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terça-feira, 27 de outubro de 2020

CHURCHILL - Parte 24

CHURCHILL – Parte XXIV [1] [2]
Churchill era membro do Conselho Antinazista, que contava com membros do Partido Trabalhista e do movimento sindical, além de outras personalidades. Ele iniciou um movimento para defender a democracia que “pretendia juntar numa única base política todas as organizações que favorecessem a segurança coletiva e o rearmamento.
O governo seguia em seu ritmo moroso, mas fontes descontentes (algumas dentro do próprio governo), com essa morosidade continuavam a se dirigir a Winston com informações sobre as deficiências nas Forças Armadas. (<pg. 34-35)
Em 12/11/1936 Churchill discursou no Parlamento propondo “uma emenda apontando que as defesas britânicas, em especial aéreas, já não eram adequadas à paz, à segurança e à liberdade do povo britânico.
Ele criticou a inação do governo entre 1933-35 justificada por não terem ocorrido eleições gerais e que, portanto, não haveria um mandato dado pelo povo neste sentido.
Para ele a defesa nacional era um dever permanente do governo, a razão própria de sua existência e que não era por falta de apoio no Parlamento pois “O primeiro-ministro comanda enormes maiorias em ambas as Câmaras, prontas a votar a favor de quaisquer medidas de defesa.
E essa crítica abrangeu também o próprio Parlamento: “Estou chocado com o fracasso da Câmara dos Comuns em reagir efetivamente a esses perigos. […] A menos que a Câmara resolva procurar a verdade por si, cometerá um ato de abdicação do dever sem paralelo em sua longa história.
A resposta de Baldwin foi no sentido de que preocupara-se, no momento, com as repercussões eleitorais de propor o rearmamento em meio a uma onda pacifista:
Recordarão que havia o mais forte sentimento pacifista em todo o país desde a Guerra. […] Minha posição como líder de um grande partido não era propriamente confortável. […] Não consigo imaginar nada que teria tornado a perda das eleições, no meu ponto de vista, mais certa.”(<<<<<pg. 36-37)
Na sequência descobrimos o que pode ser um segundo erro no texto de Martin Gilbert. Seria um erro de sequência. Vínhamos abordando os eventos acontecidos no ano de 1936, passando pela remilitarização da Renânia, ocorrida em Março e o discurso de Churchill em 12 de Novembro[3] quando Gilbert retrocede quase um ano para descrever os eventos em torno da morte do Rei George V e a coroação de seu filho, o Rei Eduardo VIII.
Não há qualquer razão para esse lapso temporal, mas como estamos seguindo a sequência do autor, manteremos os eventos na ordem em que são apresentados. Saiba o leitor, contudo, que a morte do Rei George V ocorreu quase dois meses antes da remilitarização da Renânia por Hitler.
O Rei George V faleceu em 20/01/1936 e seu filho mais velho assumiu o trono com o nome de Edward VIII.[4] Seria mais um reinado comum se o rei não estivesse apaixonado por uma americana desquitada de nome Wallis,[5] vinda de dois casamentos fracassados anteriores e provavelmente estéril (por conta de um suposto aborto mal feito de um filho do Conde Galeazzo Ciano, futuro genro de Mussolini).
Seria um absurdo ver tais fatos como impeditivos para o amor ou um casamento nos dias atuais, contudo na Inglaterra dos anos 30 do Século XX isso era escandaloso e, considerando o risco de o país ficar sem um herdeiro direto pela esterilidade da esposa pretendida, tornou-se uma questão de Estado.
Churchill era amigo de Edward VIII há 25 anos e foi procurá-lo na intenção de demovê-lo da ideia de se casar. Winston não apoiava o casamento, mas sim que se desse mais tempo para o Rei pensar, acreditando que este acabaria desistindo de sua amada para manter a coroa já que essas eram as únicas opções que Stanley Baldwin lhe oferecera. Assim, Churchill escreveu a Baldwin relatando seu encontro com o Rei ocorrido no início de Dezembro/1936:
Eu disse ao rei que, se ele apelasse a você por mais tempo para se recobrar e para considerar, agora que as coisas tinham atingido o caos e que graves questões constitucionais e pessoais haviam feito com que você, no desempenho de seus deveres, fosse obrigado a confrontá-lo, eu tinha certeza de que você não deixaria de ter amabilidade e consideração. Seria cruel e errado tentar conseguir dele uma decisão no atual estado de coisas. (<pg. 36-39)
Winston achava que a pressão sobre o Rei seria reduzida, mas Neville Chamberlain pressionou por uma solução antes do Natal, considerando que a crise estava afetando as vendas! Contudo as críticas mais violentas, tanto dos políticos, como da imprensa, recairam sobre Churchill, como se ele quisesse convencer a todos a aceitar o casamento. Quando Edward VIII abdicou em 11/12/1936, porém, as coisas voltaram ao normal e Churchill escreveu, alguns dias depois, que não se arrependia da própria atuação no caso:
Não creio que minha posição política tenha sido muito afetada pelo caminho que tomei, mas, mesmo que tenha sido, não desejaria ter atuado de outro modo. Como você sabe, sempre preferi aceitar o que me diz o coração a fazer cálculos sobre os sentimentos públicos. (<pg. 39-40)
Edward VIII - Wallis Simpson - George VI
Em lugar de Edward VIII, assumiu o trono seu irmão, George VI.[6]  Para quem não sabe, George VI é o pai da Rainha Elizabeth II e nele foi baseado o personagem do filme O Discurso do Rei de 2010, interpretado pelo ator Colin Firth, premiado com o Oscar de Melhor Ator por sua interpretação do rei gago, embora o ator não tenha qualquer semelhança física com o homem real.
CONTINUA

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1936/nov/12/debate-on-the-address#S5CV0317P0_19361112_HOC_331

[4]    Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, (White Lodge, 23/06/1894 – Neuilly-sur-Seine, 28/05/1972) foi rei do Reino Unido e dos Domínios da Commonwealth e imperador da Índia, entre 20/01 e 11/12/1936, com o título de Eduardo VIII. Ele mostrava-se impaciente com os protocolos da corte e sua aparente indiferença para com as convenções constitucionais estabelecidas preocupava os políticos. Com poucos meses de reinado, ele causou uma crise constitucional ao propor casamento à socialite americana Wallis Simpson, divorciada do primeiro marido e em vias de se divorciar do segundo. Os primeiros-ministros do Reino Unido e dos domínios eram contrários ao casamento, argumentando que o povo nunca aceitaria uma mulher divorciada com dois ex-maridos vivos como rainha. Além disso, tal casamento entraria em conflito com o status de Eduardo como Governador Supremo da Igreja de Inglaterra, que proibia o casamento de pessoas divorciadas enquanto seus ex-cônjuges ainda estivessem vivos. Eduardo sabia que o governo liderado pelo primeiro-ministro britânico Stanley Baldwin renunciaria se os planos de casamento fossem em frente, o que poderia arrastar o rei a uma eleição geral e arruinar seu status de monarca constitucional politicamente neutro. Optando por não encerrar seu relacionamento com Wallis Simpson, Eduardo acabou por abdicar, sendo sucedido por seu irmão mais novo, Alberto, que escolheu o nome de reinado de Jorge VI. Ocupando o trono por apenas 326 dias, Eduardo foi um dos monarcas com o reinado mais curto em toda a história britânica e da Commonwealth. Ele nunca foi coroado.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VIII_do_Reino_Unido

[5]    Bessie Wallis Warfield (Blue Ridge Summit, 19/06/1896 – Paris, 24/04/1986) foi uma socialite norte-americana. Eduardo VIII do Reino Unido, seu terceiro marido, abdicou do trono e se tornou Duque de Windsor para poder se casar com ela.  Antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial, o duque e a duquesa foram suspeitos por vários governos e pelo público de serem simpatizantes nazistas. Durante as décadas de 1950 e 1960, Wallis e Eduardo viajaram pela Europa e Estados Unidos vivendo uma vida de prazer como celebridades. Wallis passou a viver em reclusão após a morte do duque em 1972, raramente sendo vista em público. Sua vida pessoal tem sido uma fonte de muitas especulações, e Wallis permanece até hoje como uma figura controversa na história britânica.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Wallis,_Duquesa_de_Windsor

[6]    Albert Frederick Arthur George; Norfolk, 14/12/1895 — 06/02/1952) foi rei do Reino Unido e dos Domínios da Commonwealth com o título de George VI. Foi o último imperador da Índia e primeiro chefe da Comunidade Britânica. Como segundo filho de George V não era esperado que herdasse o trono, o que fez com que passasse parte de sua vida sob a sombra da popularidade de seu irmão mais velho, Eduardo. Serviu à marinha e à força aérea durante a Primeira Guerra Mundial, retomando seus compromissos públicos usuais após o término do conflito. Casou-se com Lady Elizabeth Bowes-Lyon em 1923 e teve duas filhas: Elizabeth e Margareth. Durante o reinado de George VI, acelerou-se o processo de desmembramento do Império Britânico e sua transição para a Comunidade de Nações. No dia de sua ascensão, o Oireachtas, parlamento do Estado Livre Irlandês, retirou a menção direta ao monarca de sua Constituição, declarando formalmente a república e deixando a Comunidade de Nações em 1949. Em 1939, o Império e a Comunidade de Nações, com exceção do Estado Livre Irlandês, declararam guerra à Alemanha Nazista. Nos dois anos seguintes, declarou-se guerra também à Itália e ao Japão. Embora o Reino Unido e seus aliados tenham saído vitoriosos do conflito, os Estados Unidos e a União Soviética elevaram-se como proeminentes potências mundiais, enquanto o Império Britânico declinava. Em junho de 1948, pouco menos de um ano após a independência da Índia e do Paquistão, Jorge abandonou o título de Imperador da Índia, mas manteve o status de rei de ambos os países (a Índia se tornaria uma república em 1950, como país-membro da Comunidade de Nações). Nessa época, o rei adotou o novo título de Chefe da Comunidade Britânica. Atormentado por problemas de saúde nos últimos anos de seu reinado, Jorge VI morreu em 1952, sendo sucedido por sua filha mais velha, Elizabeth II.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_VI_do_Reino_Unido

CHURCHILL - Parte 23

CHURCHILL – Parte XXIII [1] [2]
Quando as previsões de Churchill começaram a se mostrar verídicas, o governo britânico começou a pensar que ele tinha fontes secretas especiais e chegou a lhe indagar sobre isso através de Maurice Hankey.[3] Winston respondeu que suas afirmações eram “fruto do meu julgamento”.
Quando o alerta veio de dentro do próprio governo e começou a encontrar eco no parlamento e na imprensa, o Gabinete aceitou, por fim, aumentar o pedido de aviões para 1939(!) e pensar na nomeação de um Ministro da Defesa que Sir Warren Fisher,[4] um dos funcionários mais graduados, definiu que deveria “...ser um homem desinteressado. Sem um machado para destruir e sem o desejo de conseguir um lugar para si.”.
Austen - Fisher - Halifax
Em outras palavras, não poderia ser Churchill. Fisher queria Lorde Halifax[5] no posto. No entanto, Austen Chamberlain,[6] setores da imprensa e do Parlamento acreditavam que só poderia ser Churchill. Enquanto eles discutiam, Hitler remilitarizou a Renânia em 07/03/1936.[7] (<<pg.24-26)  
Inativo quanto aos movimentos de Hitler na Renânia, o governo finalmente criou o Ministério da Coordenação da Defesa, mas o nomeado para o posto foi “o procurador-geral Sir Thomas Inskip”, nomeação bem ao gosto de Sir Fisher e classificada como “a coisa mais cínica desde que Calígula nomeou seu cavalo como cônsul”.  
Remilitarização da Renânia
Enquanto isso Hitler colocou em prática sua tática de negociar após ter colocado o elefante na sala, ou seja, depois de invadir a Renânia, se ofereceu para negociar, ao que o governo de Baldwin prontamente respondeu de forma bastante encantada: “nossa atitude baseou-se no desejo do governo de utilizar as ofertas de Herr Hitler para conseguir um acordo permanente”.
Por seu turno, Churchill “O Profeta” começou a denunciar que após retomar a Renânia, Hitler poderia atacar “a França pela Bélgica e pela Holanda” e denunciou também o risco em que se encontrariam a “Polônia, a Tchecoslováquia, a Iugoslávia, a Romênia, a Áustria e os países bálticos”. (<<pg. 27-28)
Apesar da inação do governo, crescia na sociedade o apoio às ideias de Churchill, em especial entre dissidentes das posições dos partidos políticos. E ele seguia sua pregação quase profética:
Se prevejo corretamente o futuro, o governo de Hitler confrontará a Europa com uma série de acontecimentos ultrajantes e um poderio militar crescente. São acontecimentos que mostrarão os perigos que nos ameaçam, mas para alguns a lição virá tarde demais. (<pg. 28-29)
Mas a morosidade, ou inação mesmo, do governo começava a preocupar os próprios membros do governo que passaram a se aconselhar com quem? Sim, ele mesmo, Winston Churchill. E ele lhes escrevia com conselhos precisos. Mas mantinha a pressão sobre o governo através de artigos publicados quinzenalmente no jornal Evening Standard “que só em Londres tinha uma circulação de mais de 3 milhões de exemplares.” (pg. 31-34)
Basicamente Churchill, como falou na reunião de 28/07/1936 em que “Baldwin concordou em receber um grupo de conservadores seniores, incluindo Churchill, Austen Chamberlain e Amery, para discutir secretamente a política de defesa.”, advogava pela preparação de parte da indústria civil nacional em indústria de guerra, com as fábricas prontas a serem transformadas para produzir armamentos. Pregava, ainda, a necessidade das seguintes providências:
a necessidade de acelerar e melhorar o treinamento de pilotos, de tomar mais providências para a defesa de Londres e outras cidades, de proteger contra ataques aéreos germânicos os depósitos das reservas britânicas de petróleo e de prosseguir mais vigorosamente do que até então o desenvolvimento do sistema de radar, essa “poderosa descoberta”. (<pg. 32)
Mas o Primeiro-Ministro Stanley Baldwin, com apoio de Neville Chamberlain, eram contra essas medidas pois “perturbar a produção em tempo de paz poderá prejudicar o comércio normal do país, talvez durante muitos anos, e prejudicá-lo seriamente numa altura em que temos de ter todo o crédito do país”. 
Baldwin acreditava no livro de Hitler, Mein Kampf, no qual o ditador alemão falava de expansão territorial para o Leste, não ao Oeste e declarou: “Não conduzirei este país para a guerra pela Liga das Nações ou por alguém ou por qualquer coisa. [...] Se houver uma guerra na Europa, quero ver os bolcheviques e os nazistas a fazê-la.
Mas já naquele momento, até relatórios do Ministério da Guerra já concordavam com Churchill:
o sr. Churchill acredita que a enorme preparação para a guerra por parte da Alemanha permitirá que desencadeiem uma primeira ofensiva numa escala equivalente às ações de 1918, que isso pode evitar o beco sem saída da guerra de trincheiras e que, por isso, teremos muito pouco tempo para organizar a nação, como sucedeu em 1915. Apesar de ninguém saber se essa profecia vai ou não se concretizar, o perigo de que possa concretizar-se é suficientemente grande para levá-la seriamente em conta. (<<<pg. 33-34)
CONTINUA





[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Maurice Pascal Alers Hankey, 1º Barão Hankey (01/04/1877 - 26/01/1963) foi um funcionário público britânico que ganhou destaque como o primeiro Secretário de Gabinete e que mais tarde fez a rara transição do serviço civil ao gabinete ministerial. Ele é mais conhecido como o assessor altamente eficiente do primeiro-ministro David Lloyd George e do Gabinete de Guerra que dirigiu a Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Hankey,_1st_Baron_Hankey

[4]    Sir Norman Fenwick Warren Fisher KCB (22 de setembro de 1879 - 1948) foi um funcionário público britânico. Fisher deu ao Serviço Civil uma coesão que antes não tinha e fez mais para reformá-lo do que qualquer homem nos cinquenta anos anteriores. Ele aumentou a importância do Tesouro. Ele avançou os interesses das mulheres no serviço civil e em um ponto descreveu-se como uma feminista. No entanto, ele também era uma figura controversa: seu colega Maurice Hankey , com quem ele às vezes cooperava e às vezes competia em questões de política de defesa imperial, certa vez o descreveu como "bastante louco", e foi criticado por suas tentativas de controlar Nomeações de altos funcionários públicos em Whitehall.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Warren_Fisher

[5]    Edward Frederick Lindley Wood, 1º Conde de Halifax, (16/04/1881 - 23/12/1959), denominado Lord Irwin de 1925 até 1934 e Visconde Halifax de 1934 até 1944, foi um dos mais altos políticos conservadores britânicos dos anos 1930. Ele ocupou vários cargos ministeriais durante esse período, mais notavelmente os do vice-rei da Índia de 1925 a 1931 e do secretário de Relações Exteriores entre 1938 e 1940. Ele foi um dos arquitetos da política de apaziguamento de Adolf Hitler em 1936-38, trabalhando em estreita colaboração com o primeiro-ministro Neville Chamberlain . No entanto, após a ocupação alemã da Tchecoslováquia em março de 1939, ele foi um dos que pressionaram por uma nova política de tentar impedir mais agressões alemãs, prometendo ir à guerra para defender a Polônia.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Edward_Wood,_1st_Earl_of_Halifax

[6]    Joseph Austen Chamberlain (Birmingham, 16/10/1863 — Londres, 17/03/1937) foi um político britânico. Foi agraciado com a ordem da jarreteira e o Nobel da Paz em 1925, pelos Tratados de Locarno. Irmão de Neville Chamberlain. O filho mais velho do estadista Joseph Chamberlain. 
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Austen_Chamberlain

[7]    A Crise da Renânia (ou também remilitarização Renânia ou ocupação da Renânia) foi uma crise diplomática provocada pela remilitarização dessa região da Alemanha, por ordem de Adolf Hitler em 7 de março de 1936. A Renânia é composta de parte da Alemanha principalmente a oeste do Rio Reno, mas também partes na margem direita. Em 1919 com o Tratado de Versalhes, a região foi desmilitarizada. Durante o governo de Hitler, o tratado foi violado e o exército alemão voltou à região. Não houve reação imediata por parte da França e do Reino Unido. Em resposta à ratificação do apoio franco-soviético, em 27 de fevereiro de 1936, Hitler reocupa a zona desmilitarizada da Renânia para restaurar a soberania do III Reich na fronteira ocidental da Alemanha, continuando a violar as disposições do Tratado de Versalhes. O destacamento militar foi escasso, médio e até mesmo ridículo, mas o fato consistia numa violação do Tratado de Versalhes e do mais recente Tratados de Locarno. A área da Renânia, a leste do Rio Reno, era de importância estratégica diante de qualquer possível invasão da França pela Alemanha (e vice-versa) ao constituir uma barreira natural do rio dentro do território da Alemanha.[2] A região foi ocupada pelas tropas aliadas no final da Primeira Guerra Mundial, que se retiraram em 1930, cinco anos antes do acordo, em uma demonstração de reconciliação para a República de Weimar, não sem deixar um ressentimento na população local que saudou com entusiasmo a remilitarização de Hitler.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Remilitariza%C3%A7%C3%A3o_da_Ren%C3%A2nia

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte I


MONGÓLIA

DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO

Parte I

Estamos iniciando uma nova minissérie no Reino de Clio! Inspirados na série Marco Polo da Netflix, fomos ainda mais atraídos pela figura quase mitológica de Genghis Khan, um homem que parece ter sido uma daquelas figuras que surgem de vez em quando para, sozinhos, fazer girar a roda da História. Junto com essa atração, vem a curiosidade por este país e este povo, tão distantes e tão culturalmente diferentes de nós, brasileiros. 

Assim sendo, algumas perguntas se impuseram ao longo de nossa pesquisa e a primeira delas procuramos responder neste texto inaugural de nossa minissérie: O que é, onde fica e quem habita a Mongólia? Vamos às respostas e você, caro leitor, é nosso convidado nesta nova jornada!

A Mongólia atual é um país asiático, entre a Rússia e a China, sem litoral, clima árido, com mais de 2.700.000 habitantes (censo de 2010), com uma pequena maioria para as mulheres, com um povo composto predominantemente por mongóis, mas também contendo cazaques, chineses, russos e outras minorias. 1


O país é fracamente povoado, com densidade demográfica de 1,7 hab/km2. O país foi socialista de 1925 até 1990, quando passou a adotar a economia de mercado em um regime parlamentarista com eleições a cada quatro anos. 2

A mudança de regime agravou os problemas econômicos. Em sua maioria urbana (57,26%) mais da metade da população vive da linha da pobreza para baixo e sofre com a subnutrição, que atinge 29% do povo.3

A expectativa de vida é de 66,3 anos, taxa de mortalidade infantil de 42 óbitos por 1000 nascimentos, 72% com acesso a água potável e apenas 50% com acesso a rede sanitária.4

Quem vê esses dados nem imagina que a Mongólia já foi sede do mais vasto império da História, formado por um único homem: Gengis Khan.

Continua

 

1  FRANCISCO, Wagner de Cerqueira e. Mongólia. Brasil Escola.

Disp.: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/mongolia.htm – Acesso: 23/09/20

2  Ibid

3  Ibid

4  Ibid

 


terça-feira, 29 de setembro de 2020

CHURCHILL - Parte 22

CHURCHILL – Parte XXII [1] [2]
A despeito das manobras de Hitler, ainda havia membros do Parlamento que criticavam os alertas de Churchill, taxando-os de “discurso alarmista do honorável membro por Epping, que se esforça por fazer nossa pele se arrepiar”. Mas o próprio Hitler disse, a dois emissários do governo britânico, Anthony Eden e a Sir John Simon, que “tinha atingido paridade com a Grã-Bretanha no que dizia respeito à capacidade aérea”. (pg. 17-18)
Mas Hitler estava sendo modesto ou mentindo descaradamente, pois relatórios secretos dos quais Churchill teve conhecimento através de Ralph Wigram, chefe do Departamento Central das Relações Exteriores, davam conta de que a Alemanha já possuia “oitocentos aviões contra 453 aviões britânicos.” (pg. 19)
As demais nações, contudo, pareciam menos inertes que o Reino Unido. França e Rússia assinaram, em 02/05/1935, um “pacto de cooperação mútua”. Esse acúmulo de notícias que davam plena razão a Churchill e expunham ao ridículo seus detratores, e o próprio governo, já eram do conhecimento do público. O jornal Daily Express chegou a publicar pedido de desculpas a Winston “por ter “ignorado” seus avisos sobre o poderio aéreo alemão, desculpa essa que foi lida por seus 1.857.939 leitores.”. Baldwin reconheceu estar errado mas ainda se recusava a aprofundar o debate sobre o assunto. (pg. 19)
Por motivo de doença Ramsay MacDonald deixou o cargo de Primeiro-Ministro em 07/06/1935 e Stanley Baldwin assumiu o cargo. Churchill não foi convidado para nenhum cargo e seguiu com seus alertas na Câmara dos Comuns. Do governo não vieram convites, mas ataques. O Ministro das Relações Exteriores, Samuel Hoare, disse daqueles que “parecem ter um prazer mórbido em alarmar e em divagar numa psicologia de medo e até de brutalidade”. (pg. 20)
Baldwin - Ramsey
Incapaz de se contrapor por tanto tempo aos fatos e, a nosso ver, talvez na esperança de calar críticas, Baldwin convidou Churchill para compor a Subcomissão de Investigação de Defesa Aérea. Algumas semanas depois Mussolini ameaçou de invasão a Abissínia. Winston era favorável a ação da Liga das Nações contra a Itália, bem como sanções econômicas e demonstrações de força da Marinha Britânica no Mar Mediterrâneo. Mas nada foi efetivamente feito e o Duce invadiu a Abissínia em 04/10/1935.[3] (pg. 20-21)
Invasão italiana da Abissínia
Churchill seguiu fazendo sua pregação para que o governo preparasse o país de forma a que não permanecesse belicamente inferior a Alemanha e denunciando o rearmamento alemão. E acrescentou às suas denúncias a disseminação de campos de concentração no país de Hitler e o tratamento desumano aos judeus:
...lado a lado com campos de treinamento dos novos exércitos e aeródromos maiores, os campos de concentração enxameiam o solo alemão. Nestes, milhares de alemães são coagidos e submetidos como gado ao irresistível poder do Estado totalitário.
Nenhum serviço, nenhum patriotismo e nenhuma ferida sofrida na guerra produziu imunidade em pessoas cujo único crime foi terem sido postas neste mundo por seus pais.” Mesmo as “pobres crianças judias” são perseguidas nas escolas públicas. O mundo ainda tem esperança de que o pior já tenha passado “e de que ainda viveremos o suficiente para vermos em Hitler um velhinho simpático (<pg. 21-22)
Nas eleições gerais de 14/11/1935 Churchill foi reeleito. Mas aqui descobrimos um provável erro na obra de Martin Gilbert, pois ele informa que, depois da invasão italiana na Abissínia,  “As eleições gerais deram uma vitória esmagadora aos conservadores, que conseguiram 432 lugares contra 151 para os trabalhistas e apenas 21 lugares para os liberais”. No entanto, o Election Statistics: UK 1918-2007 da Library House of Commons,[4] de autoria de Edmund Tetteh, informa 429 cadeiras para os Conservadores e 154 para os Trabalhistas.
Stanley Baldwin permaneceu como Primeiro-Ministro e fez o que Hitler mais desejava que ele fizesse: não nomeou Churchill para nenhum cargo no governo embora já soubesse que Hitler apresentaria demandas territoriais em um futuro próximo. Winston, então, viajou em férias para Maiorca e Marrocos. (pg. 22-23)
CONTINUA

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Segunda Guerra Italo-Etíope foi um conflito ocorrido em 1935-1936, quando a Itália fascista de Benito Mussolini invadiu a Abissínia (atual Etiópia). Apesar do protesto formal da Liga das Nações, nenhuma acção foi tomada contra a Itália, nem mesmo depois do discurso do Negus (Haile Selassie). Apesar da superioride militar, do ponto de vista tecnológico, da Itália, as forças etíopes apresentaram mais resistência do que os italianos tinham previsto, que levou-os a utilizar armas químicas, inclusive nas populações civis. Este facto que não foi noticiado na imprensa italiana da época, e muito pouco na restante. A guerra fez mais de meio milhão de mortos entre os africanos, face a cerca de 5.000 baixas do lado italiano.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_%C3%8Dtalo-Et%C3%ADope

[4]    https://researchbriefings.parliament.uk/ResearchBriefing/Summary/RP08-12

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

CHURCHILL - Parte 21

CHURCHILL – Parte XXI [1] [2]
A partir daqui, caro leitor, já adentramos o segundo volume da obra Winston Churchill – Uma Vida, de Martin Gilbert [3] (edição eletrônica – dois volumes).
Em 28/11/1934 Churchill fez um grandioso discurso na Câmara dos Comuns sobre o rearmamento aeronáutico clandestino da Alemanha e a necessidade de a Inglaterra manter sua superioridade aérea sobre o eventual adversário. Segundo ele, não se podia fugir dos aviões somente deslocando fábricas, pois cidades não podiam ser mudadas de lugar. Para Winston era preciso começar a investir pesadamente logo, pois depois seria tarde:
Acelerar a preparação da defesa não é afirmar a iminência da guerra. Pelo contrário, se a guerra estivesse iminente, seria muito tarde para preparar a defesa. […] Não se pode fugir do perigo aéreo. É necessário encará-lo no local onde estamos. Não podemos bater em retirada. Não podemos deslocar Londres. Não podemos deslocar a vasta população que depende do estuário do Tâmisa. (<pg. 14-15)
Stanley Baldwin, Lorde Presidente do Conselho, porém, declarou que havia exagero nos números apresentados por Churchill e que era muito difícil saber o real alcance do rearmamento aéreo alemão. Mas se comprometeu a não permitir que o poderio britânico fosse superado: “O governo de Sua Majestade está determinado a não aceitar em condição nenhuma qualquer posição de inferioridade em relação ao poderio aéreo que possa surgir na Alemanha.” (pg. 15)
Neste período, o projeto de autonomia governativa para a Índia seguia tramitando e Churchill continuava denunciando que conceder à Índia “um autogoverno significava apenas liberdade para que uma parte dos indianos explorasse a outra”. Contudo, nem mesmo a oposição de príncipes indianos foi suficiente para demover o governo Ramsay MacDonald de seu intento. O projeto foi aprovado. (pg.  15-16)
Quando recebeu a visita de um dos maiores amigos de Gandhi,[4] Ghanshyam Das Birla, Churchill enviou mensagem ao líder indiano: “Diga ao sr. Gandhi que use os poderes que são oferecidos e que tenha sucesso. [...]Tenha sucesso, e, se tiver, tentarei fazer com que tenha muito mais.”(pg. 16-17)
Churchill, que liderava um grupo de cerca de 50 parlamentares de oposição, e que nas votações conseguia obter mais uma média de 30 votos de governistas, tinha a percepção de que o governo ia muito mal, desmoronando:
O valor do governo é muito baixo. É como um grande iceberg que entrou em águas quentes e cuja base se derrete rapidamente, deixando-o prestes a desmoronar. É de fato um mau governo, apesar de contar com alguns membros capazes. A razão é que não há cabeça e mentalidade de comando em todo o campo dos assuntos públicos. Não se pode dirigir o sistema de governo britânico sem um primeiro-ministro efetivo. O maldito Ramsey é quase um caso mental — e “estaria muito melhor num asilo”. Baldwin é astuto e paciente, mas é também espantosamente preguiçoso, estéril e ineficaz no que diz respeito aos assuntos públicos. Fazem besteira em praticamente qualquer lugar em que ponham o pé. (<pg. 16)
Em 1935 finalmente o governo britânico parece ter acordado para o problema do rearmamento alemão, reconhecendo as deficiências das suas forças armadas e anunciando o aumento dos investimentos. Churchill via a situação com extrema gravidade:
A situação germânica é cada vez mais sombria. O governo informou que o aumento de 10 milhões de libras para a Defesa se deve ao rearmamento alemão, deixando Hitler furioso. Ele se recusou a receber Simon, que o visitaria em breve em Berlim. […] Todas as nações temerosas finalmente começam a juntar-se. Anthony Eden vai a Moscou, e eu não discordo. Os russos, à semelhança dos franceses e de nós próprios, querem ser deixados em paz, e as nações que querem estar tranquilas e viver em paz devem juntar-se para garantir uma segurança mútua. A união faz a força. Só a união faz a força. Se houver outra Grande Guerra — dentro de dois ou três anos ou mesmo antes — será o fim do mundo. (<pg. 17)
Mas Hitler não parecia incomodado com tais reações. Em 16/03/1935 “anunciou a reintrodução do serviço militar obrigatório em toda a Alemanha.” declarando já possuir 500 mil soldados. Esse anúncio deixava antever uma possibilidade de um número muito maior, “ser duplicado ou mesmo triplicado sem dificuldade.”.  (pg. 17)
CONTINUA

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[4]    Mohandas Karamchand Gandhi (Porbandar, 02/10/1869 — Nova Déli, 30/01/1948), mais conhecido como Mahatma Gandhi (do sânscrito "Mahatma", "A Grande Alma") foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não agressão, forma não violenta de protesto) como um meio de revolução.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi


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terça-feira, 28 de julho de 2020

CHURCHILL - Parte 20


CHURCHILL – Parte XX [1] [2]
A intenção do Presidente Hindenburg e dos demais políticos membros de seu governo ao apoiar Hitler para o cargo de Chanceler era cercá-lo, envolvê-lo em um governo de coalizão mantendo o controle. Mas pouco tempo depois, a imprensa de oposição já estava sob censura e milhares de adversários presos.
Enquanto isso a Inglaterra concluia ter dificuldades financeiras que impediam seu rearmamento. Churchill passou a alertar sistematicamente contra as intenções de Hitler e a denunciar a perseguição aos judeus que já se verificava na Alemanha. (<pg. 558-561)
Neste período a questão da autonomia da Índia voltou à tona. O governo insistia em seus planos e Churchill proclamava sua visão sobre a incapacidade de os indianos, divididos entre hindus e muçulmanos, de se auto governarem.
Uma comissão foi formada e ele convidado a participar, mas a maioria dos membros era indicada por já concordar com o governo, de modo que Winston se retirou. (<pg. 561-564)
Enquanto isso, na Alemanha, Hitler consolidava seu poder e a perseguição aos judeus. Churchill lembrou que, após a guerra, era consenso que a democracia na Alemanha era uma questão de segurança para os britânicos, e que essa democracia deixara de existir e que a inferioridade bélica agora era o único fator de alívio:
Não posso deixar de me regozijar com o fato de os alemães não terem os canhões pesados, os milhares de aviões militares e os tanques de vários tamanhos que têm pedido para que sua situação seja similar à de outros países. (<pg. 566)
Mas até relatórios secretos do próprio governo britânico denunciavam que a Alemanha já estava reconstruindo seu poder militar, começando pelos aviões. Mas o governo britânico insistiu no desarmamento mesmo após Hitler retirar a Alemanha da Conferência!
Churchill seguiu fazendo seus discursos de alerta e defendendo o imediato reforço da Força Aérea, considerando o que a Alemanha já vinha fazendo: “Temo o dia em que os meios de ameaça ao coração do império britânico estarão nas mãos dos atuais governantes da Alemanha” (<pg. 567-574)
Em 02/08/1934 o Presidente da Alemanha Hindenburg morreu. Poucas semanas antes ele havia ordenado a morte de seus opositores dentro do partido, dentre eles Ernst Röhm, comandante das SA, a maior das tropas nazistas naquele momento.




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Ernst Röhm e Paul von Hindenburg
No dia seguinte Hitler acumulou seu cargo tornando-se simplesmente Führer e as Forças Armadas Alemãs “fizeram um juramento pessoal de obediência incondicional a Hitler como seu novo comandante-chefe.

Churchill seguiu denunciando a situação alemã e conclamando pelo imediato rearmamento britânico, mas era ridicularizado e sendo obrigado a ouvir pérolas de imbecilidade como essa de Clement Atlee sobre hitler: “Acho que podemos dizer que sua ditadura está gradualmente se desfazendo.” (<<pg. 576-577)
Negociadores do "Desarmamento"
Neste momento, como ficou claro anteriormente, a nosso ver três questões opunham Churchill ao governo: a questão do desarmamento das potências europeias, já abandonada pela Alemanha; o rearmamento britânico, que Winston via como uma eficaz arma para dissuadir Hitler de seus sonhos de expansão; e a autonomia da Índia, que Churchill via com maus olhos pelas divisões internas daquele país mas, também, como uma questão de salvaguarda futura em uma eventual guerra.
Ele não queria deixar sem controle um território que poderia abastecer o império. Logo, essas questões aparentemente distintas, estavam entrelaçadas na mente dele, e todas eram pensadas sempre sob o ponto de vista da defesa do país.
Em uma transmissão radiofônica ele fez mais um daqueles pronunciamentos que soam como profecias tal a precisão com que se cumpriram vários anos depois:
Receio que, se olharmos bem para o que se move contra a Grã-Bretanha, veremos que a única escolha possível é a escolha que nossos antepassados tiveram de enfrentar, a saber, submeter ou preparar o país. Ou submetemos o país à vontade de uma nação mais poderosa ou preparamos o povo para defender nossos direitos, nossas liberdades e sem dúvida nossas vidas. Se nos submetermos, nossa submissão deve ser oportuna. Se nos prepararmos, não o devemos fazer tarde demais. A submissão trará consigo pelo menos a entrega e a distribuição do império britânico e a aceitação pelo nosso povo do que quer que o futuro prepare para pequenos países como Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Suíça numa dominação teutônica da Europa. (<<<pg. 581-582)
Termina aqui o primeiro volume. Aguarde a continuidade da série.
Imagens
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lorde_Randolph_Churchill
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jennie_Jerome
https://pt.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill
https://en.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill
https://en.wikipedia.org/wiki/Agadir_Crisis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Fernando_da_%C3%81ustria-Hungria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sofia,_duquesa_de_Hohenberg
https://en.wikipedia.org/wiki/Cuban_War_of_Independence
https://www.magnoliabox.com/products/elizabeth-ann-everest-nanny-to-winston-churchill-xjf265582
https://www.iwm.org.uk/collections/item/object/205026821
https://it.wikipedia.org/wiki/File:War_Industry_in_Britain_during_the_First_World_War_Q84077.jpg
https://richardlangworth.com/churchill-womens-suffrage
https://br.pinterest.com/pin/53691420542912606/?lp=true
https://pt.wikipedia.org/wiki/Horatio_Herbert_Kitchener
https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Gascoyne-Cecil,_3.%C2%BA_Marqu%C3%AAs_de_Salisbury
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Madista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_dos_B%C3%B4eres
https://www.historyanswers.co.uk/news/verdun-100-years-on-only-in-history-of-war-issue-27/
http://www.bbc.co.uk/ahistoryoftheworld/objects/e8PR3gMRSIi8tdbjui6OHQ
https://en.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill_in_politics,_1900%E2%80%931939
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Balfour
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VII_do_Reino_Unido
https://manchesterarchiveplus.wordpress.com/2015/02/21/churchill-and-manchester/
https://winstonchurchill.hillsdale.edu/winston-clementine-churchill-cooper/
https://www.elmundo.es/album/internacional/2015/01/23/54c25062e2704e2b618b4581_3.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Herbert_Henry_Asquith
https://www.express.co.uk/news/history/579871/Winston-Churchill-Clementine-wife
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_V_do_Reino_Unido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_de_Agadir
https://lesobservateurs.ch/2014/04/29/gb-arrete-pour-racisme-pour-avoir-cite-churchill/
http://www.historynet.com/churchills-aerial-adventures.htm
http://www.bbc.co.uk/newsbeat/article/32445981/gallipoli-the-famous-battle-explained
https://winstonchurchill.org/publications/finest-hour-extras/churchill-first-world-war/
https://owlcation.com/humanities/Winston-Churchill-in-the-Trenches
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https://en.wikipedia.org/wiki/Paul_von_Hindenburg