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quinta-feira, 2 de junho de 2022

CHURCHILL - Parte 40

CHURCHILL – Parte XL [1] [2]
Churchill já saiu de Teerã esgotado e voou para o Cairo e depois para Tunísia, onde o avião pousou em aeroporto errado e ele teve que aguardar no frio. Depois do encontro com Eisenhower ele pretendia voar para a Itália, mas foi constatada uma pneumonia que o obrigou a guardar repouso por alguns dias nos quais, a despeito das recomendações médicas de descansar, seguiu tendo reuniões de trabalho.
Sem o descanso necessário, o coração de Winston começou a falhar gerando receio nos mais próximos de que estivesse morrendo. Para a filha Sarah, contudo, ele se mostrou consolado: “Se eu morrer, não se preocupe... A guerra está ganha.
A guerra pela saúde, no entanto, estava apenas começando. Em 15/10/1943 ele teve um ataque de fibrilação, que é um ritmo de batimentos rápido e irregular do coração.  No dia seguinte teve outro episódio. Mas seguia recebendo visitas e discutindo detalhes da guerra. No Natal já estava convidando comandantes para um almoço, ditando cartas, telegramas e até mesmo o próprio boletim médico.
Ao final de Dezembro/1943 Churchill voou para Marrakesh onde passaria o restante de sua recuperação. Ali recebeu a notícia de que haveria um segundo desembarque na Itália, em Anzio, e que o Exército Vermelho cruzara a fronteira da Polônia de 1939 empurrando os nazistas a marretadas.
Em Marrakesh Winston trabalhava pela manhã e fazia pick nicks no almoço nos quais recebia convidados para discussões menos formais. Quando recebeu De Gaulle em 12/01/1944 tentou persuadi-lo a evitar perseguir os colaboradores do governo de Vichy para que isso não se tornasse um cisma prejudicial e quando o francês relutou disse-lhe:
Ouça! Eu sou líder de uma nação forte e invicta. E, no entanto, todas as manhãs, quando acordo, meu primeiro pensamento é como poderei agradar ao presidente Roosevelt e meu segundo pensamento é como poderei cativar o marechal Stálin. Sua situação é muito diferente. Por que então seu primeiro pensamento ao acordar é como desafiar britânicos e americanos? (<<<<pg. 185-189)
Recuperado, Churchill voltou a Londres onde o trem especial do Rei esparava para levá-lo de Plymouth a Londres. Havia imenso alívio em todos os círculos por seu retorno vivo e saudável. Assim que chegou foi logo à Câmara dos Comuns para responder perguntas e depois foi almoçar com o Rei. (pg. 189-190)
O desembarque em Anzio não obteve o sucesso esperado pois a resistência alemã mostrou-se tenaz de modo que a operação foi assim definida por Churchill: “Esperávamos desembarcar uma fera que estriparia os alemães. Em vez disso, encalhamos uma enorme baleia com a cauda presa na água”.
Os estadunidenses pareciam dispostos a apenas manter as presentes situações na Itália, do que Winston discordava, mas não estava em posição de forçar sua opinião, até porque já estava envolvido no planejamento da Operação Overlord, a futura invasão da França pela Normandia.
E Winston o fazia com a usual energia: “Os aparentemente indolentes ou obstrutivos eram repreendidos; rivalidades eram reconciliadas; prioridades eram determinadas; dificuldades que a princípio pareciam insuperáveis eram ultrapassadas; e as decisões eram traduzidas em ações imediatas.
Foram planejadas ações de despiste que levaram os alemães a pensar que o desembarque se daria em Dieppe ou em Calais, mas não na Normandia. Em fins de Março/1944 o trabalho excessivo cobrou novamente seu preço e Churchill já estava novamente à beira de uma exaustão completa. E a situação era perceptível aos que o rodeavam como foi descrito após uma reunião do Estado-Maior:
Percebemos que ele estava excepcionalmente cansado. Receio que esteja perdendo terreno rapidamente. Parece incapaz de concentrar-se de forma duradoura e distrai-se constantemente. Estava sempre bocejando e disse que se sentia desesperadamente cansado.(<<<<pg. 190-192)
Em Abril/1944 a situação era ainda pior, apesar de o próprio Churchill garantiu que “ainda conseguia dormir bem, comer bem e, em especial, beber bem, mas já não saltava da cama como costumava e sentia que gostaria de passar todo o dia na cama”.
Sua preocupação era que os bombardeios necessários para abrir caminho no Dia-D não matassem muitos franceses, gerando um sentimento anti-aliados após a invasão da França. Temia também as baixas que suas tropas sofreriam nessa invasão pois, lembrando-se do que ocorrera durante a Primeira Guerra, “Uma geração britânica inteira de potenciais líderes havia sido dizimada e o país não podia dar-se ao luxo de perder outra geração”.
CONTINUA




[1]   GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]   Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sexta-feira, 1 de abril de 2022

CHURCHILL - Parte 39

CHURCHILL – Parte XXXIX [1] [2]
A invasão da Sicília começou em 09/07/1943 e terminou com sucesso em 17/08/1943. Em 25/07/1943 Mussolini foi demitido do cargo. A Itália rejeitava seu Duce prendendo-o em Gran Sasso de onde foi resgatado por forças paraquedistas alemãs. Mas o “Partido Fascista fora dissolvido e o Grande Conselho Fascista, seu instrumento de governo, abolido.
Churchill logo se prontificou a negociar com os italianos: “Agora que Mussolini se foi, devo poder ter conversações com qualquer governo italiano não fascista que possa resolver os assuntos”. 
Victorio Emanuele III - Mussolino - Pietro Badoglio
Pouco depois, ele viajou com Clementine e a filha Mary para a Conferência de Quebec.
Lá ficou decidido que o ano de 1944 seria dedicado a preparar a invasão da França pelo Canal da Mancha, com a finalidade de “atacar o coração da Alemanha e destruir suas forças militares”. Essa operação teria prioridade sobre todas as outras, também seria feito um desembarque no Sul da França, para dividir as forças defensivas dos alemães.
A invasão da Itália não ultrapassaria a linha entre as cidades de Pisa e Ancona, e as operações nos Balcãs seriam restritas a dar apoio aos guerrilheiros. Saindo do Canadá Churchill foi de trem para os EUA onde soube da rendição da Itália e do desembarque das tropas aliadas em Salerno.
Neste momento a preocupação de Winston já era com o pós-guerra, qual seria a situação da Alemanha, se, e como, seria dividida, bem como a forma de agir em relação à URSS. Ele acreditava que a URSS se tornaria uma superpotência, mas que a união dos britânicos aos estadunidenses poderia manter o equilíbrio na fase de reconstrução da Europa.
Em 06/09/1943 ele viajou a Harvard para receber um grau honorífico, retornando logo a Washington de onde partiu de regresso à Inglaterra no dia 12/09/1943. (<<<<<pg. 176-180)
Churchill em Harvard
No final de Setembro/1943 as notícias eram quase todas animadoras: o Exército Vermelho retomara Smolensk e as tropas nazistas estavam em constante retirada sendo violentamente empurradas a despeito da monótona ordem de Hitler de nunca recuar, resistir até o último homem, etc., na Itália os aliados entravam em Nápoles e as ilhas da Córsega e da Sardenha se rendiam com pouca resistência e o couraçado alemão Tirpitz foi inutilizado na Noruega por mini submarinos, facilitando mais a vida dos comboios de suprimentos, a despeito dos novos torpedos acústicos dos U-boats alemães.
O entusiasmo de Churchill era tamanho que não se conseguia mais controlar sua ânsia por atacar. De seu ponto de vista “A dificuldade não está em ganhar a guerra, e sim em tentar persuadir as pessoas a deixarem-nos ganhá-la, em tentar persuadir tolos.” (<pg. 180-181)
Em Novembro/1943 Churchill estava de volta ao Cairo onde recebeu Roosevelt e o levou para conhecer as Pirâmides e a Esfinge. 
Na chamada Conferência do Cairo não se chegou a nenhuma decisão importante e, em seguida, ambos os governantes viajaram em aviões separados para Teerã, onde se encontrariam com Stalin.
Na noite anterior aos encontros oficiais houve um jantar do qual Churchill não participou pois estava exausto. No dia do encontro, Roosevelt e Stalin conversaram por uma hora antes de se encontrar com Churchill e Stalin convenceu Roosevelt a priorizar a invasão da França em detrimento da campanha na Itália que Churchill defendia com apoio de Eisenhower.
No próprio encontro, porém, Roosevelt defendeu ampliar o avanço na Itália enquanto Churchill defendeu uma invasão ao Sul da França, com o que Stalin concordou. À noite foi a vez de Roosevelt faltar ao jantar por um mal estar de modo que Churchill e Stalin decidiram o pós-guerra na Alemanha e na Polônia. Esta última perderia territórios para a URSS a Leste e ganharia a Oeste, tomando-os da Alemanha.
No último jantar, oferecido por Churchill no dia de seu aniversário, muitos brindes o saudaram. Em dado momento, o próprio Winston ergueu sua taça: “Bebo às massas proletárias”, o que levou Stálin a erguer seu copo e dizer: “Bebo ao Partido Conservador.” Churchill disse a Stálin: “A Inglaterra está cada vez mais cor-de-rosa.” “É sinal de boa saúde”, contrapôs Stálin.” Este, ao final da conferência, saiu de Teerã tendo conseguido praticamente tudo o que queria. (<<<pg. 181-185)
E, informação não constante no livro de Gilbert, Stalin ainda recebeu das mãos de Churchill uma espada cerimonial enviada pelo Rei George VI em homenagem à extraordinária resistência do povo de Stalingrado à invasão nazista. Na espada havia, em tradução livre, a inscrição: 
Ao espírito de aço dos cidadãos de Stalingrado, o presente do Rei George VI, como símbolo da homenagem do povo britânico.” O líder soviético a recebeu e beijou com os olhos rasos d'água.
CONTINUA 



[1]   GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]   Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

MONGÓLIA: DE GENGHIS KHAN A MARCO POLO - Parte XI

 


TOREGUENE – UMA MULHER GOVERNA A MONGÓLIA13

Se os homens governantes do Império Mongol eram os Khans, uma mulher tinha o título feminino de Khatun, ou Grã Khatum, no caso dela.

Toreguene nasceu em 1246, era uma naimanita (nascida no território Naimã) e foi dada em casamento a Cudu, o futuro Dair Usum (Líder) do clã dos merquites.

Quando Gengis Khan conquistou o cã merquita tomou a esposa de Cudu e a deu a seu filho Ogedai. Assim, Toreguene se tornou uma princesa da Mongólia.

Quando Ogedai morreu, em 1241, quem assumiu a regência foi outra mulher, Moqe, que fora uma das esposas de Gengis Khan, herdada pelo falecido Ogedai. No entanto, Toreguene teve apoio de Chagatai, outro filho de Gengis Khan, para assumir o poder regencial.

Uma vez estabelecida no poder, Toreguene afastou a maioria dos auxiliares de seu marido falecido e nomeou seu próprio ministério, por assim dizer, e fez de uma mulher xiita de nome Fátima sua principal auxiliar.

Durante cinco anos Toreguene administrou o Império Mongol com grande sabedoria, conciliando os conflitos entre os clãs e entre os muitos familiares de Gengis Khan.

O reconhecimento internacional a seu governo veio pela visita de personalidades reais como o sultão da Turquia e de Bagdá, enviados da Rússia e da Geórgia.

Toreguene direcionou os esforços do governo para fazer de seu filho, Güyük, o novo Grão Khan que, enquanto ela governava, evitou voltar à capital e viajou pelos clãs em busca de apoio para a eleição que viria, o Kurultai.

O Kurultai aconteceu em 1246, perto de Karakorum e Güyük foi eleito. Toreguene, então, partiu para seu palácio perto do Rio Emit onde morreu no mesmo ano, talvez por ordem do próprio filho.

Continua

 

 


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

CHURCHILL - Parte 38

CHURCHILL – Parte XXXVIII [1] [2]
Em 14/01/1943 Churchill se encontrou com Roosevelt em Casablanca onde as conversações demoraram oito dias e decidiram que o desembarque aliado de 1943 seria na Sicília, que se daria após a derrota de Rommel na Tunísia, que as tropas para esse desembarque sairiam da África, e que um outro desembarque, desta vez na França, se daria em 1944 e, até lá quase um milhão de soldados estadunidenses se concentrariam na Inglaterra.
Reafirmou-se ainda a prioridade em derrotar primeiro a Alemanha, depois o Japão, com a continuidade da aliança anglo-estadunidense até a derrota do Japão: “Não haveria armistício, paz negociada ou regateio: apenas a total e absoluta rendição de ambos os exércitos.
O encontro se encerrou em Marrakesh, onde Winston e Roosevelt observaram o por-do-Sol a partir dos Montes Atlas. Churchill pintou lá seu único quadro durante a guerra.
De lá ele voou para o Cairo (de onde enviou homens para conversar com o líder da resistência iugoslava Tito), depois voou para a Turquia (onde negociou com o Presidente Ismet Inönü não conseguindo convencê-lo a entrar na guerra mas obtendo garantia de parceria caso os turcos fossem obrigados a guerrear), depois foi para o Chipre (onde falou com as tropas de seu regimento de hussardos), então voltou ao Cairo onde soube da rendição do VI Exército alemão em Stalingrado.
Presidente Ismet Inönü

No dia seguinte Winston voou para Tripoli, onde inspecionou as tropas de Montgomery e dormiu em um caminhão. Em seguida voou para Argel onde insistiu pela revogação das leis anti-semitas do extinto governo de Vichy.
Finalmente, em 07/02/1943 retornou a Inglaterra. Clementine havia-lhe escrito pedindo um momento a sós na chegada: “Por favor, deixe-me entrar no trem antes de desembarcar. Gosto de beijar meu pisco [3] em particular e não ser fotografada fazendo isso.” Depois de tantas aventuras, Winston acabou caindo doente de pneumonia, sendo obrigado a ficar em repouso por uma semana em Downing Street e assustando sua filha Mary: “Fiquei chocada quando o vi. Parecia muito velho e cansado, deitado de costas na cama.”. (<<<<<<<<pg. 166-170)
Assim que se sentiu um pouco melhor, Churchill foi para sua casa em Chequers para ler e responder telegramas recebidos. A enfermeira que o acompanhou escreveu que ele “Gostava de ver filmes, especialmente documentários, e ficava encantado se aparecia nos filmes [...]. Era muito amável comigo e mostrou interesse em saber que meu marido era tenente-médico num contratorpedeiro dos comboios russos.
Como diz o ditado “desgraça pouca é bobagem”, apesar dos avanços das forças de Montgomery, o porto de Trípoli não estava funcionando a contento e as tropas de Eisenhower estavam sofrendo pesados reveses por parte das forças de Rommel, atrasando a eventual conquista de Túnis, o que também atrasaria o desembarque previsto para 1943.
Tropas Aliadas na Tunísia
Dias depois, quando as forças americanas e britânicas completaram a junção, estando no momento em posição de expulsar definitivamente os alemães da Tunísia, Churchill foi informado que Eisenhower não queria mais invadir a Sicília pela presença de duas divisões alemãs e seis italianas na ilha. Winston ficou furioso:
Esse é um exemplo da fatuidade dos chefes de planejamento, que atiram seus medos para cima uns dos outros, apresentando as maiores dificuldades em cada serviço, fazendo americanos e ingleses rivalizarem uns com os outros na total ausência de uma mente diretora e da vontade de comandar. Não sei o que pensaria Stálin, quando ele teve 185 divisões alemãs diante dele. (<<<pg. 170-172)
Disposto a não abandonar a invasão da Sicília, Churchill viajou novamente aos EUA na companhia de Averell Harriman. No caminho foi informado da vitória das forças aliadas na Tunísia e da captura de cem mil prisioneiros, número que aumentaria para 240 mil até o final do mês. Novamente os sinos repicaram em todas as igrejas da Inglaterra.
A viagem aos EUA se deu no navio Queen Mary onde recebeu mensagem decifrada de que poderiam se encontrar com um dos submarinos alemães que patrulhava a área. Prevendo eventual afundamento do navio Winston ordenou que fosse colocada uma metralhadora no bote salva-vidas que ele usaria em caso de naufrágio.
Harriman registrou suas palavras: “Não serei capturado. A maneira mais bela de morrer é na emoção de lutar contra o inimigo. Não seria assim tão belo se eu estivesse na água quando eles tentassem me pegar.
No encontro com Roosevelt ficou decidido, de novo, que haveria imediatamente o desembarque na Sicília e depois a invasão da Itália. Quando esta estivesse completada se seguiriam operações nos Balcãs e no Sul da Europa.
Deixando os detalhes para os subordinados, Roosevelt e Churchill foram para a casa de campo do Presidente em Shangri-La-Maryland, atualmente denominada Camp-David. 
Em 19/05/1943 Winston falou novamente no Congresso alertando contra divisões que prolongassem a guerra pois “é no arrastar da guerra, a enormes custos, até que as democracias se cansem, se aborreçam ou se dividam, que residem agora as principais esperanças da Alemanha e do Japão.
Essas divisões já existiam, no entanto. Exemplo disso é que os estadunidenses pararam de compartilhar informações sobre a produção da bomba atômica, mas como eles compraram toda produção de urânio e água pesada canadense, os ingleses não tinham como prosseguir na fabricação de uma bomba própria. Em conversa com Roosevelt ficou acertada a volta do compartilhamento de informações.
Deixando os EUA, Churchill voou para Argel, conseguindo convencer Eisenhower dos benefícios de invadir logo a Itália após a tomada da Sicília.  Depois foi a Tunis, onde falou aos soldados em um antigo anfiteatro cartaginês. De volta a Inglaterra falou ao Parlamento sobre a viagem, justificando-a da seguinte forma:
Quando rumamos juntos e ponderadamente pelo difícil e áspero caminho da guerra, ocorrem todos os tipos de divergências, todos os tipos de diferenças de pontos de vista e todas as espécies de embates incômodos. Mas nada disso tem a menor influência em nossa sempre crescente união. Não há nenhuma questão que não possa ser resolvida, face a face, com conversas calorosas e argumentações pacientes. (<<<<<<<pg. 172-175)
A captura de ilhas menores ao redor da Sicília abriam caminho para a invasão. Ao mesmo tempo prosseguiam e aumentavam os bombardeios a cidades alemãs como Wuppertal em 20/06/1943 no qual morreram três mil civis. Ao assistir um filme sobre o ataque Churchill ficou abalado: “Somos animais? Estamos indo longe demais?” Dois dias depois chegou ao conhecimento dele a preparação de um tipo de míssil que poderia atingir Londres quando lançado da França. Foi ordenado, então, o bombardeio de Peenemünde, a pequena cidade onde a arma estava sendo desenvolvida. (pg. 176)
CONTINUA 



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Não encontramos um significado exato para a palavra pisco, mas seria um termo quechua (do Peru) para ave que dá nome a uma bebida peruana.
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_(bebida)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

EXÉRCITO VERMELHO LIBERTA AUSCHWITZ

 


O INFERNO NA TERRA

Naquele sábado, 27 de Janeiro de 1945, o Exército Vermelho entrou no inferno e o encontrou quase vazio, em comparação ao que já fora no auge de seu funcionamento.

 

Os soldados soviéticos encontraram o complexo de campos de concentração de Auschwitz, em Oswiecin, atual Polônia, dentre os quais estava Auschwitz II, ou Auschwitz-Bierkenau, o Campo de Extermínio, destino final de cerca de um milhão e trezentas mil pessoas, das quais aproximadamente um milhão e cem mil acabaram mortas.



O complexo era formado por três campos principais. O primeiro data de 1940, o segundo (extermínio) teve sua construção iniciada em 1941 e o terceiro em 1942.

 

Várias fábricas alemãs instalaram-se em seus arredores para fazer uso da mão-de-obra escrava dos trabalhadores residentes nos campos, entre elas a IG Farben e a BMW1. Quem ficava impedido, por qualquer motivo, de trabalhar, fosse por doença, acidente, fraqueza, etc, era imediatamente enviado para as câmaras de gás.



Os trens lotados de prisioneiros chegavam o tempo todo e a triagem era feita por médicos alemães, dentre os quais o famigerado Josef Mengele, que fazia experiências com crianças (gêmeos principalmente), e viveu tranquilamente no Brasil depois da guerra. Ele vistoriava os recém-chegados e separava os que aparentavam melhor condição física.





Estes eram enviados aos campos de concentração para trabalhos forçados. Sua expectativa de vida a partir deste momento era de três meses. Os demais eram conduzidos por um corredor com a promessa de um banho e desinfecção. 

Eles deixavam seus pertences e suas roupas e entravam nus nas brausebad (casa de banho), que na verdade eram as câmaras de gás, mas que tinham vários chuveiros instalados no teto, dando a ilusão de serem, realmente, banheiros. 

Câmara de Gás 

Com as luses apagadas e as portas hermeticamente trancadas, soldados posicionados no teto despejavam o conteúdo das latas de Zyclon B, um pesticida em formato de grãos, que se dissolviam em um gás mortífero, matando todos os prisioneiros em poucos minutos, causando convulsões, rigidez muscular e paralisia respiratória. 

O Zyclon B 

Depois as câmaras eram abertas e os corpos encaminhados aos crematórios, onde eram incinerados. Este processo só foi interrompido quando os disparos da artilharia soviética já podiam ser ouvidos no campo. 

Os fornos crematórios 

Então as forças nazistas esvaziaram o campo, mataram tantos prisioneiros quanto puderam, deixaram cerca de sete mil deles para trás e partiram com 60 mil, em marcha forçada, para outro lugar. Mais de 15 mil destes ficaram pela estrada, mortos de exaustão ou assassinados por não poderem caminhar.

Os horrores perpetrados em Auschwitz-Bierkenau foram tão terríveis que se tornam quase inacreditáveis e sempre sucitam a mesma pergunta: como a humanidade foi capaz de descer tão profundamente no abismo do mal, a ponto de planejar e fazer funcionar com tamanha precisão um lugar como aquele?

 

1http://www.ushmm.org/outreach/ptbr/article.php?ModuleId=10007718

 


MONGÓLIA: DE GENGIS KHAN A MARCO POLO XII

 


OGEDAI KHAN12

Ogedai nasceu em 1185, era filho de Gengis e se tornou um comandante de tropas semelhante ao pai.

Assumiu o trono mongol em 1229, sucedendo seu irmão Tolui, que fizera papel de regente até a eleição que o ratificou como governante, segundo a vontade de Gengis Khan.

Apesar da ordem de seu pai de construção da capital ter sido dada ainda em 1218, foi Ogedai o responsável pelo verdadeiro impulso da obra.

Também dividia suas tropas em exércitos separados, enviados a lugares diferentes. Fez aliança com o Império Songue para derrotar o Império Jim.

Enviou tropas contra a Rússia e a Ucrânia, saqueou Kiev, chegou até a Polônia onde derrotou o próprio Sacro Império Romano Germânico.

Atravessou o território da Hungria chegando ao Mar Adriático, o que lhe permitiria, em tese, atacar a Itália e a Grécia se não fosse o fato de que ele morreu, provávelmen-te de alcoolismo, em 1241.

E então, mais uma surpresa, quem assumiu o governo foi uma mulher, a esposa de Ogedai, Toreguene, regente até que seu filho mais velho assumisse o trono e este era Güyük Khan.

Continua

 

 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

CHURCHILL - Parte 37

CHURCHILL – Parte XXXVII [1] [2]
O encontro com Stalin começou tenso, com este chateado, pois Churchill não podia atender a solicitação de um desembarque aliado na Europa que desviasse forças alemãs da URSS.
Mas Stalin ficou mais satisfeito com a promessa de que os bombardeios às cidades e instalações militares alemãs prosse-guiriam. E ainda mais feliz quando Winston detalhou os planos para um desembarque na África.
Na verdade, comentário nosso, naquele momento Stalin estava na difícil situação de defender-se do avanço alemão no Cáucaso onde a Batalha de Stalingrado já havia começado e a cidade parecia prester a cair, o que seria uma catástrofe de relações públicas considerando ser ela a Cidade de Stalin. E nada mais haveria no caminho para tomada dos campos petrolíferos de Maikop, o que garantiria abaste-cimento para a máquina de guerra alemã.
No dia 15/08/1942 ambos os líderes se encontraram novamente e Churchill avisou que haveria um “sério” ataque de reconhecimento em Dieppe (Normandia) em 17/08, o que deixaria a Alemanha “mais ansiosa acerca de um ataque através do canal”. Stalin ficou satisfeito e convidou Churchill ao seu aparta- mento no Kremlin para um drink que acabou se transformando em um banquete de seis horas. Despediram-se quase amigos, por assim dizer.
O ataque a Dieppe foi um sucesso, assim como a resistência das defesas de Stalin no Cáucaso seguiam resistindo. Churchill voltou ao Egito onde ficou mais alguns dias inspecionando as tropas nas quais sentiu o espírito revigorado após a posse de Montgomery.
Mensagens secretas deci- fradas em Bletchley permitiram o afundamento de mais navios que levavam combustível a Rommel, obrigando-o a antecipar o ataque visando El-Alamein. Mas ele fracassou justamente pela falta de combustível. Não havia mais como chegar ao Cairo ou Alexandria. (<<<<<<<<<<<<pg. 155-162)
Um ataque fracassado estimulava um contra-ataque e foi o que Montgomery fez em 23/10/1942. De posse de informações precisas sobre a localização e as deficiências das tropas de Rommel, que estava na Alemanha, os britânicos avançaram capturando milhares de soldados alemães e italianos. Quando Rommel voltou e tentou um contra-ataque, suas posições de reunião de forças foram bombardeadas pelo ar fazendo com que sequer pudessem começar.
A mensagem enviada por Rommel a Berlim, devidamente decifrada em Bletchley, informava o alto comando alemão de que as tropas italo-germânicas não tinham mais como resistir aos tanques britânicos e nem poderiam se retirar combatendo pela “falta de veículos motorizados e baixas reservas de combustível.”.
Saber dessa informação levou os britânicos a desencadear o ataque final. No dia 08/11/1942 “soldados britânicos e americanos desembarca- ram em força em Argel, Orã e Casablanca.”. Essas cidades, e portos, que eram possessões da França sob governo de Vichy, foram defendidas pelos franceses, mas o Almirante Darlan, francês, que estava em visita ao filho em Argel ordenou a entrega das armas aos aliados. Foi uma vitória extremamente importante.
A maré da guerra começava a virar pois também em Stalingrado, pouco mais de dez dias depois, seria desencadeada a Operação Urano, que cercaria o VI Exército alemão dentro de Stalingrado, isolando-o do restante das forças no Cáucaso.
A iminente derrota de Rommel na África abria a possibilidade de um desembarque aliado na Europa já em 1943, o que abriria a segunda frente europeia pela qual Stalin tanto pedira. Espirituoso como sempre, Churchil definiu aquele momento da seguinte forma: “Não é o fim. Não é sequer o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio.
Em 13/11/1942 as tropas de Montgomery entraram em Tobruk e dois dias depois, por ordem de Churchill, todos os sinos da Inglaterra repicaram para celebrar a vitória. Por seu lado, as forças alemãs ocuparam o restante da França e o governo fantoche de Vichy deixou de existir na prática. (<<<<<pg. 162-165)
Em 22/11/1942 o Exército Vermelho completou o cerco ao VI Exército alemão, sob comando do General Von Paulus. Ele solicitou permissão para forçar uma retirada, o que Hitler negou, ordenando que resistisse e garantindo, com a palavra de Göring, que a Luftwaffe manteria o abastecimento. Contudo, Churchill soube que 400 dos aviões que fariam esse abastecimento (eram necessárias 800 toneladas periódicas de suprimentos) foram desviados para ajudar Rommel no deserto.
Este, por sua vez, concentrava muitas tropas na Tunísia, o que, certamente, adiaria a vitória final dos aliados na África, fato que também colocaria em suspense o desembarque aliado previsto para 1943. Os ataques de submarinos a comboios de suprimentos aliados para Inglaterra e a URSS seguiam aumentan- do chegando à astronômica cifra de quase 722 mil toneladas de navios afundados apenas em Novembro.
Somente em meados de Dezembro a cifra secreta alemã foi decodificada e os comboios puderam evitar as rotas dos submarinos. Em 17/12/1942 foi emitida uma declaração conjunta dos aliados denunciando o massacre de judeus e avisando que os perpetradores desses crimes seriam caçados depois da guerra.
CONTINUA 



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

CHURCHILL - Parte 36

CHURCHILL – Parte XXXVI [1] [2]
Apesar da recomendação médica de repouso absoluto, Churchill viajou para Ottawa, no Canadá, onde discursou no Parlamento relembrando a previsão furada do francês Weygand de que logo a Grã-Bretanha estaria com o pescoço torcido como de uma galinha. Winston falou, para delírio dos presentes: “E que galinha!” Quando as gargalhadas cessaram, acrescentou: “E que pescoço!
Só após retornar do Canadá ele tirou alguns dias de folga na Flórida. No retorno seu avião, pouco antes de pousar em Plymouth, foi confundido com um avião alemão e seis caças ordenados a decolar para abatê-lo. Felizmente o erro foi corrigido a tempo e ele pousou em segurança. (<<<<<<pg. 149-151)
Tropas Japonesas em Cingapura
No final de janeiro, com os japoneses avançando sobre Cingapura, Churchill pediu um voto de confiança no Parlamento, vencendo por 464 x 1. Mas as más notícias de 1942 estavam começando.
Os alemães mudaram seus códigos da máquina enigma que só foram decifrados no final do ano, ao mesmo tempo, os nazistas conseguiram decifrar os códigos britânicos para os comboios de carga do Atlântico Norte.
Em meados de fevereiro as forças que combatiam em Cingapura foram autorizadas à rendição: “Entre aqueles que foram feitos prisioneiros dos japoneses, havia 16 mil britânicos, 14 mil australianos e 32 mil indianos.
Em transmissão radiofônica Churchill conclamou a seguirem firmas na travessia da tempestade, no entanto os soldados em luta na Ásia não pareciam imbuídos do mesmo espírito, conforme relatou um dos comandantes britânicos na região: “nem os ingleses, nem os australianos nem os indianos demonstram verdadeira dureza de espírito e corpo”.
E, falando em corpo, o de Churchill parecia fraquejar com o peso que carregava sobre os ombros, a sucessão de más notícias e as críticas que já surgiam internamente, até mesmo da parte do Rei. Clementine temia por ele e a filha Mary escreveu que “Papai está muito deprimido. Não está muito bem fisicamente e está desgastado pela contínua pressão dos acontecimentos.” Enquanto isso os japoneses avançavam na Birmânia e em Java.
Tropas Japonesas na Birmânia

Tropas Japonesas em Java
No teatro de operações europeu Stálin pedia uma invasão aliada em 1942 para aliviar a pressão sobre a URSS, mas os EUA só estariam prontos para uma operação de tal envergadura em 1944. O que podiam fazer até lá seria prosseguir bombardeando as cidades alemãs.
Cidade alemã de Colônia devastada
Em 30/05/1942 a cidade de Colônia foi atacada por 1000 aviões bombardeiros sendo reduzida a ruínas fumegantes. Ao mesmo tempo o código secreto de comunicações do Japão foi decifrado e a frota a caminho de Midway foi interceptada com a destruição de quatro porta-aviões japoneses. (<<<<<<pg. 151-155)
Batalha de Midway
Em meados de Junho Churchill viajou novamente aos EUA para se encontrar com Roosevelt, desta vez na casa deste às margens do Rio Hudson. O próprio Roosevelt dirigia uma carro adaptado e deixou Winston meio assustado “confesso que em várias ocasiões, quando o carro se desequilibrou e resvalou nas bermas cheias de mato dos precipícios à beira do Hudson, desejei que os aparelhos mecânicos e os freios não tivessem nenhum defeito.
Neste encontro ambos concordaram em uma parceria nas investigações sobre a construção de uma bomba atômica. Também juntos receberam a notícia da queda de Tobruk, o que deixava Rommel na possibilidade de invadir o Egito. Roosevelt se comprometeu em enviar “trezentos tanques e cem canhões autopropulsionados”.
De volta a Inglaterra Churchill enfrentou uma moção de censura no Parlamento. No dia do início dos debates Rommel invadiu El Alamein, o que não foi nada bom para Winston assim acusado por um deputado trabalhista: “O primeiro-ministro vence debate após debate e perde batalhas atrás de batalhas. O país começa a dizer que ele luta nos debates como numa guerra e luta na guerra como nos debates.” Mas a moção de censura “foi derrotada por 475 votos contra 25.
Contudo, como que para lembrar que as más notícias sempre predominavam, um comboio de armas e suprimentos a caminho da URSS foi atacado e “Dos seus 34 navios mercantes, 23 foram afundados e apenas 11 chegaram à Rússia. De quase seiscentos tanques que o comboio transportava para a Rússia, quinhentos foram perdidos.
Em Agosto/1942 Churchill voou para o Cairo, onde constatou o desânimo reinante entre as forças britânicas. Então ele decidiu substituir o comandante do 8º Exército General Auchinleck pelo General Gott, cujo posto de Comandante em Chefe do Oriente Médio seria assumido pelo General Alexander.
Mas Gott foi morto quando seu avião foi derrubado pelos alemães e o escolhido para o posto foi o General Montgomery, que era considerado uma pessoa desagradável e sobre isso Winston escreveu a Clementine: “Se ele é desagradável com aqueles que trabalham com ele, é também desagradável com o inimigo”.
Do Cairo Churchill voou para Teerã e de lá para Moscou de onde foi levado a uma dacha (tipo de casa de campo) na qual esperavam por ele um banho quente e bebidas “muito além de nossas capacidades de consumo”.
Pouco depois ele foi levado ao Kremlin onde se encontrou com Stalin.
CONTINUA




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 2. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).