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terça-feira, 23 de julho de 2019

CHURCHILL - Parte 10



 CHURCHILL – Parte X [1] [2]
A questão do armamentismo alemão prosseguia e Churchill foi impedido de viajar à Alemanha, onde pretendia encontrar-se com o Almirante Tirpitz e o próprio Kaiser para costurar um acordo que reduzisse a corrida armamentista. (pg. 284)
Impedido de costurar a paz, Churchill prosseguiu preparando-se para guerra. Negociou a compra de “51% de participação nos lucros de todo o petróleo produzido pela Anglo-Persian Oil Company, assim como o direito a ser o primeiro utilizador de todo o petróleo produzido...” o que supria todas as necessidades de combustível da Marinha, bem como cobria os custos da construção naval. (pg. 286)
Tal medida mostrava, mais uma vez, a capacidade quase profética de Churchill, pois 11 dias após a aquisição do petróleo persa, o Arquiduque Franz Ferdinand [3] foi assassinado em Sarajevo juntamente com sua esposa, Sofia, Duquesa de Hohenberg.




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Franz Ferdinand Karl Ludwig Joseph Maria von Österreich-Este; (Graz, 18/12/1863 - Sarajevo, 28/06/1914) foi um arquiduque da Áustria, chefe do ramo cadete de Áustria-Este e herdeiro presuntivo do trono do Império Austro-Húngaro. Filho mais velho do arquiduque Carlos Luís (irmão dos imperadores Francisco José I da Áustria e Maximiliano do México) e da princesa Maria Anunciata das Duas Sicílias, ele herdou de seu primo, o duque Francisco V de Módena, a chefia da Casa de Áustria-Este, tornando-se pretendente ao trono do extinto ducado quando tinha apenas 12 anos de idade. Em 1889, com a morte do arquiduque Rodolfo, único filho varão de Francisco José I, no chamado Incidente de Mayerling, seu pai tornou-se o primeiro na linha de sucessão ao trono austro-húngaro, mas renunciou aos seus direitos em seu favor. Sua morte num atentado em Sarajevo, em 28 de junho de 1914, foi um dos estopins da Primeira Guerra Mundial.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Fernando_da_%C3%81ustria-Hungria
Arquiduque Franz Ferdinand - Duquesa de Hohenberg Sofia
Mas nas primeiras semanas após o fato ninguém acreditava (nem Churchill) que pudesse haver uma guerra e a pauta da reunião do governo liberal era a Irlanda e suas questões de autonomia. (pg. 287-289)
No entanto, quando a Áustria apresentou um ultimato à Sérvia, do qual Churchill tomou conhecimento em uma reunião do Gabinete, sua impressão foi que “parecia absolutamente impossível que qualquer Estado pudesse aceitar aquele ultimato ou que essa aceitação, por mais abjeta que fosse, satisfizesse o agressor.
E, de fato, era um documento elaborado para não ser aceito mesmo pois, apesar de a Sérvia ter concordado em atender quase todas as exigências austríacas, sua resposta foi rejeitada. (<pg. 289)


Diante da possibilidade, agora quase inevitável de uma guerra, só restou a Churchill trabalhar pela proteção de sua ilha. As frotas navais foram impedidas de dispersão ou receberam ordens para retornar e permanecerem estacionadas nos portos, os depósitos de munição e combustível foram guarnecidos, a frota do Mediterrâneo foi deslocada para Malta, os aviões foram concentrados no estuário do Rio Tâmisa, para defesa aérea. 
Somente a Primeira Esquadra entrou em movimento, tendo sido enviada ao Mar do Norte. E ainda “as embarcações civis foram retiradas dos portos militares e foram enviados guardas armados para pontes e viadutos e vigias para a costa, com a ordem de informarem da presença de qualquer embarcação hostil.” (<pg. 292-294)
Os políticos britânicos, inclusive o governo, estavam divididos em relação a entrar em uma eventual guerra. Alguns defendiam, como Churchill, que a Inglaterra entrasse em guerra contra a Alemanha se esta declarasse guerra contra a França, outros argumentavam que não havia nenhum tratado assinado neste sentido, mas apenas em relação à Bélgica. E ainda havia aqueles que não queriam entrar em guerra de jeito nenhum, com ou sem tratado. (pg. 295-297)
Mas nos últimos dias de julho a situação degringolou como em um efeito dominó. A Rússia se posicionou ao lado da Sérvia contra a Áustria que, por sua vez, declarou guerra à Sérvia em 28/07 levando a Rússia a mobilizar suas tropas dois dias depois, em 30/07. Imediatamente a Alemanha exigiu que os russos voltassem atrás, ficando no aguardo da resposta do Csar Nicolau II.
Quando a França se mobilizou, a Alemanha fez o mesmo e, em 01/08, sem uma resposta do Csar, declarou guerra contra a Rússia. Em 02/08 os alemães pediram à Bélgica passagem para suas tropas e, quando esta recusou o pedido em 03/08, os alemães passaram assim mesmo.
Em 04/08 a Inglaterra declarou guerra a Alemanha. Em 06/08 foi a vez da Áustria declarar guerra contra a Rússia e, logo, Montenegro, Turquia, Itália e até o Japão estavam no conflito.

Nas primeiras semanas da guerra a “profecia” do avanço alemão de Churchill se cumpriu milimetricamente e, a despeito de alguns sucessos aqui e ali, as tropas britânicas, francesas e belgas recuavam continuamente diante do poderio das tropas do Kaiser. 
Winston atuava freneticamente, tanto na Inglaterra quanto na França para a qual viajou nada menos que quatro vezes, para inspeções e para incentivar o moral das tropas. Também viajou para a Antuérpia (Bélgica) quando esta estava prester a ser abandonada pelos defensores e cair em mãos alemãs e decidiu ficar para incentivar a resistência o máximo possível.
Nesta ocasião sua presença perto da frente de combate foi relatada por um jornalista italiano: “Fumava tranquilamente um longo charuto e via o decorrer da batalha debaixo de uma chuva de projéteis no mínimo assustadora.” (<pg. 302-309)
No regresso da Bélgica em 07/10/1914, Churchill visitou a esposa e conheceu a filha Sarah, nascida naquele mesmo dia. Ele conseguira que Antuérpia resistisse por mais uma semana e isso permitira um seguro reagrupamento das forças britânicas em Flandres. (pg. 312)
Churchill se movimentava com desenvoltura, no entanto algumas de suas ações eram deturpadas e sempre criticadas pela mídia ligada aos conservadores, por vezes transformando vitórias em derrotas ou atribuindo-lhe a culpa de erros dos outros. Faziam isso, muitas vezes, por não ter, e tampouco buscar, as informações corretas sobre os acontecimentos. (pg. 312-314)
Quando dezembro de 1914 chegou Churchill já planejava uma ação contra Galipoli, ao mesmo tempo em que planejava a tomada da Ilha de Bornholm, pertencente a Dinamarca. Uma base em Bornholm permitiria desembarques de tropas britânicas e russas que teriam acesso mais curto ao território alemão, podendo apressar o fim da guerra. (pg. 316)
Contudo, embora outros membros do comando de guerra passassem a apoiar uma ação em Galipoli, inclusive para atender a um pedido de auxílio russo, em janeiro de 1915 Churchill estava mais empenhado nas ações no Mar do Norte. (pg. 319)
Foi neste mês de janeiro que Churchill fez referência, pela primeira vez a um veículo semelhante ao tanque de guerra, que ainda não existia, mas que já povoava a imaginação dos militares britânicos como uma necessidade para romper a imobilidade da guerra de trincheiras. É muito curiosa a forma como Winston se refere àquela ideia:
Seria bastante fácil conseguir, em pouco tempo, tratores a vapor com áreas de proteção blindadas nas quais se poderiam colocar homens e metralhadoras. Usados à noite, não seriam afetados por fogo de artilharia. O sistema de esteira permitiria atravessar as trincheiras e o peso das máquinas destruiria todos os obstáculos de arame farpado. Quarenta ou cinquenta dessas máquinas, preparadas secretamente e colocadas em posição ao cair da noite, poderiam quase certamente avançar para as trincheiras inimigas, esmagando todos os obstáculos e varrendo as trincheiras com suas metralhadoras e com granadas lançadas por cima. Conseguiriam assim muitos points d’appui para que as tropas de apoio da infantaria britânica pudessem avançar e reunir-se a eles. Podem então continuar para atacar a segunda linha de trincheiras.. (<pg. 319-320)
Mas foi somente em janeiro que a denominação tanque surgiu nesta forma e por um motivo prosaico. Ele seria:
um veículo blindado que transportasse armamento e pudesse ultrapassar obstáculos, trincheiras e arame farpado. […] um “navio terrestre” [...]. Para confundir supostos espiões, chamou os veículos de “caixas d’água para a Rússia”, mas, quando foi sugerido que poderiam vir a ser conhecidos como “banheiros para a Rússia”, o nome foi mudado para “tanques de água” e abreviado para “tanques”. (<pg. 325)


CONTINUA

TEXTO: VALE A LEMBRANÇA 3





Cartago era neste local.

A BATALHA DE CANAS1
O desespero tomou conta de Roma quando a notícia da tragédia militar do Lago Trasímeno, derrota catastrófica imposta por Hannibal ao exército romano, chegou à cidade e a situação ficou ainda mais crítica quando se soube que cerca de 4 mil cavaleiros foram mortos ou presos em emboscada quando tentavam socorrer as tropas de Flamínio.
Então o Senado, fazendo uso de um recurso extremo, elegeu, por meio de votação popular, um Ditador. O escolhido, Quintus Fabius Maximus, concentrava o poder dos dois cônsules por um período de seis meses. Como garantia de manter algum controle, o Senado nomeou o segundo em comando, o Magister Equitum Minucius Rufo.
Um recrutamento foi logo convocado para formação de quatro legiões. A falta de opções mais favoráveis fez com que predominassem soldados veteranos ou muito jovens. O autor Mark Healy1 informa que, segundo Tito Livio, Fabius partiu com duas legiões, informação mais confiável que a de Polibio, quando diz que o Ditador levou as quatro legiões recém-formadas.
Assim, quando reuniu-se às quatro legiões de Gemino, Fabius Maximus partiu para o Sul ao encalço de Hannibal, contando agora com cerca de 30 mil homens sob seu comando supremo.
Hannibal, por sua vez, seguira pela Úmbria para a costa do Mar Adriático (arredores de Piceno), onde recuperou e descansou suas forças, avançando ainda mais para o Sul, saqueando e queimando colheitas.
Cidade de Piceno.
As tropas de Fabius alcançaram Hannibal nas imediações da Apúlia e este logo ordenou a posição de batalha, mas os romanos não lhe concederam o combate. Aquartelaram-se em um terreno mais elevado e aguardaram, adotando uma tática quase de guerrilha, com pequenas escaramuças que minavam o moral das tropas cartaginesas e aumentava a própria.
Arredores da atual Apulia.
Mas Hannibal não podia aguentar tal desgaste por muito tempo e levantou acampamento em direção Oeste, onde passou por Benevento e atacou Campânia saqueando e incendiando a fértil região de Falernus. O plano era que as províncias se sublevassem contra Roma, mas isso não ocorreu. Tampouco Fabius concedeu o desejado combate aos cartagineses, apesar da fortíssima oposição de Minucius Rufo e dos oficiais. Entretanto, o caminho de saída de Falernus foi bloqueado em um desfiladeiro por 4 mil soldados romanos.
Atual região de Campânia, ao sul de Benevento.

A fértil região do Ager Falernus nos dias atuais.
Sem poder passar o inverno naquele vale, Hannibal elaborou uma brilhante estratégia para atravessar o desfiladeiro guarnecido pelos romanos. Improvisou tochas nos chifres de 2 mil bois e os enviou por outro caminho. Pensando que os cartagineses estavam saindo por outra rota, os romanos abandonaram o desfiladeiro e Hannibal o atravessou tranquilo seguindo, depois, para a cidade de Geronium, que logo tomou e massacrou os habitantes.
Região de Campobasso, ao sul de Larino. A vila de Geronium ficava na área.
E para melhorar a situação de Hannibal, Fabius foi chamado a Roma onde recebeu dos senadores o pejorativo título de Cunctator (Contemporizador). O comando ficou com Minucius e este, por conta de um erro de Hannibal, conseguiu a vitória em um pequeno confronto, o que aumentou a confiança do Senado em uma vitória em campo aberto e rendeu ao vitorioso poderes equiparados ao do Ditador Fabius.
Com o comando dividido, Fabius e Minucius separaram as tropas e Minucius logo foi atacar Hannibal perto de Geronium, sendo salvo da aniquilação total por Fabius. Por sorte o inverno já se aproximava novamente e a campanha foi suspensa.
Com o fim do prazo da ditadura de Fabius, os dois novos cônsules assumiram o comando das tropas em meio às disputas políticas do Senado, onde as facções dividiam-se quanto a estratégia para enfrentar Hannibal. Os Cônsules eleitos, adeptos da estratégia de atacar, foram Varrão e Emílius Paulo, os mandatos de Gemino e Régulo foram renovados e oito novas legiões foram mobilizadas. Segundo os números de Políbio, Roma contava agora com 80 mil soldados e 6 mil cavaleiros.
Ao final do inverno Hannibal saiu de Geronium e dirigiu-se a Canas, uma cidadela em ruínas onde os romanos armazenavam grãos, azeite, etc. Na Região, além dos alimentos, Hannibal posicionava-se muito bem estrategicamente e forçava dois movimentos dos romanos, a busca de alimentos em outros locais e o tão esperado confronto.
Nesta colina ficava a cidadela de Canas (Cannae), que Hannibal tomou junto com os suprimentos romanos.  
Vista aérea de Canas, atual região de Canne della Bataglia.
Mark Healy1 acredita que o cartaginês montou seu acampamento onde hoje fica a cidade de San Ferdinando di Puglia, e que os romanos se estabeleceram nas imediações da atual Trinitapoli, divididos em dois campos.
Periferia de San Ferdinando di Puglia, provável local do acampamento de Hannibal.  
Periferia de Trinitapoli, provável local do acampamento romano. 
O local da batalha no contexto do mapa da Itália. 

No alto Trinitapoli, no meio San Ferdinando di Puglia e abaixo a colina de Canas.
Em 02 de agosto de 216 a.C., 70 mil romanos cruzaram o Rio Aufido (atual Ofanto) e 10 mil permaneceram na guarda dos acampamentos. Ao lado direito das tropas, comandando 1600 membros da cavalaria, o Cônsul Emílius Paulo, que escolheu ficar com o rio à sua direita, de modo a limitar o terreno dos cartagineses.
Ponte sobre o Rio Aufido (atual Òfanto) cruzado pelos romanos para a batalha.
Na esquerda, em outra seção da cavalaria, com 4800 membros, o Cônsul Varrão, tendo seu terreno delimitado por algumas colinas. 
O plano era forçar um combate frontal entre as cavalarias, permitindo que a infantaria romana, bem mais numerosa que a de Hannibal, desse conta do recado. Mas, essas delimitações não dificultavam apenas a mobilidade cartaginesa... O espaço de manobra da própria infantaria era mínimo.
Hannibal, por sua vez, posicionou suas cavalarias em frente às romanas, mas não formou sua infantaria em linha reta, adotando, porém, uma formação em curva que obrigaria os romanos a avançar as laterais de sua infantaria para a área entre as tropas e cavalarias de Cartago.
Quando o combate finalmente começou, a cavalaria sob comando de Paulo foi a primeira a ceder e os cavaleiros de Hannibal tiveram terreno livre para contornar a retaguarda romana e atacar a cavalaria de Varrão por trás.
As linhas vermelhas mostram o movimento das tropas romanas e as azuis são os soldados de Hannibal.
No choque das infantarias as tropas romanas obrigaram os cartagineses a recuar, mas não conseguiram romper a linha, apenas fizeram o côncavo virar convexo (ou vice-versa, não sei), e rapidamente tinham entrado na armadilha. Com a pressão imensa de tantos soldados avançando e empurrando, logo os romanos não conseguiam nem levantar os braços para usar as espadas.
Quando as cavalarias cartaginesas livraram-se de seus oponentes romanos, fecharam o cerco pela retaguarda das legiões e o massacre começou.
Muitos morreram sem poder se mover.
Foi um terrível banho de sangue no qual 47 mil soldados romanos foram mortos, assim como 2700 cavaleiros, dentre estes estavam Paulo, Gemino e Minucius. Quase 20 mil romanos foram feitos prisioneiros. Os que conseguiram escapar refugiaram-se em Canusium (atual Canosa di Puglia).

Entrada de Canusium, atual Canosa di Puglia, local de refúgio dos romanos que conseguiram escapar do massacre de Canas.
Porém, mais uma vez, Hannibal relutou em atacar Roma diretamente, preferindo forçar novos combates em campo aberto do que cercar a cidade. Mas o erro de um combate como esse não seria mais cometido por Roma. A resposta da cidade foi que não negociaria.
Roma sabia que tinha o tempo em seu favor e ordenou novo recrutamento. A cidade eterna dispunha de recursos aparentemente ilimitados e adotara uma nova estratégia.
Hannibal veria, aos poucos, suas tropas serem reduzidas pelas necessidades de controlar áreas tomadas e, sem receber reforços de Cartago, foi enfraquecendo, mas a memória de sua espetacular vitória naquele dia, viveria para sempre.

1Todas as informações deste texto provém da obra “Canás 216 a.C. - Aníbal dizima as legiões” (da série Grandes Batalhas da Osprey), de autoria de Mark Healy. As imagens são de vários sites da internet e do Google Street View.





DOIS DE JULHO
INDEPENDÊNCIA DA BAHIA
No ano de 1823, no dia 02 de Julho, ocorria a entrada, em Salvador, de quase nove mil militares que travaram a guerra pela antiga capital do Brasil, após a Proclamação da Independência.
Quando as cortes portuguesas retornaram a Lisboa em 26/04/1821, a Bahia já estava dividida entre os que apoiavam a manutenção do status do Brasil como Reino Unido a Portugal, e os que desejavam a volta do país à condição de colônia.
 
Os conflitos na Bahia começaram antes do Sete de Setembro. Em 12/07/1821 os portugueses residentes em Salvador já se aquartelavam para a luta e em 12/11/1821 ocorreu um confronto com soldados brasileiros na Praça da Piedade, com vários mortos de saldo.
Quando foi nomeado um Comandante das Armas contrário aos desejos dos brasileiros, o Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo, a situação se tornou irreversível.
A posse do comandante foi atrasada enquanto a população demonstrava seu apoio ao Brigadeiro Manuel Pedro. Mas Madeira de Melo conseguiu ser empossado como membro de uma junta militar e em 18/02/1822 desfilou provocativamente pelas ruas da cidade.
No dia 19/02/1822 os conflitos começaram. Inicialmente os portugueses saíram em vantagem, tomando um quartel e chegando mesmo a invadir o Convento da Lapa, onde foi assassinada a abadessa Joana Angélica. O Forte São Pedro foi tomado e o Brigadeiro Manuel Pedro foi preso e enviado a Lisboa. Madeira de Melo triunfara.
Mas foi uma vitória que não trouxe a paz. Alguns dias depois, em 21/03/1822, os portugueses foram apedrejados na procissão de São José. Com o passar das semanas os brasileiros foram organizando a resistência no Recôncavo Baiano com a adesão de várias cidades.
Mas, enquanto os portugueses recebiam reforços, os brasileiros não podiam contar com o apoio de D. Pedro, ainda preso aos laços de Portugal. Somente após a Proclamação da Independência o Rio de Janeiro enviou reforços aos brasileiros.
Obrigados a desembarcar em Maceió, as forças do General Labatut, conseguiram arregimentar reforços na marcha por terra de Alagoas à Bahia.
Vários combates ocorreram, com destaque para a Batalha do Pirajá, onde os portugueses quase obtiveram uma vitória devastadora. Os brasileiros já receberiam a ordem de retirada, mas o Corneteiro Luis Lopes mudou o toque para Carga de Cavalaria. Mas não havia uma cavalaria!
Os portugueses, pensando que seriam atacados pelos cavalarianos, assustaram-se e recuaram, ao passo que os brasileiros contra-atacaram, vencendo a batalha!
Com esta derrota e o bloqueio naval de Salvador pela armada do Almirante Thomas Cochrane, o destino dos portugueses comandados por Madeira de Melo estava selado.
Em 02/07/1823 eles embarcaram em 83 barcos rumo a Portugal. As tropas vitoriosas no Pirajá, sob comando do Coronel João de Souza Meira Girão, foram as primeiras a adentrar triunfantes a capital, Salvador, passando sob o arco de flores feito pelas freiras do Convento da Soledade. Viva a Bahia e o Brasil!

Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Bahia#2_de_julho:_data_m.C3.A1xima_da_Bahia

Imagens:
Antônio Parreiras: O Primeiro Passo para a Independência da Bahia, Palácio do Rio Branco, Salvador, Bahia.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Bahia#/media/File:Parreiras_O_Primeiro_Passo_para_a_Independ%C3%AAncia_da_Bahia.png

Presciliano Silva. Entrada do Exército Libertador
http://www.cms.ba.gov.br/memorial_fato_int.aspx?id=4

http://manualdoturista.com.br/bahia-independencia-do-brasil/

http://www.luizmotivador.com.br/materia/educacao/11187/Hoje+%C3%A9+celebrado+o+2+de+julho,+Dia+da+Independ%C3%AAncia+da+Bahia




A QUEDA DE ANA BOLENA
Em um dia 17/05 como este, no ano de 1536, Anne Boleyn (Ana Bolena) perdia o posto de Rainha Consorte da Inglaterra por ordem do Rei Henrique VIII, até então seu marido.
Terminava o casamento que mudara a História da Inglaterra e do Cristianismo, por ter ocasionado a separação entre o Rei e a Rainha original, Catarina de Aragão, e por ter levado Henrique VIII a romper com a Igreja Católica, fundando a Igreja Anglicana.
Ana Bolena nasceu em data e local incertos entre os anos de 1501-1507 em "Blickling, Norfolk ou Hever, Kent, Inglaterra". Seus pais eram Thomas Bolena, 1.º Conde de Wiltshire e Elisabeth Howard. Ele linguista e diplomata da corte do Rei Henrique VII, ela filha do Duque de Norfolk.
Ana Bolena em dois momentos de sua vida. Jovem e mais velha.
Ana passou toda sua vida frequentando as cortes da Europa. Foi educada na corte dos Países Baixos, junto a Margarida, Arquiduquesa da Áustria. Depois passou alguns anos na corte da França, ao lado da Rainha Cláudia de Valois.
Ao retornar à Inglaterra tornou-se dama de companhia de Catarina de Aragão, esposa do Rei Henrique VIII, notório por seus casos extraconjugais dos quais o mais recente era com a irmã de Ana, Maria Bolena.
Tataraneta de um chapeleiro e aparentada com um santo (São Thomas Becket), a vida de Ana Bolena foi sempre cercada dos mexericos das cortes e da busca incessante de poder e influência junto ao Rei por parte de seus familiares. Rumores chegaram a afirmar que ela seria filha de Henrique VIII, que teria sido amante da mãe de Ana na juventude, o que certamente teria sido um escândalo de proporções bíblicas!
Mas o boato perde credibilidade quando é fortemente apoiado pelos católicos adversários do rei, que negava ter tido qualquer envolvimento com Elizabeth Howard. O mais provável é que tenha ocorrido uma confusão entre os nomes da mãe de Ana com Elizabeth Blount, essa sim, conhecida amante do rei.
Antes do casamento real com Henrique VIII, Ana quase se tornou Condessa na Irlanda, por conta de um arranjo de casamento que não chegou a se concretizar. Por amor, ela quase se casou com Henry Percy, futuro Conde de Northumberland, com quem Ana teve um relacionamento secreto que foi descoberto e proibido por influência do Cardeal Wolsey, então Chanceler da Inglaterra.
Quando Ana e o Rei se conheceram ele era amante de Maria Bolena e já estava descontente com sua esposa legítima, a Rainha Catarina de Aragão, por esta não lhe dar um herdeiro homem para assumir a coroa. Encantado com a moça, que não era tão bela mas era espirituosa e bem humorada, Henrique VIII logo começou a cortejá-la insistentemente, sendo sempre recusado.
Esta recusa teria sido a provável causa do grande encantamento do Rei por Ana, que mostrou grande determinação ao afirmar que se não pudesse ser esposa, amante não seria.
A partir dai Henrique VIII, usando o argumento da falta de um herdeiro homem e do suposto parentesco com a Rainha, que seria sua cunhada (viúva de seu irmão), trabalhou junto ao Vaticano para anulação do casamento.
Carta da Inglaterra ao Vaticano para anulação do casamento de Henrique VIII.

A carta seguiu com 85 selos de nobres que apoiavam a solicitação do Rei. 
Mas a Rainha Catarina tinha aliados poderosos como seu sobrinho Carlos V da Espanha, de modo que o Papa Clemente VII negou a anulação do casamento levando Henrique VIII a casar mesmo assim, rompendo com a Igreja e fundando a Igreja Anglicana.
O casamento ocorreu em segredo, no dia 25/01/1533, quando Ana já estava grávida. O divórcio do Rei e da Rainha só foi oficializado em 23/05/1533 e o casamento com Ana foi validado em 28/05 do mesmo ano. Poucos dias depois, em 01/06, Ana Bolena foi coroada na Abadia de Westminster.
Relativamente poucas pessoas compareceram ao banquete cerimonial, mostrando a forte impopularidade da nova rainha. Quando as notícias chegaram a Roma, Henrique VIII foi excomungado pelo Papa.
Henrique VIII e o Papa Clemente VII.
Tamanho escândalo foi se revelando infrutífero na medida em que os meses se passavam. É certo que Ana já estava grávida, mas o herdeiro masculino não veio, nascendo Elisabeth no dia 07/09/1533. As novas gravidezes resultaram em abortos ou em herdeiros que logo morreram e novas e desesperadas tentativas de engravidar não deram resultado.
O casamento também se deteriorou porque Ana não soube ou não quis lidar pacificamente com os casos extraconjugais do marido, talvez por receio de ser descartada caso uma das amantes desse ao rei o tão sonhado herdeiro homem. Há relatos de que a rainha chegou a agredir fisicamente a nova amante do Rei, Jane Seymor.
A Rainha Catarina de Aragão e Jane Seymor.
Mas nada disso foi suficiente para salvar a situação. No período em que Henrique VIII já tinha Jane Seymor como amante, rumores de infidelidade e incesto supostamente cometidos pela rainha foram usados pelo Rei para se livrar da esposa.
Ela e mais cinco supostos (e não comprovados) amantes, inclusive o irmão da Rainha (Jorge Bolena) foram presos na Torre de Londres. Os homens foram mortos dia 17/05. A decaptação de Ana foi marcada para o dia seguinte.
A Torre de Londres.
Contudo, por influência do Primeiro Ministro Thomas Cromwell, a execução foi adiada. Ele queria afastar os simpatizantes da rainha e estrangeiros, para que relatos da decapitação não fossem espalhados e resultassem em uma imagem ruim do Rei.
Ana comportou-se bravamente durante estes momentos, reclamando do adiamento da execução, do atraso do carrasco e caminhando de cabeça erguida quando o momento finalmente chegou.
Apesar dos cuidados de Cromwell, ocorreram vazamentos seletivos do acontecimento. O mais aceito deles, feito por Edward Hall, informa que as últimas palavras de Ana Bolena foram estas, proferidas aos presentes:
Bom povo cristão, eu não vim aqui para passar sermão; eu vim para morrer. De acordo com a lei e pela lei fui julgada para morrer, e, portanto, eu não direi nada contra isso. Não vim aqui para acusar qualquer homem, nem para falar daqueles que me acusaram e condenaram à morte, mas eu rezo a Deus que salve o rei e mantenha-o por muito tempo reinando sobre vocês, pois príncipe mais misericordioso jamais existiu, e para mim ele sempre foi bom, gentil, e senhor soberano. E se alguma pessoa intervir em minha causa, eu peço a ele [o rei] que o julgue melhor. E assim eu me despeço do mundo e de vocês, e cordialmente peço-lhes que rezem por mim.1
Acredita-se que Ana não contestou sua condenação e proferiu palavras elogiosas a Henrique VIII por ser o usual na época mas, principalmente, para que sua filha Elisabeth e sua família não incorressem na ira do Rei por culpa dela.
Após o discurso Ana teve os adornos que carregava retirados para deixar o pescoço livre para receber o golpe do carrasco. No momento final o carrasco teria pedido a espada em voz alta, levando a condenada a virar um pouco a cabeça para olhar. Esse pedido (encenado, posto que o carrasco já estava com a espada), teria a intenção de provocar um leve movimento da vítima, facilitando o golpe.
Quando este foi dado, ocorreu com precisão, separando cabeça e corpo em uma única espadada. Os restos mortais de Ana Bolena foram colocados em uma caixa de flechas e sepultados no piso da capela de St. Peter ad Vincula, dentro do próprio complexo da Torre de Londres.
Suposto local de execução de Ana Bolena e a Capela de St. Peter ad Vincula ao fundo.
Com o tempo, a localização de seu túmulo se perdeu e exumações posteriores podem ter misturado seus ossos com o de outras pessoas sepultadas no local. Assim sendo, quando o visitante se depara com a lápide no chão, indicando a sepultura de Ana Bolena, pode não estar sobre seus restos mortais.
A suposta sepultura de Ana Bolena.
A despeito de sua vida conturbada e de seu fim trágico, Ana Bolena escreveu com letras muito fortes seu nome na História e legou à Inglaterra uma herdeira que acabou se tornando sua maior Rainha: Elisabet I.
Long Live The Queen!


1 https://rainhastragicas.com/2016/05/19/eu-me-despeco-deste-mundo-e-de-voces-as-ultimas-palavras-de-ana-bolena/




COROAÇÃO DE ELIZABETH I DA INGLATERRA
Em um dia 15/01 como hoje, em 1559, Elizabeth Tudor era coroada Rainha da Inglaterra e Irlanda na Abadia de Westminster, após a morte de Maria I, sua meia irmã.
Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth nasceu na linha de sucessão ao trono inglês, mas lá permaneceu apenas por dois anos e meio, até a execução de Ana Bolena a mando do rei, quando foi declarada filha ilegítima.
Henrique VIII e Ana Bolena
Quando Henrique VIII morreu, em 1547, foi sucedido por seu filho com Joana Seymour, Eduardo VI que governou por apenas seis anos e, por sua vez, nomeou sua prima Joana Grey como sucessora, ignorando as reivindicações de Maria e Elizabeth.
Mas o reinado de Joana foi curto, durando apenas nove dias. Quando o Conselho Privado Real retirou-lhe o apoio, transferindo-o para Maria, Joana foi presa e condenada à morte, sendo executada no ano seguinte.
Maria, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, sucedeu Joana e governou por cinco anos sem, contudo, gerar um herdeiro, o que recolocou Elizabeth na linha de sucessão ao trono.
Maria e Elizabeth
Como Maria era católica e Elizabeth era protestante, a religião foi foco de atritos entre ambas, fazendo-as o ponto de apoio para os quais convergiam os mais diversos interesses partidarizados.
Maria quase condenou a meia irmã à morte após a Rebelião de Wyatt em 1554, mas Elizabeth se defendeu muito bem e foi inocentada pelos rebeldes, de modo que apenas foi posta em prisão domiciliar até a morte da rainha, o que ocorreu em 17/11/1558.
Residência onde Elizabeth cumpriu prisão domiciliar.
Elizabeth, que tinha 25 anos quando se tornou rainha e já gozava de grande popularidade entre o povo, comprometeu-se em fazer um governo apoiado em “...bons conselhos e consultas.”
No campo mais explosivo, o religioso, Elizabeth se manteve protestante, mas adotou vários símbolos católicos, cultivou a imagem de virgem, afastou-se dos radicais puritanos e revogou as leis que permitiam a perseguição religiosa.
Abadia de Westminster


Como uma das maiores representantes do absolutismo inglês, a Rainha Virgem reinou por 44 anos e durante seu governo a Inglaterra se tornou uma potência marítima e cultural, sobretudo pela estabilidade proporcionada. 


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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_I_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VIII_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VI_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joana_Grey
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_I_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Wyatt_(filho)

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Westminster_Abbey_(6761119615).jpg



FIM DA GUERRA DE CANUDOS, A “AMEAÇA” SERTANEJA
O Arraial de Canudos surgiu num contexto de grande miséria que assolou o sertão nordestino no final do séc. XIX, aliado ao abandono do povo por parte das autoridades.
A pregação messiânica de Antônio Conselheiro, chamando as pessoas para orar e realizar obras piedosas em igrejas e cemitérios encontrou solo fértil no desespero do povo humilde do sertão, gerando respeito e fiéis. 
Em 1893 o conselheiro fundou o Arraial de Canudos em uma vila abandonada em Belo Monte, na Bahia, perto do Rio Vaza Barris.

Em Canudos as pessoas viviam do que cultivavam e criavam e, logo, já reunia cerca de 20.000 membros, a maioria ex-trabalhadores explorados dos latifúndios.
ELITE INCOMODADA E PRECONCEITO
Os latifundiários foram ficando sem mão-de-obra, a igreja foi perdendo o monopólio da fé, e logo falsas acusações tomaram conta da imprensa e dos discursos de intelectuais que pregavam que aqueles fanáticos monarquistas deveriam ser dispersados.
Em 1896 o Governo da Bahia enviou uma expedição de 100 soldados, sob comando do Tenente Manuel Pires Ferreira, para dispersar Canudos, mas eles foram derrotados.
A segunda expedição, com soldados do Exército, policiais da Bahia e jagunços contratados pelos fazendeiros também foi derrotada, apesar da posse de 2 metralhas e 2 canhões. 
Os adversários do Presidente Prudente choveram críticas sobre o governo. 

O CORONEL CORTA-CABEÇAS
Nova e maior força foi reunida sob comando do Coronel Moreira César, que cortou muitas cabeças na Revolta Federalista e prometeu a cabeça do Conselheiro na sela de seu cavalo.
Logo no primeiro ataque, porém, foi o coronel quem morreu e teve seu corpo arrastado e incendiado pelos sertanejos.
O Coronel Tamarindo então, deu uma ordem patriótica: em tempo de murici cada um por si, e os soldados fugiram sob as gargalhadas dos sertanejos. Tamarindo foi morto e deixado para secar sobre um arbusto.
A derrota alarmou o governo que, então, reuniu 10.000 soldados, 3 Generais e vários canhões para derrotar o “poderoso inimigo”. O comando coube ao General Artur Oscar. 
A QUEDA DE CANUDOS
Após 3 meses de cerco, Canudos fraquejou por falta de água e comida. Em setembro o Conselheiro morreu.
Em 05/10/1897 a cidade foi tomada dos últimos resistentes: um velho, um adolescente e dois adultos. 
O Exército escreveu ali uma das páginas mais vergonhosas de sua História. Não houve um único prisioneiro de Canudos, ninguém foi deixado vivo, homens, mulheres ou crianças.
Houve comemorações no Rio de Janeiro, mas na Bahia os estudantes de medicina protestaram.
Mais tarde os detalhes do massacre foram contados por Euclides da Cunha na obra “Os Sertões”.

Fonte e Imagens:

http://reino-de-clio.com.br/Hist-Brasil.html