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sábado, 16 de fevereiro de 2019

CHURCHILL - Parte 3



CHURCHILL – Parte III [1] [2]
Dividido entre a paixão política e suas atribuições no exército, Churchill procurava conciliar ambos os lados. Quando foi juntar-se às tropas deslocadas para sufocar uma rebelião tribal no noroeste da Índia, manobrou para tornar-se também correspondente de guerra para dois jornais. Seu intuito era ir se tornando conhecido e popular. (pg. 86-87) Durante o conflito Winston viu-se diversas vezes envolvido em combate real. Em cartas à mãe, a quem ele escrevia compulsivamente, falava sobre suas experiências em combate:
Eles matam e mutilam todos os que capturam, e nós não hesitamos em acabar com os inimigos feridos. Desde que estou aqui, tenho visto coisas que não são muito bonitas, mas, como pode imaginar, nunca sujo minhas mãos com trabalho sujo, embora reconheça a necessidade de algumas coisas. (pg. 82)
Nesta época, e depois, o interesse de sua mãe parece ter aumentado, pois ela passou a atuar fortemente junto à alta sociedade londrina para fazer seu filho conhecido. Divulgava seus artigos, procurava um bom editor para o livro que ele escrevera sobre os combates, enfim, estava empenhada em concretizar os planos de Churchill para uma futura vida pública. (pg. 95-96)




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Em 1898 ela arranjou uma reunião política em Bradford na qual Churchill discursou por quase uma hora e seus dotes de grande orador cativaram a audiência, como ele escreveu:
Fui ouvido com grande atenção durante 55 minutos”, [...] “ao fim dos quais houve gritos altos e generalizados de ‘Continue’. Cinco ou seis vezes aplaudiram-me por cerca de dois minutos sem interrupção”. Quando acabou, “muitas pessoas subiram para as cadeiras e houve realmente um grande entusiasmo” (pg. 102)
A discordância entre mãe e filho girava, nesta época, nos gastos excessivos da mãe, que Churchill criticava a ponto de recorrer a uma espécie de interdição parcial que protegia sua herança de um eventual segundo casamento da mãe. A despeito disso, Winston começava a ter bons resultados financeiros com sua produção literária. (pg. 97-100)
Foi bem remunerado, por exemplo, por suas cartas ao jornal Morning Post, que ele negociou enviar do Egito, para onde foi enviado após usar toda influência possível, inclusive oriundas do círculo mais próximo ao próprio Primeiro Ministro Salisbury.[3] O comandante das tropas no Egito, Lorde Kitchener,[4] não queria aceitar a presença de Churchill de forma nenhuma, mas acabou cedendo às inúmeras pressões após a morte de dois oficiais. (pg. 104)




[3]    Robert Arthur Talbot Gascoyne-Cecil, 3º Marquês de Salisbury (Hatfield, 3 de fevereiro de 1830 – Ibid., 22 de agosto de 1903), conhecido como Lord Robert Cecil até 1865 e como Visconde Cranborne entre 1865 e 1868, foi um político britânico, por três vezes Primeiro-ministro do Reino Unido, totalizando 13 anos como chefe de governo. Foi o primeiro primeiro-ministro do século XX no Reino Unido.

   https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Gascoyne-Cecil,_3.%C2%BA_Marqu%C3%AAs_de_Salisbury

[4]    O Marechal-de-campo Horatio Herbert Kitchener, 1º Conde Kitchener, (24 de junho de 1850 — 5 de junho de 1916) foi um militar graduado do Exército Britânico e administrador colonial que ganhou notoriedade por suas campanhas imperiais, incluindo ordens dadas de "terra arrasada" contra os bôeres e estabelecimento de campos de concentração na África do Sul durante a Segunda Guerra dos Bôeres. Ele mais tarde se envolveu no comando de operações militares no começo da Primeira Grande Guerra, na posição de Secretário de Estado para assuntos de guerra.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Horatio_Herbert_Kitchener
Primeiro Ministro Salisbury - Lorde Kitchener
Nesta campanha no Egito, parte da chamada Guerra Madista,[5] onde serviu muito bem como observador das tropas dos rebeldes dervixes, Churchill viu a morte muito de perto durante a Batalha de Omdurman,[6] quando a cavalaria ficou sob fogo cruzado e, embora  “Dos 310 oficiais e soldados que haviam participado da carga, um oficial e vinte soldados haviam morrido, e quatro oficiais e 55 soldados tinham ficado feridos.”, Winston não sofreu sequer um arranhão. (pg. 110)




[5]    A Guerra Madista foi uma Guerra Colonial travada no final do Século XIX. O confronto foi inicialmente travado entre sudaneses Madistas e egípcios e mais tarde com as forças britânicas. Também foi chamado o Guerra Anglo-Sudanesa ou Revolta do Sudão Madista. Os britânicos chamam a sua participação no conflito do Campanha do Sudão.
      
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Madista

[6]    Na Batalha de Omdurman (02/09/1898), um exército comandado pelo general britânico Sir Herbert Kitchener derrotou o exército de Abdullah al-Taashi, sucessor do autodenominado Mahdi, Muhammad Ahmad. Kitchener estava buscando vingança pela morte de 1885 do general Gordon. Foi uma demonstração da superioridade de um exército altamente disciplinado equipado com rifles modernos, metralhadoras e artilharia sobre uma força duas vezes maior, armada com armas mais antigas, e marcou o sucesso dos esforços britânicos para reconquistar o Sudão.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Omdurman
Acima e abaixo, a Batalha de Omdurman

Apesar de tantas vezes passar incólume por situações como essa, Churchill não era religioso e, embora compreendesse a necessidade da religião para o homem comum, via a religião, especialmente a católica, como um narcótico:
Posso imaginar uma pobre paróquia, com operários que vivem suas vidas em feias fábricas caiadas, labutando dia após dia entre cenários e ambientes destituídos de qualquer elemento de beleza. Consigo simpatizar com eles e com sua ânsia por alguma coisa não infectada pela miséria geral, alguma coisa que gratifique seu amor pela mística, alguma coisa um pouco mais próxima do belo, e acho insensível roubar de suas vidas essa aspiração nobilitante, mesmo que ela encontre expressão no incenso queimado, no uso de batinas e em outras práticas supersticiosas.
As pessoas que pensam muito no outro mundo raramente prosperam neste mundo; os homens devem fazer uso da mente sem matar suas dúvidas por meio de prazeres sensuais; a fé supersticiosa das nações raramente promove sua indústria. O catolicismo — todas as religiões, se preferir, mas o catolicismo em particular — é um delicioso narcótico: pode atenuar nossas dores e afugentar nossas preocupações, mas reprime nosso crescimento e esgota nossa força. E uma vez que a melhoria da raça britânica é meu objetivo político nessa vida, não posso permitir demasiada indulgência, se a puder impedir sem atacar outro grande princípio, a liberdade. (<pg.116-117)
Após ser liberado da Índia e uma nova passagem pelo Egito, Churchill retornou à Inglaterra onde iniciou sua carreira política.

CONTINUA

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

VITÓRIA CRISTÃ EM ROMA - Parte X



COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – X
O conflito entre os dois Augustos teve início em 314 d.C. com a Batalha de Cibalis, que terminou com a vitória de Constantino.
Para Lissner1 o segundo confronto, ocorrido na Trácia (Batalha de Márdia), terminou indefinido mas serviu para que os Augustos assinassem um termo de paz que dividiu o Império Romano em dois estados completamente separados e independentes pois “Nenhum deles tinha o direito de imiscuir-se no outro.” (pg.494)
As atitudes dos dois soberanos quando de volta a seus domínios foi totalmente oposta.
Veyne2, defendendo a tese de que Constantino já era cristão convertido nesta época, detalha os pontos que, acredita ele, foram a política do governante já a partir de 312 d.C.(pg.9):
  1. Todas as suas medidas desde então visaram preparar um futuro cristão para Roma;
  2. Ele seria cristão mas permaneceu pagão, não perseguindo os cultos e seus seguidores;
  3. Apoiaria fortemente a Igreja, mas não imporia sua fé;
  4. Proibiria cultos à sua pessoa e dispensaria da realização de ritos pagãos os funcionários públicos cristãos;
  5. Não se empenharia na conversão dos pagãos, deixando esta tarefa à Igreja;
  6. Pensaria em abolir os sacrifícios de animais aos deuses, mas não chegaria a fazê-lo;
  7. Assumiria a função “... auto-proclamada de uma espécie de presidente da Igreja; atribuirá a si mesmo negócios eclesiásticos e usará de rigor não com os pagãos, mas com os maus cristãos, separatistas ou hereges.”(pg.10)
Se no Ocidente a paz reinava por meio das ações de um Imperador politicamente hábil e religioso tolerante, no Oriente Licínio se entregou a uma feroz perseguição contra os cristãos: “As igrejas foram destruídas, os dignatários condenados à morte e os fiéis lançados na prisão.”(LISSNER, pg.494).



Mas, por conta do acordo firmado em Milão, o Ocidente não podia interferir no que se passava no Oriente. A situação mudou quando, em 324 d.C., os bárbaros invadiram o império, atravessando o Rio Danúbio e não foram contidos por Licínio, a quem cabia a tarefa.
Constantino então rompeu o acordo e cruzou as fronteiras dos domínios de seu colega do Oriente para combater os invasores. Este foi o estopim do novo conflito Ocidente x Oriente.
Para Licínio, entretanto, conforme destaca Lissner, esse foi o confronto entre duas fés: “Essa batalha demonstrará qual de nós possui a boa crença […] Se nossos deuses alcançarem a vitória, levaremos a guerra contra todos os infiéis (os cristãos).”(LISSNER pg.495)
A batalha decisiva estava prestes a começar!
Continua...
1 LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.
2 VEYNE, Paul. Quando nosso mundo se tornou cristão [312-394]. Tradução de Marcos de Castro. Civilização Brasileira. 2011. Versão eletrônica disp. em:http://portalconservador.com/livros/Paul-Veyne-Quando-Nosso-Mundo-Se-Tornou-Cristao.pdf
 
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CHURCHILL - Parte II



CHURCHILL – Parte II [1] [2]
Em Harrow, iniciou o treinamento militar de Churchill e seu interesse pelas disciplinas envolvidas nesse aprendizado cresceu bastante, principalmente em História. (pg.30) Portanto, quando chegou o momento de decidir ir ou não para universidade, o pai de Churchill fez questão de lhe enviar para o exército, mas não tendo em vista qualquer grande capacitação militar, como revela o próprio rapaz:
Durante anos, pensei que meu pai, com sua experiência e seu instinto, tinha discernido em mim qualidades de gênio militar, mas me disseram mais tarde que ele tinha apenas chegado à conclusão de que eu não era inteligente o bastante para a advocacia. (pg. 33)
Como suas notas em Matemática foram insuficientes, não pôde ir “para Woolwick, a academia para cadetes [...] nas academias reais de artilharia ou engenharia. Em vez disso, teria de se preparar para Sandhurst , [...] para futuros oficiais de infantaria e cavalaria.” (pg. 33)
Mas, apesar de ter se dedicado intensamente aos estudos preparatórios, ele foi reprovado em sua primeira tentativa de entrar em na Real Academia Militar de Sundhurst. (pg. 44) E após estudos ainda mais intensos, foi reprovado novamente (pg. 45)
Nos meses seguintes a esta segunda derrota, Churchill sofreu um grave acidente (uma queda de cerca de 10 metros de altura na qual quebrou a perna), do qual se recuperou, e passou a frequentar eventos sociais, sessões parlamentares e a conhecer políticos influentes. (pg. 47-49)
Em sua terceira tentativa ele finalmente conseguiu ser aprovado em Sundhurst. Não obteve pontos suficientes para entrar na infantaria, mas ficou na 4ª colocação para a cavalaria. (pg. 49) Contudo, por, influência de seu pai, Churchill recebeu licença especial para compor a infantaria. (pg. 51) Naquele momento, tudo o que Winston queria era entrar em Sundhurst e se era na infantaria, tudo bem. Algum tempo depois ele iria preferir a cavalaria, desejo interrompido pelo pai, provavelmente por conta do custo alto de se ter e manter um cavalo.
No meio militar Churchill finalmente se decidiu pelo empenho e a disciplina, em especial depois que as cartas de seu pai, mentalmente afetado pela Sífilis, passaram a desancá-lo de maneira brutal. (pg. 50) Suas notas passaram a ser condizentes com esse esforço.
Em 24 de janeiro de 1895 Randolph Churchill morreu aos 45 anos com a mente e o corpo devastados pela Sífilis. Sem saber a doença que matara seu pai, o jovem Winston passou a acreditar que os homens de sua família estavam fadados a morrer muito cedo. (pg. 61-62)
A despeito disso, um mês após a morte do pai, Churchill entrou para a cavalaria tendo seu cavalo sido pago por sua tia, a Duquesa Lily. (pg. 63) Naquele mesmo ano, em 03 de julho, faleceu a ama de criação de Churchill, Srª. Elizabeth Ann Everest, possivelmente a pessoa a quem ele mais amava depois da família.
Envolvendo-se diretamente na tentativa de cuidar dela, Winston alternou idas e vindas entre seu regimento e a casa da velha ama, providenciou médico e enfermeira mas tudo em vão. Após a morte, o rapaz cuidou dos preparativos para o funeral, comprou a coroa de flores que adornou o caixão, bem como a lápide que identificava o túmulo. “nunca mais voltarei a ter nenhum amigo como ela”, escreveu Churchill à sua desatenciosa mãe sobre a Srª. Everest. (pg. 65)
Com o tempo, a imobilidade da vida militar em tempo de paz começou a entediar Churchill que passou a se interessar pela política e iniciou estudos autodidatas neste sentido. Essa rotina foi interrompida quando viajou a Cuba para acompanhar a repressão espanhola a uma insurreição dos habitantes da ilha. (pg. 67-68)
Nesta viagem, Churchill visitou pela primeira vez os EUA, onde anotou a seguinte impressão:
Imagine o povo americano como uma grande juventude vigorosa, que calca aos seus pés todas as nossas suscetibilidades e comete todos os horrores possíveis de mau comportamento, para quem nem a idade nem a tradição inspiram qualquer reverência, mas que cumprem seus afazeres com uma ingenuidade bondosa que pode fazer inveja às nações mais antigas da terra. (pg. 70)
Uma vez em Cuba, Churchill foi recebido no Estado-Maior do General Valdez e foi parar praticamente na linha de frente dos combates. Em artigos escritos para o jornal inglês Daily Graphic Winston reconhece que não havia uma simples rebelião em Cuba, mas uma verdadeira guerra e que as melhores forças estavam ao lado dos cubanos, contra os dominadores espanhóis. (pg. 71-72)
Guerra em Cuba
De volta a Inglaterra Churchill foi acusado de atos homossexuais por um desafeto que fora expulso da academia. Winston levou o caso aos tribunais, a acusação foi retirada e o acusador pagou nada menos que 400 libras de indenização. (pg.73)
Sempre em busca de estar em locais de conflito, onde poderia adquirir a experiência e o reconhecimento que não teria permanecendo no quartel da Inglaterra, Churchill tentou, sem sucesso, viajar para a África do Sul e o Egito. Foi deslocado, junto com seu regimento, para a Índia,   onde uma tediosa rotina o engoliu por um bom tempo. 
Churchill na Índia - Em pé, faixa branca no peito.
Essa monotonia só era interrompida pelos artigos caluniosos da revista Truth, que ainda repercutia as acusações pelas quais Churchill fora indenizado e os passeios com Pamela Plowden, filha de um funcionário britânico sediado em Hydebarad. A amizade de ambos durou a vida inteira. (pg. 77-78)
Pamela Plowden
Ao mesmo tempo, crescia em Churchill, junto com o tédio da inação na Índia, o desejo pela ação política, uma candidatura por um dos municípios nos quais o pai tivera influência. (pg. 79) Sua nomeação ao posto de Major, porém, reascendeu um pouco seu entusiamo pelo exército. (pg. 82)
Naqueles primeiros anos de interesse pela política Churchill se auto denominava liberal e defendia:
...o alargamento do direito de voto a todos os homens adultos, educação universal, igualdade entre todas as religiões e um imposto de renda progressivo. [...] a não intervenção na Europa, [...] Defender as colônias com “uma Marinha poderosa” e criar um sistema de defesa imperial. A leste de Suez, contudo, “não pode haver governos democráticos. A Índia deve ser governada segundo os velhos princípios”. (pg. 82)
Contudo, ao mesmo tempo em que defendia “...uma educação igual para todos, sem que qualquer grupo seja beneficiado.” e com professores não religiosos, mas “instrutores seculares nomeados pelo governo.”, Churchill era contra o movimento sufragista pois “Uma vez que se conceda o voto a um grande número de mulheres, que constituem a maior parte da sociedade […], todo o poder passará para as mãos delas”. (pg. 84)
CONTINUA




[1]   GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]   Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

REVISTA REINO DE CLIO - EDITAL

REVISTA REINO DE CLIO - ISSN: 2358-5218

Edição nº 9 – 2019

Edital de Publicação

OBJETIVO:

Visitar, pesquisar e fotografar Museus, Igrejas antigas, monumentos e outros sítios de valor histórico e/ou arqueológico, para publicação certificada (não remunerada) na Edição de nº 09 da Revista Reino de Clio.


PRAZO PARA RECEBIMENTO DOS TRABALHOS PARA AVALIAÇÃO:

01/02/2019 a 15/03/2019

PRAZO PARA AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS:

16/03/2019 a 31/03/2019

PUBLICAÇÃO PREVISTA:

15/04/2019


METODOLOGIA:

  • Pesquisa de internet sobre o local a ser fotografado para coleta de informações básicas;
  • Composição de texto de no máximo 1 lauda com essas informações;
  • Visita ao local para realizar o registro fotográfico do local;
  • Para o registro de monumentos o trabalho deve conter fotos do entorno do local, bem como de todos os ângulos possíveis com a câmera ou celular na horizontal, além de focalização aproximada dos detalhes como, por exemplo, placas informativas, esculturas, etc;
  • Para o registro de sítios históricos e/ou arqueológicos o trabalho deve conter fotos do entorno do local, bem como de todos os ângulos possíveis com a câmera ou celular na horizontal, além de focalização aproximada dos detalhes como, por exemplo, objetos, inscrições, desenhos,  pinturas, placas, esculturas, etc;
  • Para o registro de museus o trabalho deve conter fotos do entorno do local, fotos externas da edificação, da recepção, placas informativas, etc. Para as exposições do museu alvo do trabalho, deve-se primeiro fotografar vistas gerais do ambiente da exposição (da sala ou salão), seguindo, então, ao trabalho de fotografar os itens de cada exposição ou sala. Para ver um exemplo de museu fotografado com esse formato, clique AQUI;
  • Para o registro de igrejas ou similares (a preferência é por ambientes com pouca ou nenhuma modernização), seguir o roteiro conforme as imagens abaixo. É de suma importância ter sempre o máximo cuidado e respeito pelos locais religiosos que se vai fotografar e isso inclui tirar chapéu, bonés ou tocas de qualquer espécie, usar roupas recatadas, estar sempre em silêncio, não usar flash e não atrapalhar ritos em andamento.
    Fotos externas de todos os ângulos possíveis (com o celular/câmera sempre na posição horizontal), conforme as setas fora do retângulo vermelho. Só usar o celular na vertical se não houver outra forma de capturar a imagem na horizontal.
    Ao adentrar a igreja, fotografar o ambiente a partir da porta (ou depois das primeiras colunas se elas forem atrapalhar a tomada da imagem), bem como as laterais do ponto de vista oposto, conforme as primeiras setas sobre a cor azul dentro do retângulo vermelho.
    Fotografar o altar também como visto do meio da igreja, para uma imagem de média aproximação em relação à imagem capturada da entrada;
    Algumas igrejas possuem nichos ou capelas laterais, com oratórios e/ou imagens. Esses locais podem ser fotografados com o celular/câmera na vertical, assim como as imagens de santos. Certifique-se de que o enquadramento é o mais aproximado possível sem cortar a imagem. Os demais detalhes devem, sempre que possível, ser fotografados na horizontal.
    A nave da igreja (cadeiras e porta de entrada) devem ser fotografadas com o fotógrafo posicionado no altar, de costas para este.
    O registro dos altares deve seguir o mesmo roteiro como se fosse uma igreja em si, ou seja, fotos na horizontal, com distância que permita visão ampla, das laterais a partir de ponto de vista oposto (diagonal) e dos detalhes. Para registrar mais aproximadamente o altar principal e as imagens, pode-se usar o aparelho na horizontal e o zoom.
    Após o término da operação, checar as fotos para ver se não há nenhuma delas de má qualidade ou tremidas.
    Algumas igrejas possuem corredores laterais, túmulos e sacristias. Sempre que possível deve-se fotografar tais ambientes com os mesmos métodos especificados acima.
    Para ver um exemplo de igreja fotografada com esse formato, clique AQUI.
    As fotos devem ser enviadas para o e-mail abaixo:
    revistareinodeclio@gmail.com
    Além das fotos e do texto, as seguintes informações devem estar presentes no e-mail:
    Nome do autor, RG, CPF, cidade, local fotografado, data da coleta das imagens e a seguinte declaração:
    Declaro para os devidos fins que cedo ao Sr. Marcello Eduardo Kierkigard Lima Campos, sem qualquer tipo de remuneração, presente ou futura, o direito irrestrito de publicação das fotos do local acima citado, que seguem anexas.
    O participante pode fotografar mais de um local, mas para cada local fotografado deve ser enviado um e-mail separado.
    Cada local fotografado que seja aprovado para publicação receberá um certificado equivalente a 10hs de atividade.
    Dúvidas? Escreva para o e-mail acima citado.




     
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A REUNIÃO DA SOLUÇÃO FINAL

CONFERÊNCIA DE WANNSEE
Em um dia como este 20 de janeiro, em 1942, ocorria a reunião que iria detalhar o planejamento da Solução Final para o destino dos judeus dentro da Alemanha Nazista e territórios conquistados. A Conferência de Wannsee foi um encontro de líderes nazistas, realizadas no subúrbio berlinense de Wannsee, em uma mansão às margens do lago denominado Grosser Wannsee.
O encontro foi marcado pelo diretor do Gabinete Central de Segurança do Reich, SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich e destinou-se a estabelecer a cooperação de todos os setores envolvidos, especialmente no transporte, na eliminação dos judeus que seriam trazidos de todos os lugares para a Polônia, onde seriam exterminados.
Heydrich agia obedecendo uma ordem escrita e assinada por  Hermann Göring determinando que planejasse a solução da questão judaica, embora o extermínio já tivesse começado logo após a invasão da URSS em junho do ano anterior, 1941.
Hermann Göring e Reinhard Heydrich
Portanto, ao contrário do que alguns pensam, não foi na Conferência de Wannsee que a decisão de exterminar os judeus foi tomada, pois a reunião teve, como primeiro objetivo, apenas determinar a participação de cada órgão do governo nazista envolvido no processo como, por exemplo, os Ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Interior e a SS. Em outras palavras, organizar o que já estava acontecendo.
A perseguição aos judeus começou logo no início do governo de Hitler, em 1933 e se intensificou com as Leis de Nuremberg em 1935. A matança indiscriminada porém começou após a invasão da Polônia, em 1939. O plano nazista para o Leste não previa apenas a morte dos judeus, mas também dos eslavos e a ideia era reduzir a população, pela fome, com a morte de 30 milhões de pessoas!
As colheitas fracas na Alemanha nos anos de 1940 e 1941 levou o governo nazista a calcular que os judeus não se encaixavam no número de pessoas que deveriam ser alimentadas e que incluiam os próprios alemães e os trabalhadores escravos das fábricas do III Reich.
Quando a invasão da URSS começou, logo Heydrich estava autorizando a morte de membros do partido comunista, comissários do povo, judeus em cargos públicos, adversários políticos, sabotadores, agitadores e membros da resistência. Não demorou para ordenar que todos os judeus fossem considerados membros da resistência, o que autorizava sua morte indiscriminada.
Heydrich enviou as convocações para a reunião em 29/11/1941, marcando a data do encontro para 09/12/1941 no escritório da Interpol. Porém, devido ao fracasso da tomada de Moscou e a declaração de guerra de Hitler contra os EUA, após o ataque japonês a Pearl Harbor, a conferência foi adiada. O local já havia sido alterado dias antes.
CONVOCAÇÃO PARA A CONFERÊNCIA
Esses eventos levaram Hitler a perceber que a guerra não acabaria cedo como previra e, assim sendo, em 12/12/1941 ele transmitiu aos membros superiores do governo que decidira eliminar os judeus logo, sem esperar pelo fim da guerra.
Os novos convites para o encontro, agora remarcado para 20/01/1942 foram enviados dia 08. Foram 15 participantes, dentre os quais Adolf Eichmann, que depois ficaria famoso por ter sido sequestrado por agentes do Mossad na Argentina, para ser julgado em Israel.
Heydrich iniciou a reunião relembrando as medidas anti-judaicas tomadas desde 1933 e contabilizando a existência de 11 milhões de judeus na Europa com cerca de metade deles fora dos domínios da Alemanha. A intenção era levar os judeus sob domínio da Alemanha para a URSS, onde morreriam “de causas naturais” na construção de estradas. Os restantes deveriam ser “tratados adequadamente”, considerando que poderiam voltar a se reproduzir, o que não era desejado.
LISTA DE ADOLF EICHMANN - JUDEUS DA EUROPA
Essa remoção em massa era uma exigência do processo de mudança dos alemães que iriam colonizar o Leste, especialmente aqueles que havia perdido suas casas nos bombardeios aéreos aliados. O processo incluiria o transporte para guetos de transição na Polônia e, depois, para a URSS.
Nem todos os judeus, porém, seriam deportados rumo a morte pois, segundo Heydrich, “Judeus com mais de 65 anos de idade, e judeus veteranos da Primeira Guerra Mundial que tivessem sido feridos com gravidade ou que tivessem recebido a Cruz de Ferro, podiam ser enviados para o campo de concentração de Theresienstadt em vez de serem mortos.
Os Mischlings de primeiro grau (mestiços com avós judeus) seriam mortos, porém, se fossem casados e tivessem filhos com não-judeus, seriam poupados. Mesmo caso dos que possuissem isenção concedida por altas autoridades. Mas deveriam ser esterilizados ou deportados caso não aceitassem.
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS JUDEUS
Os Mischlings de segundo grau (com apenas um dos avós judeu) seriam considerados alemães, a menos que fossem casados com judeus, mischlings de primeiro grau ou tivessem a aparência e o comportamento marcadamente “judaicos”. Casamentos interraciais seriam analisados individualmente.
Após a fala de Heydrich a reunião seguiu menos formal. Não foi registrada nenhuma oposição dos presentes, antes, porém, sugestões para “aperfeiçoar” o processo. Heydrich, que esperava muita resistência, ficou satisfeito com a concordância geral.
PARTICIPANTES DA CONFERÊNCIA DE WANNSEE
O documento final da conferência, denominado Protocolo de Wannsee, foi redigido com termos camuflados, para esconder o terror das decisões que continha. Foram feitas 30 cópias da ata, que foram enviadas aos participantes. A maioria delas foi destruída ao final da guerra, mas uma delas sobreviveu e serviu de prova no Julgamento de Nuremberg.
Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Wannsee
https://en.wikipedia.org/wiki/Generalplan_Ost
https://warfarehistorynetwork.com/daily/wwii/the-wannsee-conference-hitlers-final-solution/
https://dirkdeklein.net/2017/07/14/the-minutes-of-the-wannsee-conference-meeting/


A "NUREMBERG" DO JAPÃO

O JULGAMENTO DE TÓQUIO
Em um dia como este 19 de janeiro, no ano de 1946, o General Douglas Mac Arthur, comandante das Forças Armadas dos Estados Unidos no Extremo Oriente, proclamou a Carta do Tribunal Internacional Militar para o Extremo Oriente, documento que estabelecia as bases legais para o julgamento de crimes cometidos pelos líderes do Império do Japão durante a II Guerra Mundial.
Esses crimes foram divididos em três categorias: "Classe A" (crimes contra a paz), "Classe B" (crimes de guerra) e "Classe C" (crimes contra a humanidade)” referindo-se, a primeira, a ação para iniciar a manter o conflito e as duas últimas referindo-se a atrocidades cometidas durante os conflitos.
Apesar de ser um tribunal que visava os líderes japoneses, o Imperador Hiroito não foi acusado, bem como nenhum outro membro da família imperial, como parte da estratégia estadunidense de pacificar o Japão deixando ao país um símbolo em torno do qual pudesse se reunir.
O tribunal também não serviu para julgar funcionários e militares subalternos, o que ocorreu em outros tribunais, realizados em outras cidades e países, a exemplo da China, que instituiu 13 tribunais que produziram “504 condenações e 149 execuções”.
O julgamento foi presidido por onze juízes, um de cada país aliado na Guerra do Pacífico: “Estados Unidos da América, República da China, União Soviética, Reino Unido, Países Baixos, Governo Provisório da República Francesa, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Índia Britânica e Filipinas”.
A abertura dos trabalhos ocorreu em 03/05/1946 com o discurso do Procurador-Geral Joseph Keenan. Quando chegou sua vez, a defesa dos 28 acusados rejeitou o nome de William Web como Presidente do Julgamento, no que foi atendida, e tentou anular o julgamento argumentando ser impossível não matar em guerras bem como individualizar culpas em crimes internacionais, o que foi rejeitado.
Nas sessões seguintes a acusação prosseguiu listando os acordos e tratados internacionais violados e a sequência de eventos que se iniciou com a invasão da China após o incidente da Manchúria em 1928, bem como as inúmeras violações, chacinas, pilhagens, torturas, etc.
A defesa questionou o direito do vencedor julgar o vencido, rejeitou a tese de conluio e defendeu algumas ações como defesa dos interesses e da própria existência do país.
Dos 25 acusados que chegaram ao final do julgamento (dois morreram antes e um enlouqueceu), apenas o General Hideki Tojo reconheceu a própria culpa nas acusações. Os demais alegaram-se não culpados, tendo agido sob ordens.
O veredito condenou à morte por enforcamento sete dos acusados, inclusive Tojo. Outros dezesseis foram condenados à prisão perpétua. Os demais receberam penas de 20 e 7 anos respectivamente.
Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Militar_Internacional_para_o_Extremo_Oriente
https://en.wikipedia.org/wiki/International_Military_Tribunal_for_the_Far_East
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hideki_T%C5%8Dj%C5%8D

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A VITÓRIA CRISTÃ EM ROMA - IX



COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – IX
Segundo Paul Veyne13, não foi Constantino que encerrou com a perseguição aos cristãos, já encerrada antes, mas que coube a ele “...fazer com que o cristianismo, transformado em sua religião, fosse uma religião amplamente favorecida, diferentemente do paganismo.”(pg.7).
O autor informa que havia um ambiente de virada da situação dos cristãos pois, no ano seguinte à tomada de Roma por Constantino, o Augusto do Oriente, Licínio, que era pagão mas não perseguia os cristãos, venceu seu rival perseguidor, Daia.
Com esta vitória, Roma voltava a ser uma diarquia, com um Augusto para o Ocidente, Constantino, e outro para o Oriente, Licínio. Ambos já haviam entrado “...em acordo em Milão para que seus assuntos pagãos e cristãos fossem tratados em pé de igualdade...” (pg.8)

A união dos dois homens mais poderosos da terra fora sacramentada através do casamento. Não entre eles, claro, mas entre Constância, filha de Constantino, e Licínio. No acordo foi disposto que o cristianismo seria tolerado e que “...os bens espoliados, os lugares de reunião dos cristãos deviam ser restituídos, as diversas comunidades cristãs reconhecidas.”(LISSNER, pg.491).
Paul Veyne chama a atenção para a diferença fundamental existente entre os cultos pagão e cristão que foram autorizados a conviver no império. Enquanto o fiel pagão tinha uma relação ocasional e de interesse com seus deuses, a quem recorria para o suprimento de suas necessidades, os cristãos agiam como submissos a Deus, vivendo em função de agradá-Lo. (pg.8)
E, se por um lado, Constantino não pretendesse, segundo Veyne, impor a crença cristã aos pagãos, por outro não aceitaria mais qualquer perseguição pagã aos cristãos.
Assim, foi por uma legítima proteção da fé, ou usando-a como pretexto, que Constantino entrou em guerra contra Licínio em 324 d.C. quando este expulsou os cristãos de seu convívio e impediu a passagem das tropas ocidentais pelas terras do Oriente para combater na Sarmátia14.
Vamos, contudo, por partes.
Continua...
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