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sábado, 8 de maio de 2021

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte IX

 




MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte IX

KARAKORUM

Não se pode imaginar a capital de Gengis Khan como uma cidade cheia de construções de pedra como Roma, ou de madeira, como uma cidade Viking, pelo menos não no início.

Devemos lembrar que os mongóis eram um povo nômade e suas casas eram barracas, como já mencionamos antes.

Gengis determinou a construção, escolheu o local, mas não liderou as obras, por assim dizer. E a maior parte da organização foi feita por seu sucessor.

Uma característica da capital mongol chamou muito nossa atenção, através do relato do missionário franciscano de Flandres (Bélgica atual) William de Rubruquis.9

Ele viajou em missão de catequese dos Tártaros por ordem do Rei Luis IX da França, a quem acompanhara na Sétima Cruzada, e chegou a Karakorum em 1254.

Seu relato, de toda a viagem, foi feito ao rei em uma obra de 40 capítulos, sendo 10 deles dedicados à observação dos mongóis e os restantes a relatar a viagem.

William revela, de forma bem crítica, dado seu olhar cristão, uma liberdade religiosa impressionante entre os mongóis, pois encontrou diversos tipos de credos religiosos coexistindo.

Continua

9The iournal of frier William de Rubruquis a French man of the order of the minorite friers, vnto the East parts of the worlde. An. Dom. 1253. Disp.:

https://web.archive.org/web/20090211172338/http://etext.library.adelaide.edu.au/h/hakluyt/voyages/rubruquis/chapter2.html – Acesso: 03/03/21 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

CHURCHILL - Parte 30

CHURCHILL – Parte XXX [1] [2]
No dia 04/06/1940, dia do encerramento da Operação Dynamo, Churchill falou ao Parlamento pronunciando um discurso histórico e emocionante mesmo para quem lê suas palavras 81 anos depois:
Apesar de muitas partes da Europa e muitos antigos e famosos Estados terem caído ou poderem vir a cair nas garras da Gestapo e do odioso dispositivo do domínio nazista, não desanimaremos nem falharemos. Iremos até ao fim. Lutaremos na França, lutaremos nos mares e nos oceanos, lutaremos com crescente confiança e crescente força no ar, defenderemos nossa ilha, o que quer que isso custe. Lutaremos nas praias, lutaremos nos aeródromos, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nos montes, e nunca nos renderemos. E mesmo que, e nem por um momento acredito nisso, esta ilha ou grande parte dela for subjugada e passe fome, então nosso império para lá dos mares, armado e guardado pela Armada Britânica, continuará a luta, até que, se Deus o permitir, o Novo Mundo, com todo o seu poder e toda a sua força, caminhe para resgatar e libertar o Velho Mundo. (pg. 105)
O país foi inflamado pelo discurso. Aliás, inflamou a mim da primeira vez em que o li (e todas depois), imagine aos ingleses que viviam aqueles dias sombrios. Choveram felicitações e apoio de todos os lados: “Valeu por mil canhões e pelos discursos de mil anos”, escreveu o deputado trabalhista Josiah Wedgwood.
Churchill estava preocupado e confiante em semelhante medida: “Estamos atravessando tempos muito difíceis e creio que o pior está para vir, mas também estou certo de que melhores dias virão, embora seja mais difícil saber se estaremos vivos para vê-los.” E os tempos difíceis logo chegavam pois, em 05/06/1940 Hitler ordenou o início da ofensiva final até Paris. (<pg. 105)
Rommel na França
E essa ofensiva avançou tão rapidamente que nenhuma ajuda teve tempo sequer de ser planejada. Em 09/06/1940 Churchill recebeu a visita de Charles de Gaulle, recém-nomeado subsecretário de Defesa Nacional da França “para pedir que toda a Força Aérea britânica se envolvesse na batalha da França.”, pedido que era impossível a Winston atender, uma vez que todos os aviões seriam necessários na defesa da ilha contra o ataque que certamente viria.
As tropas britânicas, sob comando do General Fortune, foram empurradas para praia onde um nevoeiro impediu a evacuação.  Para piorar as coisas a Itália de Mussolini declarou guerra à Inglaterra e à França em uma atitude claramente oportunista.
Itália entra na Guerra
No dia 10/06 Churchill visitou a França para encorajar a resistência mas antes mesmo de partir o governo francês abandonou Paris diante da iminente chegada das tropas alemãs. O desespero já minava o alto comando: “Reynaud [3] e De Gaulle [4] eram os únicos que tentavam dar continuidade à luta, possivelmente a partir do oeste da França. Weygand [5] e Pétain [6] estavam convencidos de que a luta já estava perdida.” 
Reynald - DeGaulle - Weygand - Pétain
Churchill pediu mais algumas semanas de resistência informando que logo chegariam tropas britânicas do Canadá, de Narvik e da própria Inglaterra.
Mas a França não possuia mais reservas e a ideia de resistir em Paris e ver a cidade ser destruída horrorizava a todos. Neste caso não vejo como discordar. Quem em sã consciência iria arriscar a destruição de Paris? “Nessa noite, Reynaud disse a Churchill que Pétain já o tinha informado de que seria necessário buscar um armistício”.
Em 12/06 “o general Fortune foi obrigado, pelo poder da artilharia e pela aviação alemães, ambos superiores, a render-se em St. Valery-en-Caux.” A partir dai a situação degringolou rapidamente.
O Tsunami Alemão na França
Em 14/06 Weygand recusou-se a resistir na Bretanha (região no litoral da França) e Churchill suspendeu qualquer envio de novas tropas à França. Em 15/06 os EUA não aceitaram fazer nenhuma declaração beligerante contra a Alemanha.
No dia 16/06 o Gabinete de Guerra britânico concordou em permitir que a França negociasse a paz em separado “na condição, mas apenas nessa condição, de a armada francesa zarpar imediatamente para portos britânicos” o que foi recusado. Durante a noite Reynaud renunciou, Pétain assumiu o governo e pediu o armistício. A França estava fora da guerra e sob domínio alemão. (<<<<<<<pg. 106-110)
CONTINUA 



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Paul Reynaud (Barcelonnette, Basses-Alpes, 15/10/1878 - Neuilly-sur-Seine, Seine, 21/09/1966) foi um político francês. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 21/03/1940 e 16/09/1940.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Reynaud

[4]    Charles André Joseph Marie de Gaulle (Lille, 22/11/1890 – Colombey-les-Deux-Églises, 09/11/1970) foi um general, político e estadista francês que liderou as Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde fundou a Quinta República Francesa em 1958 e foi seu primeiro Presidente, de 1959 a 1969.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_de_Gaulle

[5]    Maxime Weygand (21/01/1867 - 28/01/1965) foi um comandante militar francês na Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial. Weygand serviu principalmente como um oficial no staff de Ferdinand Foch na Primeira Guerra Mundial. Ele lutou contra os alemães durante a invasão da França em 1940, mas depois se rendeu e parcialmente colaborou com os alemães como parte do regime de Vichy antes de ser preso pelos alemães por não colaborar totalmente com eles.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Maxime_Weygand

[6]   Henri Philippe Benoni Omer Joseph Pétain (Cauchy-à-la-Tour, 24/04/1856 – Île d'Yeu, 23/07/1951), geralmente apelidado de Marechal Pétain, foi um oficial general francês que alcançou a distinção de Marechal da França e posteriormente atuou como chefe de estado da França de Vichy de 1940 a 1944. Pétain, que tinha 84 anos em 1940, classifica-se como o mais velho chefe de estado da França. Hoje, ele é considerado por muitos como um colaborador nazista, o equivalente francês de seu contemporâneo Vidkun Quisling na Noruega. Ele às vezes era apelidado de Leão de Verdun. 
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_P%C3%A9tain

CHURCHILL - Parte 29

CHURCHILL – Parte XXIX [1] [2]
Enfim, após ser por tanto tempo preterido, Churchill era o Primeiro-Ministro, justamente no momento de maior fragilidade e necessidade, perante o inimigo mais tenaz, forte, preparado e determinado.
Mais tarde ele escreveu: “Finalmente tinha autoridade para dar diretivas sem restrições. Eu me senti caminhando junto com o destino, como se toda a minha vida passada tivesse sido apenas uma preparação para essa hora e essa prova.” (pg. 97)
Para o Ministério Churchil fez as seguintes nomeações:
nomeou lorde Beaverbrook ministro da Produção de Aviões; Eden foi para o Ministério da Guerra e Sinclair, para o Ministério da Aviação. Eram amigos em quem ele sabia que podia confiar para executar suas tarefas sem a necessidade de constantes sobressaltos. [...] Attlee tornou-se o representante de Churchill no Gabinete de Guerra. Ernest Bevin tornou-se ministro do Trabalho e Serviço Nacional e Herbert Morrison, ministro dos Abastecimentos. (<pg. 97)

No dia 13/05/1940, na Câmara dos Comuns, em seu primeiro pronunciamento como Primeiro-Ministro, Churchill fez um de seus discursos mais memoráveis:
Perguntam-nos qual é a nossa política. Eu respondo. Fazer a guerra, por mar, terra e ar, com toda a nossa energia e com todas as forças que Deus nos der; fazer a guerra contra uma monstruosa tirania, nunca ultrapassada no negro e lamentável catálogo dos crimes humanos. Essa é a nossa política. Perguntam-nos qual é o nosso objetivo. Posso responder com uma só palavra: vitória. Vitória a todo o custo, vitória a despeito do terror, vitória por mais longo e difícil que seja o caminho, pois sem vitória não há sobrevivência, não há sobrevivência para o império britânico, não há sobrevivência para tudo o que o império britânico significou, não há sobrevivência para o desejo e o impulso das eras, para que a humanidade vá em frente a caminho de seus objetivos. Eu me dedicarei à minha tarefa com atenção e esperança. Tenho certeza de que nossa causa não fracassará. Neste momento, sinto-me autorizado a exigir a ajuda de todos e digo-lhes: Venham, vamos juntos em frente, com nossa unida firmeza. (<pg. 97-98)

Mas discursos não ganham guerras e as tropas alemãs avançavam pela Bélgica e já travessavam a Linha Maginot fazendo recuar os franceses cujo governo estava em desespero pedindo mais aviões que a Inglaterra não podia fornecer pois precisaria deles para a própria sobrevivência pouco depois.
Ao mesmo tempo em que tentava animar os franceses à luta Churchill solicitava, sem sucesso, a Franklin Delano Roosevelt, Presidente dos EUA, que enviasse “cinquenta contratorpedeiros da Primeira Guerra Mundial que estavam estacionados, inúteis, em depósitos navais americanos, mas Roosevelt não concordou em enviá-los.”.
Também enviou, por sugestão de Halifax, mensagem a Mussolini: “Será tarde demais para evitar que escorra um rio de sangue entre os povos inglês e italiano?” Ordenou o reforço na segurança dos aeródromos vulneráveis com voluntários locais bem como um preparo acelerado de tiro para os soldados em treinamento.
E ordenou, ainda, que as tropas em Calais agissem no sentido de manter as praias de Dunquerque operacionais tanto para receber materiais quanto para evacuar as tropas britânicas, em resumo, deveriam resistir à avalanche alemã. (<<<pg. 99-100)
No final de maio as tropas britânicas, francesas e polonesas na Noruega tomavam Narvik que abandonariam logo depois “devido à urgente necessidade de homens para defenderem a Grã-Bretanha”. Ao mesmo tempo começava a evacuação das tropas em Dunquerque. Em 27/05/1940 “foram postos a salvo 11.400 soldados britânicos; 200 mil ainda estavam cercados, juntamente com 160 mil soldados franceses.” (pg. 101)
No Gabinete de Guerra, composto por Halifax, Chamberlain, Attlee, Greenwood, além do próprio Winston, Churchill ouviu furioso a proposta de Mussolini, apresentada e apoiada por Halifax, de “que a Inglaterra devia aceitar uma proposta de Mussolini para negociar uma paz generalizada.”.
Chamberlain também se mostrou favorável uma vez que “mesmo lutando até o fim para preservarmos nossa independência, estamos preparados para considerar termos decentes, se nos forem propostos”. Aparentemente, para ele tudo poderia ser aceito se fosse apresentado da maneira correta.
Mas Churchill rechaçou de forma veemente tal ideia: “Nações que foram destruídas na luta estão a erguer-se, mas aqueles que se renderam docilmente, acabaram.” Mais tarde, em reunião com o Gabinete completo, ele disse que refletira sobre a proposta de negociar com Hitler, mas como os alemães estariam em posição de força, “exigiriam a armada britânica, suas bases navais e muito mais.”, o que tornaria a Grã-Bretanha um estado escravo ou fantoche. E concluiu:
Tenho certeza de que qualquer um dos senhores se levantaria e me tiraria do meu lugar se por um momento eu considerasse a possibilidade de negociações ou rendição. Se a longa história da nossa ilha finalmente acabará, deixem que acabe apenas quando cada um de nós estiver caído e sufocado em seu próprio sangue. (<<<pg. 101)
Em 04/06/1940 a Operação Dynamo, a evacuação de Dunquerque teve que ser encerrada com um excelente resultado: “tinham sido evacuados 224.318 soldados britânicos e 111.172 soldados franceses.” (pg. 104)

Churchill temia que a invasão da Inglaterra fosse começar imediatamente mas os decifradores de códigos de  Bletchley descobriram que os alemães não fariam isso, preferindo completar a conquista da França. (pg. 104)
Após o sucesso da Operação Dynamo, Churchill queria deixar a posição defensiva e partir para a ofensiva, atacando o território da Alemanha, porém a inferioridade britânica no ar, frente à Luftwaffe era preocupante pois, embora a produção de aviões na Inglaterra já estivesse ao ritmo de 35 por dia, durante os combates sobre a França a produção fora de “453 aviões, mas 436 tinham sido abatidos.”, um ritmo que a Luftwaffe poderia suportar pelo dobro do tempo que a RAF. A única notícia realmente boa é que a superioridade dos pilotos britânicos no ar já dera os primeiros sinais “com 394 aviões alemães destruídos sobre as praias de Dunquerque contra 114 aviões britânicos.” Sem dúvida fora uma retirada de grande sucesso mas Winston não estava satisfeito pois “precisamos ser muito cuidadosos para não atribuir a essa salvação o caráter de uma vitória. As guerras não são ganhas com retiradas”. (pg. 104-105)
CONTINUA 



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sexta-feira, 16 de abril de 2021

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte VIII

 



MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte VIII

A CHINA SOB ATAQUE[1]

Gengis Khan não ficou satisfeito depois que conquistou o Reino Tangute, ao contrário, cada conquista estimulava outra e várias conquistas simultâneas seria melhor ainda.

Por isso ele dividiu suas forças em 3 exércitos e os enviou para destinos diferentes, atacando os campos enquanto os chineses resistiam atrás dos muros de suas cidades.

Em pouco tempo o Norte da China estava conquistado, com exceção de Pequim, onde vivia o Imperador. Aquele era o ano de 1213.

Dois anos depois, em 1215, Gengis lançou ataque contra a capital, obrigando o Imperador a fugir. A cidade foi destruída apesar de suas muralhas, pois Gengis já equipara seu exército com armas de cerco como catapultas construídas pelos próprios chineses que passaram para o lado dele.

E neste período ainda encontrou tempo para planejar e mandar construir uma capital para seu império, a cidade de Karakorum.

Continua

 



[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Gengis_Khan – Acesso: 29/09/20

segunda-feira, 29 de março de 2021

O DESASTRE DO TITANIC

O NY Times anuncia 866 resgates e (±)1.250 mortes7

O DESASTRE DO TITANIC12
Em um dia 15 de abril como este, no ano de 1912, o HMS Titanic encontrava-se com o iceberg que o levou às profundezas do Atlântico Norte em sua viagem inaugural.
Muito já foi escrito sobre essa tragédia que parece ser um daqueles temas inesgotáveis da História tal o fascínio que exerce sobre tantas gerações.
Talvez a causa disso esteja nos detalhes novos que vão sendo descobertos e que são julgados pelos leigos segundo os próprios critérios contemporâneos, bem como pelos estudiosos, que fazem a análise contextualizada. 
Causa espécie o conhecimento, já bastante difundido, de que o número de botes salva-vidas no Titanic não era suficiente para todos os passageiros3 (o que era aceito na época) e que as pessoas da primeira classe tiveram preferência de embarque4 (o que também era aceito) mas, no caos do momento, muitos destes ficaram de fora.
Contudo, mesmo essa aceitação tácita não justifica que botes tenham sido lançados ao mar com um número de pessoas bem inferior à capacidade máxima, só para não incomodar algumas madames mais exigentes quanto ao próprio conforto. Essa é uma informação que mantém aceso o interesse pelo assunto, seja verdadeira ou não. 
Uma informação que goza de menos conhecimento público é a de que o Dr. Donald Olson, físico da Universidade do Texas, e uma equipe de astrônomos, afirmou que a proximidade da Lua com a Terra no início de 1912, a maior em 1400 anos5, teria deslocado, ao influenciar as marés, a massa de icebergs para a rota do Titanic.
Outra informação pouco difundida é a de que o Historiador Britânico Tim Maltin afirma que uma miragem6 pode ter confundido os observadores da torre de vigia que só avistaram o iceberg tarde demais. Além disso, a noite espetacularmente estrelada de 14/04/1912, teria confundido os observadores do Californian, (o navio mais próximo), em relação aos foguetes e códigos de luz enviados pela embarcação agonizante, impedindo assim, que o socorro fosse feito. 
Fotografia de um iceberg na vizinhança do local do naufrágio do Titanic, tirada em 15 de abril de 1912 pelo camareiro chefe do Prinz Adalbert que disse que o iceberg possuia tinta vermelha igual àquela encontrada no casco do Titanic.8
Enfim, parece que tudo convergiu inevitavelmente para aquele final e isso abre espaço para avaliações no campo da metafísica, sobre carma e destino, que nós não descartamos, embora, enquanto ciência, a História não tenha condições de validar essas afirmações que ainda estão fora do que pode ser comprovado com meios terrenos.
A respeito dos que sobreviveram, um grupo de 700 pessoas, temos Histórias bem impactantes também.9 como a dos gêmeos Edmond e Michel Navratil, de 3 e 2 anos respectivamente, cujo pai os havia trazido na viagem sem o conhecimento ou consentimento da mãe de quem havia se separado.
Antes de morrer o pai colocou os irmãos num bote e pediu-lhes que dissessem à mãe que a amava. A mãe os encontrou somente em 16 de maio de 1912 após ver sua foto em um jornal.
Michel viveu na França e morreu aos 92 anos de idade. Edmond chegou a se alistar no Exército Francês durante a II Guerra, mas teve que sair por problemas de saúde, morrendo aos 43 anos. 
Os gêmeos Edmond e Michel Navratil
Margareth Brown, que teria inspirado a personagem Molly, rica amiga de Rose e Jack no filme de James Cameron, era relativamente famosa e havia concorrido a uma eleição estadunidense antes de as mulheres terem direito a voto. Ela estava voltando aos EUA por conta da doença de seu neto e liderou o Comitê de Sobrevivência do Titanic que arrecadou milhares de dólares para ajudar os sobreviventes necessitados. Morreu aos 65 anos em New York.
Margareth Brown
Temos também a História de Violett Constance Jessop, comissária de bordo e depois enfermeira que trabalhou nos navios Olympic, Titanic e Britannic, todos os três naufragados com ela a bordo, que sobreviveu em todos os casos. Violett só morreu aos 83 anos, em terra firme. 
Violett Constance Jessop

A maioria dos mortos cujos corpos foram resgatados está enterrada em quatro cemitérios:
No Fairview Lawn Cemetery estão 121 vítimas, no Cemitério Católico Monte das Oliveiras estão 19 sepultamentos e o Cemitério Barão de Hirsch concentra 10 vítimas, todos na cidade de Halifax, Canadá.10 
Fairview Lawn Cemetery - Entrada
As lápides dos mortos no Titanic
No Fairview Lawn Cemetery está a lápide da criança desconhecida, com a inscrição "Erguido à memória de uma criança desconhecida cujos restos foram recuperados após o desastre do "Titanic" - 15 de abril de 1912". Posteriormente, em 2007, a criança foi identificada como sendo Sidney Leslie Goodwin, que tinha 19 meses quando morreu junto com toda sua família.
Os Goodwin estavam de mudança para os EUA onde o pai, Joseph Frederick Goodwin, pretendia trabalhar em uma estação de energia recém-inaugurada a convite de seu irmão Thomas. Joseph comprou passagens para o SS New York de Southampton, mas uma greve nas minas de carvão atrasou a viagem e a família foi transferida para o Titanic... 
É por Histórias como esta, que pululam em todo tipo de desastre, que não descartamos o componente metafísico que a ciência não consegue alcançar. 
O bebê Sidney Leslie Goodwin e a Lápide de Joseph Dawson
Também no Fairview Lawn Cemetery está a lápide de J. Dawson, que muitas pessoas pensam se tratar do Jack Dawson, personagem vivido por Leonardo Di Caprio no filme de James Cameron. Mas J. Dawson é, na verdade, Joseph Dawson, “um irlandês que trabalhava na sala de caldeira do Titanic como um aparador de carvão.
Lamentamos muito a perda de vidas no desastre do Titanic. Lamentamos ainda mais o pensamento da época que considerava existir uma escala de importância classificando prioridades econômicas no salvamento de vidas humanas. 
1   Adaptado a partir de texto contido na obra História, Humanidade e Carma, da Editora Ordem da Cruz da Verdade.
2    https://pt.wikipedia.org/wiki/RMS_Titanic
3   A investigação feita pela Associação Comercial Britânica chegou a conclusões revoltantes. Os escaleres do Titanic tinham lotação para 1.178 pessoas, ou seja um têrço da capacidade do navio. Seus 16 escaleres e quatro botes de borracha tinham salvo apenas 711 náufragos, e 400 pessoas perderam a vida inutilmente. Sobre o Californian também pesava terrível condenação. Vira os foguetes do Titanic mas não tinha recebido os avisos telegráficos, porque o radiotelegrafista adormecera.
     Hanson W. Baldwin. O Titanic Não Afunda – Acesso em 18/04/14
     Disp: http://thetitanic.no.comunidades.net/index.php?pagina=1115665014
4    A diferença nas acomodações evidenciavam as delimitações e diferenças entre as três classes que ocupavam o transatlântico. Distinções que explicam os números de vítimas salvas no desastre. Dos números de passageiros resgatados: 203 de 325 da primeira classe foram salvos(62%), 118 de 285 da segunda (41%) e 178 de 706 da terceira classe (apenas 25%) com apenas um terço das crianças resgatadas.
     Yasmim Alves. Dossiê Titanic - 100 anos do Desastre. Lugar de Memória – Acesso em 18/04/14
     Disp: http://blugardememoria.blogspot.com.br/2012/04/dossie-titanic-100-anos-do-desastre.html
5     O que afundou o Titanic? Teria sido uma maldição, uma fraude ou simplesmente estava escrito nas estrelas.
      Disp.: http://molhoingles.com/titanic-100-anos-5-teorias-da-conspiracao/Aces: 18/04/14
6   O historiador começou por investigar numerosos registros da temperatura da água e do ar da zona do naufrágio, recolhidos em 1912, por navios que navegavam nas proximidades do Titanic, tendo descoberto alterações bruscas de temperatura, quer da água quer do ar. Estas alterações consubstanciam a chamada Corrente do Labrador, numa corrente de água gelada vinda da Gronelândia. O arrefecimento do ar quente junto da água criam condições perfeitas para uma miragem, tal como as observáveis no deserto. Desta forma, o choque térmico pode criar um efeito óptico que eleva o horizonte acima da linha real, dificultando a visão clara de uma linha do horizonte que se confunde entre o mar e o céu, como chegou a revelar o comandante do Californian que desta forma sempre procurou se defender por não ter feito rumo ao Titanic. Essa noite estrelada, clara, de miragem e de falso horizonte fez com que os vigias do Titanic não tivessm visto a tempo o enorme icebergue que o Titanic acabaria por colidir por estibordo, em inglês, starboard, o lado das estrelas... O historiador britânico Tim Maltin afasta o erro humano e conclui que foi a Mãe Natureza a única responsável pela tragédia do Titanic.
    Miragens na origem da tragédia do Titanic. Revista Cruzeiros. – Acesso em 18/04/14
    Disp: http://blogue.cruzeirosonline.com/2012/04/miragens-na-origem-da-tragedia-do_14.html
7    T he New York Times front page for April 16, 1912 headlines the grim news about the Titanic disaster.
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_New_York_Times_front_page_for_April_16,_1912_headlines_the_grim_news_about_the_Titanic_disaster..jpg#filehistory
8    How Large Was The Iceberg That Sank The Titanic. Navigation Center, United States Coast Guard.
     Disp: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5d/Titanic_iceberg.jpg . Acesso: 18/04/14
9  https://incrivel.club/inspiracao-historias/o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-do-naufragio-do-titanic-455310/
10    https://pt.wikipedia.org/wiki/Cemit%C3%A9rio_de_Fairview

sexta-feira, 19 de março de 2021

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte VII


MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte VII

UM FRACASSO VITORIOSO

Genghis Khan agora chefiava todos os guerreiros da Mongólia, mas para transformá-los em um exército coeso e organizado foi preciso reorganizar as coisas, o que ele fez.

No final, isso significou, em uma comunidade essencialmente guerreira, reorganizar a própria sociedade.

O Imperador estabeleceu um sistema administrativo e criou uma hierarquia militar.1 A divisão da sociedade em tribos, chefiadas por Khans, tinha o potencial de minar a autoridade dos oficiais perante os soldados, por conta da ligação destes com os Khans de suas tribos.

Para evitar isso, minando a autoridade dos Khans sobre os homens de suas tribos, Genghis Khan criou no exército uma divisão dos soldados em grupos de 10 homens, sob comando de um deles.

Esses pequenos grupos, em número de dez (100 homens), ficavam sob comando de um oficial.2

Este oficial respondia a um general, que teria sob seu comando dez grupos, totalizando 1000 homens.3

Utilizando o Exército Romano como exemplo, poderíamos dizer que Genghis Khan utilizou decúrias e centúrias para organizar seu exército.

O primeiro alvo desta poderosa força logo foi apontado por Genghis Khan, que vivia sob o lema "Um único sol no céu, um único soberano na terra"4: o Império Tangute, ou Xia Xia, que ocupava o território do atual Noroeste da China.


Os Tangutes tinham conquistado grandes avanços civilizatórios, possuiam escrita, “cidades populosas, escolas públicas, artesãos especializados, metalúrgicos habilidosos, uma universidade para a formação de sábios e burocratas, e um exército que poderia chegar aos 300.000 homens...”5

Mas sua força militar já não era a mesma quando os mongóis chegaram.

Apesar disso, os Tangutes tinham uma defesa contra a qual os mongóis jamais tinham se defrontado: sua capital era uma cidade murada, protegida por uma muralha de 12 metros de altura!

Contra muros, cavalos e flechas, por mais hábeis que sejam cavaleiros e arqueiros, não são eficientes.

E os mongóis ainda não conheciam armas de cerco, de modo que só lhes restou cercar a cidade e sufocá-la pela fome. 6

Os Tangutes ainda tentaram aliança com o Império Jin, ao Sul, mas as rivalidades anteriores entre eles impediu o envio de reforços, de modo que os sitiados optaram pela rendição às tropas do Khan pagando pesado tributo e entregando uma princesa para se tornar a segunda esposa de Genghis.7

Desta forma, Genghis Khan não venceu a batalha mas venceu a guerra.

Continua

 

1  https://pt.wikipedia.org/wiki/Genghis_Khan – Acesso: 29/09/20

2  Ibid – Acesso: 29/09/20

3  Ibid – Acesso: 29/09/20

4  BEZERRA, Juliana. Genghis Khan. Toda Matéria.

Disp.: https://www.todamateria.com.br/genghis-khan/ – Acesso: 29/09/20

5  https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Tangute – Acesso: 29/09/20

6  https://pt.wikipedia.org/wiki/Genghis_Khan – Acesso: 29/09/20

7  Ibid – Acesso: 29/09/20