Visita Virtual o Reino de Clio leva você para conhecer uma das igrejas mais importantes do Recôncavo Baiano, a Igreja Matriz da Cidade de Cachoeira, na Bahia.

Para ver clique no link abaixo:

IGREJA MATRIZ DE CACHOEIRA

MOSCOU - 75º DESFILE DA VITÓRIA


Nossa Parceria  Sacred Ground traz as imagens do grande desfile em Moscou, celebrando 75 anos da Vitória do Exército Vermelho sobre as forças nazistas, impondo devastadora derrota ao III Reich na Europa.

Para ver clique no link abaixo:

DIA DA VITÓRIA - MOSCOU - 2020

CANIBALISMO CRISTÃO NAS CRUZADAS

OS DIAS EM QUE CRISTÃOS DEVORARAM MUÇULMANOS ASSADOS.

Em um dia como este as forças cruzadas sob comando de Boemundo de Taranto transpuseram as muralhas da cidade de Maara. Estava para começar um dos capítulos mais tenebrosos da História do Cristianismo.

Para saber como foi, clique no link abaixo:


Os Cristãos Canibais de Maara

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

CHURCHILL - Parte 25

CHURCHILL – Parte XXV [1] [2]
Em tempos de um rei que mal conseguia fazer um simples pronunciamento público e de um governo determinado a manter a cabeça sob a areia, até mesmo Churchill já desanimava de prosseguir fazendo denúncias que ninguém queria ouvir: “Atualmente, os personagens não oficiais contam muito pouco. Um pobre diabo pode esgotar-se sem criar uma simples onda na corrente de opinião.” A despeito desse desânimo ele seguia escrevendo para os ministros a fim de que cumprissem seus deveres na defesa nacional. (pg. 41)
Também a despeito deste desânimo, Churchill ganhou um público internacional para seus artigos quinzenais no jornal Evening Standard. Foi através de Emery Reves,[3] um judeu-húngaro que, a partir de Paris, passou a divulgá-los em jornais de “Varsóvia, Praga, Belgrado, Bucareste e Helsinque, chegando a um todo de 26 cidades.” (pg. 45)
Emery Reves
Stanley Baldwin deixou o governo em 28/05/1937 e em seu lugar assumiu Neville Chamberlain. Churchill lhe fez elogios na Câmara dos Comuns por ocasião de sua indicação como líder do partido. Chamberlain, por seu turno, não indicou Churchill para nenhum cargo no novo governo embora fosse cada vez maior o número de apoiadores ao seu nome.
Mas ele não parecia muito entusiasmado com essa ideia: “Não estou ansioso por integrar o governo, a não ser que haja reais tarefas que queiram que eu cumpra. Por enquanto, estão muito satisfeitos uns com os outros.
No entanto era cada vez maior o número de funcionários do próprio governo que concordavam com Churchill e o municiavam de informações. Crescia também a quantidade de relatórios internos que davam razão a ele demonstrando a precária situação das forças armadas britânicas. (<<pg. 46-47)
CHARTWELL
Fora do governo, Churchill dedicava-se a escrever a “biografia do primeiro duque de Marlborough”. Ficava em sua residência de Chartwell onde trabalhava até a madrugada, com auxílio de assistentes e com até três secretárias que se revezavam datilografando o que ele ditava:
Ele vinha da sala de jantar por volta das 22h, renovado e frequentemente jovial. Era óbvio que para ele esse era o melhor período para trabalhar e que tinha prazer nessas horas. Ficava totalmente mergulhado e ditava até as 2h ou 3h; por vezes, falava muito lentamente, medindo sempre cada palavra e murmurando frases para si próprio até que elas o satisfizessem, e então ditava-as, por vezes com tremenda força, olhando penetrantemente para a pobre secretária quando conseguia o que queria. […]
Não há dúvida de que ele era um trabalhador incansável. Impelia-nos. E elogiava poucas vezes. Mas tinha maneiras sutis de mostrar sua aprovação, e não poderia ser de outro modo. Trabalhava tão intensamente e dedicava-se às tarefas de modo tão absolutamente dedicado que esperava o mesmo dos outros. Para ele, era um direito. E com o tempo, nós, que trabalhamos para ele, percebemos que, em compensação à pressão e à inquietação, tivemos o raro privilégio de ter conhecido a beleza do seu caráter dinâmico e gentil. […]
Quando o patrão estava fora de Chartwell, recordou mais tarde a sra. Hill, “tudo ficava silencioso como um rato, mas, quando estava lá, era uma vibração”. Ela acrescentou: “Era um homem desapontado, à espera de um telefonema para servir ao seu país.” (<<<pg. 47-48)
Enquanto Churchill esperava por um telefonema do governo britânico, este não parava de se superar em atitudes desastrosas. Em 12/10/1937 Churchill foi avisado de que uma delegação alemã fora convidada a visitar uma instalação da Força Aérea britânica e observar seus aviões!
E a demonstração estava sendo montada para impressionar na verdade acabaria por revelar fragilidades. Churchill alertou Maurice Hankey sobre a situação e a resposta deste foi mais no sentido de preocupar-se em como Winston conseguia essas informações do que com as alarmantes informações em si: “estou muito preocupado com seu contato com tantas informações confidenciais desse tipo”. (<pg. 50-51)
O governo, porém, dispunha de informações ainda mais perturbadoras de que o poder aéreo da Alemanha já era 100% superior ao britânico e que suas forças terrestres seriam superiores à da França em 1940. A despeito disso, e talvez “jogando a toalha”, o governo começou a estimular uma aproximação com a Alemanha.
Lorde Halifax visitou Hitler retornando com a afirmação de que “Os alemães não têm uma política imediata de ação, e tudo ficaria bem na Tchecoslováquia se ela tratasse bem os alemães que vivem no interior de suas fronteiras”.
Segundo Halifax, Hitler acenou com a possibilidade de um desarmamento enquanto “criticou veementemente a difundida convicção de uma catástrofe iminente e de que o mundo estava em perigo”.
O ditador alemão claramente dizia o que o visitante queria ouvir para incentivar a continuidade da inação britânica. Convenceu-os de que não violaria a integridade do território da Bélgica levando Chamberlain a declarar “não aceitar a ideia de que a paridade aérea com a Alemanha ainda era essencial”.
CONTINUA 



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Emery Reves (Húngaro: Révész Imre) (16/02/1904 - 04/10/1981) foi escritor, editor, agente literário e defensor do federalismo mundial. Reves nasceu em Bácsföldvár , na Hungria , filho de pais judeus e estudou em Berlim , Zurique e Paris. Em 1933, ele fundou uma editora, o "Serviço de Publicação de Cooperação", que era conhecida por sua forte postura anti-nazista. Em 1937, ele fez amizade com Winston Churchill , tornando-se seu agente literário. Quando Churchill foi eleito primeiro-ministro, Reves foi enviado a Nova York para ajudar a construir a organização de propaganda britânica nas Américas do Norte e do Sul. Em 1940 ele foi naturalizado como um sujeito britânico. Depois da guerra, ele comprou os direitos de publicar as memórias de guerra de Churchill fora do Reino Unido e também a História dos Povos de Língua Inglesa de Churchill.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Emery_Reves

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte II


MONGÓLIA

DE GENGIS KHAN A MARCO POLO

Parte II

A MONGÓLIA ANTES DE GENGIS KHAN

A Mongólia, desde tempos imemoriais, vem sendo habitada por tribos nômades guerreiras, que combatiam entre si e/ou formavam alianças com interesses geralmente militares.

Acredita-se que os Hunos, que invadiram o Império Romano sob a liderança de Átila, tenham se originado de suas terras.

Em meados de 600 d.C. o território recebeu o afluxo de povos de origem turca, vindos do Norte, que depois se dirigiram a Sudoeste.


Sempre dispersos e em lutas internas, as tribos mongóis conheceram sua primeira unificação no século XII, sob a liderança de Khabul Khan, que unificou as tribos para realizar um ataque ao Império Jim, no Nordeste da China (Imagem acima).

Essa iniciativa fracassou, mas levou ao reconhecimento de Khabul Khan, por parte dos chineses, como Imperador Original Ancestral dos mongóis. 1

A unificação durou pouco, mas neste mesmo século, em 1160 ou 1162, nascia o menino Temudjin, que o mundo viria a conhecer como Gengis Khan.

Continua

1  https://pt.wikipedia.org/wiki/Kabul_Khan – Acesso: 23/09/20

 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

CHURCHILL - Parte 24

CHURCHILL – Parte XXIV [1] [2]
Churchill era membro do Conselho Antinazista, que contava com membros do Partido Trabalhista e do movimento sindical, além de outras personalidades. Ele iniciou um movimento para defender a democracia que “pretendia juntar numa única base política todas as organizações que favorecessem a segurança coletiva e o rearmamento.
O governo seguia em seu ritmo moroso, mas fontes descontentes (algumas dentro do próprio governo), com essa morosidade continuavam a se dirigir a Winston com informações sobre as deficiências nas Forças Armadas. (<pg. 34-35)
Em 12/11/1936 Churchill discursou no Parlamento propondo “uma emenda apontando que as defesas britânicas, em especial aéreas, já não eram adequadas à paz, à segurança e à liberdade do povo britânico.
Ele criticou a inação do governo entre 1933-35 justificada por não terem ocorrido eleições gerais e que, portanto, não haveria um mandato dado pelo povo neste sentido.
Para ele a defesa nacional era um dever permanente do governo, a razão própria de sua existência e que não era por falta de apoio no Parlamento pois “O primeiro-ministro comanda enormes maiorias em ambas as Câmaras, prontas a votar a favor de quaisquer medidas de defesa.
E essa crítica abrangeu também o próprio Parlamento: “Estou chocado com o fracasso da Câmara dos Comuns em reagir efetivamente a esses perigos. […] A menos que a Câmara resolva procurar a verdade por si, cometerá um ato de abdicação do dever sem paralelo em sua longa história.
A resposta de Baldwin foi no sentido de que preocupara-se, no momento, com as repercussões eleitorais de propor o rearmamento em meio a uma onda pacifista:
Recordarão que havia o mais forte sentimento pacifista em todo o país desde a Guerra. […] Minha posição como líder de um grande partido não era propriamente confortável. […] Não consigo imaginar nada que teria tornado a perda das eleições, no meu ponto de vista, mais certa.”(<<<<<pg. 36-37)
Na sequência descobrimos o que pode ser um segundo erro no texto de Martin Gilbert. Seria um erro de sequência. Vínhamos abordando os eventos acontecidos no ano de 1936, passando pela remilitarização da Renânia, ocorrida em Março e o discurso de Churchill em 12 de Novembro[3] quando Gilbert retrocede quase um ano para descrever os eventos em torno da morte do Rei George V e a coroação de seu filho, o Rei Eduardo VIII.
Não há qualquer razão para esse lapso temporal, mas como estamos seguindo a sequência do autor, manteremos os eventos na ordem em que são apresentados. Saiba o leitor, contudo, que a morte do Rei George V ocorreu quase dois meses antes da remilitarização da Renânia por Hitler.
O Rei George V faleceu em 20/01/1936 e seu filho mais velho assumiu o trono com o nome de Edward VIII.[4] Seria mais um reinado comum se o rei não estivesse apaixonado por uma americana desquitada de nome Wallis,[5] vinda de dois casamentos fracassados anteriores e provavelmente estéril (por conta de um suposto aborto mal feito de um filho do Conde Galeazzo Ciano, futuro genro de Mussolini).
Seria um absurdo ver tais fatos como impeditivos para o amor ou um casamento nos dias atuais, contudo na Inglaterra dos anos 30 do Século XX isso era escandaloso e, considerando o risco de o país ficar sem um herdeiro direto pela esterilidade da esposa pretendida, tornou-se uma questão de Estado.
Churchill era amigo de Edward VIII há 25 anos e foi procurá-lo na intenção de demovê-lo da ideia de se casar. Winston não apoiava o casamento, mas sim que se desse mais tempo para o Rei pensar, acreditando que este acabaria desistindo de sua amada para manter a coroa já que essas eram as únicas opções que Stanley Baldwin lhe oferecera. Assim, Churchill escreveu a Baldwin relatando seu encontro com o Rei ocorrido no início de Dezembro/1936:
Eu disse ao rei que, se ele apelasse a você por mais tempo para se recobrar e para considerar, agora que as coisas tinham atingido o caos e que graves questões constitucionais e pessoais haviam feito com que você, no desempenho de seus deveres, fosse obrigado a confrontá-lo, eu tinha certeza de que você não deixaria de ter amabilidade e consideração. Seria cruel e errado tentar conseguir dele uma decisão no atual estado de coisas. (<pg. 36-39)
Winston achava que a pressão sobre o Rei seria reduzida, mas Neville Chamberlain pressionou por uma solução antes do Natal, considerando que a crise estava afetando as vendas! Contudo as críticas mais violentas, tanto dos políticos, como da imprensa, recairam sobre Churchill, como se ele quisesse convencer a todos a aceitar o casamento. Quando Edward VIII abdicou em 11/12/1936, porém, as coisas voltaram ao normal e Churchill escreveu, alguns dias depois, que não se arrependia da própria atuação no caso:
Não creio que minha posição política tenha sido muito afetada pelo caminho que tomei, mas, mesmo que tenha sido, não desejaria ter atuado de outro modo. Como você sabe, sempre preferi aceitar o que me diz o coração a fazer cálculos sobre os sentimentos públicos. (<pg. 39-40)
Edward VIII - Wallis Simpson - George VI
Em lugar de Edward VIII, assumiu o trono seu irmão, George VI.[6]  Para quem não sabe, George VI é o pai da Rainha Elizabeth II e nele foi baseado o personagem do filme O Discurso do Rei de 2010, interpretado pelo ator Colin Firth, premiado com o Oscar de Melhor Ator por sua interpretação do rei gago, embora o ator não tenha qualquer semelhança física com o homem real.
CONTINUA

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1936/nov/12/debate-on-the-address#S5CV0317P0_19361112_HOC_331

[4]    Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, (White Lodge, 23/06/1894 – Neuilly-sur-Seine, 28/05/1972) foi rei do Reino Unido e dos Domínios da Commonwealth e imperador da Índia, entre 20/01 e 11/12/1936, com o título de Eduardo VIII. Ele mostrava-se impaciente com os protocolos da corte e sua aparente indiferença para com as convenções constitucionais estabelecidas preocupava os políticos. Com poucos meses de reinado, ele causou uma crise constitucional ao propor casamento à socialite americana Wallis Simpson, divorciada do primeiro marido e em vias de se divorciar do segundo. Os primeiros-ministros do Reino Unido e dos domínios eram contrários ao casamento, argumentando que o povo nunca aceitaria uma mulher divorciada com dois ex-maridos vivos como rainha. Além disso, tal casamento entraria em conflito com o status de Eduardo como Governador Supremo da Igreja de Inglaterra, que proibia o casamento de pessoas divorciadas enquanto seus ex-cônjuges ainda estivessem vivos. Eduardo sabia que o governo liderado pelo primeiro-ministro britânico Stanley Baldwin renunciaria se os planos de casamento fossem em frente, o que poderia arrastar o rei a uma eleição geral e arruinar seu status de monarca constitucional politicamente neutro. Optando por não encerrar seu relacionamento com Wallis Simpson, Eduardo acabou por abdicar, sendo sucedido por seu irmão mais novo, Alberto, que escolheu o nome de reinado de Jorge VI. Ocupando o trono por apenas 326 dias, Eduardo foi um dos monarcas com o reinado mais curto em toda a história britânica e da Commonwealth. Ele nunca foi coroado.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VIII_do_Reino_Unido

[5]    Bessie Wallis Warfield (Blue Ridge Summit, 19/06/1896 – Paris, 24/04/1986) foi uma socialite norte-americana. Eduardo VIII do Reino Unido, seu terceiro marido, abdicou do trono e se tornou Duque de Windsor para poder se casar com ela.  Antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial, o duque e a duquesa foram suspeitos por vários governos e pelo público de serem simpatizantes nazistas. Durante as décadas de 1950 e 1960, Wallis e Eduardo viajaram pela Europa e Estados Unidos vivendo uma vida de prazer como celebridades. Wallis passou a viver em reclusão após a morte do duque em 1972, raramente sendo vista em público. Sua vida pessoal tem sido uma fonte de muitas especulações, e Wallis permanece até hoje como uma figura controversa na história britânica.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Wallis,_Duquesa_de_Windsor

[6]    Albert Frederick Arthur George; Norfolk, 14/12/1895 — 06/02/1952) foi rei do Reino Unido e dos Domínios da Commonwealth com o título de George VI. Foi o último imperador da Índia e primeiro chefe da Comunidade Britânica. Como segundo filho de George V não era esperado que herdasse o trono, o que fez com que passasse parte de sua vida sob a sombra da popularidade de seu irmão mais velho, Eduardo. Serviu à marinha e à força aérea durante a Primeira Guerra Mundial, retomando seus compromissos públicos usuais após o término do conflito. Casou-se com Lady Elizabeth Bowes-Lyon em 1923 e teve duas filhas: Elizabeth e Margareth. Durante o reinado de George VI, acelerou-se o processo de desmembramento do Império Britânico e sua transição para a Comunidade de Nações. No dia de sua ascensão, o Oireachtas, parlamento do Estado Livre Irlandês, retirou a menção direta ao monarca de sua Constituição, declarando formalmente a república e deixando a Comunidade de Nações em 1949. Em 1939, o Império e a Comunidade de Nações, com exceção do Estado Livre Irlandês, declararam guerra à Alemanha Nazista. Nos dois anos seguintes, declarou-se guerra também à Itália e ao Japão. Embora o Reino Unido e seus aliados tenham saído vitoriosos do conflito, os Estados Unidos e a União Soviética elevaram-se como proeminentes potências mundiais, enquanto o Império Britânico declinava. Em junho de 1948, pouco menos de um ano após a independência da Índia e do Paquistão, Jorge abandonou o título de Imperador da Índia, mas manteve o status de rei de ambos os países (a Índia se tornaria uma república em 1950, como país-membro da Comunidade de Nações). Nessa época, o rei adotou o novo título de Chefe da Comunidade Britânica. Atormentado por problemas de saúde nos últimos anos de seu reinado, Jorge VI morreu em 1952, sendo sucedido por sua filha mais velha, Elizabeth II.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_VI_do_Reino_Unido

CHURCHILL - Parte 23

CHURCHILL – Parte XXIII [1] [2]
Quando as previsões de Churchill começaram a se mostrar verídicas, o governo britânico começou a pensar que ele tinha fontes secretas especiais e chegou a lhe indagar sobre isso através de Maurice Hankey.[3] Winston respondeu que suas afirmações eram “fruto do meu julgamento”.
Quando o alerta veio de dentro do próprio governo e começou a encontrar eco no parlamento e na imprensa, o Gabinete aceitou, por fim, aumentar o pedido de aviões para 1939(!) e pensar na nomeação de um Ministro da Defesa que Sir Warren Fisher,[4] um dos funcionários mais graduados, definiu que deveria “...ser um homem desinteressado. Sem um machado para destruir e sem o desejo de conseguir um lugar para si.”.
Austen - Fisher - Halifax
Em outras palavras, não poderia ser Churchill. Fisher queria Lorde Halifax[5] no posto. No entanto, Austen Chamberlain,[6] setores da imprensa e do Parlamento acreditavam que só poderia ser Churchill. Enquanto eles discutiam, Hitler remilitarizou a Renânia em 07/03/1936.[7] (<<pg.24-26)  
Inativo quanto aos movimentos de Hitler na Renânia, o governo finalmente criou o Ministério da Coordenação da Defesa, mas o nomeado para o posto foi “o procurador-geral Sir Thomas Inskip”, nomeação bem ao gosto de Sir Fisher e classificada como “a coisa mais cínica desde que Calígula nomeou seu cavalo como cônsul”.  
Remilitarização da Renânia
Enquanto isso Hitler colocou em prática sua tática de negociar após ter colocado o elefante na sala, ou seja, depois de invadir a Renânia, se ofereceu para negociar, ao que o governo de Baldwin prontamente respondeu de forma bastante encantada: “nossa atitude baseou-se no desejo do governo de utilizar as ofertas de Herr Hitler para conseguir um acordo permanente”.
Por seu turno, Churchill “O Profeta” começou a denunciar que após retomar a Renânia, Hitler poderia atacar “a França pela Bélgica e pela Holanda” e denunciou também o risco em que se encontrariam a “Polônia, a Tchecoslováquia, a Iugoslávia, a Romênia, a Áustria e os países bálticos”. (<<pg. 27-28)
Apesar da inação do governo, crescia na sociedade o apoio às ideias de Churchill, em especial entre dissidentes das posições dos partidos políticos. E ele seguia sua pregação quase profética:
Se prevejo corretamente o futuro, o governo de Hitler confrontará a Europa com uma série de acontecimentos ultrajantes e um poderio militar crescente. São acontecimentos que mostrarão os perigos que nos ameaçam, mas para alguns a lição virá tarde demais. (<pg. 28-29)
Mas a morosidade, ou inação mesmo, do governo começava a preocupar os próprios membros do governo que passaram a se aconselhar com quem? Sim, ele mesmo, Winston Churchill. E ele lhes escrevia com conselhos precisos. Mas mantinha a pressão sobre o governo através de artigos publicados quinzenalmente no jornal Evening Standard “que só em Londres tinha uma circulação de mais de 3 milhões de exemplares.” (pg. 31-34)
Basicamente Churchill, como falou na reunião de 28/07/1936 em que “Baldwin concordou em receber um grupo de conservadores seniores, incluindo Churchill, Austen Chamberlain e Amery, para discutir secretamente a política de defesa.”, advogava pela preparação de parte da indústria civil nacional em indústria de guerra, com as fábricas prontas a serem transformadas para produzir armamentos. Pregava, ainda, a necessidade das seguintes providências:
a necessidade de acelerar e melhorar o treinamento de pilotos, de tomar mais providências para a defesa de Londres e outras cidades, de proteger contra ataques aéreos germânicos os depósitos das reservas britânicas de petróleo e de prosseguir mais vigorosamente do que até então o desenvolvimento do sistema de radar, essa “poderosa descoberta”. (<pg. 32)
Mas o Primeiro-Ministro Stanley Baldwin, com apoio de Neville Chamberlain, eram contra essas medidas pois “perturbar a produção em tempo de paz poderá prejudicar o comércio normal do país, talvez durante muitos anos, e prejudicá-lo seriamente numa altura em que temos de ter todo o crédito do país”. 
Baldwin acreditava no livro de Hitler, Mein Kampf, no qual o ditador alemão falava de expansão territorial para o Leste, não ao Oeste e declarou: “Não conduzirei este país para a guerra pela Liga das Nações ou por alguém ou por qualquer coisa. [...] Se houver uma guerra na Europa, quero ver os bolcheviques e os nazistas a fazê-la.
Mas já naquele momento, até relatórios do Ministério da Guerra já concordavam com Churchill:
o sr. Churchill acredita que a enorme preparação para a guerra por parte da Alemanha permitirá que desencadeiem uma primeira ofensiva numa escala equivalente às ações de 1918, que isso pode evitar o beco sem saída da guerra de trincheiras e que, por isso, teremos muito pouco tempo para organizar a nação, como sucedeu em 1915. Apesar de ninguém saber se essa profecia vai ou não se concretizar, o perigo de que possa concretizar-se é suficientemente grande para levá-la seriamente em conta. (<<<pg. 33-34)
CONTINUA





[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Maurice Pascal Alers Hankey, 1º Barão Hankey (01/04/1877 - 26/01/1963) foi um funcionário público britânico que ganhou destaque como o primeiro Secretário de Gabinete e que mais tarde fez a rara transição do serviço civil ao gabinete ministerial. Ele é mais conhecido como o assessor altamente eficiente do primeiro-ministro David Lloyd George e do Gabinete de Guerra que dirigiu a Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Hankey,_1st_Baron_Hankey

[4]    Sir Norman Fenwick Warren Fisher KCB (22 de setembro de 1879 - 1948) foi um funcionário público britânico. Fisher deu ao Serviço Civil uma coesão que antes não tinha e fez mais para reformá-lo do que qualquer homem nos cinquenta anos anteriores. Ele aumentou a importância do Tesouro. Ele avançou os interesses das mulheres no serviço civil e em um ponto descreveu-se como uma feminista. No entanto, ele também era uma figura controversa: seu colega Maurice Hankey , com quem ele às vezes cooperava e às vezes competia em questões de política de defesa imperial, certa vez o descreveu como "bastante louco", e foi criticado por suas tentativas de controlar Nomeações de altos funcionários públicos em Whitehall.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Warren_Fisher

[5]    Edward Frederick Lindley Wood, 1º Conde de Halifax, (16/04/1881 - 23/12/1959), denominado Lord Irwin de 1925 até 1934 e Visconde Halifax de 1934 até 1944, foi um dos mais altos políticos conservadores britânicos dos anos 1930. Ele ocupou vários cargos ministeriais durante esse período, mais notavelmente os do vice-rei da Índia de 1925 a 1931 e do secretário de Relações Exteriores entre 1938 e 1940. Ele foi um dos arquitetos da política de apaziguamento de Adolf Hitler em 1936-38, trabalhando em estreita colaboração com o primeiro-ministro Neville Chamberlain . No entanto, após a ocupação alemã da Tchecoslováquia em março de 1939, ele foi um dos que pressionaram por uma nova política de tentar impedir mais agressões alemãs, prometendo ir à guerra para defender a Polônia.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Edward_Wood,_1st_Earl_of_Halifax

[6]    Joseph Austen Chamberlain (Birmingham, 16/10/1863 — Londres, 17/03/1937) foi um político britânico. Foi agraciado com a ordem da jarreteira e o Nobel da Paz em 1925, pelos Tratados de Locarno. Irmão de Neville Chamberlain. O filho mais velho do estadista Joseph Chamberlain. 
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Austen_Chamberlain

[7]    A Crise da Renânia (ou também remilitarização Renânia ou ocupação da Renânia) foi uma crise diplomática provocada pela remilitarização dessa região da Alemanha, por ordem de Adolf Hitler em 7 de março de 1936. A Renânia é composta de parte da Alemanha principalmente a oeste do Rio Reno, mas também partes na margem direita. Em 1919 com o Tratado de Versalhes, a região foi desmilitarizada. Durante o governo de Hitler, o tratado foi violado e o exército alemão voltou à região. Não houve reação imediata por parte da França e do Reino Unido. Em resposta à ratificação do apoio franco-soviético, em 27 de fevereiro de 1936, Hitler reocupa a zona desmilitarizada da Renânia para restaurar a soberania do III Reich na fronteira ocidental da Alemanha, continuando a violar as disposições do Tratado de Versalhes. O destacamento militar foi escasso, médio e até mesmo ridículo, mas o fato consistia numa violação do Tratado de Versalhes e do mais recente Tratados de Locarno. A área da Renânia, a leste do Rio Reno, era de importância estratégica diante de qualquer possível invasão da França pela Alemanha (e vice-versa) ao constituir uma barreira natural do rio dentro do território da Alemanha.[2] A região foi ocupada pelas tropas aliadas no final da Primeira Guerra Mundial, que se retiraram em 1930, cinco anos antes do acordo, em uma demonstração de reconciliação para a República de Weimar, não sem deixar um ressentimento na população local que saudou com entusiasmo a remilitarização de Hitler.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Remilitariza%C3%A7%C3%A3o_da_Ren%C3%A2nia