Total de visualizações de página

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ISRAEL x PALESTINA - BREVÍSSIMA HISTÓRIA

Um brevíssimo resumo sobre o histórico das relações entre Israel e Palestina, para ter uma noção a respeito e tentar entender o que ocorre nestes dias sangrentos de 2014. Sugerimos a leitura das notas de rodapé, para uma ideia bem básica dos temas tratados.
Neste artigo não podemos considerar as alegações de que Abraão deixou seus bens para Isaque, nem que os descendentes de Canaã foram amaldiçoados por Noé ou que os Egípcios deveriam pagar os anos de trabalho dos hebreus na construção das obras de Ramsés.
Da mesma forma não vamos considerar o desejo cristão por Jerusalém por ser esta a cidade na qual Nosso Senhor Jesus Cristo foi assassinado. Ou a argumentação islâmica de que o Profeta Maomé, abençoado seja, subiu aos céus a partir de Jerusalém. Essas são argumentações religiosas que não auxiliam a solução da questão.
Tampouco abordaremos o alegado não-direito de Israel à terra, por conta da expulsão pelos romanos no ano 70 d.C. Argumentações sobre o direito de posse daquela área do Crescente Fértil também não ajudam a resolver a questão.
As inaceitáveis perseguições que os judeus sofreram ao longo dos séculos, confinamento em guetos, conversões forçadas, roubos e extermínios, certamente compuseram justificativas aceitáveis para que o movimento internacional de judeus (1847), e depois o projeto do jornalista húngaro Theodor Herzl de um estado judeu, que gerou o primeiro congresso sionista, na Basiléia (1897), buscassem fixar pátria em um local onde pudessem viver sob a própria autoridade. Por que não a própria “Canaã”, na atual Palestina? Mas ela estava cheia de palestinos que tinham o mesmo direito de estar ali. A convivência era a única solução. Ontem, hoje, sempre.
Theodor Herzl, Arthur Balfour e sua declaração.
Em 1914, menos de 20 anos depois do encontro de Basiléia, cerca de 60 mil judeus, vindos de várias partes do mundo, já haviam se transferido para aquela área e, na medida que mais deles chegavam, cresciam os pontos de tensão com os mais de 500 mil habitantes de origem árabe que viviam na região.
Durante e após a II Guerra o fluxo de judeus vindos da Europa, que fugiam da perseguição nazista ou buscavam refazer suas vidas, subiu imensamente, tornando-se um problema para a Inglaterra, que detinha o mandato daquela região.
Judeus sobreviventes de Buchenwald em Haifa.
A marinha inglesa chegou a impedir o desembarque de sobreviventes vindos dos campos nazistas. Os quatro mil passageiros do navio Exodus foram obrigados a retornar à Alemanha em 1947, em um caso que tornou-se emblemático do drama judeu no pós-guerra.
O navio Exodus, carregado de sobreviventes do Holocausto.
Naquele mesmo ano a recém-criada ONU deliberou uma solução para o caso, dividindo a Palestina em dois estados, um judeu e um árabe e transformando Jerusalém em cidade internacional. Em resumo, a cidade-santa não seria de ninguém, porque seria de todos. Esta seria a situação ideal para uma cidade que concentrava lugares sagrados de três das maiores religiões do mundo e que a História já mostrara ser viável a convivência, considerando a relativa paz interreligiosa existente antes das cruzadas.
Assembléia da ONU, presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, aprova a criação do Estado de Israel.
Mas a resolução da ONU destinava 56% das terras (dentre elas a maior parte das terras mais férteis) aos pouco mais de 500 mil judeus, e 44% das terras aos mais de 1.200.000 palestinos. Os judeus aceitaram a solução, os palestinos, como era de se esperar, não.
Ben Gurion e a Independência de Israel.
 
Antes mesmo da fundação de seu estado, previsto para 1948 quando do fim do mandato britânico na região, os judeus já ocupavam cidades e localidades antes pertencentes aos palestinos, numa tática chamada de defesa agressiva. Até atentados terroristas foram praticados, a exemplo do Atentado do Hotel King David.1
Hotel King David.
Esse avanço foi maior quando, após a fundação do Estado de Israel em 1948, Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque, com apoio de Arábia Saudita, Iêmen e Marrocos, invadiram Israel e foram derrotados. Surgia uma nova fronteira, chamada Linha Verde, e estabelecia-se a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e a Jerusalém Oriental.
Mas, se por um lado centenas de milhares de refugiados Palestinos da guerra não puderam voltar para suas casas, por outro os países árabes expulsaram suas populações judias e foi nesta época que iniciaram-se os ataques a Israel, partindo da Faixa de Gaza.
Palestinos refugiados.
Por seu turno, Israel tomou o canal de Suez, mas foi obrigado a recuar por EUA e URSS, garantindo, contudo acesso ao Mar Vermelho e ao canal.
A situação agravou-se quando, em 1967, instigados pela URSS em um movimento típico da Guerra Fria, Egito, Síria e Jordânia enviaram tropas para bloquear o acesso israelense ao Mar Vermelho. Israel respondeu atacando e iniciando a Guerra dos Seis Dias, ao final dos quais tinha tomado a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, as Colinas de Golã e Jerusalém Oriental.
O avanço da ocupação israelense. O segundo mapa (esq. p/ direita) é a divisão feita pela ONU.
A Guerra do Yom Kippur (1973) não foi capaz de alterar a situação, mas a criação da OLP2, disposta à luta armada e à promoção de atentados, sinalizou o que estava por vir. Israelenses foram vítimas de ataques em várias partes do mundo, inclusive a delegação de atletas presentes às Olimpíadas de Munique, em 1972.
A esperança renasceu com a assinatura do Acordo de Camp David (1978)3, no qual Israel, reconhecido pelo Egito, concordou em retirar-se da Península do Sinai, o que cumpriu, e em negociar a autonomia palestina na Linha Verde, o que não cumpriu. Fez, ao contrário, incentivos para a criação de assentamentos judeus na Cisjordânia.
Menachem Begin, Jimmy Carter and Anwar Sadat em Camp David, 1978.
Apenas alguns anos depois, porém, em 1981, Israel bombardeou um reator nuclear no Iraque e interviu na guerra civil libanesa. Em 1987 veio a Primeira Intifada4, uma revolta dos palestinos que resultou em mais de mil mortos, dentre eles, crianças e jovens palestinos que atacaram forças israelenses com pedras e receberam tiros como resposta.
A Primeira Intifada - Jan/88 por Neon Sky.
Os anos 90, porém, foram promissores. Foram assinados os Acordos de Paz de Oslo (1993)5, O Tratado de Paz Israel-Jordânia (1994)6 e o Memorando de Wye River (1998)7. Por outro lado ocorreram o Massacre do Túmulo dos Patriarcas (1994)8 e o assassinato de Yitzhak Rabin9 por um judeu de extrema-direita, o que demonstrou que havia radicais também no lado israelense.
Bill Clinton, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat em 1993.
O clarão, atrás de Yitzhak Rabin, mostra o momento do tiro.
O fim do século XX e início do XXI viram o recrudescimento do conflito. O povo de Israel elegeu Ariel Sharon10, apontado pelos árabes como o responsável pelo massacre de Sabra e Chatila no Líbano em 1982, como primeiro-ministro. E ele resolveu passear na Esplanada das Mesquitas, perto da Mesquita de Al-Aqsa... a provocação resultou na Segunda Intifada11, que durou de 2000 até 2005.
O massacre de Sabra e Shatila.
Cansou? Eu também...
Todos esses conflitos e essas mortes lastimáveis, as disputas de poder entre a Fatah e o Hamas, o aumento dos assentamentos, construção de outro muro da vergonha, os contínuos ataques partindo de Gaza, a permanência dos radicais israelenses no poder e a incompreensível falta de pressão dos EUA para que se restabeleçam as fronteiras de 1967 e cumpra-se a resolução da ONU, acirram ainda mais os ódios e tornam a solução uma verdadeira utopia.
O Muro da Vergonha de nosso tempo.
Os radicais de ambos os lados, Hamas pela Faixa de Gaza e extrema-direita israelense, se auto-alimentam por conta de um cálculo político: eles não teriam vez em um oriente pacificado, com dois estados convivendo em harmonia, mantendo relações comerciais e culturais entre si e com o mundo.
Para Israel só há uma única saída: fazer a paz, interromper os assentamentos, retirar vários já instalados, devolver terras úteis aos palestinos, dar-lhes um estado de fato e garantir-lhes a segurança financeira até que possam viver por si mesmos. Para a Palestina a única saída é a mesma. Apenas esse caminho pode minar a influência dos grupos extremistas palestinos e israelenses.
E será preciso paciência, pois os radicais não evaporarão da noite para o dia. Os ataques vão continuar ainda por um tempo, o que vai demandar perseverança nos esforços pela paz, principalmente de Israel. Respostas militares massivas são o mais nutritivo alimento para o terrorismo.
Quero encerrar assumindo posição firme de repúdio ao contra-ataque de Israel sobre a Faixa de Gaza. Israel certamente tem o direito de se defender, mas o uso desproporcional e indiscriminado da força, massacrando mulheres e crianças, é inaceitável para um estado moderno.
Não é um repúdio por questões políticas, religiosas ou militares, embora todas elas servissem, mas por uma questão que está acima de todas elas: repúdio por uma questão de humanidade.
Não posso concordar com essas cenas de barbárie porque sou um ser humano.


FIM

1 O atentado do Hotel King David foi um ataque terrorista na cidade de Jerusalém, na então Palestina, ocorrido a 22 de Julho de 1946 , tendo como idealizadores uma organização sionista denominada Irgun (diminutivo de Irgun Zvai Leumi, Organização Militar Nacional) e como alvo as instalações do Hotel King David nessa cidade, que eram residenciais dos familiares de funcionários do governo britânico na Palestina. O ataque foi organizado por Menachem Begin que mais tarde ocupou o cargo de primeiro-ministro de Israel por duas vezes. O ataque terrorista resultou na morte de 91 pessoas (28 britânicos, 41 árabes, 17 judeus e 5 outros mortos) e ferimentos graves em outras 45 pessoas. http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_do_Hotel_King_David

2 Organização para Libertação da Palestina 

3 Os dois Acordos de Paz de Camp David, negociados na casa de campo do presidente dos Estados Unidos em Maryland (chamada Camp David) e assinados na Casa Branca pelo Presidente Anwar Sadat, do Egito, e pelo Primeiro-Ministro Menachem Begin, de Israel, em 17 de setembro de 1978, formam um pactum de contrahendo pelo qual Egito e Israel se comprometiam a negociar em boa fé e a assinar um tratado de paz, conforme os princípios delineados nos Acordos de Paz. O Presidente Jimmy Carter, dos Estados Unidos, foi o patrocinador e anfitrião do encontro, e participou ativamente das negociações.
O Tratado de Paz Israelo-Egípcio foi, de fato, posteriormente celebrado, em 26 de março de 1979, em Washington, DC.

4 A Primeira Intifada, também chamada guerra das pedras, foi uma manifestação espontânea da população palestina contra a ocupação israelense, iniciada em 9 de dezembro de 1987. O termo surgiu após o levante espontâneo que rebentou em 1987, no campo de refugiados de Jabaliyah, no extremo norte da Faixa de Gaza, com a população civil palestina atirando paus e pedras contra os militares israelenses. O movimento atingiu seu ápice em fevereiro do mesmo ano, quando um fotógrafo israelense publicou imagens que mostravam soldados israelenses "molestando violentamente" os palestinos, o que suscitou a indignação da opinião pública. A revolta só terminou no final de 1993, por ocasião da assinatura dos Acordos de Oslo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Intifada

5 Os acordos de Oslo foram uma série de acordos na cidade de Oslo na Noruega entre o governo de Israel e o Presidente da OLP, Yasser Arafat mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Assinaram acordos que se comprometiam a unir esforços para a realização da paz entre os dois povos. Estes acordos previam o término dos conflitos, a abertura das negociações sobre os territórios ocupados, a retirada de Israel do sul do Líbano e a questão do status de Jerusalém. 
pt.wikipedia.org/wiki/Acordos_de_paz_de_Oslo

6 O Tratado de paz Israel–Jordânia é um tratado de paz assinado em 1994 entre os dois estados vizinhos. O tratado veio normalizar as relações entre os dois países e resolveu disputas territoriais entre si. A sua assinatura está fortemente ligada aos esforços do Processo de Paz Israel-Palestina entre Israel e a Organização de Libertação da Palestina representante da Autoridade Palestiniana. Foi assinado em Arava, posto fronteiriço na fronteira Israel-Jordânia em 26 de Outubro de 1994, fazendo com que a Jordânia fosse o segundo país árabe a normalizar relações com Israel, seguindo-se ao Egito. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_paz_Israel-Jord%C3%A2nia

7 O Memorando de Wye River foi um acordo negociado entre Israel e a Autoridade Palestina para implementar o acordo provisório antes de 28 de Setembro de 1995. Mediado pelos Estados Unidos, no Aspen Institute Wye River Conference Centers perto de Wye River, Maryland, foi assinado em 23 de outubro de 1998. Clinton abriu a cúpula no isolado Centro de Conferências Wye River em 15 de outubro e retornou pelo menos seis vezes ao local para pressionar Netanyahu e Arafat para finalizar o negócio. No esforço final para conseguir fazer com que Netanyahu e Arafat superam-se os obstáculos, Clinton convidou o Rei Hussein, que havia desempenhado um papel passado para aliviar as tensões entre os dois homens, para participar nas conversações. No último dia das negociações, o acordo quase caiu completamente. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pediu ao presidente Bill Clinton para liberar Jonathan Pollard, um oficial da inteligência naval americana que tinha sido condenado a uma sentença de prisão perpétua desde 1985 por dar informações classificadas para Israel. A divergência surgiu amarga, com Netanyahu, alegando que Clinton tinha prometido a liberação de Pollard e Clinton dizendo que ele só tinha prometido a "rever" o caso. Também foi relatado que o então diretor da CIA, George Tenet, tinha ameaçado demitir-se se Pollard fosse liberado. O acordo foi finalmente assinado por Netanyahu e o Presidente da OLP, Yasser Arafat, na Casa Branca, com o presidente Clinton desempenha um papel fundamental como testemunha oficial. Em 17 de novembro de 1998, os 120 membros do parlamento de Israel, o Knesset, aprovaram o Memorando de Wye River por uma votação de 75-19. Com a eclosão da Intifada de Al-Aqsa, em setembro de 2000 e os contra-ataques pelas Forças de Defesa de Israel, acordos de Wye River e metas permanecem sem ser implementadas.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Memorando_de_Wye_River

8 O Massacre do Túmulo dos Patriarcas ocorreu quando Baruch Goldstein, um colono israelense e membro do movimento de extrema-direita israelense Kach, abriu fogo contra palestinos muçulmanos desarmados que estavam rezando dentro da Mesquita Ibrahim no Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, na Cisjordânia. Aconteceu no dia 25 de fevereiro de 1994, durante os feriados religiosos sobreposição de Purim e Ramadã. Entre 29 e 52 muçulmanos morreram e mais de 100 feridos. O ataque terminou quando Goldstein foi subjugado e espancado até a morte pelos sobreviventes. Muitos sustentam de que o massacre tenha tido inspirações sionistas. O ataque deflagrou vários tumultos e protestos em toda a Cisjordânia e um adicional de 19 palestinos foram mortos pelas Forças de Defesa de Israel no prazo de 48 horas após o massacre. O então Primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, condenou o ataque, descrevendo Goldstein como um "assassino degenerado", "uma vergonha para o sionismo e um constrangimento para o judaísmo". Depois do massacre, Rabin impôs um toque de recolher contra os 120.000 residentes palestinos da cidade. Os 400 colonos judeus em Hebron continuaram livres para ir e vir. Goldstein era visto como um mártir por extremistas judeus em Hebron, e sua sepultura posteriormente se tornou um local de peregrinação para os seus apoiantes. http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_do_T%C3%BAmulo_dos_Patriarcas

9 Quinto primeiro-ministro de Israel, no cargo entre 1974 e 1977, regressou ao cargo em 1992, exercendo funções até 1995, ano em que foi assassinado. Foi também o primeiro chefe de governo a ter nascido no território que se tornaria Israel e o segundo a morrer durante o exercício do cargo, além de ser o único a ser assassinado. Em 1994, Rabin recebeu o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com Shimon Peres e Yasser Arafat. Ele foi assassinado pelo direitista radical israelense Yigal Amir, que se opunha à assinatura de Rabin do Acordos de Oslo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Yitzhak_Rabin

10 Ariel Sharon foi um político e militar israelita que serviu como 11º primeiro-ministro de Israel até ele ficar incapacitado por um acidente vascular cerebral. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariel_Sharon

11 A Segunda Intifada ou Intifada Al-Aqsa designa o conjunto de eventos que marcou a revolta civil dos palestinos contra a política administrativa e a ocupação Israelense na região da Palestina a partir de setembro de 2000.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Intifada

Imagens fora da Wikipedia:
http://www.coutausse.com/contents/photojournalism/the%20first%20intifada,%201987%20to%201990/image-intifada-22/
http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4433864,00.html
http://asduastestemunhas.blogspot.com.br/p/aparando-as-arestas.html
http://fasttimesinpalestine.wordpress.com/2009/10/13/maps-of-israel-palestine/
http://mycatbirdseat.com/2010/09/william-cook-return-to-shatila/
http://www.conexaoisrael.org/o-estado-de-israel-declara-independencia/2013-04-12/yairmau
http://ruadajudiaria.com/?p=610
http://www.veteranstoday.com/2011/11/03/yitzhak-rabin-assassination-a-retrospective/

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A BATALHA DE MOSCOU - FINAL

A BATALHA DE MOSCOU1
A parada de 07 de Novembro de 1941, 24º aniversário da Revolução Russa, elevou muito o moral do Exército Vermelho. Mas nos parece que era mesmo o medo do terror stalinista o maior incentivador do soldado soviético.
Só isso explicaria o relato que Andrew Nagorski apresenta em sua obra, coletado de um soldado alemão sobrevivente, sobre um avanço soviético em ondas de soldados: “A 600 metros abrimos fogo e seções inteiras da primeira onda simplesmente desapareceram, deixando aqui e ali alguns sobreviventes caminhando resolutamente para frente. Era estranho, inacreditável, desumano.” (pg. 183)
Mas, o avanço alemão ainda tinha de enfrentar a lama que quase paralisou o avanço e dificultou o reabastecimento. Quando a lama endureceu com o frio, permitindo movimento mais rápido, os soldados passaram a sofrer com o frio que chegava a congelar o lubrificante dos veículos. 
Rasputitsia - A incontornável lama russa.
O frio foi tão intenso que os alemães passaram a se vestir até mesmo com roupas de mulher por sobre as fardas para se aquecer e chegavam a ter estalactites de gelo formados no rosto.
Soldados alemães semi-congelados no inverno russo.
Soldados alemães combatendo no inverno russo.
O filho de Stalin, prisioneiro dos alemães.
Muitos morreram congelados, como se lê no relato do veterano russo Albert Tsessarsky sobre o que viu nas margens do Rio Moscou, em Mozhaisk, e que Nagorski apresenta: “Um alemão morto usava um sutiã enrolado na cabeça, evidentemente para tentar proteger as orelhas do congelamento. Os outros estavam enrolados em tudo que encontraram para lutar contra o frio, e só usavam botas leves de couro.” (pg. 202)
As tropas siberianas que mudaram o curso da guerra marchando rumo ao combate.
Some-se isso tudo com a chegada dos tanques T-34 russos, bem superiores aos Panzer, a chegada das tropas siberianas, bem mais resistentes ao inverno, e entende-se como o pânico mudou de lado. A tomada de Moscou pelos alemães estava afastada, o recuo tornou-se inevitável e logo já estava entre 70 e 100km.
Rio Moscou - Mozhaisk - região de combates conhecida como "Vale da Morte".
Khimki - Periferia de Moscou - região mais perto da capital soviética na qual os alemães chegaram.
Em nossa opinião, o que se viu na Batalha de Moscou foi um confronto de ideologias mas, acima de tudo, um confronto entre dois sistemas de terror que se auto-alimentaram. Ao final, triunfou aquele que teve mais carne para enviar ao moedor.
Apesar de todo o atraso na invasão alemã e no avanço final a Moscou, causado por Hitler, do General Inverno e da capacidade militar do General Zhukov em organizar as defesas da capital soviética, foi o terror alemão que levou a população, inicialmente receptiva à invasão, a voltar a apoiar a URSS. E foi o terror stalinista que impulsionou soldados desarmados a lançarem-se ao ataque contra tanques e metralhadoras e a preferirem a morte ao recuo.
Dois monstros equivalentes se enfrentaram diante de Moscou. Infelizmente, apenas um deles foi derrotado.

FIM...
A infame Diretiva 21 -as ordens de Hitler para invasão da URSS.

1Todas as informações desta série são baseadas na obra “A Batalha de Moscou” de Andrew Nagorski, tradução de Paulo Castanheira, Editora Contexto.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A BATALHA DE MOSCOU - Parte II


Conheça nosso site: 
www.reino-de-clio.com.br

A BATALHA DE MOSCOU1

A Wehrmacht avançava mais lentamente que o previsto. A resistência soviética aumentava muito além do previsto. Apesar de tudo, em meados de Julho, após a tomada de Smolensk, o Grupo de Exércitos do Centro, comandados por Fedor von Bock, estava pronto para iniciar o avanço final rumo a Moscou, se recebesse os reforços que deveriam vir do Norte e do Sul, concentrando forças para derrubar a cabeça da URSS.
Mas então Hitler deu uma força para seu colega ditador Stalin: exitou por cerca de 3 semanas expedindo diretivas para consolidar as operações em Leningrado, em Kiev e no Cáucaso. As ordens para Bock eram de assumir posição de defesa!
Apenas em setembro veio a ordem do avanço a Moscou. E mais uma vez os soviéticos levaram uma desvantagem terrível. Em Vyasma as forças vermelhas foram cercadas e aniquiladas em quase 100%. No início de outubro tanques alemães já estavam a cerca de 150km de Moscou. Mas, também nesta época caiu a primeira neve e na metade do mês as chuvas já ameaçavam o avanço alemão. Além disso, dois novos generais estavam para entrar em ação: Zhukov e o Inverno.
Kiev - Capital da Ucrânia - bombardeada.

Vyasma sob a invasão nazista.

Vyasma nos dias atuais.
O General Soviético Georgy Zhukov, responsável pela resistência de Leningrado, fora nomeado por Stalin para a defesa da capital e tentou, com apenas 90 mil homens, atrasar o máximo possível o avanço alemão até Moscou. O objetivo era ganhar tempo para fortalecer as defesas da cidade, obras para as quais todos os cidadãos foram convocados.
Mas em 16 de outubro, apesar de todo o preparo, da chuva e da neve que chegaram, a aproximação dos alemães fez com que Moscou sucumbisse ao pânico. Setores inteiros do governo, o corpo diplomático, fábricas inteiras eram evacuados e o que não podia ser transportado foi minado de explosivos.
Os serviços públicos deixaram de funcionar e a ausência da polícia representava o fim da ordem e a chegada do caos e da lei do mais forte. Os saques se espalharam das lojas de alimentos para todas as outras e, depois, para as residências abandonadas.
Nas estações ferroviárias lotadas a maioria dos que conseguiam embarcar deixavam quase todos os pertences para trás e quem tinha carro era, muitas vezes, arrancado de seus volantes, espancado e abandonado à própria sorte.
Por outro lado, também havia muitos que se juntavam às forças de defesa para lutar contra os alemães em proteção ao pais.
Stalin, após dias de exitação, decidiu permanecer em Moscou. Ele reassumiu as rédeas do governo da forma como sabia fazer melhor: instalou mais terror decretando a Lei Marcial em 19 de outubro. E logo o caos amainou e os saques pararam. E a construção das defesas da cidade se acelerou pois “...equipes de mulheres, ao lado de rapazes jovens demais para servir, construíam enormes redes de trincheiras, armadilhas antitanque e barreiras feitas de árvores derrubadas, entrelaçadas por arame farpado que, consideradas em conjunto, estendiam-se por milhares de quilômetros nas estradas que levavam à cidade.” (pg. 154).
Vítimas do terror de Stalin.

Mulheres de Moscou trabalhando nas defesas da cidade.
Ao mesmo tempo os soviéticos se prepararam para a eventual perda da capital. A maior parte dos edifícios mais importantes, inclusive o Teatro Bolshoi, foi preparada para demolição com explosivos quando os alemães estivessem instalados e agentes da NKVD (que depois viria a ser a KGB) receberam a missão de sabotar o inimigo e matar nazistas sempre que possível.
As defesas anti-aéreas da cidade eram fabulosas e causaram pesados danos aos alemães chegando a uma taxa estratosférica de 50% de abatimentos em um relato. Entre Dezembro/41 e Janeiro/42, 250 mil soldados foram deslocados da Sibéria (onde aguardavam um eventual ataque japonês que, descobriu-se pela espionagem, não viria), para defender a capital.
Mas o que elevou mesmo o moral das tropas vermelhas foi a parada de 07 de Novembro de 1941, 24º aniversário da Revolução Russa. 
07/11/1941 - As tropas soviéticas desfilam na Praça Vermelha, diante do "Camarada" Stalin.
Sob nevasca os soldados desfilaram na Praça Vermelha e os boatos sobre a fuga de Stalin chegaram ao fim, pois os soldados viram que o líder estava ali e marchavam diante dele. A notícia logo espalhou-se pelas frentes de combate, reavivando os ânimos.
Continua... 

Conheça nosso site: 
www.reino-de-clio.com.br

1Todas as informações desta série são baseadas na obra “A Batalha de Moscou” de Andrew Nagorski, tradução de Paulo Castanheira, Editora Contexto.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

MOSCOU - A MÃE DE TODAS AS BATALHAS

Moscou - Praça Vermelha.
MOSCOU - A MÃE DE TODAS AS BATALHAS
Conheça nosso site: 
www.reino-de-clio.com.br

Neste texto fazemos um microscópico resumo do que foi a maior batalha da história, com base na obra “A Batalha de Moscou” de Andrew Nagorski, tradução de Paulo Castanheira, Editora Contexto.
Segundo Nagorski, esta foi a maior de todas as batalhas porque envolveu, no período oficial de “30 de setembro de 1941 até 20 de abril de 1942”, cerca de 7 milhões de soldados com quase 1,9 milhões de perdas soviéticas e mais de 600 mil alemães, entre mortos e feridos. Comparando com outras batalhas épicas, tais como Stalingrado, Gallipoli, Somme ou El Alamein, nenhuma delas, segundo o autor, sequer chega perto da disputa pela capital da URSS. Todas as informações que se seguem são originárias da obra em questão. As imagens de época são de vários sites e estão em domínio público e as atuais são do Google Street View.
Em 22 de junho de 1941 a Wehrmacht, com mais de 3 milhões de homens, mais de 3500 tanques, mais de 2700 aviões e cerca de 600 mil cavalos, iniciou a invasão da URSS, na maior operação guerreira invasiva da História da humanidade.
Os destinos dos 3 grupos de exércitos eram as cidades de Leningrado, Kiev e a jóia da coroa comunista, Moscou, centro político, industrial e de transportes do colosso soviético.
As três frentes de avanço das forças alemãs.
O grupo mais poderoso das forças de Hitler, justamente aquele destinado a tomar Moscou, atravessou o Rio Bug, na Polônia, em uma tempestade de fogo e aço que varreu as despreparadas e quase acéfalas forças de defesa do Exército Vermelho.
Rio Bug - Polônia.
Ignorando todos os avisos de que uma invasão alemã era iminente, Stalin chegou ao cúmulo de ordenar que suas forças não revidassem a um eventual ataque alemão, até certificar-se da motivação. Foi um passeio para as forças do III Reich! A maioria dos aviões da força aérea soviética foi abatida ainda no solo.
Minsk nos dias atuais.

Prisioneiros soviéticos em Minsk.
Aos poucos as cidades mais importantes foram caindo uma a uma, primeiro Minsk, depois Smolensk e logo a Wehrmacht estava a menos de 400 km de Moscou.
Smolensk nos dias atuais.

As Panzer-Gruppen de Heinz Guderian em Smolensk.

Defesas soviéticas em Smolensk.
Depois do choque inicial, Stalin passou a ação. Falou ao povo convocando todos à luta e à política de terra arrasada, manifestou sua fé na vitória e, ao mesmo tempo, mandou transferir, em absoluto segredo, o corpo de Lênin para a pequena cidade de Tyumen, mais de 1500 km distante de Moscou.
Tyumen nos dias atuais.
Mas os expurgos que ele mesmo levara a cabo anos antes, e que afastaram mais de 40 mil militares das forças armadas, a maioria mortos após julgamentos de fachada, deixaram as tropas sem comandantes experientes na maioria dos postos, agora ocupados por jovens recém-saídos das academias ou por devotados partidários sem nenhuma aptidão para a guerra.
As derrotas, portanto, sucediam-se e as rendições em massa somavam-se à calorosa receptividade inicial do povo para com os soldados alemães, que eram vistos, por conta da propaganda nazista, como libertadores do reinado de terror imposto por Stalin.
Diante desse quadro o tirano soviético reagiu adotando medidas que já experimentara: mais terror! Grupos de 10 soldados recebiam apenas uma arma, mas deviam lançar-se ao ataque mesmo assim e não podiam recuar, pois atrás deles havia os pelotões de caçadores de derrotistas e covardes, encarregados de fuzilar quem recuasse. Qualquer um que fosse considerado derrotista seria fuzilado, assim como suas famílias. O soldado que fosse feito prisioneiro e conseguisse escapar seria fuzilado ao retornar.
Hitler também deu sua inestimável contribuição para elevar o moral das tropas soviéticas. Ao contrário das promessas de propaganda, instalou nas regiões já ocupadas um regime de terror igual ou pior do que o de Stalin, caçando os judeus e escravizando brutalmente a população. Já no planejamento a ação na URSS previa a morte de milhões de pessoas pela falta de víveres que seriam desviados do povo para a manutenção das tropas invasoras. Além disso as cidades de Leningrado e Moscou deveriam ser literalmente riscadas do mapa. A notícia dos fuzilamentos em massa de soldados que se rendiam logo se espalhou pela frente de combate, assim como a prática de fuzilar mais de 50 pessoas por cada alemão morto pela resistência.
Entre esses dois terrores, a resistência soviética foi crescendo na medida em que diminuia a velocidade do avanço alemão.


A Wehrmacht avançava mais lentamente que o previsto. A resistência soviética aumentava muito além do previsto. Apesar de tudo, em meados de Julho, após a tomada de Smolensk, o Grupo de Exércitos do Centro, comandados por Fedor von Bock, estava pronto para iniciar o avanço final rumo a Moscou, se recebesse os reforços que deveriam vir do Norte e do Sul, concentrando forças para derrubar a cabeça da URSS.
Mas então Hitler deu uma força para seu colega ditador Stalin: exitou por cerca de 3 semanas expedindo diretivas para consolidar as operações em Leningrado, em Kiev e no Cáucaso. As ordens para Bock eram de assumir posição de defesa!
Apenas em setembro veio a ordem do avanço a Moscou. E mais uma vez os soviéticos levaram uma desvantagem terrível. Em Vyasma as forças vermelhas foram cercadas e aniquiladas em quase 100%. No início de outubro tanques alemães já estavam a cerca de 150km de Moscou. Mas, também nesta época caiu a primeira neve e na metade do mês as chuvas já ameaçavam o avanço alemão. Além disso, dois novos generais estavam para entrar em ação: Zhukov e o Inverno.
Kiev - Capital da Ucrânia - bombardeada.

Vyasma sob a invasão nazista.

Vyasma nos dias atuais.
O General Soviético Georgy Zhukov, responsável pela resistência de Leningrado, fora nomeado por Stalin para a defesa da capital e tentou, com apenas 90 mil homens, atrasar o máximo possível o avanço alemão até Moscou. O objetivo era ganhar tempo para fortalecer as defesas da cidade, obras para as quais todos os cidadãos foram convocados.
Mas em 16 de outubro, apesar de todo o preparo, da chuva e da neve que chegaram, a aproximação dos alemães fez com que Moscou sucumbisse ao pânico. Setores inteiros do governo, o corpo diplomático, fábricas inteiras eram evacuados e o que não podia ser transportado foi minado de explosivos.
Os serviços públicos deixaram de funcionar e a ausência da polícia representava o fim da ordem e a chegada do caos e da lei do mais forte. Os saques se espalharam das lojas de alimentos para todas as outras e, depois, para as residências abandonadas.
Nas estações ferroviárias lotadas a maioria dos que conseguiam embarcar deixavam quase todos os pertences para trás e quem tinha carro era, muitas vezes, arrancado de seus volantes, espancado e abandonado à própria sorte.
Por outro lado, também havia muitos que se juntavam às forças de defesa para lutar contra os alemães em proteção ao pais.
Stalin, após dias de exitação, decidiu permanecer em Moscou. Ele reassumiu as rédeas do governo da forma como sabia fazer melhor: instalou mais terror decretando a Lei Marcial em 19 de outubro. E logo o caos amainou e os saques pararam. E a construção das defesas da cidade se acelerou pois “...equipes de mulheres, ao lado de rapazes jovens demais para servir, construíam enormes redes de trincheiras, armadilhas antitanque e barreiras feitas de árvores derrubadas, entrelaçadas por arame farpado que, consideradas em conjunto, estendiam-se por milhares de quilômetros nas estradas que levavam à cidade.” (pg. 154).
Vítimas do terror de Stalin.

Mulheres de Moscou trabalhando nas defesas da cidade.
Ao mesmo tempo os soviéticos se prepararam para a eventual perda da capital. A maior parte dos edifícios mais importantes, inclusive o Teatro Bolshoi, foi preparada para demolição com explosivos quando os alemães estivessem instalados e agentes da NKVD (que depois viria a ser a KGB) receberam a missão de sabotar o inimigo e matar nazistas sempre que possível.
As defesas anti-aéreas da cidade eram fabulosas e causaram pesados danos aos alemães chegando a uma taxa estratosférica de 50% de abatimentos em um relato. Entre Dezembro/41 e Janeiro/42, 250 mil soldados foram deslocados da Sibéria (onde aguardavam um eventual ataque japonês que, descobriu-se pela espionagem, não viria), para defender a capital.
Mas o que elevou mesmo o moral das tropas vermelhas foi a parada de 07 de Novembro de 1941, 24º aniversário da Revolução Russa. 
07/11/1941 - As tropas soviéticas desfilam na Praça Vermelha, diante do "Camarada" Stalin.
Sob nevasca os soldados desfilaram na Praça Vermelha e os boatos sobre a fuga de Stalin chegaram ao fim, pois os soldados viram que o líder estava ali e marchavam diante dele. A notícia logo espalhou-se pelas frentes de combate, reavivando os ânimos.
A parada de 07 de Novembro de 1941, 24º aniversário da Revolução Russa, elevou muito o moral do Exército Vermelho. Mas nos parece que era mesmo o medo do terror stalinista o maior incentivador do soldado soviético.
Só isso explicaria o relato que Andrew Nagorski apresenta em sua obra, coletado de um soldado alemão sobrevivente, sobre um avanço soviético em ondas de soldados: “A 600 metros abrimos fogo e seções inteiras da primeira onda simplesmente desapareceram, deixando aqui e ali alguns sobreviventes caminhando resolutamente para frente. Era estranho, inacreditável, desumano.” (pg. 183)
Mas, o avanço alemão ainda tinha de enfrentar a lama que quase paralisou o avanço e dificultou o reabastecimento. Quando a lama endureceu com o frio, permitindo movimento mais rápido, os soldados passaram a sofrer com o frio que chegava a congelar o lubrificante dos veículos. 
Rasputitsia - A incontornável lama russa.
O frio foi tão intenso que os alemães passaram a se vestir até mesmo com roupas de mulher por sobre as fardas para se aquecer e chegavam a ter estalactites de gelo formados no rosto.
Soldados alemães semi-congelados no inverno russo.
Soldados alemães combatendo no inverno russo.
O filho de Stalin, prisioneiro dos alemães.
Muitos morreram congelados, como se lê no relato do veterano russo Albert Tsessarsky sobre o que viu nas margens do Rio Moscou, em Mozhaisk, e que Nagorski apresenta: “Um alemão morto usava um sutiã enrolado na cabeça, evidentemente para tentar proteger as orelhas do congelamento. Os outros estavam enrolados em tudo que encontraram para lutar contra o frio, e só usavam botas leves de couro.” (pg. 202)
As tropas siberianas que mudaram o curso da guerra marchando rumo ao combate.
Some-se isso tudo com a chegada dos tanques T-34 russos, bem superiores aos Panzer, a chegada das tropas siberianas, bem mais resistentes ao inverno, e entende-se como o pânico mudou de lado. A tomada de Moscou pelos alemães estava afastada, o recuo tornou-se inevitável e logo já estava entre 70 e 100km.
Rio Moscou - Mozhaisk - região de combates conhecida como "Vale da Morte".
Khimki - Periferia de Moscou - região mais perto da capital soviética na qual os alemães chegaram.
Em nossa opinião, o que se viu na Batalha de Moscou foi um confronto de ideologias mas, acima de tudo, um confronto entre dois sistemas de terror que se auto-alimentaram. Ao final, triunfou aquele que teve mais carne para enviar ao moedor.
Apesar de todo o atraso na invasão alemã e no avanço final a Moscou, causado por Hitler, do General Inverno e da capacidade militar do General Zhukov em organizar as defesas da capital soviética, foi o terror alemão que levou a população, inicialmente receptiva à invasão, a voltar a apoiar a URSS. E foi o terror stalinista que impulsionou soldados desarmados a lançarem-se ao ataque contra tanques e metralhadoras e a preferirem a morte ao recuo.
Dois monstros equivalentes se enfrentaram diante de Moscou. Infelizmente, apenas um deles foi derrotado.
FIM...
A infame Diretiva 21 -as ordens de Hitler para invasão da URSS.

1Todas as informações desta série são baseadas na obra “A Batalha de Moscou” de Andrew Nagorski, tradução de Paulo Castanheira, Editora Contexto.


Conheça nosso site: 
www.reino-de-clio.com.br