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segunda-feira, 24 de junho de 2013

ESPECIAL 2


COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – III
A reorganização de Diocleciano tirou o império da UTI.
Por outro lado, a reorganização do exército, a criação de uma força reserva e as obras públicas das quatro novas capitais, onde residiam os tetrarcas, e na própria Roma, demandavam enormes somas de dinheiro, que devia vir das províncias.
A descentralização do poder levou a uma imensa pressão burocrática e arrecadatória sobre os funcionários públicos e a população de uma forma geral, com exceção dos moradores de Roma, que eram isentos de impostos.
Para piorar, a medida de fixar preços e salários por todo o império, que na prática era um congelamento, só gerou inflação e retração da atividade comercial.
E a História Contemporânea mostra que, em momentos de grave crise econômica, a população, sempre bem orientada pelos aproveitadores, tende a buscar culpados sobre quem descarregar as frustrações.
E quem eram os bodes expiatórios perfeitos para as mazelas de Roma?Os Cristãos, é claro!
Além da decadência econômica, os últimos anos de Diocleciano à frente do império foram de perseguição aos seguidores de Cristo.
Continua...
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quinta-feira, 20 de junho de 2013

LEMBRANÇAS UNIVERSITÁRIAS


HERÓI DA REPÚBLICA – A VISÃO DE JOSÉ M. DE CARVALHO
José Murilo de Carvalho9 fala da dificuldade em se construir um herói para a República. Deodoro, que poderia encarnar o papel, tinha contra si a aparência com o Imperador, um duvidoso republicanismo e sua fama era restrita ao meio militar. Benjamin Constant também não atendia ao perfil desejado.
Floriano Peixoto não unificava, ao contrário, dividia Militares e Civis, uns contra os outros e entre si mesmos, pela forma como se conduziu nas Revoltas da Armada e Federalista. Por fim o próprio movimento da proclamação carecia de participação popular e seus líderes eram ilustres desconhecidos do povo.
Apela-se então à figura cuja história se vinha tentando resgatar nos círculos republicanos desde a década de 1870: Tiradentes!
Carvalho comenta que a disputa historiográfica sobre Tiradentes foi e continua intensa, contudo esta não é sua meta, mas, antes, como se dá a construção do mito e como sua simbologia é apropriada.
Para o autor há poucas informações sobre quem foi e como vivia Tiradentes, embora se saiba que foi grande a comoção popular causada pela condenação dos inconfidentes, que o povo ficou aliviado com o perdão concedido à maioria, embora condoído pela execução do único réu não perdoado. Cita ainda que o delator, Joaquim Silvério dos Reis, foi amplamente rejeitado em Minas e no Rio de Janeiro, trocando de nome e tendo, por fim, de se refugiar no Maranhão.
Mas a luta pela memória de Tiradentes se arrastou por toda a vigência do império, pois resgatar sua figura consistia em condenar a avó do proclamador da Independência, D, Pedro I e da bisavó do Imperador da época, D.Pedro II.
Para Carvalho, apenas a obra de Robert Southey, publicada em 1810, é neutra, embora sua fonte sobre o tema fosse bem limitada. As demais publicações, para o autor, estavam todas contaminadas de ideologia, ou monarquista, ou republicana, embora reconheça o caráter inédito e mais bem embasado da obra de Joaquim Norberto de Souza Silva, História da Conjuração Mineira, feita a partir dos Autos da Devassa, guardados nos arquivos imperiais, entre outras fontes.
A obra nos permite conhecer o Tiradentes que passou os últimos anos de vida no cárcere, onde entrou como um revolucionário e de onde teria saído convertido em fervoroso cristão, obra dos franciscanos que buscaram catequizá-lo. Para Carvalho, Norberto diminui a importância de Tiradentes e aumenta a de Gonzaga, tira o foco de um representante humilde e passa para um membro da elite.
A transformação de Tiradentes em religioso, que sai das páginas de Norberto, irritou os republicanos, mas para Carvalho é justamente isso que vai contribuir para a mitificação do homem.
A associação religiosa, a figura aproximada da imagem de Cristo, tudo isso esta nas representações artísticas e vai crescer até a proclamação, embora jamais tenha existido nenhum retratista que tenha representado Tiradentes enquanto este vivia, nenhum que o tenha conhecido pessoalmente, mas, antes, uma descrição sua como "feio e espantado", nas palavras de Alvarenga Peixoto. Bem diferente daquela figura cristianizada e serena que povoa os livros de História e os bustos espalhados pelo país.
O autor identifica ainda a não-concretização da revolta, o não-derramamento de sangue, o auto-imposto comportamento de mártir de Tiradentes, a forma de sua execução como contributos para que permanecesse no imaginário popular como um herói corajoso que enfrentou a morte por acreditar em seus ideais, logo, figura passível de ser reivindicada por qualquer ideal, até mesmo abolicionista, operário, socialista ou anarquista.
Isso servia aos interesses do novo regime político que o queria como herói nacional unificador de todos os interesses e não apenas os republicanos, o que sempre geraria críticas dos adversários do regime.
A apropriação que todos fizeram de sua imagem, contribuiu para que se tornasse o símbolo procurado, aceito por todos, servindo aos interesses de todos.
Continua...
9CARVALHO, José Murilo de. Tiradentes: Um Herói para a República in: A Formação das Almas. Cia. das Letras.

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terça-feira, 18 de junho de 2013

REINO DE CLIO - PORQUE TUDO É HISTÓRIA!


O REINO DE CLIO ESTÁ DE VOLTA!
Olá! Seja bem vindo!
Iniciamos nossa trajetória em 2008 como um fotoblog, destinado a publicar as nossas aventuras no curso de História. Publicamos 1000 fotos e atingimos 20.000 visualizações.
Agora estamos de volta como um blog onde, já como professor, vamos publicar textos diversos sobre o que considerarmos relevante escrever.
Vamos procurar dar atenção a análises históricas do que ocorreu ou ocorre no mundo buscando sempre uma visão plural.
Este procedimento é, para nós, um dever de toda pessoa que abraça o sacerdócio do ensino ao qual ninguém nos obriga mas que, se o queremos bem exercido, obrigamo-nos voluntariamente.
Melhor esclarecendo: ao professor, principalmente de História, não é dado o direito de “ir na onda” sem analisar criteriosamente o que, porque, como, quando, onde e, principalmente, pelo interesse de quem, as coisas ocorreram ou estão ocorrendo.
Isso se dá desta forma pois um dia os alunos poderão perguntar a respeito e o professor deverá saber responder sem paixões ou parcialidades, mas de forma plural, para que os alunos possam conhecer e escolher por si mesmos.
Assim vejo o sacerdócio do ensino. Essa é a meta a ser sempre perseguida.
Espero que goste e volte sempre. Agradeço sua visita!
Marcello Eduardo