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sábado, 11 de setembro de 2021

MONGÓLIA: DE GENGIS KHAN A MARCO POLO XI

 


TOLUI KHAN11

Como já escrevemos no texto anterior, Tolui,[1] filho de Gengis Khan, assumiu o governo em uma espécie de período regencial, até que seu irmão Ogedai, o sucessor escolhido por Gengis, fosse referendado como novo Khan em uma eleição.

Tolui era o filho mais novo de Gengis e Borte, a lendária esposa principal do Khan dos Khans. Ele nasceu por volta de 1191, casou-se em 1203 com Sorcaquetani, esposa escolhida por Gengis e gerou 4 filhos com ela, dentre eles alguém de quem falaremos bastante mais adiante: Kublai.

Tolui tomou parte em muitas campanhas do pai, inclusive no massacre de Nixapur. Ele faleceu em 1232 cometendo suicídio após tomar uma bebida envenenada para salvar seu irmão e Khan Oguedai que estava doente e cuja cura dependeria de um membro de sua família ser oferecido em sacrifício.

Tolui se ofereceu em sacrifício e cumpriu a oferta. Vinte anos depois Mangu Khan, que foi visitado pelo Frei Willian, concedeu a Tolui o título póstumo de Khan.

Continua

 



[1] 11https://pt.wikipedia.org/wiki/Tolui_C%C3%A3

terça-feira, 31 de agosto de 2021

CHURCHILL - Parte 34

CHURCHILL – Parte XXXIV [1] [2]
Em 14/11/1940, após o funeral de Neville Chamberlain, Winston recebeu o informe de que um grande ataque era iminente e, segundo Martin Gilbert, havia informações anteriores de que o alvo provavelmente seria Londres, para onde Churchill retornou apressadamente.
Essas informações também apontavam outros possíveis alvos como “o vale do Tâmisa, as costas de Kent e de Essex, Coventry e Birmingham”, de modo que não se podia ter certeza de onde seria o ataque.
Somente às 15:50hs houve informação de que o alvo era Coventry, para onde foram deslocados cem caças ao mesmo tempo em que bombardeiros foram enviados para bombardear os campos de onde decolariam os aviões alemães. Apesar disso, Coventry foi atacada com o resultado de 568 civis mortos.
Nos dias seguintes os ataques prosseguiram “tendo sido mortos 484 civis em Londres e 228 civis em Birmingham.” A retaliação britânica foi rápida: “Berlim foi bombardeada em 16 de novembro e Hamburgo foi atingida dois dias depois, matando 233 civis alemães.” (<<<<pg. 126-127)
Em 08/12/1940 outro ataque destruiu parte da Câmara dos Comuns e mais 85 pessoas morreram. 
Câmara dos Comuns atingida
Dois dias depois, finalmente, mais uma boa notícia: as tropas britânicas estavam arrasando os italianos no deserto e “o número de prisioneiros tinha subido para sete mil, entre eles três generais.” Os italianos também não estavam se dando bem na Grécia e, em ambos os casos, logo receberiam ajuda alemã.
Mas a situação financeira da Inglaterra estava rapidamente se transformando em um problema quase tão ruim quanto os aviões de Hitler. Roosevelt estava negando quase todos os pedidos de armas e suprimentos de Churchill e estava exigindo praticamente pagamento à vista.
Porém, “As compras de armas em dezembro, janeiro e fevereiro ascendiam a 1 bilhão de dólares, mas as reservas de ouro e dólares tinham sido tão esvaziadas por um ano de despesas de guerra que o total era de apenas 574 milhões de dólares.” Desse total, Roosevelt queria a metade pagos adiantados para poder seguir as entregas e chegou “ao ponto de enviar um navio de guerra à base naval de Simonstown, perto da Cidade do Cabo, para recolher 50 milhões de dólares de reservas de ouro britânicas guardadas na África do Sul.
A despeito disso as tropas britânicas no Egito avançaram até Tobruk, na Líbia. Esses avanços tinham data para acabar, pois com o conhecimento prévio (adquirido pelos decifradores de Bletchley) de que Hitler enviaria tropas para ajudar os italianos na Grécia, Churchill decidira que o exército na Líbia seria desfalcado para reforçar a resistência grega. (<<<pg. 128-129)
No início de Janeiro/1941 uma solução para o comércio de guerra entre os EUA e a Inglaterra  finalmente foi desenhada pelo Presidente estadunidense. O contrato chamado Acordo de Empréstimo e Arrendamento (Lend-Leasing) previa que “os Estados Unidos fabricariam o que a Grã-Bretanha necessitava e alugariam esse material, numa base de arrendamento, sendo o pagamento efetuado no final da guerra.”.
Antes, porém, “a Grã-Bretanha tinha de pagar todas as dívidas que pudesse em ouro e por meio da venda dos bens comerciais britânicos nos Estados Unidos.” o que significaria praticamente zerar os cofres britânicos.
Contudo, significava também que os problemas de suprimentos estavam solucionados. Isso, somado à notícia decifrada em Bletchley de que Hitler não planejava mais invadir a Grã-Bretanha, representaram um grande alívio para Churchill.
A partir dai a cooperação entre os dois países tornou-se também militar com a formação de um grupo que reunia os Estados Maiores na preparação de planos para o caso de os EUA entrarem na guerra. Aqui sugerimos ao leitor outra pausa em nossa série para ler um texto paralelo relacionado. Trata-se de “Bastidores da II Guerra”, que conta a participação de heróis quase esquecidos e também sobre os dias sombrios da Inglaterra sob ataque nazista. Para ler clique AQUI.
E aqui vai um indício a mais que alimenta teorias de conspiração de que os EUA sabiam que seriam atacados pelo Japão: “mesmo na eventualidade de uma guerra no Pacífico, o teatro de operações Atlântico-Europa continuará a ser o decisivo, se a Alemanha e os Estados Unidos entrarem diretamente em guerra.” (<<<<pg. 129-130)
No início de fevereiro as tropas britânicas seguiam avançando sobre os italianos no deserto da Líbia e fazendo prisioneiros às dezenas de milhares. No dia 12, porém, desembarcou em Trípoli o homem que se tornaria um pesadelo para os britânicos: Erwin Rommel. Em abril ele já havia feito os britânicos recuarem de volta ao Egito.
Na Grécia a situação era semelhante, os alemães avançavam rapidamente e a Iugoslávia também se tornara um alvo levando toda região dos balcãs a cair sob domínio de Hitler. Ao mesmo tempo, no Atlântico, os submarinos alemães causavam uma devastação sem precedentes no já minguado fornecimento de suprimentos vindos da América, os ataques aéreos às cidades inglesas seguiam e o número de civis mortos chegou à casa dos 30 mil.
Churchill atuava, com base nas informações decifradas em Bletchley, tentando convencer o Japão a não atacar as possessões britânicas na Ásia, bem como municiar Stalin de informações sobre as concentrações de tropas alemãs na fronteira com a URSS.
Em 10/05/1941 ocorreu o pior ataque a Londres até aquele momento, 1400 civis morreram e a cidade ardeu por três dias. O prédio da Câmara dos Comuns foi atingido novamente e Churchill disse ao filho que “Os hunos, amavelmente, escolheram um momento em que nenhum de nós estaria lá”. 
Em meio a esse tsunami de más notícias, o afundamento do encouraçado alemão Bismarck foi um pequeno bálsamo nas inúmeras feridas britânicas. As retiradas sangrentas da Grécia e da África, porém, trouxeram a dura realidade de volta. Mas, em 22/06/1941 as forças alemãs invadiram a URSS. (<<<<pg. 130-138)
Todos os conselheiros e amigos com quem Churchill conversou eram da opinião de que a URSS não resistiria nem por dois meses à invasão alemã. Então Winston fez mais uma de suas “profecias”: “Aposto um monkey contra uma mousetrap em como os russos ainda estarão lutando vitoriosamente daqui a dois anos.” o que significava 500 libras contra 1 na linguagem das corridas de cavalos.
CONTINUA


[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sábado, 31 de julho de 2021

CHURCHILL - Parte 33

CHURCHILL – Parte XXXIII [1] [2]
Os britânicos estavam na defensiva, resistindo ao imenso poderio aéreo alemão contra o qual Churchill tanto alertara anos antes. Mas os britânicos tinham uma vantagem de organização que já começava a mostrar resultados. Churchill, com todo seu ímpeto a ação, não decidia tudo ao seu bel prazer, por mais que fosse capacitado.
Havia uma estrutura ao seu redor a partir da qual as coisas aconteciam. Primeiro vinha o Estado Maior “Todas as decisões de política de guerra tinham de ser aprovadas pelos três chefes de Estado-Maior; se eles não estivessem de acordo com uma proposta de Churchill, ela não teria seguimento.” Eram eles que adequavam os planos aos recursos e faziam isso com competência. Era um pequeno grupo no qual reinava o respeito mútuo mesmo na discordância.
Depois foi criada a “Comissão Conjunta de Planejamento, composta por oficiais superiores e chefes dos serviços de informação, faria sugestões para operações militares, aéreas e navais.” Cabia a eles, também, detalhar os planos apresentados por Churchill.
Depois de detalhados os planos eram apresentados à Comissão de Chefes de Estado-Maior onde, se aprovados, iam à prática e em caso de dúvidas, iam para exame da Comissão de Defesa do Gabinete de Guerra, com participação dos chefes do Estado-Maior. É claro que isso não impedia a frustração de Churchill muitas vezes: “São sempre apresentados argumentos magníficos para não se fazer nada.”(<<<pg. 117-119)
Enquanto isso, pelo outro lado, os alemães tinham apenas a vontade de Hitler, apesar de disporem de alguns dos melhores generais do mundo, os quais tinham as mãos atadas se suas observações fossem contrárias à soberana vontade do Führer.
Mas, no início, a guerra corria muito bem para os alemães, apesar de Hitler. Em 07/09/1940 Londres sofreu o mais terrível dos bombardeios até aquele momento. 200 aviões da Luftwaffe despejaram suas bombas sobre a capital britânica. 300 pessoas morreram e Churchill ficou arrasado ao visitar os locais devastados.
Mas esse era só o começo pois em pouco tempo o número de mortos chegaria a cerca de 1000 por semana. Em 12/09/1940 o próprio Palácio de Buckingham foi bombardeado. 
No dia 15 de setembro a batalha chegou ao auge. Nada menos que 230 bombardeiros e 700 caças alemães atravessaram o Canal da Mancha para atacar a Inglaterra. Churcill acompanhou a batalha no “quartel-general do 11º Comando de Caça, em Uxbridge” onde podia ver em quadros a disposição das aeronaves e viu que, em dado momento, todos os aviões disponíveis estavam empenhados no combate.
Ao final os alemães tinham perdido quase um quarto de seus bombardeiros, 59 aviões. Mas em outubro o número de civis mortos chegou a 10.000 e pressionado a fazer uma represália, Churchill respondeu:
Essa não é uma guerra civil, e, sim, militar. Talvez o senhor e outros queiram matar mulheres e crianças. Nós queremos [...] destruir objetivos militares alemães. Aprecio sem dúvida seu ponto de vista, mas meu lema é ‘primeiro os negócios, depois o prazer. (<<<pg. 119-124)
Os ataques prosseguiram mas foram diminuindo de intensidade até que em 06/11/1940 nenhum avião alemão sobrevoou Londres e uma mensagem secreta foi decodificada pelos decifradores de Bletchley Park: “o quartel-general do 16o Exército alemão enviou instruções ultrassecretas para os comandos relevantes, ordenando que parte dos dispositivos que equipavam as barcaças de invasão na Bélgica e no norte da França fossem armazenados”. Em outras palavras, o perigo de invasão da ilha estava afastado indefinidamente. Os ingleses tinham vencido a Batalha da Inglaterra e, finalmente, poderiam deixar sua posição defensiva e tomar a iniciativa. (pg. 125)
O Egito e a Grécia estavam sob ataque italiano pois Mussolini queria reviver as glórias do Império Romano. Com inveja dos sucessos de Hitler, tomava iniciativas sem consultar ou combinar com os aliados alemães e, geralmente sem levar em conta sua verdadeira capacidade militar, atolava seus exércitos mal preparados em situações vexatórias.
Sem ter nada a ver com as diatribes do Duce, Churchill tentava providenciar auxílio militar e de suprimentos para a Grécia e o Egito. Ao mesmo tempo foi preparado e executado um ataque de torpedos aéreos (lançados por aviões) contra a frota naval italiana ancorada em Taranto quando metade dos couraçados presentes foi afundada.
Catedral de Coventry destruída
Apesar de afastada a ameaça de invasão, os bombardeios sobre a Inglaterra continuaram. E Churchill foi posteriormente acusado de permitir o bombardeio da cidade de Coventry apenas para não revelar aos alemães que havia decifrado o código das máquinas enigma.
CONTINUA



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sexta-feira, 9 de julho de 2021

CHURCHILL - Parte 32

CHURCHILL – Parte XXXII [1] [2]
Os franceses aceitaram tudo que Hitler impôs, inclusive a entrega da frota, o que Churchill não tinha a menor intenção de permitir.
Parte da frota francesa estava em Alexandria, no Egito, onde poderia ser facilmente capturada pelos britânicos de lá. Parte estava em Toulon e em Dacar, fora de alcance. Mas havia outra parte que estava em Mers-el-Kebir, em Orã.
Churchill enviou emissários a essa última base propondo algumas alternativas ao comandante local:
levar os navios para um porto inglês e juntarem-se à Marinha britânica como aliados contra a Alemanha; levar os navios para um porto britânico e entregá-los a tripulações britânicas ou irem para um porto das Índias Ocidentais Francesas e aceitarem a desmilitarização, com imediata repatriação das tripulações para a França, se assim desejassem. Foi acrescentada uma quarta possibilidade quando se provou que as três primeiras eram inaceitáveis: afundar voluntariamente os navios no porto de Mers-el-Kebir. (<<<<pg. 113)
Os comandantes franceses, entretanto, recusaram todas as alternativas em honra dos termos do armistício e, no dia 03/07/1940, Sir James Somerville ordenou a seus navios que abrissem fogo contra os navios franceses. Ao final do ataque “1.200 marinheiros franceses estavam mortos.

Para Churchill esse gesto terrível mostrou ao mundo o tamanho da determinação britânica. Por outro lado ele já atuava na preparação das ações a serem tomadas em caso de invasão. “Londres seria defendida rua por rua, bairro por bairro...” Os depósitos de combustível na costa leste deveriam ser destruídos, policiais, soldados e membros da guarda não deveriam prestar qualquer ajuda ao inimigo, somente à população civil e até as mulheres deveriam ser autorizadas a combater.
E um ataque maciço ao território da Alemanha deveria ser planejado pois seria o único caminho para derrotar Hitler, tornando inúteis suas conquistas: “Mesmo que Aquele Homem atinja o mar Cáspio, terá fogo em seu quintal quando regressar. Não adiantará nada atingir nem mesmo a Grande Muralha da China.” (<<pg. 114)
No dia 19/07/1940 veio o ultimato de Hitler: “Acabem com a guerra ou pereçam![3] 
E ele falava sério pois os bombardeios aéreos alemães prosseguiam e o número de mortos nos ataques cresciam, embora raramente fossem divulgados. Churchill admitiu estar odiando os alemães: “Nunca odiei os hunos durante a última guerra, mas agora os odeio como a uma barata.” 
Porém os pilotos da RAF já vinham se destacando na defesa aérea. Winston, porém, prosseguia procurando manter a moral elevada sem descuidar do alerta:
Esperamos sem medo o ataque iminente. Talvez chegue essa noite. Talvez chegue na próxima semana. Talvez nunca chegue. Devemos estar preparados tanto para sofrer um súbito e violento choque quanto — o que é talvez o teste mais difícil — para uma prolongada vigília. Seja a provação aguda ou prolongada, não aceitaremos condições e não toleraremos negociações; poderemos mostrar clemência, mas não a pediremos. Não apenas na Inglaterra, mas por todos os lados havia muitas pessoas “que prestarão serviços úteis nessa guerra, mas cujos nomes nunca serão recordados. Essa é uma Guerra do Soldado Desconhecido, mas esforcemo-nos sem desfalecimentos na fé ou no dever e veremos o sombrio percurso de Hitler ser banido dos nossos tempos”. (<pg. 114-115)
A ajuda americana continuava extremamente lenta, levando Churchill a ceder cada vez mais a Roosevelt como, por exemplo, o uso das bases britânicas em Terra Nova, Bermudas, Bahamas  Índias ocidentais em troca daqueles malfadados contratorpedeiros.
Mas era uma necessidade urgente pois no mar as alcateias de submarinos nazistas continuavam infligindo pesadas baixas militares e civis. No ar, porém, a despeito da perda de 526 pilotos em dois meses, a RAF estava causando, algumas vezes, o triplo de baixas à Luftwaffe:
Em 16 de agosto, Churchill acompanhou a batalha da sala de operações do 11o Comando de Caça em Uxbridge. Nesse dia, quase todas as esquadrilhas de caças estavam no ar, em combate, mas os alemães destruíram 47 aviões britânicos ainda no solo. Ao sair da sala de operações, Churchill voltou-se para Ismay: “Não fale comigo; nunca me senti tão comovido.” Depois de cerca de cinco minutos, inclinou-se para Ismay e disse-lhe: “Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos.” (<<pg. 116)
Churchill repetiu essa última frase em seu discurso no Parlamento. Concordamos com a filha do falecido Ex Primeiro-Ministro Asquith, Violet: “são palavras que viverão por todo o tempo que houver palavras”, (pg. 116)
CONTINUA 




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Journal New York and American – 19/07/1940

segunda-feira, 14 de junho de 2021

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte X

 

MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte X

CONQUISTADOR ATÉ A MORTE[10]

Em 1218 Gengis recebeu um presente inusitado, a cabeça de um de seus generais enviada pelo Império Corásmio, ao Norte da Pérsia, para onde o general tinha sido enviado em missão diplomática.

Nunca os corasmianos haviam cometido erro tão fatal.

Gengis Khan arregimentou um exército estimado em 200 mil soldados e armas de cerco e devastou as cidades da Pérsia uma a uma, matando milhões de pessoas.

Em Nixapur a devastação foi tal que não restou ninguém vivo, nem mesmo os animais e a crueldade mongol se tornou lendária, assustando a Europa por muito tempo.

Depois da Pérsia Gengis Khan enviou seus generais para a Rússia e a Ucrânia, que também tiveram vastas regiões tomadas.

Mas, em 1221 Gengis teve de retornar ao seu reino para punir Hsi Hsia que havia se recusado a enviar soldados para a expedição à Pérsia.

No dia 18 de agosto de 1227, após vencer uma batalha, Gengis morreu de uma doença que lhe causou febre e dores de cabeça por alguns dias.

Cientistas atuais acreditam que ele foi vitimado pela peste bubônica, que grassava entre as tropas na época.

Com a morte do líder, seu filho, Ogedai, se tornou o próximo Khan por escolha de Gengis. Antes, porém, seu outro filho, Tolui, exerceu o governo até a eleição que ratificou Ogedai como novo Khan.

Continua

 



[10]https://pt.wikipedia.org/wiki/Gengis_Khan – Acesso: 29/09/20




quarta-feira, 2 de junho de 2021

CHURCHILL - Parte 31

CHURCHILL – Parte XXXI [1] [2]
Quando a França caiu sob domínio Alemão, Churchill falou à nação via rádio anunciando que agora os britânicos eram os únicos vitoriosos de 1918 a seguirem lutando: “Faremos nosso melhor para sermos dignos dessa elevada honra. Defenderemos nossa ilha natal e lutaremos, inconquistáveis, até que a maldição de Hitler seja removida da humanidade. Temos certeza de que no fim tudo se recomporá.”.
Ele também ordenou a retirada das tropas da França, proibiu a divulgação do afundamento do navio de passageiros Lancastria e suas 3000 mortes e recebeu Charles de Gaulle, contratando um relações públicas para moldar a imagem do general francês para que se tornasse o foco da resistência francesa.
Além disso atuou para cessar a busca por bodes expiatórios para a crise: “De uma coisa tenho certeza: se iniciarmos uma contenda entre passado e presente, perderemos o futuro.
Ele demonstrava e buscava sempre infundir otimismo, mas não ocultava de ninguém os tempos difíceis agora mais próximos, como na ocasião em que celebrou o aumento da produção de aviões de 245 para 363 semanais: “Caberia aos pilotos [...] a glória de salvarem sua terra natal, sua ilha pátria e tudo aquilo que amam dos mais mortíferos ataques”.
Em 18/06 seu discurso, na Câmara dos Comuns, foi neste mesmo sentido:
Acho que está começando a Batalha da Inglaterra. Dessa batalha depende a sobrevivência da civilização cristã. Dela depende nossa vida britânica e a longa continuação de nossas instituições e de nosso império. A fúria e o poderio do inimigo devem voltar-se contra nós em breve. Hitler sabe que precisará vencer-nos nessa ilha ou perderá a guerra. Se conseguirmos fazer-lhe frente, toda a Europa pode ser livre, e a vida do mundo pode caminhar para terras mais vastas e mais ensolaradas, mas, se falharmos, então todo o mundo, inclusive os Estados Unidos e tudo o que conhecemos e de que cuidamos, cairá no abismo de uma nova era de trevas, ainda mais sinistra, e talvez mais prolongada, pelas luzes de uma ciência pervertida. Por isso, vamos juntar-nos em torno do nosso dever e empenharmo-nos em que, se o império britânico e sua comunidade durarem mil anos, os homens possam dizer: “Foi seu mais glorioso momento.” (<<<<<pg. 110-111)
Os bombardeios alemães já voavam sobre a Inglaterra. 120 deles causaram 9 mortes de civis a Leste do pais. Era uma situação que se tornaria corriqueira, avisou Churchill em sessão secreta do Parlamento. O atraso da ajuda americana e a expectativa pela invasão levou Winston a uma tensão extrema que acabava sendo descontada nos auxiliares próximos. 
Clementine precisou intervir através de uma carta que foi escrita, depois rasgada e depois enviada a ele em pedaços:
Meu querido,
Espero que me perdoe por dizer algumas coisas que sinto que você deve saber. Um homem próximo de você (um amigo devotado) procurou-me e disse-me que há o risco de seus colegas e subordinados não simpatizarem com você devido ao seu jeito duro, sarcástico e autoritário — [...] Por outro lado, se é sugerida uma ideia (digamos, numa palestra), você é tão desdenhoso que atualmente já não são sugeridas ideias, sejam boas ou más.
[...]
Meu querido Winston, devo confessar que notei uma deterioração nos seus modos; não é tão amável quanto costumava ser. [...] Além disso, você não conseguirá os melhores resultados por meio da irascibilidade e da rudeza. Eles criarão desafeição ou uma mentalidade de escravos. […] Por favor, perdoe sua amada, devotada e vigilante. Clemmie. (<pg. 111-112)
Quando as negociações para rendição francesa começaram os alemães exigiram, como esperado, a entrega dos navios da Marinha Francesa e levaram os franceses a assinar sua rendição no mesmo lugar (Floresta de Compiègne) e no mesmo vagão de trem (Vagão n° 2419 D [3]) no qual a Alemanha assinara o armistício de 1918. 
Sugerimos uma pausa para leitura do texto indicado na Nota de Rodapé acima, que conta a História da rendição francesa. Também pode ir diretamente clicando AQUI.
Hitler dançou de alegria neste dia 22/06/1940 e depois foi visitar Paris onde declarou “Foi o sonho da minha vida poder ver Paris. Eu não posso dizer como estou feliz por ter esse sonho realizado hoje.”. 
Após a visita ao túmulo de Napoleão ele disse que “Esse foi o maior e melhor momento da minha vida”. [4]
Hitler pensou em desfilar mas depois desistiu da ideia: “Eu não estou com disposição para um desfile de vitória. Ainda não estamos no final.[5] Os soldados alemães, no entanto, desfilaram triunfantes pela Avenida Champs Elysée.
Os Parisienses choram ao assistir as tropas alemãs desfilarem em sua capital.

CONTINUA

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Conheça nosso texto sobre esse vagão no link abaixo:
     http://reino-de-clio.blogspot.com/2014/01/o-bonde-da-historia.html

[4]   Hitler's triumphant tour of Paris, 1940
     https://rarehistoricalphotos.com/hitler-in-paris-1940/

[5]   Ibid.

sábado, 8 de maio de 2021

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte IX

 




MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte IX

KARAKORUM

Não se pode imaginar a capital de Gengis Khan como uma cidade cheia de construções de pedra como Roma, ou de madeira, como uma cidade Viking, pelo menos não no início.

Devemos lembrar que os mongóis eram um povo nômade e suas casas eram barracas, como já mencionamos antes.

Gengis determinou a construção, escolheu o local, mas não liderou as obras, por assim dizer. E a maior parte da organização foi feita por seu sucessor.

Uma característica da capital mongol chamou muito nossa atenção, através do relato do missionário franciscano de Flandres (Bélgica atual) William de Rubruquis.9

Ele viajou em missão de catequese dos Tártaros por ordem do Rei Luis IX da França, a quem acompanhara na Sétima Cruzada, e chegou a Karakorum em 1254.

Seu relato, de toda a viagem, foi feito ao rei em uma obra de 40 capítulos, sendo 10 deles dedicados à observação dos mongóis e os restantes a relatar a viagem.

William revela, de forma bem crítica, dado seu olhar cristão, uma liberdade religiosa impressionante entre os mongóis, pois encontrou diversos tipos de credos religiosos coexistindo.

Continua

9The iournal of frier William de Rubruquis a French man of the order of the minorite friers, vnto the East parts of the worlde. An. Dom. 1253. Disp.:

https://web.archive.org/web/20090211172338/http://etext.library.adelaide.edu.au/h/hakluyt/voyages/rubruquis/chapter2.html – Acesso: 03/03/21 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

CHURCHILL - Parte 30

CHURCHILL – Parte XXX [1] [2]
No dia 04/06/1940, dia do encerramento da Operação Dynamo, Churchill falou ao Parlamento pronunciando um discurso histórico e emocionante mesmo para quem lê suas palavras 81 anos depois:
Apesar de muitas partes da Europa e muitos antigos e famosos Estados terem caído ou poderem vir a cair nas garras da Gestapo e do odioso dispositivo do domínio nazista, não desanimaremos nem falharemos. Iremos até ao fim. Lutaremos na França, lutaremos nos mares e nos oceanos, lutaremos com crescente confiança e crescente força no ar, defenderemos nossa ilha, o que quer que isso custe. Lutaremos nas praias, lutaremos nos aeródromos, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nos montes, e nunca nos renderemos. E mesmo que, e nem por um momento acredito nisso, esta ilha ou grande parte dela for subjugada e passe fome, então nosso império para lá dos mares, armado e guardado pela Armada Britânica, continuará a luta, até que, se Deus o permitir, o Novo Mundo, com todo o seu poder e toda a sua força, caminhe para resgatar e libertar o Velho Mundo. (pg. 105)
O país foi inflamado pelo discurso. Aliás, inflamou a mim da primeira vez em que o li (e todas depois), imagine aos ingleses que viviam aqueles dias sombrios. Choveram felicitações e apoio de todos os lados: “Valeu por mil canhões e pelos discursos de mil anos”, escreveu o deputado trabalhista Josiah Wedgwood.
Churchill estava preocupado e confiante em semelhante medida: “Estamos atravessando tempos muito difíceis e creio que o pior está para vir, mas também estou certo de que melhores dias virão, embora seja mais difícil saber se estaremos vivos para vê-los.” E os tempos difíceis logo chegavam pois, em 05/06/1940 Hitler ordenou o início da ofensiva final até Paris. (<pg. 105)
Rommel na França
E essa ofensiva avançou tão rapidamente que nenhuma ajuda teve tempo sequer de ser planejada. Em 09/06/1940 Churchill recebeu a visita de Charles de Gaulle, recém-nomeado subsecretário de Defesa Nacional da França “para pedir que toda a Força Aérea britânica se envolvesse na batalha da França.”, pedido que era impossível a Winston atender, uma vez que todos os aviões seriam necessários na defesa da ilha contra o ataque que certamente viria.
As tropas britânicas, sob comando do General Fortune, foram empurradas para praia onde um nevoeiro impediu a evacuação.  Para piorar as coisas a Itália de Mussolini declarou guerra à Inglaterra e à França em uma atitude claramente oportunista.
Itália entra na Guerra
No dia 10/06 Churchill visitou a França para encorajar a resistência mas antes mesmo de partir o governo francês abandonou Paris diante da iminente chegada das tropas alemãs. O desespero já minava o alto comando: “Reynaud [3] e De Gaulle [4] eram os únicos que tentavam dar continuidade à luta, possivelmente a partir do oeste da França. Weygand [5] e Pétain [6] estavam convencidos de que a luta já estava perdida.” 
Reynald - DeGaulle - Weygand - Pétain
Churchill pediu mais algumas semanas de resistência informando que logo chegariam tropas britânicas do Canadá, de Narvik e da própria Inglaterra.
Mas a França não possuia mais reservas e a ideia de resistir em Paris e ver a cidade ser destruída horrorizava a todos. Neste caso não vejo como discordar. Quem em sã consciência iria arriscar a destruição de Paris? “Nessa noite, Reynaud disse a Churchill que Pétain já o tinha informado de que seria necessário buscar um armistício”.
Em 12/06 “o general Fortune foi obrigado, pelo poder da artilharia e pela aviação alemães, ambos superiores, a render-se em St. Valery-en-Caux.” A partir dai a situação degringolou rapidamente.
O Tsunami Alemão na França
Em 14/06 Weygand recusou-se a resistir na Bretanha (região no litoral da França) e Churchill suspendeu qualquer envio de novas tropas à França. Em 15/06 os EUA não aceitaram fazer nenhuma declaração beligerante contra a Alemanha.
No dia 16/06 o Gabinete de Guerra britânico concordou em permitir que a França negociasse a paz em separado “na condição, mas apenas nessa condição, de a armada francesa zarpar imediatamente para portos britânicos” o que foi recusado. Durante a noite Reynaud renunciou, Pétain assumiu o governo e pediu o armistício. A França estava fora da guerra e sob domínio alemão. (<<<<<<<pg. 106-110)
CONTINUA 



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Paul Reynaud (Barcelonnette, Basses-Alpes, 15/10/1878 - Neuilly-sur-Seine, Seine, 21/09/1966) foi um político francês. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 21/03/1940 e 16/09/1940.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Reynaud

[4]    Charles André Joseph Marie de Gaulle (Lille, 22/11/1890 – Colombey-les-Deux-Églises, 09/11/1970) foi um general, político e estadista francês que liderou as Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde fundou a Quinta República Francesa em 1958 e foi seu primeiro Presidente, de 1959 a 1969.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_de_Gaulle

[5]    Maxime Weygand (21/01/1867 - 28/01/1965) foi um comandante militar francês na Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial. Weygand serviu principalmente como um oficial no staff de Ferdinand Foch na Primeira Guerra Mundial. Ele lutou contra os alemães durante a invasão da França em 1940, mas depois se rendeu e parcialmente colaborou com os alemães como parte do regime de Vichy antes de ser preso pelos alemães por não colaborar totalmente com eles.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Maxime_Weygand

[6]   Henri Philippe Benoni Omer Joseph Pétain (Cauchy-à-la-Tour, 24/04/1856 – Île d'Yeu, 23/07/1951), geralmente apelidado de Marechal Pétain, foi um oficial general francês que alcançou a distinção de Marechal da França e posteriormente atuou como chefe de estado da França de Vichy de 1940 a 1944. Pétain, que tinha 84 anos em 1940, classifica-se como o mais velho chefe de estado da França. Hoje, ele é considerado por muitos como um colaborador nazista, o equivalente francês de seu contemporâneo Vidkun Quisling na Noruega. Ele às vezes era apelidado de Leão de Verdun. 
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_P%C3%A9tain