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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

TEMPLOS EGÍPCIOS – PHILAE

O TEMPLO DE ISIS NA ILHA DO NILO

Apesar de ser mais um templo da era dos Ptolomeus, a construção do Templo de Isis foi iniciada no reinado de Nectanebo I e hoje possui este nome por ter sido erguido na Ilha de Philae, próximo às catataratas do Nilo, hoje sendo parte do lago de Assuan.

O curioso é que, apesar do nome ligar-se à Ilha de Philae, o templo não está mais lá. Com a construção da segunda barragem de Assuan, entre 1958-1970, as cheias do Nilo faziam com que Philae passasse boa parte do ano inundada. Por isso o templo foi desmontado e transferido para a Ilha de Agilika.


A Ilha de Philae alagada, com o Templo de Isis antes da Transferência.
O complexo de Pilhae que foi transferido para Agilika possui, além do Templo de Isis, templos de Hathor, Harendotes, Asklepius, Arsnuphis, e, ainda, um quiosque do Imperador Trajano, Nilômetro e o Hall de Nectanebo I. O Templo de Augustus, o portão de Diocleciano e as ruínas de duas igrejas foram deixados para trás.

O Quiosque de Trajano
Os portais do templo são gigantes. O primeiro pilone possui quase 46 metros de comprimento por 18 de altura e mostra Ptolomeu fazendo oferendas a Isis, Hathor e Hórus. 
Ao atravessá-lo chega-se a um pátio que contém uma Capela do Nascimento e por uma colunata, através das quais se pode chegar a várias salas.

Esta parte apresenta decorações da época de transição entre os ptolomeus e o domínio romano. Na sequência, a parte principal do templo apresenta pilones menores, entrada e sala hipóstila.

Esta sala foi transformada em igreja cristã e, no período de seu predomínio, os relevos com as imagens dos deuses foram depredados em mais um terrível crime perpetrado pela incompreensão religiosa.

O vandalismo cristão em Philae. Os relevos danificados.


Continua...




Imagens:
http://www.historia.templodeapolo.net/cidades_ver.asp?Cod_cidade=73&value=Philae&civ=Civiliza%C3%A7%C3%A3o%20Eg%C3%ADpcia
http://www.sofiaoriginals.com/dici55templosptolemaicos3.htm
http://www.khanelkhalili.com.br/mapasEgito6.htm
http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Coptic_crosses_in_Philae_Temple_of_Isis
http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Reliefs_in_Philae_Temple_of_Isis?uselang=pt-br
http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Courtyard_of_Isis_Temple_in_Philae
http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Historical_images_of_the_Temple_of_Isis_in_Philae

domingo, 16 de agosto de 2015

ESTÁ CHEGANDO UM NOVO REINO DE CLIO!


 
UM NOVO REINO DE CLIO ESTÁ CHEGANDO!

Um de nossos leitores chamou nossa atenção para o fato de que nosso site não estava adaptado para as plataformas móbile.

De fato, cada vez mais, as pessoas estão deixando de lado os computadores para uso da internet e trocando-os pelos celulares e tablets. 

Sinal dos tempos, parece que o bom e velho PC está com os dias contados, por mais incrível que isso possa parecer. E, assim como as locadoras, as lan-houses também me parecem estar virando objeto de saudosismo.

Assim, como o Reino de Clio quer uma vida longa e próspera, vamos mudando lentamente como o movimento das rodas da História.

Ainda não estamos totalmente adaptados, considerando que as ferramentas de construção de sites que temos acesso ainda nos limitam muito, mas já demos um passo grande nessa direção.
Reconstruímos o Reino de Clio, saindo do formato paisagem para o formato retrato. Substituímos quase todas as barras de acesso por figuras grandes e, com isso, demos ao nosso site uma melhor visibilidade nos aparelhos menores.

Isso satisfará nossos leitores e nos dará mais tempo para pesquisar e buscar a ferramenta ideal para adaptar de vez o Reino de Clio aos novos tempos!

Em breve estaremos colocando no ar a novidade.
Obrigado por sua atenção e paciência! Para visitar o site, clique aqui.
Marcello Eduardo 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

TEMPLOS EGÍPCIOS – MEDINET HABU

TEMPLO FUNERÁRIO DE RAMSÉS III

A área de Medinet Habu, que abriga o Templo de Ramsés III, e que funcionou como centro administrativo de Tebas, já era considerada território sagrado desde muito antes da sua construção, pois teria sido o local de sepultamento dos deuses primordiais do Egito, componentes da Ogdoad, os 4 casais divinos originais.

Foi neste local que ocorreu a primeira greve registrada na História, quando os trabalhadores de Deir-el-Medina, que construiam os túmulos reais, paralisaram as atividades até o recebimento de seus pagamentos. Nada se sabe sobre horas-extras, ticket alimentação, férias, 13º e vale-transporte ou plano de saúde.

A construção é cercada por altos muros de tijolos e foi feita da forma tradicional usada na época, possuindo semelhanças com o Templo de Ramsés II. O área interna possui 210 x 300m e cerca de 7000 m2 de paredes decoradas com relevos.


A importância deste templo pode ser verificada pela presença de um lago sagrado e ele possui, a exemplo de outros templos, um Nilômetro, para calcular as cheias do Nilo. Anexo há os restos do Palácio Real, que se comunica com o templo pela passagem conhecida como Janela das Aparições. Acredita-se também que o complexo abrigou o harém do Faraó.

O primeiro e grandioso pilone conduz a um pátio de colunas com grandes estátuas do Faraó e do deus Osíris. O segundo pilone dá acesso a outro pátio de colunas, neste caso, esculpidas com a figura de Ramsés III.




Deste pátio parte uma rampa para o próximo recinto que possui diversas colunas que sustentavam um telhado hoje inexistente. Nele se podem ver diversas salas laterais que abrigavam o tesouro real, outras divindades, a capela do Faraó, o santuário da Barca Sagrada de Amon, etc.

As inscrições nas paredes mostram as vitórias militares de Ramsés III, festas e oferendas religiosas, momentos de caça, etc.

Como quase todos os Faraós, Ramsés III associou seu nome e sua imagem aos deuses. Ao não adotar o nome de seu pai, Setnakht, mas o de seu avô, Ramsés II, ele nos parece ter intencionado tornar a si mesmo o que seu avô se tornara: uma lenda.


Continua...




Imagens:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medinet_Habu
http://www.greatcommission.com/egypt/
http://www.egiptoforo.com/antiguo/Medinet_Habu._Templo_de_Ramses_III

GRANDE SÉRIE - WINSTON CHURCHILL


CHURCHILL – Parte IX [1] [2]
Em 1911 Churchill viu-se envolvido, enquanto membro do governo, na Terceira Crise do Marrocos,[3] na qual a Alemanha e a França quase chegaram a uma guerra. (pg. 258-259)
Nesta época, Churchill passou a analisar como se desenvolveria a situação se o país chegasse a uma guerra com a Alemanha e o que ele escreveu é basicamente uma profecia que se cumpriu ipsis-literis:
O exército alemão irromperia pela linha do rio Meuse ao vigésimo dia de guerra. Os franceses recuariam na direção de Paris. [...] O ímpeto do avanço alemão enfraqueceria lentamente quanto mais fosse alargado. A partir do trigésimo dia, o exército russo começaria a exercer pressão na Frente Oriental. O exército britânico deveria estar colocado em Flandres. Por volta do quadragésimo dia, as forças alemãs no Ocidente “estariam estendidas ao máximo, tanto internamente quanto nas suas frentes de guerra”. A tensão dessa situação se tornaria dia a dia “mais severa” sem uma vitória “definitivamente esmagadora”. Seria então que poderia haver “oportunidades para a verdadeira prova de força”. (<pg. 260)



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    A Crise de Agadir ou Terceira Crise do Marrocos ou Crise Marroquina de 1911 foi uma crise internacional ocorrida em 1911 que quase culminou em um conflito armado entre Alemanha e França, o que poderia ter ocasionado a Primeira Guerra Mundial três anos antes. O incidente começou quando, em maio de 1911, a França enviou tropas ao Marrocos para sufocar uma revolta popular contra o sultão Abd al-Hafid. Diante da possibilidade dos franceses anexarem o Marrocos, a Alemanha enviou em julho uma canhoneira ao porto marroquino de Agadir, uma região estratégica tanto por si só (é o melhor porto na região entre Gibraltar e Ilhas Canárias) quanto pela situação do domínio francês no Marrocos. Este episódio foi um novo desafio para a França após a Primeira Crise do Marrocos, pois em 1905, Guilherme II durante uma visita a Tânger, havia proclamado que a Alemanha não iria permitir que o Marrocos fosse dominado por uma única potência (a França). Essa ameaça foi eliminada pela Conferência de Algeciras (1906), na qual foram convidadas todas as potências europeias, em que foi acordado manter-se a independência marroquina, porém os portos do país foram todos confiados à França e Espanha. No caso de Agadir, a ativa diplomacia europeia também conseguiu a resolução da crise, que culminou com a assinatura de um acordo franco-alemão - o Tratado de Fez - em que a Alemanha deu à França carta branca em relação ao Marrocos, no qual o Império Alemão não teria direito de discutir, tudo isso em troca de uma parte significativa do Congo francês (conhecido como Neukamerun) que seria cedido para a Alemanha para este país inflar os territórios do Império Colonial Alemão. Pelos acordos assinados com a França, a Espanha também adquire a obrigação de exercer um protetorado no Marrocos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_de_Agadir
Tropas Francesas no Marrocos
A mesma visão aguda e capacidade de percepção Churchill mostrou em relação a situação da Marinha Britânica, a seu ver o alto comando naval, chamado de Almirantado, estava sendo displicente em relação ao que estava ocorrendo naquele momento. Suas cartas enviadas a diversas autoridades naqueles dias continham denúncias e dúvidas quanto a capacidade de compreensão e ação dos comandantes navais. Na primeira reunião do parlamento, em 24/10/1911, foi anunciada a nomeação de Winston para o posto de Primeiro Lorde do Almirantado. (pg. 263)
Uma vez nomeado, Churchill logo passou a atuar fortemente na preparação da Marinha para a eventualidade de uma guerra e seus esforços foram no sentido de obter um diagnóstico completo da situação para poder solucionar todas as deficiências, bem como conceber planejamentos e equipar e modernizar bem sua frota. Também incentivou a criação de uma força aérea subordinada à Marinha, que fosse capaz de atividade agressiva, ao contrário do que concebiam os comandantes do Exército, que viam nos aviões apenas a utilidade em atividades de reconhecimento. (pg. 263-266)

Os olhos de Winston estavam sempre voltados para a Alemanha e o fortalecimento da armada do Kaiser, que era a maior ameaça, no momento, ao domínio naval inglês. A drástica ampliação da frota, planejada pela Alemanha, fez Churchill avisar o governo sobre a necessidade da ampliação ainda maior da frota britânica. 
Kaiser Wilhelm e Churchill
Ao mesmo tempo ele sugeriu, no parlamento, que houvesse uma parada conjunta na indústria naval bélica de ambos os impérios, sugestão que a Alemanha não acatou. Surpreendentemente houve dificuldades na aprovação de um orçamento maior, que mantivesse o poder naval inglês equiparado ao alemão. (pg. 267-281)
Quando foi ao parlamento defender sua proposta, Churchill declarou:
Nenhuma das grandes potências precisava de armadas para defender “sua atual independência ou sua segurança”, disse ele. “Eles constroem navios para terem um papel nos assuntos mundiais. Para eles, é um esporte. Para nós, é uma questão de vida ou morte. (<pg. 281)
O orçamento foi aprovado e logo as atenções se voltaram para a questão da autonomia da Irlanda, que os católicos desejavam, o governo liberal queria conceder mas os protestantes não aceitavam, ameaçando com uma rebelião violenta. Aos poucos, e discretamente, forças da Marinha e tropas foram sendo deslocadas para os arredores da Irlanda, para serem usadas em caso de rebelião do Ulster, a região da Irlanda onde a oposição protestante era mais exaltada.[1] (pg. 281-282)
Nossa impressão, até o momento, é que Churchill era irriquieto desde tenra idade, cresceu carente da presença e do afeto dos pais, o que pode ter contribuído para sua personalidade rebelde, carreirista como era a cultura entre a nobreza de sua época, sempre conseguiu, contudo, destacar-se quando se esforçou minimamente para tanto.
Na vida adulta substituiu a mãe pela esposa na intensa correspondência pessoal que originava. A distância dos que amava no entanto, inclusive esposa e filhos, se manteve, agora não pelos colégios internos e a vida militar, mas pelos postos políticos que ocupou, especialmente como Primeiro Lorde do Almirantado.
Nesse ínterim ainda encontrou tempo para aulas de pilotagem de avião, o que causava arrepios em familiares e amigos pelos riscos imensos envolvidos na atividade ainda iniciante.




[1]    O Ulster (em irlandês Ulaidh ou Cúige Uladh, em scots Ulstér) uma das das quatro províncias históricas ou tradicionais da Irlanda, dividida em nove condados, dos quais seis, atualmente, localizam-se na Irlanda do Norte e três na República da Irlanda. A província não possui funções administrativas.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ulster


A todos ele ignorava até que a esposa, na terceira gravidez, pediu-lhe que parasse com os vôos, o que ele atendeu muito a contragosto. (pg. 286)

CONTINUA


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terça-feira, 11 de agosto de 2015

HIROSHIMA E NAGASAKI - 70 ANOS

 

70 ANOS DE UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE
Nos últimos dias 06 e 09 de agosto, em 2015, completaram-se 70 anos do bombardeio atômico às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A nosso ver, a manipulação da energia nuclear para fins militares e, pior ainda, o seu uso efetivo, foi um dos piores crimes da História humana.
Os ataques foram as últimas etapas de uma corrida iniciada anos antes, em 1939, que contrapusera o III Reich e os Estados Unidos na disputa pelo domínio da energia nuclear.
Mobilizando uma astronômica quantidade de recursos humanos e materiais, os americanos ergueram uma super-secreta base de construção em Los Álamos, no deserto do Novo México, mais as gigantescas fábricas de processamento de urânio e plutônio em Oak Ridge, Tennessee e Hanford, Washington, respectivamente.
O Laboratório de Los Álamos - Novo México
Sob o comando militar do General Leslie Richard Groves e do Físico Julius Robert Oppenheimer, os americanos prepararam duas bombas, a Little Boy, com carga de urânio, e a Fat Man, carregada com Plutônio e alguns dos parâmetros para a seleção de alvos potenciais deixa clara a natureza sinistra do planejamento: área urbana que fosse um importante alvo estratégico, com tamanho maior que 4,8km de diâmetro.  
O Físico Oppenheimer e o General Groves
Em outras palavras, uma cidade de médio ou grande porte, bem povoada, que seria transformada em um laboratório para testar a arma e, depois, fazer a máxima propaganda de seus efeitos.
Hiroshima, com cerca de 350 mil habitantes, que era sede de várias unidades militares, que possuia um centro de comunicações e um movimentado porto, foi atacada em 06/08, às 08:15hs, pela bomba Little Boy, transportada pelo avião bombardeiro B-29 Enola Gay, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Coronel Paul Tibbets.
A bomba Little Boy, a equipe do bombardeiro B-29 Enola Gay e a explosão sobre Hiroshima.
Nagasaki, que abrigava cerca de 260 mil habitantes no dia do ataque, que também era uma cidade industrial e portuária, era o alvo secundário do segundo bombadeio atômico (o principal era Kokura) e foi atacada em 09/08, às 11:00hs, com a bomba Fat Man, lançada pelo avião bombardeiro B-29 Bockscar, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Major Charles W. Sweeney.
A bomba Fat Man, a equipe do bombardeiro B-29 Bockscar e a explosão sobre Nagasaki.
 
Os efeitos devastadores causaram a morte instantânea ou consecutiva de 140 mil pessoas em Hiroshima e de 80 mil pessoas em Nagasaki, aproximadamente.
Continua...
HIROSHIMA/NAGASAKI - 70 ANOS
A obra “O Último Trem de Hiroshima”, de Charles Pellegrino1, fazendo uso de documentos e relatos coletados entre os sobreviventes, reconstitui de forma brilhante e terrível, os bombardeios e seus momentos posteriores.
É uma leitura assustadora, e reveladora do quão fundo o ser humano desceu na capacidade de causar o mal a seus semelhantes.
Pellegrino descreve a vaporização de pessoas antes mesmo que seus cérebros pudessem emitir a sensação de dor:
Sob o hipocentro, o sangue no cérebro da senhora Aoyama já começava a vibrar, na iminência de virar vapor. O que ela experimentou foi uma das mortes mais rápidas de toda a história humana. Antes que algum nervo começasse a perceber a dor, ela e seus nervos deixaram de existir. (pg.29)2
Muitas dessas vítimas desapareceram completamente, deixando como lembrança de sua presença apenas sombras impressas no chão ou em paredes, como negativos de uma fotografia.


Para os que não foram diretamente expostos, o horror de presenciar outros sendo diretamente atingidos, como a Srª. Teruko Kono, que não enviara seu filho à escola naquele dia:
Quando veio o golpe, ela o observava brincar em uma balsa, da janela do segundo andar de casa, à margem do rio. A casa ficava dentro da zona de Sadako, a menos de dois quilômetros do hipocentro. A senhora Kono foi escudada contra o raio de calor, mas o garoto foi completamente exposto. Ela o viu ser transformado em um relâmpago branco e pálido e emitir uma coluna de fumaça negra para o alto... (pg.37)
Qualquer coisa de cores mais escuras, como cabelos e roupas, pareciam atrair de forma mais forte os efeitos da explosão. Quem vestia roupas brancas parece ter sido atingido menos intensamente, se é que isso fez alguma diferença mais significativa.
Continua...
  HIROSHIMA/NAGASAKI - 70 ANOS
Em sua obra,  Pellegrino reconstitui relatos de premonições assustadoras de crianças que imploraram para não serem enviadas à escola por suas mães, mas que não foram atendidas. Um dos casos foi o da jovem Etsuko Kuramoto que, diante da determinação irrevogável de sua mãe, de que iria para escola de qualquer forma, pediu para usar sua melhor roupa:
Quando Sumi Kuramoto viu a filha pela última vez, sua sagrada, adorada filha caminhava em direção à Escola Primária Nacional, rumo ao hipocentro, com sua "melhor roupa de domingo", e chorava. (pg.38)
Outra premonição, ainda mais arrepiante, foi a do garoto Hiroshi Mori. Ele disse à Yoshiko, sua mãe, que Hiroshima seria completamente destruída naquele dia. Mas ela não foi demovida da ideia de que o filho não poderia perder a aula e o enviou à escola:
...o garoto disse à mãe que se cuidasse e pediu que não colocasse comida em sua mochila, porque ele não precisaria de almoço naquele dia. (pg.38)
Relatos do momento da explosão dão conta do barulho ensurdecedor para alguns e quase silencioso para outros. Pessoas sendo erguidas do solo como folhas ao vento e depois novamente arremessadas ao chão com força esmagadora.
Para o Sr. Kita, que assistiu a explosão de uma estação meteorológica no monte fora da cidade, o barulho chegou em dois segundos e a onda de choque, segundo seus cálculos, viajava a setencentos metros por segundo. Após conseguir levantar, e usando um binóculo, ele pode ver toda a devastação que se abatia sobre Hiroshima:
Tudo no sul e no leste parecia ter-se tornado um deserto de areia amarela. No norte, e rio acima, o mundo era uma escuridão que mesmo à distância podia ser sentida, interrompida apenas por raios e turbilhões incandescentes que às vezes alcançavam a altura de cinco a dez andares. Havia estranhas correntes de vento ascendentes e descendentes junto à fumaça; e com os binóculos Kita pôde divisar grandes camadas de granizo negro ou neve descendo violentamente de cima. (pg.46-7)
 
Havia muitos sobreviventes, inclusive pessoas bem abaixo do local do chamado grau zero, onde ocorrera de fato a explosão. Estavam sob uma cúpula de concreto, ou ficaram dentro de bolsões de ar sob estruturas desmoronadas e escaparam no primeiro momento.
O caso do garoto de 13 anos, Yoshitaka, foi surpreendente. A escola inteira desabou ao seu redor, mas ele conseguiu sair “rápido o suficiente para testemunhar a nuvem ainda radiante que crescia no céu, quase diretamente acima de sua cabeça.”(pg. 58). Ele relatou o calor e as cores do arco-íris, o que chegou a considerar uma bela visão.
Os filhos da Srª Matsuyanagi, que escaparam praticamente ilesos da explosão e da onda de calor, não escaparam dos raios gama. A morte por hemorragia generalizada ocorreu poucas horas depois. (pg.60)
Continua...
 

HIROSHIMA/NAGASAKI - 70 ANOS
Além dos efeitos nocivos dos raios gama, os sobreviventes que podiam andar ainda foram submetidos à visão que pode ser classificada como o inferno na terra:
...a rua estava cheia de pessoas transformadas em carvão e pilhas de cera ardente. À primeira vista, a rua parecia simplesmente vazia, mas, quando ela olhou de novo por entre a fumaça e as chamas, era fácil ver como as pessoas que estavam caminhando na direção do banco jaziam caídas umas por cima das outras. Várias pareciam ter caído aos pedaços, como sacos de folhas queimadas e esparramadas pelo chão. (pg.62)
Depois dos primeiros efeitos, veio a chuva. Chuva negra com pingos grandes que machucavam a pele. Os relatos dão conta que os sobreviventes sentiam uma sede tão incontrolável que, contra todo bom senso, erguiam a cabeça para o alto e bebiam a chuva negra que, depois, iria lhes tirar a vida. (pg. 63).
Pellegrino segue trazendo horror sobre horror à medida que a leitura avança. Os relatos sobre a explosão em Nagasaki não são menos terríveis.

 
Não é uma leitura a ser recomendada como fazemos com um livro de aventuras ou mesmo de História. Não queremos que nossos amigos sofram. Mas é uma obra que deve ser lida, para que o repúdio à existência de armas nucleares cresça, se fortaleça e jamais desapareça.
Aqueles terríveis momentos parecem bem distantes de nós, no tempo e no espaço, mas há, espalhados pelo mundo, milhares de silos, plataformas e submarinos carregados com armas que fariam a Little Boy e a Fat Man parecerem brinquedos de criança.
Nosso mais forte repúdio, no aniversário de 70 anos, àquele crime que foi cometido contra a humanidade, do passado, do presente e do futuro.
Marcello Eduardo.
Ps. Quem quiser ler a obra, pode fazer o download aqui. E quem quiser ler relatos de sobreviventes, recomendamos visitar este site aqui.
As manchas brancas no chão da ponte, à direita, são tudo que restou de um grupo de pessoas que transitavam por ali no momento da explosão.

1PELLEGRINO, Charles. O Último Trem de Hiroshima : os sobreviventes olham para trás. Rio de Janeiro : Leya, 2010.
2Versão em pdf, disponibilizada pelo site LeLivros

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

TEMPLOS EGÍPCIOS – HÓRUS / EDFU

O TEMPLO DE HÓRUS1

Construído de pedra arenosa já durante a dinastia dos Ptolomeus (pós Alexandre o Grande e perto da era do domínio romano), o Templo de Hórus, o deus falcão, demorou quase 200 anos para ser concluído, chegando a ter adornos acrescentados já durante o reinado de Augusto.

Edfu mede 137 x 79 metros. Possui pilones de 37 metros de altura, pátio aberto, salas de colunatas com 18 e 12 colunas, respectivamente, dois vestíbulos e um santuário, contendo também os acréscimos não usuais antes da era ptolomaica, da casa do nascimento de Hórus, cripta e nilômetro.

Sala do Nilômetro e as águas do Nilo
O nilômetro é um túnel com escadas que fornecia ligação com as águas do Rio Nilo. Neste recinto os sacerdotes faziam cálculos constantes por meio dos quais tentavam prever as cheias do rio.




A maioria das inscrições é dedicada a ilustrar as atividades de Ptolomeu III, rezando, fazendo oferendas, etc. Estátuas em granito do deus-falcão Hórus encontram-se na entrada e no pátio interno.



A sala das 18 colunas dá acesso à chamada biblioteca do templo e à sala de 12 colunas, onde os relevos nas paredes mostram:

as cenas simbólicas conhecidas como " os rituais da fundação do templo" que ilustram o rei diante de Hórus dedicando-lhe um templo, gravando a fundação com cinzel no chão, ou medindo os tamanhos do templo com a ajuda da deusa Seshat, deusa da escritura e a colocação da primeira pedra do templo pelo rei, e depois se pode ver a forma do templo dentro de um cartucho dedicado pelo rei ao deus Hórus.1


A partir do santuário, fracamente iluminado por uma abertura no teto, e que possui um sacrário e altar feitos de granito, tem-se acesso a 12 quartos de paredes ornadas com cenas religiosas que, acredita-se, serviam para guardar os objetos dos cultos, e um túnel, que pode ter servido de cripta para guardar os objetos mais valiosos ou para realização de rituais.

Santuário. Ao fundo o sacrário e no meio o altar, sustentando a barca de Hórus.
Continua...


1 http://www.egitoantigo.net/templo-de-edfu.html
Imagens:
http://www.ozine.co.uk/gallery/index.php/Egypt
http://en.wikipedia.org/wiki/Temple_of_Edfu
http://12121.hostinguk.com/edfu.htm
http://www-staff.it.uts.edu.au/~jenny/photos/Nile/slides/Nilometer%20and%20Nile%20at%20Edfu.html