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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

CHURCHILL - Parte 35

CHURCHILL – Parte XXXV [1] [2]
No dia 22/06/1941, em transmissão pela BBC à noite, Churchill disse que todos sabiam que ele havia feito oposição ao bolchevismo durante muito tempo, mas que, naquele momento em que Hitler esperava derrotar os russos antes do inverno e depois voltar toda sua força contra a Inglaterra, “O perigo que a Rússia enfrenta é doravante nosso perigo...” que “a causa de qualquer luta dos russos por sua terra e por seu lar é a causa dos homens e dos povos livres em todos os cantos do mundo” e, portanto, “devemos dar à Rússia toda a ajuda que pudermos”.
E Winston agiu rapidamente para transformar em ações suas palavras ordenando uma série de grandes ataques às instalações militares alemãs na França e na Alemanha com intuito de obrigar Hitler a desviar recursos e tropas para defesa própria, aliviando assim o fardo russo.
Aos poucos o número de cidades alemãs bombardeadas foi aumentando, “Frankfurt foi bombardeada na noite de 7 de julho, Wilhelmshaven em 11 de julho e Hannover, em 14 de julho.”
Em pronunciamento, Churchill avisou: “Infligiremos aos alemães o mesmo que, e mais ainda, do que eles infligiram a nós.” e ainda desafiou Hitler: “Você faz seu pior, e nós faremos nosso melhor.” Hamburgo foi o próximo alvo.
Ao mesmo tempo Winston enviava a Stalin todas as informações sobre a URSS que eram decifradas em Bletchley e avisava que daria toda ajuda possível: “...esperamos obrigar Hitler a devolver parte de seu poderio aéreo ao ocidente e gradualmente aliviá-lo de algumas de suas preocupações.”
Parece-nos que, finalmente, Churchill estava planejando muito mais ataques do que operações defensivas. A isso soma-se a queda considerável de ataques aéreos sobre a Grã-Bretanha e a redução significativa da perda de comboios de suprimentos vindos da América pois agora eles conseguiam desviar e se esconder dos submarinos graças, mais uma vez, à decifração feita em Bletchley. (<<<<<<pg. 139-142)
No início de Agosto/1941 Churchill viajo a Placentia, na Terra Nova e Labrador - Canadá, para se encontrar com Roosevelt. 
Neste encontro foi decidido que os EUA ajudariam a URSS em coordenação com Churchill, aumentariam os comboios de suprimentos e suas escoltas para a Grã-Bretanha, também fariam entregas de aviões bombardeiros na África com pilotos-treinadores americanos e fariam patrulhamento marítimo até a Islândia.
Os dois países também firmaram um tratado com disposições sobre o pós-guerra que foi denominado Carta do Atlântico.[3]. Quando soube que os próprios alemães já não acreditavam em uma vitória na URSS antes do inverno, Churchill reforçou o envio de suprimentos, tanques e aviões para Stalin e os EUA fizeram o mesmo. 
Clementine lançou uma campanha que arrecadou medicamentos e um novo pacote de ajuda militar acertou o envio de “1.800 caças britânicos, novecentos caças americanos e novecentos bombardeiros para os próximos nove meses, bem como canhões navais, equipamentos de detecção de submarinos, armas antiaéreas e carros blindados.”
Winston ordenou, ainda, ataques anfíbios à Noruega e a Sicília, operações que foram vetadas pelos chefes do Estado-Maior. (<<<pg. 142-146)
As boas notícias se multiplicavam. A URSS resistia muito além do que os mais pessimistas alemães poderiam ter previsto. 
Na Líbia as mensagens secretas decifradas em Bletchley davam conta de que Rommel enfrentava uma séria falta de recursos e até de combustível. Dois navios que trariam alívio na falta desse material foram afundados. As tropas britânicas romperam o cerco alemão e retornaram a Tobruk.
Em 07/12/1941 as forças navais do Império do Japão atacaram a base americana de Pearl Harbour. Os EUA não poderiam mais se esquivar de entrar na guerra. Contudo o ataque viera do Japão e o inimigo principal era a Alemanha. Como os EUA fariam guerra contra a Alemanha se esta não lhe atacara?
Quem solucionou a questão foi o próprio Hitler quando, após a declaração de guerra dos estadunidenses contra o Japão, declarou guerra da Alemanha contra os EUA.
Hitler tomou esta atitude fatal esperando que o Japão declarasse guerra a URSS, o que não ocorreu. O Exército Vermelho não só imperida a conquista de Moscou pelos nazistas, como contra-atacava fazendo recuar a Werhmacht pela primeira vez na guerra. (<<<pg. 146-149) Sobre esse tema, sugerimos uma pausa para leitura de nosso texto “A Mãe de Todas as Batalhas” que pode ser acessado AQUI.
Após a entrada dos EUA na guerra Churchill viajou a Washington onde foi hóspede de Roosevelt na Casa Branca. 
Ele permaneceu na capital estadunidense por três semanas e nas conversações ficou decidida a invasão do Norte da África bem como a necessidade de derrotar primeiro a Alemanha e depois o Japão que avançava sobre toda Ásia.
Também acordaram que os aviões americanos usariam as bases britânicas para atacar a Alemanha, que enviariam tropas para a Irlanda, substituindo os soldados do Reino Unido que poderiam ser enviados à África. Tropas americanas seriam deslocadas das Filipinas para Cingapura e mais tropas iriam compor a defesa da Austrália.
No dia 26/12/1941 Churchill discursou no Congresso dos EUA e, à noite, sofreu um pequeno ataque cardíaco na Casa Branca quando tentou abrir uma janela: “Tive de usar uma força considerável e, de repente, notei que tinha dificuldade para respirar. Senti uma forte dor no coração. Deixei de sentir meu braço esquerdo.”
Mas o médico, Dr. Charles Wilson não revelou este fato nem mesmo ao paciente, recomendando apenas repouso e evitar esforço físico ao invés das seis semanas na cama que seriam recomendáveis.
CONTINUA



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   A Carta do Atlântico (Atlantic Charter) foi negociada na Conferência do Atlântico (codinome Riviera) pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill e pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, a bordo do HMS Prince of Wales, na Argentia, em Terra Nova e foi emitida como declaração no dia 14 de Agosto de 1941. A Carta do Atlântico estabeleceu uma visão Pós-Segunda Guerra Mundial, apesar dos Estados Unidos ainda não estarem na guerra. Os participantes esperaram, em vão, a adesão da União Soviética, que tinha sido invadida pela Alemanha Nazista em 1941. Em resumo, os oito pontos eram:
1. Nenhum ganho territorial seria buscado pelos Estados Unidos ou pelo Reino Unido;
2. Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos do pessoal interessado;
3. As pessoas têm direito à auto-determinação;
4. Barreiras comerciais devem ser excluídas;
5. Há de ser uma cooperação econômica global e avanço do bem-estar social;
6. A liberdade de desejo e medo seria executada;
7. Há de ter a liberdade dos mares;
8. Desarmamento das nações agressoras em comum após a guerra seria feito.
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_do_Atl%C3%A2ntico

sábado, 25 de setembro de 2021

REINO DE CLIO - CIDADES HISTÓRICAS DE SERGIPE


CIDADES HISTÓRICAS DE SERGIPE

Nesta nova série vamos percorrer as grandes e pequenas cidades históricas de Sergipe em busca de seu patrimônio preservado para mostrar aos nossos seguidores. Vamos visitar São Cristóvão, Estância, Laranjeiras, Maruim, Santa Luzia do Itanhi, Japaratuba, Itaporanga D'Ajuda, Nossa Senhora do Socorro e Aracaju.

Para acompanha clique AQUI e se inscreva em nosso canal. Os vídeos vão ao ar todo Sábado!

 

sábado, 11 de setembro de 2021

MONGÓLIA: DE GENGIS KHAN A MARCO POLO XI

 


TOLUI KHAN11

Como já escrevemos no texto anterior, Tolui,[1] filho de Gengis Khan, assumiu o governo em uma espécie de período regencial, até que seu irmão Ogedai, o sucessor escolhido por Gengis, fosse referendado como novo Khan em uma eleição.

Tolui era o filho mais novo de Gengis e Borte, a lendária esposa principal do Khan dos Khans. Ele nasceu por volta de 1191, casou-se em 1203 com Sorcaquetani, esposa escolhida por Gengis e gerou 4 filhos com ela, dentre eles alguém de quem falaremos bastante mais adiante: Kublai.

Tolui tomou parte em muitas campanhas do pai, inclusive no massacre de Nixapur. Ele faleceu em 1232 cometendo suicídio após tomar uma bebida envenenada para salvar seu irmão e Khan Oguedai que estava doente e cuja cura dependeria de um membro de sua família ser oferecido em sacrifício.

Tolui se ofereceu em sacrifício e cumpriu a oferta. Vinte anos depois Mangu Khan, que foi visitado pelo Frei Willian, concedeu a Tolui o título póstumo de Khan.

Continua

 



[1] 11https://pt.wikipedia.org/wiki/Tolui_C%C3%A3

terça-feira, 31 de agosto de 2021

CHURCHILL - Parte 34

CHURCHILL – Parte XXXIV [1] [2]
Em 14/11/1940, após o funeral de Neville Chamberlain, Winston recebeu o informe de que um grande ataque era iminente e, segundo Martin Gilbert, havia informações anteriores de que o alvo provavelmente seria Londres, para onde Churchill retornou apressadamente.
Essas informações também apontavam outros possíveis alvos como “o vale do Tâmisa, as costas de Kent e de Essex, Coventry e Birmingham”, de modo que não se podia ter certeza de onde seria o ataque.
Somente às 15:50hs houve informação de que o alvo era Coventry, para onde foram deslocados cem caças ao mesmo tempo em que bombardeiros foram enviados para bombardear os campos de onde decolariam os aviões alemães. Apesar disso, Coventry foi atacada com o resultado de 568 civis mortos.
Nos dias seguintes os ataques prosseguiram “tendo sido mortos 484 civis em Londres e 228 civis em Birmingham.” A retaliação britânica foi rápida: “Berlim foi bombardeada em 16 de novembro e Hamburgo foi atingida dois dias depois, matando 233 civis alemães.” (<<<<pg. 126-127)
Em 08/12/1940 outro ataque destruiu parte da Câmara dos Comuns e mais 85 pessoas morreram. 
Câmara dos Comuns atingida
Dois dias depois, finalmente, mais uma boa notícia: as tropas britânicas estavam arrasando os italianos no deserto e “o número de prisioneiros tinha subido para sete mil, entre eles três generais.” Os italianos também não estavam se dando bem na Grécia e, em ambos os casos, logo receberiam ajuda alemã.
Mas a situação financeira da Inglaterra estava rapidamente se transformando em um problema quase tão ruim quanto os aviões de Hitler. Roosevelt estava negando quase todos os pedidos de armas e suprimentos de Churchill e estava exigindo praticamente pagamento à vista.
Porém, “As compras de armas em dezembro, janeiro e fevereiro ascendiam a 1 bilhão de dólares, mas as reservas de ouro e dólares tinham sido tão esvaziadas por um ano de despesas de guerra que o total era de apenas 574 milhões de dólares.” Desse total, Roosevelt queria a metade pagos adiantados para poder seguir as entregas e chegou “ao ponto de enviar um navio de guerra à base naval de Simonstown, perto da Cidade do Cabo, para recolher 50 milhões de dólares de reservas de ouro britânicas guardadas na África do Sul.”
A despeito disso as tropas britânicas no Egito avançaram até Tobruk, na Líbia. Esses avanços tinham data para acabar, pois com o conhecimento prévio (adquirido pelos decifradores de Bletchley) de que Hitler enviaria tropas para ajudar os italianos na Grécia, Churchill decidira que o exército na Líbia seria desfalcado para reforçar a resistência grega. (<<<pg. 128-129)
No início de Janeiro/1941 uma solução para o comércio de guerra entre os EUA e a Inglaterra  finalmente foi desenhada pelo Presidente estadunidense. O contrato chamado Acordo de Empréstimo e Arrendamento (Lend-Leasing) previa que “os Estados Unidos fabricariam o que a Grã-Bretanha necessitava e alugariam esse material, numa base de arrendamento, sendo o pagamento efetuado no final da guerra.”.
Antes, porém, “a Grã-Bretanha tinha de pagar todas as dívidas que pudesse em ouro e por meio da venda dos bens comerciais britânicos nos Estados Unidos.” o que significaria praticamente zerar os cofres britânicos.
Contudo, significava também que os problemas de suprimentos estavam solucionados. Isso, somado à notícia decifrada em Bletchley de que Hitler não planejava mais invadir a Grã-Bretanha, representaram um grande alívio para Churchill.
A partir dai a cooperação entre os dois países tornou-se também militar com a formação de um grupo que reunia os Estados Maiores na preparação de planos para o caso de os EUA entrarem na guerra. Aqui sugerimos ao leitor outra pausa em nossa série para ler um texto paralelo relacionado. Trata-se de “Bastidores da II Guerra”, que conta a participação de heróis quase esquecidos e também sobre os dias sombrios da Inglaterra sob ataque nazista. Para ler clique AQUI.
E aqui vai um indício a mais que alimenta teorias de conspiração de que os EUA sabiam que seriam atacados pelo Japão: “mesmo na eventualidade de uma guerra no Pacífico, o teatro de operações Atlântico-Europa continuará a ser o decisivo, se a Alemanha e os Estados Unidos entrarem diretamente em guerra.” (<<<<pg. 129-130)
No início de fevereiro as tropas britânicas seguiam avançando sobre os italianos no deserto da Líbia e fazendo prisioneiros às dezenas de milhares. No dia 12, porém, desembarcou em Trípoli o homem que se tornaria um pesadelo para os britânicos: Erwin Rommel. Em abril ele já havia feito os britânicos recuarem de volta ao Egito.
Na Grécia a situação era semelhante, os alemães avançavam rapidamente e a Iugoslávia também se tornara um alvo levando toda região dos balcãs a cair sob domínio de Hitler. Ao mesmo tempo, no Atlântico, os submarinos alemães causavam uma devastação sem precedentes no já minguado fornecimento de suprimentos vindos da América, os ataques aéreos às cidades inglesas seguiam e o número de civis mortos chegou à casa dos 30 mil.
Churchill atuava, com base nas informações decifradas em Bletchley, tentando convencer o Japão a não atacar as possessões britânicas na Ásia, bem como municiar Stalin de informações sobre as concentrações de tropas alemãs na fronteira com a URSS.
Em 10/05/1941 ocorreu o pior ataque a Londres até aquele momento, 1400 civis morreram e a cidade ardeu por três dias. O prédio da Câmara dos Comuns foi atingido novamente e Churchill disse ao filho que “Os hunos, amavelmente, escolheram um momento em que nenhum de nós estaria lá”. 
Em meio a esse tsunami de más notícias, o afundamento do encouraçado alemão Bismarck foi um pequeno bálsamo nas inúmeras feridas britânicas. As retiradas sangrentas da Grécia e da África, porém, trouxeram a dura realidade de volta. Mas, em 22/06/1941 as forças alemãs invadiram a URSS. (<<<<pg. 130-138)
Todos os conselheiros e amigos com quem Churchill conversou eram da opinião de que a URSS não resistiria nem por dois meses à invasão alemã. Então Winston fez mais uma de suas “profecias”: “Aposto um monkey contra uma mousetrap em como os russos ainda estarão lutando vitoriosamente daqui a dois anos.” o que significava 500 libras contra 1 na linguagem das corridas de cavalos.
CONTINUA


[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sábado, 31 de julho de 2021

CHURCHILL - Parte 33

CHURCHILL – Parte XXXIII [1] [2]
Os britânicos estavam na defensiva, resistindo ao imenso poderio aéreo alemão contra o qual Churchill tanto alertara anos antes. Mas os britânicos tinham uma vantagem de organização que já começava a mostrar resultados. Churchill, com todo seu ímpeto a ação, não decidia tudo ao seu bel prazer, por mais que fosse capacitado.
Havia uma estrutura ao seu redor a partir da qual as coisas aconteciam. Primeiro vinha o Estado Maior “Todas as decisões de política de guerra tinham de ser aprovadas pelos três chefes de Estado-Maior; se eles não estivessem de acordo com uma proposta de Churchill, ela não teria seguimento.” Eram eles que adequavam os planos aos recursos e faziam isso com competência. Era um pequeno grupo no qual reinava o respeito mútuo mesmo na discordância.
Depois foi criada a “Comissão Conjunta de Planejamento, composta por oficiais superiores e chefes dos serviços de informação, faria sugestões para operações militares, aéreas e navais.” Cabia a eles, também, detalhar os planos apresentados por Churchill.
Depois de detalhados os planos eram apresentados à Comissão de Chefes de Estado-Maior onde, se aprovados, iam à prática e em caso de dúvidas, iam para exame da Comissão de Defesa do Gabinete de Guerra, com participação dos chefes do Estado-Maior. É claro que isso não impedia a frustração de Churchill muitas vezes: “São sempre apresentados argumentos magníficos para não se fazer nada.”(<<<pg. 117-119)
Enquanto isso, pelo outro lado, os alemães tinham apenas a vontade de Hitler, apesar de disporem de alguns dos melhores generais do mundo, os quais tinham as mãos atadas se suas observações fossem contrárias à soberana vontade do Führer.
Mas, no início, a guerra corria muito bem para os alemães, apesar de Hitler. Em 07/09/1940 Londres sofreu o mais terrível dos bombardeios até aquele momento. 200 aviões da Luftwaffe despejaram suas bombas sobre a capital britânica. 300 pessoas morreram e Churchill ficou arrasado ao visitar os locais devastados.
Mas esse era só o começo pois em pouco tempo o número de mortos chegaria a cerca de 1000 por semana. Em 12/09/1940 o próprio Palácio de Buckingham foi bombardeado. 
No dia 15 de setembro a batalha chegou ao auge. Nada menos que 230 bombardeiros e 700 caças alemães atravessaram o Canal da Mancha para atacar a Inglaterra. Churcill acompanhou a batalha no “quartel-general do 11º Comando de Caça, em Uxbridge” onde podia ver em quadros a disposição das aeronaves e viu que, em dado momento, todos os aviões disponíveis estavam empenhados no combate.
Ao final os alemães tinham perdido quase um quarto de seus bombardeiros, 59 aviões. Mas em outubro o número de civis mortos chegou a 10.000 e pressionado a fazer uma represália, Churchill respondeu:
Essa não é uma guerra civil, e, sim, militar. Talvez o senhor e outros queiram matar mulheres e crianças. Nós queremos [...] destruir objetivos militares alemães. Aprecio sem dúvida seu ponto de vista, mas meu lema é ‘primeiro os negócios, depois o prazer. (<<<pg. 119-124)
Os ataques prosseguiram mas foram diminuindo de intensidade até que em 06/11/1940 nenhum avião alemão sobrevoou Londres e uma mensagem secreta foi decodificada pelos decifradores de Bletchley Park: “o quartel-general do 16o Exército alemão enviou instruções ultrassecretas para os comandos relevantes, ordenando que parte dos dispositivos que equipavam as barcaças de invasão na Bélgica e no norte da França fossem armazenados”. Em outras palavras, o perigo de invasão da ilha estava afastado indefinidamente. Os ingleses tinham vencido a Batalha da Inglaterra e, finalmente, poderiam deixar sua posição defensiva e tomar a iniciativa. (pg. 125)
O Egito e a Grécia estavam sob ataque italiano pois Mussolini queria reviver as glórias do Império Romano. Com inveja dos sucessos de Hitler, tomava iniciativas sem consultar ou combinar com os aliados alemães e, geralmente sem levar em conta sua verdadeira capacidade militar, atolava seus exércitos mal preparados em situações vexatórias.
Sem ter nada a ver com as diatribes do Duce, Churchill tentava providenciar auxílio militar e de suprimentos para a Grécia e o Egito. Ao mesmo tempo foi preparado e executado um ataque de torpedos aéreos (lançados por aviões) contra a frota naval italiana ancorada em Taranto quando metade dos couraçados presentes foi afundada.
Catedral de Coventry destruída
Apesar de afastada a ameaça de invasão, os bombardeios sobre a Inglaterra continuaram. E Churchill foi posteriormente acusado de permitir o bombardeio da cidade de Coventry apenas para não revelar aos alemães que havia decifrado o código das máquinas enigma.
CONTINUA



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sexta-feira, 9 de julho de 2021

CHURCHILL - Parte 32

CHURCHILL – Parte XXXII [1] [2]
Os franceses aceitaram tudo que Hitler impôs, inclusive a entrega da frota, o que Churchill não tinha a menor intenção de permitir.
Parte da frota francesa estava em Alexandria, no Egito, onde poderia ser facilmente capturada pelos britânicos de lá. Parte estava em Toulon e em Dacar, fora de alcance. Mas havia outra parte que estava em Mers-el-Kebir, em Orã.
Churchill enviou emissários a essa última base propondo algumas alternativas ao comandante local:
levar os navios para um porto inglês e juntarem-se à Marinha britânica como aliados contra a Alemanha; levar os navios para um porto britânico e entregá-los a tripulações britânicas ou irem para um porto das Índias Ocidentais Francesas e aceitarem a desmilitarização, com imediata repatriação das tripulações para a França, se assim desejassem. Foi acrescentada uma quarta possibilidade quando se provou que as três primeiras eram inaceitáveis: afundar voluntariamente os navios no porto de Mers-el-Kebir. (<<<<pg. 113)
Os comandantes franceses, entretanto, recusaram todas as alternativas em honra dos termos do armistício e, no dia 03/07/1940, Sir James Somerville ordenou a seus navios que abrissem fogo contra os navios franceses. Ao final do ataque “1.200 marinheiros franceses estavam mortos.”

Para Churchill esse gesto terrível mostrou ao mundo o tamanho da determinação britânica. Por outro lado ele já atuava na preparação das ações a serem tomadas em caso de invasão. “Londres seria defendida rua por rua, bairro por bairro...” Os depósitos de combustível na costa leste deveriam ser destruídos, policiais, soldados e membros da guarda não deveriam prestar qualquer ajuda ao inimigo, somente à população civil e até as mulheres deveriam ser autorizadas a combater.
E um ataque maciço ao território da Alemanha deveria ser planejado pois seria o único caminho para derrotar Hitler, tornando inúteis suas conquistas: “Mesmo que Aquele Homem atinja o mar Cáspio, terá fogo em seu quintal quando regressar. Não adiantará nada atingir nem mesmo a Grande Muralha da China.” (<<pg. 114)
No dia 19/07/1940 veio o ultimato de Hitler: “Acabem com a guerra ou pereçam!”[3] 
E ele falava sério pois os bombardeios aéreos alemães prosseguiam e o número de mortos nos ataques cresciam, embora raramente fossem divulgados. Churchill admitiu estar odiando os alemães: “Nunca odiei os hunos durante a última guerra, mas agora os odeio como a uma barata.” 
Porém os pilotos da RAF já vinham se destacando na defesa aérea. Winston, porém, prosseguia procurando manter a moral elevada sem descuidar do alerta:
Esperamos sem medo o ataque iminente. Talvez chegue essa noite. Talvez chegue na próxima semana. Talvez nunca chegue. Devemos estar preparados tanto para sofrer um súbito e violento choque quanto — o que é talvez o teste mais difícil — para uma prolongada vigília. Seja a provação aguda ou prolongada, não aceitaremos condições e não toleraremos negociações; poderemos mostrar clemência, mas não a pediremos. Não apenas na Inglaterra, mas por todos os lados havia muitas pessoas “que prestarão serviços úteis nessa guerra, mas cujos nomes nunca serão recordados. Essa é uma Guerra do Soldado Desconhecido, mas esforcemo-nos sem desfalecimentos na fé ou no dever e veremos o sombrio percurso de Hitler ser banido dos nossos tempos”. (<pg. 114-115)
A ajuda americana continuava extremamente lenta, levando Churchill a ceder cada vez mais a Roosevelt como, por exemplo, o uso das bases britânicas em Terra Nova, Bermudas, Bahamas  Índias ocidentais em troca daqueles malfadados contratorpedeiros.
Mas era uma necessidade urgente pois no mar as alcateias de submarinos nazistas continuavam infligindo pesadas baixas militares e civis. No ar, porém, a despeito da perda de 526 pilotos em dois meses, a RAF estava causando, algumas vezes, o triplo de baixas à Luftwaffe:
Em 16 de agosto, Churchill acompanhou a batalha da sala de operações do 11o Comando de Caça em Uxbridge. Nesse dia, quase todas as esquadrilhas de caças estavam no ar, em combate, mas os alemães destruíram 47 aviões britânicos ainda no solo. Ao sair da sala de operações, Churchill voltou-se para Ismay: “Não fale comigo; nunca me senti tão comovido.” Depois de cerca de cinco minutos, inclinou-se para Ismay e disse-lhe: “Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos.” (<<pg. 116)
Churchill repetiu essa última frase em seu discurso no Parlamento. Concordamos com a filha do falecido Ex Primeiro-Ministro Asquith, Violet: “são palavras que viverão por todo o tempo que houver palavras”, (pg. 116)
CONTINUA 




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Journal New York and American – 19/07/1940

segunda-feira, 14 de junho de 2021

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte X

 

MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte X

CONQUISTADOR ATÉ A MORTE[10]

Em 1218 Gengis recebeu um presente inusitado, a cabeça de um de seus generais enviada pelo Império Corásmio, ao Norte da Pérsia, para onde o general tinha sido enviado em missão diplomática.

Nunca os corasmianos haviam cometido erro tão fatal.

Gengis Khan arregimentou um exército estimado em 200 mil soldados e armas de cerco e devastou as cidades da Pérsia uma a uma, matando milhões de pessoas.

Em Nixapur a devastação foi tal que não restou ninguém vivo, nem mesmo os animais e a crueldade mongol se tornou lendária, assustando a Europa por muito tempo.

Depois da Pérsia Gengis Khan enviou seus generais para a Rússia e a Ucrânia, que também tiveram vastas regiões tomadas.

Mas, em 1221 Gengis teve de retornar ao seu reino para punir Hsi Hsia que havia se recusado a enviar soldados para a expedição à Pérsia.

No dia 18 de agosto de 1227, após vencer uma batalha, Gengis morreu de uma doença que lhe causou febre e dores de cabeça por alguns dias.

Cientistas atuais acreditam que ele foi vitimado pela peste bubônica, que grassava entre as tropas na época.

Com a morte do líder, seu filho, Ogedai, se tornou o próximo Khan por escolha de Gengis. Antes, porém, seu outro filho, Tolui, exerceu o governo até a eleição que ratificou Ogedai como novo Khan.

Continua

 



[10]https://pt.wikipedia.org/wiki/Gengis_Khan – Acesso: 29/09/20




quarta-feira, 2 de junho de 2021

CHURCHILL - Parte 31

CHURCHILL – Parte XXXI [1] [2]
Quando a França caiu sob domínio Alemão, Churchill falou à nação via rádio anunciando que agora os britânicos eram os únicos vitoriosos de 1918 a seguirem lutando: “Faremos nosso melhor para sermos dignos dessa elevada honra. Defenderemos nossa ilha natal e lutaremos, inconquistáveis, até que a maldição de Hitler seja removida da humanidade. Temos certeza de que no fim tudo se recomporá.”.
Ele também ordenou a retirada das tropas da França, proibiu a divulgação do afundamento do navio de passageiros Lancastria e suas 3000 mortes e recebeu Charles de Gaulle, contratando um relações públicas para moldar a imagem do general francês para que se tornasse o foco da resistência francesa.
Além disso atuou para cessar a busca por bodes expiatórios para a crise: “De uma coisa tenho certeza: se iniciarmos uma contenda entre passado e presente, perderemos o futuro.”
Ele demonstrava e buscava sempre infundir otimismo, mas não ocultava de ninguém os tempos difíceis agora mais próximos, como na ocasião em que celebrou o aumento da produção de aviões de 245 para 363 semanais: “Caberia aos pilotos [...] a glória de salvarem sua terra natal, sua ilha pátria e tudo aquilo que amam dos mais mortíferos ataques”.
Em 18/06 seu discurso, na Câmara dos Comuns, foi neste mesmo sentido:
Acho que está começando a Batalha da Inglaterra. Dessa batalha depende a sobrevivência da civilização cristã. Dela depende nossa vida britânica e a longa continuação de nossas instituições e de nosso império. A fúria e o poderio do inimigo devem voltar-se contra nós em breve. Hitler sabe que precisará vencer-nos nessa ilha ou perderá a guerra. Se conseguirmos fazer-lhe frente, toda a Europa pode ser livre, e a vida do mundo pode caminhar para terras mais vastas e mais ensolaradas, mas, se falharmos, então todo o mundo, inclusive os Estados Unidos e tudo o que conhecemos e de que cuidamos, cairá no abismo de uma nova era de trevas, ainda mais sinistra, e talvez mais prolongada, pelas luzes de uma ciência pervertida. Por isso, vamos juntar-nos em torno do nosso dever e empenharmo-nos em que, se o império britânico e sua comunidade durarem mil anos, os homens possam dizer: “Foi seu mais glorioso momento.” (<<<<<pg. 110-111)
Os bombardeios alemães já voavam sobre a Inglaterra. 120 deles causaram 9 mortes de civis a Leste do pais. Era uma situação que se tornaria corriqueira, avisou Churchill em sessão secreta do Parlamento. O atraso da ajuda americana e a expectativa pela invasão levou Winston a uma tensão extrema que acabava sendo descontada nos auxiliares próximos. 
Clementine precisou intervir através de uma carta que foi escrita, depois rasgada e depois enviada a ele em pedaços:
Meu querido,
Espero que me perdoe por dizer algumas coisas que sinto que você deve saber. Um homem próximo de você (um amigo devotado) procurou-me e disse-me que há o risco de seus colegas e subordinados não simpatizarem com você devido ao seu jeito duro, sarcástico e autoritário — [...] Por outro lado, se é sugerida uma ideia (digamos, numa palestra), você é tão desdenhoso que atualmente já não são sugeridas ideias, sejam boas ou más.
[...]
Meu querido Winston, devo confessar que notei uma deterioração nos seus modos; não é tão amável quanto costumava ser. [...] Além disso, você não conseguirá os melhores resultados por meio da irascibilidade e da rudeza. Eles criarão desafeição ou uma mentalidade de escravos. […] Por favor, perdoe sua amada, devotada e vigilante. Clemmie. (<pg. 111-112)
Quando as negociações para rendição francesa começaram os alemães exigiram, como esperado, a entrega dos navios da Marinha Francesa e levaram os franceses a assinar sua rendição no mesmo lugar (Floresta de Compiègne) e no mesmo vagão de trem (Vagão n° 2419 D [3]) no qual a Alemanha assinara o armistício de 1918. 
Sugerimos uma pausa para leitura do texto indicado na Nota de Rodapé acima, que conta a História da rendição francesa. Também pode ir diretamente clicando AQUI.
Hitler dançou de alegria neste dia 22/06/1940 e depois foi visitar Paris onde declarou “Foi o sonho da minha vida poder ver Paris. Eu não posso dizer como estou feliz por ter esse sonho realizado hoje.”. 
Após a visita ao túmulo de Napoleão ele disse que “Esse foi o maior e melhor momento da minha vida”. [4]
Hitler pensou em desfilar mas depois desistiu da ideia: “Eu não estou com disposição para um desfile de vitória. Ainda não estamos no final.”[5] Os soldados alemães, no entanto, desfilaram triunfantes pela Avenida Champs Elysée.
Os Parisienses choram ao assistir as tropas alemãs desfilarem em sua capital.

CONTINUA

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Conheça nosso texto sobre esse vagão no link abaixo:
     http://reino-de-clio.blogspot.com/2014/01/o-bonde-da-historia.html

[4]   Hitler's triumphant tour of Paris, 1940
     https://rarehistoricalphotos.com/hitler-in-paris-1940/

[5]   Ibid.