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sábado, 1 de dezembro de 2018

PRINCESA ISABEL DO BRASIL

http://cearamirimvale.blogspot.com.br/2014_05_11_archive.html
NOVA SÉRIE DO REINO DE CLIO!
Nos últimos tempos o Reino de Clio vem, com suas séries, tentando sempre manter um foco na prestação de homenagens a mulheres que tiveram participação importante na História do Brasil.
E são muitas as mulheres que, em meio a um ambiente sempre machista, conseguiram a duras penas gravar seus nomes no eterno processo de construção da nossa sociedade.
Essa quantidade impossibilita que todas sejam homenageadas, de modo que vamos nos focando naquelas que atingiram maior notoriedade.
Hoje iniciamos uma nova mini-série, desta feita dedicada à Princesa Isabel. O texto é uma mescla entre pesquisa feita para um seminário da UFS, realizado junto com os amigos Carla Oliveira, Rafael Rocha e Gérson Alves e novo material.
Especificamente falando, utilizamos material produzido pela Profª. Carla Oliveira no qual introduzimos mais conteúdo, o que resultou na obra que segue, portanto uma co-autoria.
Como sempre, nosso intento é contar uma boa História e esperamos que seja tão bom ler, quanto foi pesquisar e escrever.
Todas as informações desta série são oriundas da obra” Princesa Isabel do Brasil: Gênero e Poder no século XIX”[1] de Roderick J. Barman, a não ser quando expressamente informado.
Vamos, pois, à Princesa Isabel, porque o Ministério do Reino de Clio é cheio de mulheres!
D. Isabel foi a terceira mulher a ocupar uma posição que poderíamos qualificar como chefe de estado do Brasil, única delas brasileira (a primeira foi a rainha portuguesa Maria I, a segunda a austríaca D. Leopoldina) e foi também nossa primeira senadora.
Com a morte prematura dos dois irmãos, ela tornou-se, aos 04 anos de idade, a primeira na linha de sucessão do trono, prestando juramento aos 14 anos de idade, de acordo com a Constituição.
CONTINUA


[1]  BARMAN, Roderick J. Princesa Isabel do Brasil: Gênero e Poder no século XIX. Tradução de Luis Antônio Oliveira Araújo. São Paulo: UNESP, 2005.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

GRANDE SÉRIE - WINSTON CHURCHILL

WINSTON CHURCHILL
Iniciamos, caros súditos do Reino de Clio, uma nova grande série. Desta feita vamos mergulhar no universo da vida do grande estadista inglês Sir Winston Churchill, que liderou a Gran Bretanha em seu momento mais difícil, que foi um dos líderes mundiais no combate ao nazi-fascismo que ameaçou dominar o mundo nos anos 40 do século XX.
Talvez seja possível dizer, se me permitem sair do campo da ciência por alguns instantes, que Churchill poderia ter sido a reencarnação do Rei Arthur, se é que este existiu. Pois, como preconizava a antiga profecia, ergueu-se sobre a nação, que vivia seu momento mais sombrio e de maior dificuldade, como um poderoso comandante guerreiro, acreditando, incentivando, confortando e liderando rumo a uma vitória que parecia quase impossível.
Este é o Churchill que encontramos em nossas leituras e que vamos colocar ao seu dispor nesta série. Nossa série é baseada na obra Winston Churchill – Uma Vida, de Martin Gilbert [1] (edição eletrônica – dois volumes), um trabalho ambicioso (até pretensioso eu diria) conforme as palavras do próprio autor não parecem deixar margem à dúvidas: “É meu objetivo dar nestas páginas um retrato completo e perfeito da vida de Churchill, tanto em seu aspecto pessoal quanto político.” (pg. 8)
Gilbert afirma ter usado como fontes de seu trabalho a correspondência de Churchill, documentos da esposa Clementine, arquivos governamentais, arquivos pessoais de amigos, colegas e opositores bem como “recordações pessoais da família de Churchill, de seus amigos e de seus contemporâneos.” (pg. 9), o que, por si só, já inviabiliza a pretensão de compor “um retrato completo e perfeito” do biografado, considerando-se a natureza incompleta e distorcida dos registros da memória humana.
A despeito disso, ainda que sempre desconfiando das ambições de qualquer autor que afirme poder reconstruir à perfeição o passado, vamos trazer um resumo dessa obra sobre a vida de um dos maiores estadistas da História. Vamos complementar o trabalho com informações básicas sobre pessoas e eventos a partir das notas de rodapé. [2]
Palácio de Blemhein
Quanto ao nosso personagem, seu próprio nome, Churchill, dispensa maiores apresentações, de modo que vamos logo ao texto.
Winston Leonard Spencer-Churchill nasceu no Palácio de Blemhein em 30 de novembro de 1874 em Woodstock, Oxfordshire, Reino Unido, filho de Jeanette Jerome e Randolph Churchill, este último um membro da aristocrática família do  Duque de Marlborough e ela uma estadunidense. (pg.12)
Randolph Churchill - Jeanette Jerome - O Pequeno Churchill 
Ele nasceu com pouco mais de sete meses de gestação devido a uma queda de sua mãe quando participava de uma caçada.

Pouco tempo antes do nascimento de nosso personagem, seu pai fora eleito para a Câmara dos Comuns pelo município de Woodstock. Quase três anos depois o avô, John Spencer-Churchill, 7° Duque de Marlborough, foi nomeado Vice-Rei da Irlanda e a família mudou-se para Dublin. (pg. 13)
A grande fome da Irlanda no final dos anos 1870, e os consequentes protestos, fizeram com que o jovem percebesse o medo que envolvia a presença de sua família aristocrática inglesa naquele país. (pg. 13)
Os pais de Churchill sempre foram muito ausentes e pouco participaram de sua educação. O menino praticamente foi criado por uma ama (espécie de babá), de nome Elizabeth Ann Everest, a quem ele amava profundamente. O pai, que chegou a ser nomeado Ministro na Índia, passava muito tempo em viagens e raramente visitava o filho, nem mesmo quando estava na mesma cidade. (pg. 20)
Elizabeth Ann Everest
Com relação à sua mãe, Churchill implorava-lhe atenção nas muitas cartas que escrevia.(pg. 17) Antes de completar sete anos ele foi enviado ao internato St. George, onde severíssimos castigos eram aplicados aos alunos:
A chicotada era dada com toda a força que o professor tinha”, escreveu mais tarde, “e bastavam duas ou três para que aparecessem gotas de sangue por toda a parte, mas os golpes se prolongavam por quinze ou vinte chicotadas, quando o traseiro do menino virava uma massa de sangue. (pg. 14)
Tal soma de abandono, desafeto e terror, em oposição a sua natureza indomável que se revelaria ao mundo na década de 1940, ergueram um adolescente rebelde, problemático e com dificuldade de aprendizagem nos primeiros anos da escola, o que se estendeu por vários anos e mais de uma escola, como em Brighton.
Quando começou a se destacar, Churchill apresentou boas notas em disciplinas humanas como História e Geografia, embora fosse mal nas letras. (pg. 16) Os estudos foram interrompidos em 1886 quando uma pneumonia quase o matou. Neste período recebeu a visita do pai duas vezes em dois meses distintos.(pg.21)
Ao longo de seus estudos, quando trocou Brighton por Harrow, Churchill foi tomando mais gosto e seu brilhantismo começou a se revelar, embora seu comportamento fosse quase sempre um dos piores de qualquer turma que tenha participado. (pg.27)
CONTINUA
[1]   GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]   Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A VITORIA CRISTÃ EM ROMA -VIII



IN HOC SIGNO VINCES - COM ESTE SÍMBOLO VENCERÁS!

Segundo Lissner7, Maxêncio formou um exército composto de “...170.000 infantes e de 18.000 cavaleiros.”(pg. 480) e estabeleceu sua sede em Roma, ordenando a destruição do acesso à cidade, as pontes sobre o Rio Tibre.

Ele contava com muitas vantagens. Um exército duas vezes maior que o de Constantino, o apoio da Guarda Pretoriana, as muralhas da cidade e um bom abastecimento de alimentos.

Por seu turno, Constantino conseguiu recrutar um exército composto de “...90.000 infantes e de 8.000 cavaleiros...”(pg. 480), com o qual chegou às portas de Roma.

Ele ainda conquistou apoio ao redor de Roma, que fora isolada com a derrubada das pontes, e, mais ainda, contava com a simpatia do próprio povo de Roma, dentro dos muros.

Lissner conta que o confronto decisivo ocorreu em 28/10/312 d.C. Na Ponte Mílvia, sobre o Rio Tibre. Maxêncio, que ordenara sua destruição para cortar o acesso a Roma construíra, ao lado, uma ponte de barcos, para permitir passagem às suas tropas.

A Historiografia da época revela um acontecimento milagroso, relacionado a esta batalha. Com algumas diferenças entre si, os relatos de Lactâncio8 e Eusébio de Cesaréia9 dão conta de que Constantino teve uma visão no céu (e depois um sonho), onde lhe foi mostrada uma mensagem: in hoc signo vinces10 (com este símbolo vencerás) e as letras “x” e “p” conjugadas (que são as primeiras letras da palavra Cristo em grego: ΧΡΙΣΤΟΣ11).

Constantino ordenou que o símbolo fosse pintado nos escudos e nos estandartes de seu exército, que, assim caracterizado, marchou para enfrentar as tropas de Maxêncio.

Este consultara os oráculos sibilinos que lhe informaram que o inimigo de Roma morreria, de modo que partiu convicto da vitória. Ele posicionou suas tropas em longa linha de frente, tendo o Rio Tibre na retaguarda, o que dificultou a mobilidade.12

Constantino ordenou um ataque de cavalaria que, apesar do menor número, conseguiu romper a cavalaria de Maxêncio e fazer carga sobre a infantaria cuja linha também rompeu.

Na fuga por sobre a ponte de barcos Maxêncio caiu no rio, morrendo afogado. Quem não conseguiu atravessar antes do colapso da estrutura foi capturado ou morto pelos soldados de Constantino.

Se Constantino teve realmente uma visão espiritual, ou se apenas usou um habilíssimo estratagema para encorajar seus soldados (provavelmente de maioria cristã), o fato é que seu exército inferior derrotou as numerosas mas mal comandadas e pouco motivadas tropas de Maxêncio.

Em 29/10/312 Constantino entrou triunfalmente em Roma, sendo saudado pela população que também podia ver a cabeça de Maxêncio exibida como prova de sua morte. Parece que o inimigo de Roma era ele próprio!

Continua...

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APARTHEID - FIM DA SÉRIE



MADIBA VIVE EM NOSSOS CORAÇÕES!
Apesar de todas as resistências e dificuldades, Nelson Mandela conseguiu liderar o país no caminho da unidade. Após passar quase 30 anos preso e sair da prisão disposto a perdoar e conviver com seus adversários, Mandela se tornou um dos mais famosos personagens do século XX.
Em 1995 ele se utilizou da Copa do Mundo de Rugby Union, realizada em na África do Sul para incentivar os negros a torcer pela seleção nacional, apesar da modalidade ser considerada um esporte dos brancos. Na final, jogada no estádio Ellis Park em Johanesburg e vencida pela África do Sul, Mandela foi aplaudido de pé pela torcida, negros e brancos. Seu sucesso pode ser conferido no filme Invictus, de Clint Eastwood.
http://www.heraldscotland.com/news/13134999.Oratory__Nelson_Mandela_s_finest_speeches/


http://www.unisahistory.ac.za/timeline/periods/the-democratic-era-1994-present/
Nos anos seguintes ao seu governo Mandela, que não aceitou a reeleição, retirou-se da vida pública (2004) e depois foi se isolando por problemas de saúde, aparecendo raras vezes em público, como por ocasião da Copa do Mundo de Futebol de 2010, também realizada no país, e recebendo visitas selecionadas, a maioria chefes de estado estrangeiros.
Sempre lembrado e celebrado no mundo, Nelson Mandela faleceu em 05/12/2013 em Joanesburgo, aos 95 anos de idade. O sepultamento ocorreu em Qunu, Eastern Cape.
Seu legado político foi uma África do Sul onde negros e brancos pussuem os mesmos direitos perante a lei. Seu legado pessoal foi o exemplo de concórdia e perdão.
Por ser um dos grandes símbolos para todos aqueles que lutam contra o racismo, pela liberdade, a igualdade e a convivência harmoniosa, Madiba vive!
"Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer". (Nelson Mandela)
"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, da sua origem ou da sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar." (Nelson Mandela)
FIM
Hino da África do Sul:
Nkosi sikelel' iAfrika
Maluphakanyisw' uphondo lwayo,
AYizwa imithandazo yethu,
Nkosi sikelela, thina lusapho lwayo.
Morena boloka setjhaba sa heso,
O fedise dintwa le matshwenyeho,
O se boloke, O se boloke setjhaba sa heso,
Setjhaba sa South Afrika - South Afrika.
Uit die blou van onse hemel,
Uit die diepte van ons see,
Oor ons ewige gebergtes,
Waar die kranse antwoord gee,
Sounds the call to come together,
And united we shall stand,
Let us live and strive for freedom,
In South Africa our land.

Tradução:
Deus abençoe a África
Que suas glórias sejam exaltadas
Ouça nossas preçes
Deus nos abençoe, porque somos seus filhos
Deus, cuide de nossa nação
Acabe com nossos conflitos
Nos proteja, e proteja nossa nação
À África do Sul, nação África do Sul
Dos nossos céus azuis
Das profundezas dos nossos mares
Sobre as grandes montanhas
Onde os sons se ecoem
Soa o chamado para nos unirmos
e juntos nos fortalecermos
Vamos viver e lutar pela liberdade
Na África da Sul a nossa terra.


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1https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica_do_Sul
2https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica_do_Sul
3https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_B%C3%B4eres
4https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_dos_B%C3%B4eres
5https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_dos_B%C3%B4eres
6https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Vereeniging
7https://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid
8https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Botha
9Ibid
10https://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Mandela
11https://pt.wikipedia.org/wiki/Winnie_Madikizela-Mandela
12Ibid
13https://pt.wikipedia.org/wiki/Levante_de_Soweto
14https://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_Biko
15https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruth_First
16https://pt.wikipedia.org/wiki/Frederik_Willem_de_Klerk
17https://pt.wikipedia.org/wiki/Mangosuthu_Buthelezi
18https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_Liberdade_Inkatha
19https://pt.wikipedia.org/wiki/Hino_nacional_da_%C3%81frica_do_Sul
20http://m.suapesquisa.com/paises/africa_do_sul/bandeira_africa_do_sul.htm
21http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft251108.htm

HISTÓRIA DO BRASIL - ESCRAVIDÃO

A GRANDE MANCHA DE NOSSA HISTÓRIA
Esta é, sem qualquer dúvida, a maior mancha sangrenta da História do nosso Brasil, dentre tantas. E não apenas porque causou um sofrimento atroz a milhões de seres humanos, mas, principalmente, porque as pessoas que a praticavam eram seres humanos da era onde a modernidade já imperava, dos séculos das luzes. E foram estas pessoas que fizeram com que nosso país fosse o último a abolir esse crime hediondo contra a humanidade.
Este período tenebroso é o tema de nossa aula de hoje.


Quando a escravização dos índios pelos pios e mui católicos portugueses mostrou-se inviável, passou-se à prática de trocar fumo (!) por pessoas na África. E dai para o estabelecimento de um cruel e muito lucrativo comércio, faltava pouco.
Assista nossa aula "Escravidão". A aula foi pensada para adolescentes, mas sempre é bom saber reconhecer nossas dívidas!
Visite nosso site clicando aqui, acesse a aba "História do Brasil", como indicado na imagem acima e, depois, escolha como deseja ver.

Para ver em slides, clique na imagem "DESCOBRIMENTO", indicada pela seta/círculo da imagem acima! Demora um pouco para abrir pois é um arquivo grande em PDF, mas vale à pena aguardar! Boa leitura"! Mas se preferir em vídeo, a aba "Veja em vídeo aqui" vai direcionar você ao nosso canal do Youtube.
Continua...
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terça-feira, 6 de novembro de 2018

CRÍTICA DE FÃ - BOHEMIAN RHAPSODY

Embora não seja algo que façamos corriqueiramente, na verdade esta é apenas a segunda crítica de filme que escrevemos, abrimos uma “exceção de ausência”, por assim dizer, para o filme sobre o Queen, ou Freddie Mercury, dada a dimensão gigantesca de sua figura face aos demais membros do grupo.
Não creio que seja possível entregar spoilers sobre o filme, pois a vida do artista é suficientemente conhecida para que haja mistérios a serem revelados. Se podemos considerar spoilers, eles estarão nos detalhes que ampliam nossa visão sobre aquilo que já sabíamos e sobre isso tentaremos não escrever.
Também não se pode considerar que esses detalhes sejam a expressão pura da verdade, considerando que a influência dos demais membros da banda, todos felizmente ainda vivos e atuantes, foi determinante sobre a produção e o roteiro. Prova disso é a substituição do ator Sasha Baron Cohen (Borat) por Rami Malek, por divergências com a banda justamente nestes aspectos. Clique aqui para saber mais.
O filme
Sobre o filme em si, atende nossa expectativa e quase 100% do que se espera está realmente lá, ainda que suavizado ao ponto de a maior parte das representações serem quase simbólicas, como o uso das drogas, as orgias, os conflitos dentro da banda e da família de Freddie e os fracassos. Não acho ruim que assim seja, pois não há como mostrar tudo e dar destaque a um aspecto seria reduzir outro e Freddie Mercury era tudo aquilo junto, e intensamente, para o bem e para o mal.
Destaques
Concordo com o destaque dado à importância de Mary Austin durante toda a vida do artista, pois ele mesmo destacou essa importância ao torná-la sua principal herdeira. Em outras palavras, segundo Bohemian Rhapsody, o grande amor da vida de Freddie Mercury foi fruto de uma relação heterossexual. Clique aqui para saber mais.
Contudo o bissexualismo do artista não é escondido como alguns gostariam, nem está destacado a um ponto que hipoteticamente justificasse as vaias que o filme tem recebido no Brasil, talvez por parte das mesmas pessoas que tentaram explicar as músicas do Pink Floyd para Roger Waters. Clique aqui para saber mais. Se você é um destes, por favor, nos favoreça com sua ausência.
Não é um filme para crianças, e os pais devem estar atentos a isso. Nem para ser exibido na Sessão da Tarde, e isso é assunto para o governo e as emissoras. Mas também não é um filme pornográfico.
Ninguém é obrigado a assistir, mas se pagar o ingresso para ver uma cinebiografia sobre Freddie Mercury é preciso admitir que ele era bissexual e que isso deve estar no filme se houver alguma pretensão de fidelidade à realidade.
Pode-se discutir a forma de abordagem desse aspecto, mas querer apagar é absurdo, como seria absurdo fazer um filme sobre Churchill sem mostrá-lo fumando e bebendo como só ele conseguia.
Técnicas
No aspecto técnico, do qual entendo pouco, posso dizer que o elenco foi escolhido a dedo para ter a aparência das pessoas retratadas, mas isso não quer dizer que o talento de representar tenha sido esquecido. Eles se saem muitíssimo bem.
A exceção na aparência é justamente o ator principal, Rami Malek. Entretanto a caracterização muito bem feita e sua performance interpretativa excelente nos fazem relevar isso. Em outras palavras, não é Gary Oldman como Churchill, mas dá conta do recado.
Os efeitos especiais nos fazem esquecer que não estamos vendo performances ao vivo da banda e isso é ótimo.
E é surpreendente conhecer o processo pelo qual a voz de Freddie Mercury nos diálogos normais foi construída. Clique aqui para saber mais.
Detalhes
Dos detalhes, o que podemos dizer sem entregar spoilers é que foi muito bom ver o processo de criação de algumas músicas icônicas e as disputas com as gravadoras. E emocionantes os momentos em que a doença de Freddie é abordada.
Erros
Identificamos dois erros, um grande e um menor. O grande erro foi misturar as apresentações no Brasil, a saber os shows de 1981 (Morumbi) e 1985 (Rock in Rio), ambos de importância capital na História da banda. E em ambos Freddie já usava o visual com cabelo curto e bigode.


A apresentação do Live Aid não foi um retorno do Queen aos palcos após anos de ausência, considerando que poucos meses antes haviam feito um show na África do Sul do Apartheid, sendo muito criticados por isso, passagem solenemente esquecida no filme.
http://www.queenvenezuela.com/2016/08/el-inesperado-adios-de-freddie-mercury.html
Faltou filme
A meu ver o filme poderia ter mais 30 minutos sem problema. Para incluir de forma correta as apresentações icônicas no Brasil, bem como na África do Sul, na Hungria, em Wembley e em Knebworth Park, todas de importância histórica dentro do contexto da banda. Não defendo que se mostrasse a decadência física do cantor, mas que se mostrasse pelo menos uns 90% da apresentação no Live Aid, e poderia ser com imagens reais mesmo. Pra gente ter em dvd com qualidade digital.
Êxtase
Sobre a mencionada apresentação no Live Aid, eleita em algumas pesquisas como a melhor performance da História do Rock, o filme tem seu ponto alto, desde o enfoque nos momentos antecedentes daquele dia até o arrebatamento que foram aqueles 20 minutos eletrizantes.
Prepare-se para ser colocado no meio dos mais de 70 mil felizardos presentes em Wembley naquele histórico 13/07/1985, prepare-se para estar ombro a ombro com eles e sentir o poder avassalador daquela apresentação. O filme é vitorioso nesse intento deliberado.

E agora, se me permitem o domínio da emoção, é por ai que as lágrimas afloram e o mesmo sentimento de perda que senti em 1991 volta à tona e permanece por horas, mesmo após o filme já ter acabado. Que pena Freddie... Por que não se cuidou cara? Droga cara...
Eu e minha esposa voltamos para casa praticamente em silêncio. Nesta volta não liguei o som do carro pois qualquer música que não fosse do Queen seria inadequada. E ouvir o próprio Queen poderia atrapalhar a necessária atenção ao volante.
Long Live The Queen!
PS. Outro dia, quando a emoção diminuir, assista a apresentação completa do Queen no Live Aid clicando aqui.


Imagens

https://brasil.estadao.com.br/blogs/arquivo/o-inesquecivel-show-do-queen-no-morumbi/

https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=lSwncBS2Yl4

http://wnilsen.blogspot.com/2016/11/25-anos-sem-freddie-mercury-relembre-o.html

https://www.biography.com/news/freddie-mercury-mary-austin

http://wnilsen.blogspot.com/2016/06/live-aid-em-20-minutos-queen-mudou.html

http://wnilsen.blogspot.com/2013/02/por-lucas-em-050911-edicoes-passadas-se.html

http://www.virgula.com.br/musica/dia-mundial-do-rock-foi-criado-por-radios-e-so-e-comemorado-no-brasil/

http://www.queenvenezuela.com/2016/08/el-inesperado-adios-de-freddie-mercury.html