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terça-feira, 23 de julho de 2019

CHURCHILL - Parte 10



 CHURCHILL – Parte X [1] [2]
A questão do armamentismo alemão prosseguia e Churchill foi impedido de viajar à Alemanha, onde pretendia encontrar-se com o Almirante Tirpitz e o próprio Kaiser para costurar um acordo que reduzisse a corrida armamentista. (pg. 284)
Impedido de costurar a paz, Churchill prosseguiu preparando-se para guerra. Negociou a compra de “51% de participação nos lucros de todo o petróleo produzido pela Anglo-Persian Oil Company, assim como o direito a ser o primeiro utilizador de todo o petróleo produzido...” o que supria todas as necessidades de combustível da Marinha, bem como cobria os custos da construção naval. (pg. 286)
Tal medida mostrava, mais uma vez, a capacidade quase profética de Churchill, pois 11 dias após a aquisição do petróleo persa, o Arquiduque Franz Ferdinand [3] foi assassinado em Sarajevo juntamente com sua esposa, Sofia, Duquesa de Hohenberg.




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]    Franz Ferdinand Karl Ludwig Joseph Maria von Österreich-Este; (Graz, 18/12/1863 - Sarajevo, 28/06/1914) foi um arquiduque da Áustria, chefe do ramo cadete de Áustria-Este e herdeiro presuntivo do trono do Império Austro-Húngaro. Filho mais velho do arquiduque Carlos Luís (irmão dos imperadores Francisco José I da Áustria e Maximiliano do México) e da princesa Maria Anunciata das Duas Sicílias, ele herdou de seu primo, o duque Francisco V de Módena, a chefia da Casa de Áustria-Este, tornando-se pretendente ao trono do extinto ducado quando tinha apenas 12 anos de idade. Em 1889, com a morte do arquiduque Rodolfo, único filho varão de Francisco José I, no chamado Incidente de Mayerling, seu pai tornou-se o primeiro na linha de sucessão ao trono austro-húngaro, mas renunciou aos seus direitos em seu favor. Sua morte num atentado em Sarajevo, em 28 de junho de 1914, foi um dos estopins da Primeira Guerra Mundial.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Fernando_da_%C3%81ustria-Hungria
Arquiduque Franz Ferdinand - Duquesa de Hohenberg Sofia
Mas nas primeiras semanas após o fato ninguém acreditava (nem Churchill) que pudesse haver uma guerra e a pauta da reunião do governo liberal era a Irlanda e suas questões de autonomia. (pg. 287-289)
No entanto, quando a Áustria apresentou um ultimato à Sérvia, do qual Churchill tomou conhecimento em uma reunião do Gabinete, sua impressão foi que “parecia absolutamente impossível que qualquer Estado pudesse aceitar aquele ultimato ou que essa aceitação, por mais abjeta que fosse, satisfizesse o agressor.
E, de fato, era um documento elaborado para não ser aceito mesmo pois, apesar de a Sérvia ter concordado em atender quase todas as exigências austríacas, sua resposta foi rejeitada. (<pg. 289)


Diante da possibilidade, agora quase inevitável de uma guerra, só restou a Churchill trabalhar pela proteção de sua ilha. As frotas navais foram impedidas de dispersão ou receberam ordens para retornar e permanecerem estacionadas nos portos, os depósitos de munição e combustível foram guarnecidos, a frota do Mediterrâneo foi deslocada para Malta, os aviões foram concentrados no estuário do Rio Tâmisa, para defesa aérea. 
Somente a Primeira Esquadra entrou em movimento, tendo sido enviada ao Mar do Norte. E ainda “as embarcações civis foram retiradas dos portos militares e foram enviados guardas armados para pontes e viadutos e vigias para a costa, com a ordem de informarem da presença de qualquer embarcação hostil.” (<pg. 292-294)
Os políticos britânicos, inclusive o governo, estavam divididos em relação a entrar em uma eventual guerra. Alguns defendiam, como Churchill, que a Inglaterra entrasse em guerra contra a Alemanha se esta declarasse guerra contra a França, outros argumentavam que não havia nenhum tratado assinado neste sentido, mas apenas em relação à Bélgica. E ainda havia aqueles que não queriam entrar em guerra de jeito nenhum, com ou sem tratado. (pg. 295-297)
Mas nos últimos dias de julho a situação degringolou como em um efeito dominó. A Rússia se posicionou ao lado da Sérvia contra a Áustria que, por sua vez, declarou guerra à Sérvia em 28/07 levando a Rússia a mobilizar suas tropas dois dias depois, em 30/07. Imediatamente a Alemanha exigiu que os russos voltassem atrás, ficando no aguardo da resposta do Csar Nicolau II.
Quando a França se mobilizou, a Alemanha fez o mesmo e, em 01/08, sem uma resposta do Csar, declarou guerra contra a Rússia. Em 02/08 os alemães pediram à Bélgica passagem para suas tropas e, quando esta recusou o pedido em 03/08, os alemães passaram assim mesmo.
Em 04/08 a Inglaterra declarou guerra a Alemanha. Em 06/08 foi a vez da Áustria declarar guerra contra a Rússia e, logo, Montenegro, Turquia, Itália e até o Japão estavam no conflito.

Nas primeiras semanas da guerra a “profecia” do avanço alemão de Churchill se cumpriu milimetricamente e, a despeito de alguns sucessos aqui e ali, as tropas britânicas, francesas e belgas recuavam continuamente diante do poderio das tropas do Kaiser. 
Winston atuava freneticamente, tanto na Inglaterra quanto na França para a qual viajou nada menos que quatro vezes, para inspeções e para incentivar o moral das tropas. Também viajou para a Antuérpia (Bélgica) quando esta estava prester a ser abandonada pelos defensores e cair em mãos alemãs e decidiu ficar para incentivar a resistência o máximo possível.
Nesta ocasião sua presença perto da frente de combate foi relatada por um jornalista italiano: “Fumava tranquilamente um longo charuto e via o decorrer da batalha debaixo de uma chuva de projéteis no mínimo assustadora.” (<pg. 302-309)
No regresso da Bélgica em 07/10/1914, Churchill visitou a esposa e conheceu a filha Sarah, nascida naquele mesmo dia. Ele conseguira que Antuérpia resistisse por mais uma semana e isso permitira um seguro reagrupamento das forças britânicas em Flandres. (pg. 312)
Churchill se movimentava com desenvoltura, no entanto algumas de suas ações eram deturpadas e sempre criticadas pela mídia ligada aos conservadores, por vezes transformando vitórias em derrotas ou atribuindo-lhe a culpa de erros dos outros. Faziam isso, muitas vezes, por não ter, e tampouco buscar, as informações corretas sobre os acontecimentos. (pg. 312-314)
Quando dezembro de 1914 chegou Churchill já planejava uma ação contra Galipoli, ao mesmo tempo em que planejava a tomada da Ilha de Bornholm, pertencente a Dinamarca. Uma base em Bornholm permitiria desembarques de tropas britânicas e russas que teriam acesso mais curto ao território alemão, podendo apressar o fim da guerra. (pg. 316)
Contudo, embora outros membros do comando de guerra passassem a apoiar uma ação em Galipoli, inclusive para atender a um pedido de auxílio russo, em janeiro de 1915 Churchill estava mais empenhado nas ações no Mar do Norte. (pg. 319)
Foi neste mês de janeiro que Churchill fez referência, pela primeira vez a um veículo semelhante ao tanque de guerra, que ainda não existia, mas que já povoava a imaginação dos militares britânicos como uma necessidade para romper a imobilidade da guerra de trincheiras. É muito curiosa a forma como Winston se refere àquela ideia:
Seria bastante fácil conseguir, em pouco tempo, tratores a vapor com áreas de proteção blindadas nas quais se poderiam colocar homens e metralhadoras. Usados à noite, não seriam afetados por fogo de artilharia. O sistema de esteira permitiria atravessar as trincheiras e o peso das máquinas destruiria todos os obstáculos de arame farpado. Quarenta ou cinquenta dessas máquinas, preparadas secretamente e colocadas em posição ao cair da noite, poderiam quase certamente avançar para as trincheiras inimigas, esmagando todos os obstáculos e varrendo as trincheiras com suas metralhadoras e com granadas lançadas por cima. Conseguiriam assim muitos points d’appui para que as tropas de apoio da infantaria britânica pudessem avançar e reunir-se a eles. Podem então continuar para atacar a segunda linha de trincheiras.. (<pg. 319-320)
Mas foi somente em janeiro que a denominação tanque surgiu nesta forma e por um motivo prosaico. Ele seria:
um veículo blindado que transportasse armamento e pudesse ultrapassar obstáculos, trincheiras e arame farpado. […] um “navio terrestre” [...]. Para confundir supostos espiões, chamou os veículos de “caixas d’água para a Rússia”, mas, quando foi sugerido que poderiam vir a ser conhecidos como “banheiros para a Rússia”, o nome foi mudado para “tanques de água” e abreviado para “tanques”. (<pg. 325)


CONTINUA

TEXTO: VALE A LEMBRANÇA 3




QUEDA DE JERUSALÉM
No ano 70 d.C., as tropas romanas comandadas pelo General Tito, invadiam Jerusalém, iniciando a destruição da cidade, inclusive do Templo de Salomão, reconstruído décadas antes por Herodes, o Grande.
A tomada da cidade colocava, na prática, ponto final à Grande Revolta Judaica, iniciada quatro anos antes, em 66 d.C., quando os judeus se revoltaram contra a ordem de tomada de parte do tesouro do templo, expedida pelo Procurador da Judeia Géssio Floro, representante de Roma.
Os judeus se recusaram a entregar o tesouro e a retaliação romana consistiu na autorização de saque de parte de Jerusalém e na crucificação de alguns judeus eminentes.
Em resposta à repressão, a revolta estourou. Liderados por Eleazar, os revoltosos tomaram o templo e a Torre Antônia anexa, massacrando as tropas romanas mesmo após terem se rendido.
Outras fortalezas foram tomadas, tropas massacradas ou cercadas em Massada, Chipre, Macero e Ascalão.
O Templo de Herodes e a Fortaleza Antônia anexa, no alto à direita.
A primeira força enviada por Roma contra os rebeldes, liderada pelo recém-nomeado Governador da Síria, Caio Céstio Galo, foi dizimada e os sobreviventes se refugiaram na capital da Judeia, Cesareia.
O Imperador Nero enviou, então, Tito Flávio Sabino Vespasiano (Tito pai) à frente de uma força tarefa e substituiu Galo por Caio Licínio Muciano.
Vespasiano marchou para a judeia mas evitou Jerusalém, deixando que os judeus revoltosos, divididos em facções, e que travavam luta fratricida, se enfraquecessem mutuamente. Enquanto isso ele foi retomando o controle do restante da província.
Quando chegou o momento de atacar Jerusalém, a tarefa coube a outro Tito (o filho de Vespasiano, já que este viajara a Roma onde foi aclamado Imperador após a morte de Nero).
Tito filho cercou Jerusalém, posicionando três legiões no lado oeste e enviando uma legião para o Monte das Oliveiras, cortando as rotas de alimentação e fornecimento de água para a cidade.
Flavio Josefo narra o horror que este cerco trouxe aos moradores da capital:
É então um caso miserável, uma visão que até poria lágrimas em nossos olhos, como os homens agüentaram quanto ao seu alimento ... a fome foi demasiado dura para todas as outras paixões... a tal ponto que os filhos arrancavam os próprios bocados que seus pais estavam comendo de suas próprias bocas, e o que mais dava pena, assim também faziam as mães quanto a seus filhinhos... quando viam alguma casa fechada, isto era para eles sinal de que as pessoas que estavam dentro tinham conseguido alguma comida, e então eles arrombavam as portas e corriam para dentro... os velhos, que seguravam bem sua comida eram espancados, e se as mulheres escondiam o que tinham dentro de suas mãos, seu cabelo era arrancado por fazerem isso... (Guerras dos Judeus, livro 5, capítulo 10, seção 3).
Quando as tropas romanas conseguiram destruir partes da muralha de Jerusalém, a cidade foi invadida, a Fortaleza Antônio retomada, o Templo de Salomão destruído e seus tesouros saqueados, segundo Sulpício Severo por ordem de Tito, o que é negado por Flavio Josefo, alegando que não foi possível conter a fúria dos soldados romanos.
Ainda segundo Josefo, “foram levados cativos durante toda esta guerra foi verificado ser noventa e sete mil...”. Tito recebeu o título de Imperator mas recusou a coroa de oliveira, menosprezando assim o valor de seus adversários.

A Fortaleza de Massada. 

À direita (rocha mais clara)a rampa construída pelos romanos.

A guerra ainda duraria mais três anos, embora boa parte desse tempo fosse gasto apenas no cerco a Massada, fortaleza de difícil acesso construída por Herodes, o Grande, e ocupada por rebeldes sicários e suas famílias, que terminaram por cometer suicídio coletivo quando a queda da fortaleza era iminente.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_guerra_judaico-romana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Destrui%C3%A7%C3%A3o_de_Jerusal%C3%A9m
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Massada
http://www.estudosdabiblia.net/2002322.htm
http://www.arqnet.pt/portal/calendario/agosto.html

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Francesco_Hayez_017.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=u7dPf35D4X0
http://blogs.universal.org/bispomacedo/2016/05/28/a-revolta-judaica/
http://vexilla-regis.blogspot.com.br/2015/11/blood-sacrifice-new-temples-perfect_19.html









COROAÇÃO DE ELIZABETH I DA INGLATERRA
Em um dia 15/01 como hoje, em 1559, Elizabeth Tudor era coroada Rainha da Inglaterra e Irlanda na Abadia de Westminster, após a morte de Maria I, sua meia irmã.
Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth nasceu na linha de sucessão ao trono inglês, mas lá permaneceu apenas por dois anos e meio, até a execução de Ana Bolena a mando do rei, quando foi declarada filha ilegítima.
Henrique VIII e Ana Bolena
Quando Henrique VIII morreu, em 1547, foi sucedido por seu filho com Joana Seymour, Eduardo VI que governou por apenas seis anos e, por sua vez, nomeou sua prima Joana Grey como sucessora, ignorando as reivindicações de Maria e Elizabeth.
Mas o reinado de Joana foi curto, durando apenas nove dias. Quando o Conselho Privado Real retirou-lhe o apoio, transferindo-o para Maria, Joana foi presa e condenada à morte, sendo executada no ano seguinte.
Maria, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, sucedeu Joana e governou por cinco anos sem, contudo, gerar um herdeiro, o que recolocou Elizabeth na linha de sucessão ao trono.
Maria e Elizabeth
Como Maria era católica e Elizabeth era protestante, a religião foi foco de atritos entre ambas, fazendo-as o ponto de apoio para os quais convergiam os mais diversos interesses partidarizados.
Maria quase condenou a meia irmã à morte após a Rebelião de Wyatt em 1554, mas Elizabeth se defendeu muito bem e foi inocentada pelos rebeldes, de modo que apenas foi posta em prisão domiciliar até a morte da rainha, o que ocorreu em 17/11/1558.
Residência onde Elizabeth cumpriu prisão domiciliar.
Elizabeth, que tinha 25 anos quando se tornou rainha e já gozava de grande popularidade entre o povo, comprometeu-se em fazer um governo apoiado em “...bons conselhos e consultas.”
No campo mais explosivo, o religioso, Elizabeth se manteve protestante, mas adotou vários símbolos católicos, cultivou a imagem de virgem, afastou-se dos radicais puritanos e revogou as leis que permitiam a perseguição religiosa.
Abadia de Westminster


Como uma das maiores representantes do absolutismo inglês, a Rainha Virgem reinou por 44 anos e durante seu governo a Inglaterra se tornou uma potência marítima e cultural, sobretudo pela estabilidade proporcionada. 


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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_I_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VIII_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VI_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joana_Grey
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_I_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Wyatt_(filho)

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Westminster_Abbey_(6761119615).jpg




FIM DA GUERRA DE CANUDOS, A “AMEAÇA” SERTANEJA
O Arraial de Canudos surgiu num contexto de grande miséria que assolou o sertão nordestino no final do séc. XIX, aliado ao abandono do povo por parte das autoridades.
A pregação messiânica de Antônio Conselheiro, chamando as pessoas para orar e realizar obras piedosas em igrejas e cemitérios encontrou solo fértil no desespero do povo humilde do sertão, gerando respeito e fiéis. 
Em 1893 o conselheiro fundou o Arraial de Canudos em uma vila abandonada em Belo Monte, na Bahia, perto do Rio Vaza Barris.

Em Canudos as pessoas viviam do que cultivavam e criavam e, logo, já reunia cerca de 20.000 membros, a maioria ex-trabalhadores explorados dos latifúndios.
ELITE INCOMODADA E PRECONCEITO
Os latifundiários foram ficando sem mão-de-obra, a igreja foi perdendo o monopólio da fé, e logo falsas acusações tomaram conta da imprensa e dos discursos de intelectuais que pregavam que aqueles fanáticos monarquistas deveriam ser dispersados.
Em 1896 o Governo da Bahia enviou uma expedição de 100 soldados, sob comando do Tenente Manuel Pires Ferreira, para dispersar Canudos, mas eles foram derrotados.
A segunda expedição, com soldados do Exército, policiais da Bahia e jagunços contratados pelos fazendeiros também foi derrotada, apesar da posse de 2 metralhas e 2 canhões. 
Os adversários do Presidente Prudente choveram críticas sobre o governo. 

O CORONEL CORTA-CABEÇAS
Nova e maior força foi reunida sob comando do Coronel Moreira César, que cortou muitas cabeças na Revolta Federalista e prometeu a cabeça do Conselheiro na sela de seu cavalo.
Logo no primeiro ataque, porém, foi o coronel quem morreu e teve seu corpo arrastado e incendiado pelos sertanejos.
O Coronel Tamarindo então, deu uma ordem patriótica: em tempo de murici cada um por si, e os soldados fugiram sob as gargalhadas dos sertanejos. Tamarindo foi morto e deixado para secar sobre um arbusto.
A derrota alarmou o governo que, então, reuniu 10.000 soldados, 3 Generais e vários canhões para derrotar o “poderoso inimigo”. O comando coube ao General Artur Oscar. 
A QUEDA DE CANUDOS
Após 3 meses de cerco, Canudos fraquejou por falta de água e comida. Em setembro o Conselheiro morreu.
Em 05/10/1897 a cidade foi tomada dos últimos resistentes: um velho, um adolescente e dois adultos. 
O Exército escreveu ali uma das páginas mais vergonhosas de sua História. Não houve um único prisioneiro de Canudos, ninguém foi deixado vivo, homens, mulheres ou crianças.
Houve comemorações no Rio de Janeiro, mas na Bahia os estudantes de medicina protestaram.
Mais tarde os detalhes do massacre foram contados por Euclides da Cunha na obra “Os Sertões”.

Fonte e Imagens:

http://reino-de-clio.com.br/Hist-Brasil.html





COROAÇÃO DE ELIZABETH I DA INGLATERRA
Em um dia 15/01 como hoje, em 1559, Elizabeth Tudor era coroada Rainha da Inglaterra e Irlanda na Abadia de Westminster, após a morte de Maria I, sua meia irmã.
Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth nasceu na linha de sucessão ao trono inglês, mas lá permaneceu apenas por dois anos e meio, até a execução de Ana Bolena a mando do rei, quando foi declarada filha ilegítima.

Henrique VIII e Ana Bolena

Quando Henrique VIII morreu, em 1547, foi sucedido por seu filho com Joana Seymour, Eduardo VI que governou por apenas seis anos e, por sua vez, nomeou sua prima Joana Grey como sucessora, ignorando as reivindicações de Maria e Elizabeth.
Mas o reinado de Joana foi curto, durando apenas nove dias. Quando o Conselho Privado Real retirou-lhe o apoio, transferindo-o para Maria, Joana foi presa e condenada à morte, sendo executada no ano seguinte.
Maria, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, sucedeu Joana e governou por cinco anos sem, contudo, gerar um herdeiro, o que recolocou Elizabeth na linha de sucessão ao trono.

Maria e Elizabeth

Como Maria era católica e Elizabeth era protestante, a religião foi foco de atritos entre ambas, fazendo-as o ponto de apoio para os quais convergiam os mais diversos interesses partidarizados.
Maria quase condenou a meia irmã à morte após a Rebelião de Wyatt em 1554, mas Elizabeth se defendeu muito bem e foi inocentada pelos rebeldes, de modo que apenas foi posta em prisão domiciliar até a morte da rainha, o que ocorreu em 17/11/1558.

Residência onde Elizabeth cumpriu prisão domiciliar.

Elizabeth, que tinha 25 anos quando se tornou rainha e já gozava de grande popularidade entre o povo, comprometeu-se em fazer um governo apoiado em “...bons conselhos e consultas.
No campo mais explosivo, o religioso, Elizabeth se manteve protestante, mas adotou vários símbolos católicos, cultivou a imagem de virgem, afastou-se dos radicais puritanos e revogou as leis que permitiam a perseguição religiosa.

Abadia de Westminster


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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_I_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VIII_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VI_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joana_Grey
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_I_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Wyatt_(filho)
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Westminster_Abbey_(6761119615).jpg



TEXTO: VALE A LEMBRANÇA 2




DISCURSO DE MARTIN LUTHER KING
No ano de 1963, no dia 28 de agosto, o pastor protestante e líder político Martin Luther King Jr. proferia o célebre discurso “Eu Tenho um Sonho”, das escadarias do Lincoln Memorial, em Washington – EUA.
Nascido em 15/01/1929, em Atlanta – Geórgia, King participou dos movimentos civis em Montgomery - Alabama, incluindo o boicote aos ônibus, após Rosa Parks, mulher negra da cidade, se negar a dar seu lugar a um branco dentro do transporte público. O movimento foi vitorioso e logrou acabar com a discriminação racial nos transportes coletivos dos EUA.

Após esta vitória, King participou da fundação da Conferência da Liderança Cristã do Sul, movimento que praticava a desobediência civil. As ações do grupo, que geralmente atingiam os racistas onde era mais doloroso (o bolso), eram combatidas com violência pelas forças da lei, o que gerou uma onda de indignação nos EUA.
Uma dessas ações foi a Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, durante a qual King proferiu seu discurso para cerca de 200 mil pessoas.

Suas palavras, consideradas um dos mais belos discursos da História, ajudaram na aprovação do Ato de Direitos Civis de 1964 e do Ato de Direitos do Voto de 1965, nos quais a discriminação racial legalizada sofreu duríssimos golpes nos EUA.
Vejamos seu discurso abaixo, que podemos assistir no vídeo posterior:
Eu Tenho Um Sonho
“Estou feliz por estar hoje com vocês num evento que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nosso país.
Há cem anos, um grande americano, sob cuja simbólica sombra nos encontramos, assinou a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um grande raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para pôr fim à longa noite de cativeiro.
Mas, cem anos mais tarde, devemos encarar a trágica realidade de que o negro ainda não é livre. Cem anos mais tarde, a vida do negro está ainda infelizmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação.
Cem anos mais tarde, o negro ainda vive numa ilha isolada de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o negro ainda definha nas margens da sociedade americana estando exilado em sua própria terra. Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramatizar essa terrível condição.

De certo modo, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam a assinar uma nota promissória da qual todo americano seria herdeiro. Essa nota foi uma promessa de que todos os homens teriam garantia aos direitos inalienáveis de “vida, liberdade e à procura de felicidade”.
É óbvio que a América de hoje ainda não pagou essa nota promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar esse compromisso sagrado, a América entregou ao povo negro um cheque inválido devolvido com a seguinte inscrição: “Saldo insuficiente”.
Porém recusamo-nos a acreditar que o banco da justiça abriu falência. Recusamo-nos a acreditar que não haja dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidade desse país. Então viemos para descontar esse cheque, um cheque que nos dará à vista as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.
Viemos também para este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é hora de se dar ao luxo de procrastinar ou de tomar o remédio tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da democracia.
Agora é hora de sair do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial. Agora é hora de retirar a nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a sólida rocha da fraternidade. Agora é hora de transformar a justiça em realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência desse momento. Esse verão sufocante da insatisfação legítima do negro não passará até que chegue o revigorante outono da liberdade e igualdade. Mil novecentos e sessenta e três não é um fim, mas um começo. E aqueles que creem que o negro só precisava desabafar e que agora ficará sossegado, acordarão sobressaltados se o país voltar ao ritmo normal.
Não haverá nem descanso nem tranquilidade na América até o negro adquirir seus direitos como cidadão. Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir os alicerces do nosso país até que o resplandecente dia da justiça desponte.

Há algo, porém, que devo dizer a meu povo, que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça: no processo de ganhar o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de atos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio. Devemos sempre conduzir nossa luta no nível elevado da dignidade e disciplina.
Não devemos deixar que o nosso protesto criativo se degenere na violência física. Repetidas vezes, teremos que nos erguer às alturas majestosas para encontrar a força física com a força da alma.
Esta nova militância maravilhosa que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos irmãos brancos, como se vê pela presença deles aqui, hoje, estão conscientes de que seus destinos estão ligados ao nosso destino.
E estão conscientes de que sua liberdade está intrinsicamente ligada à nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder.
Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: “Quando é que ficarão satisfeitos?” Não estaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos indescritíveis horrores da brutalidade policial. Jamais poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados com as fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso aos hotéis de beira de estrada e das cidades.

Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto nossas crianças forem destituídas de sua individualidade e privadas de sua dignidade por placas onde se lê “somente para brancos”.
Não poderemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississippi não puder votar e um negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos e só estaremos satisfeitos quando “a justiça correr como a água e a retidão como uma poderosa corrente”.
Eu sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês acabaram de sair de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a sua procura de liberdade lhes deixou marcas provocadas pelas tempestades de perseguição e pelos ventos da brutalidade policial.
Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Luisiana, voltem para as favelas e guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, essa situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.
Digo-lhes hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades e frustrações do momento, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são criados iguais.”
Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia mesmo o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje.
Eu tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas cruéis, cujo governador cospe palavras de “interposição” e “anulação”, um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar-se as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje.
Eu tenho um sonho que um dia “todos os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas; os lugares mais acidentados se tornarão planícies e os lugares tortuosos se tornarão retos e a glória do Senhor será revelada e todos os seres a verão conjuntamente”.
Essa é a nossa esperança. Essa é a fé com a qual eu regresso ao Sul. Com essa fé nós poderemos esculpir na montanha do desespero uma pedra de esperança. Com essa fé poderemos transformar as dissonantes discórdias do nosso país em uma linda sinfonia de fraternidade.
Com essa fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ser presos juntos, defender a liberdade juntos, sabendo que um dia haveremos de ser livres. Esse será o dia, esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado:
Meu país é teu, doce terra da liberdade, de ti eu canto.
Terra onde morreram meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada lado das montanhas ressoe a liberdade!

E se a América quiser ser uma grande nação, isso tem que se tornar realidade.
E que a liberdade ressoe então do topo das montanhas mais prodigiosas de New Hampshire.
Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque.
Que a liberdade ressoe das elevadas montanhas Allegheny da Pensilvânia.
Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado.
Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia.
Mas não só isso; que a liberdade ressoe da montanha Stone da Geórgia.
Que a liberdade ressoe da montanha Lookout do Tennessee.
Que a liberdade ressoe de cada montanha e de cada pequena elevação do Mississippi. Que de cada encosta a liberdade ressoe.
E quando isso acontecer, quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada lugar, de cada estado e cada cidade, seremos capazes de fazer chegar mais rápido o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção espiritual negra:
Finalmente livres! Finalmente livres!
Graças a Deus Todo Poderoso, somos livres, finalmente."

Martin Luther King


Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eu_Tenho_um_Sonho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Parks
https://pt.wikipedia.org/wiki/Boicote_aos_%C3%B4nibus_de_Montgomery
http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/mundo/noticia/2013/08/confira-a-traducao-na-integra-do-discurso-feito-por-martin-luther-king-ha-50-anos-4248603.html
http://okok1111111111.blogspot.com.br/2013/08/martin-luther-king-jr-i-have-dream.html
http://www.history.com/topics/black-history/martin-luther-king-jr/pictures/martin-luther-king-jr/martin-luther-king-giving-dream-speech
http://genius.com/Martin-luther-king-jr-i-have-a-dream-annotated
http://www.sandiegouniontribune.com/news/2013/aug/28/martin-luther-king-i-have-a-dream/







CÉSAR CRUZA O RUBICÃO
Em um dia 10/01 como hoje, no ano 49 a.C., Júlio César, acompanhado da XIII Legião, atravessou o Riacho Rubicão, em Ariminum (atual Rimini – Itália), cruzando assim a fronteira italiana da época e violando a lei do Senado que proibia o ingresso de Generais e Legiões armadas na Itália.
A República Romana vivia seus momentos finais, embora parecesse restaurada após a ditadura de Sila. Quando este morreu, o poder retornou a um Senado desconectado do povo e incapaz de reassumir, de fato, o comando do império que Roma já se tornara.1
Com isso, recorreu-se ao suporte de figuras aliadas de Sila, mas capazes de reunir apoio popular, apesar de oriundas das classes dominantes. O poder passou a se concentrar em Cneu Pompeu e Marco Crasso.2
O Triunvirato
Crasso, “...general enriquecido pela compra dos bens confiscados por Sila...”3 derrotara a rebelião de Spartacus, mas tivera seu triunfo (o mais pomposo desfile militar) negado pelo Senado.4
Pompeu conquistara fama e fortuna vencendo a rebelião de Sertório, na Hispania, também vencera o Rei Mitridates e eliminara os piratas do Mar Mediterrâneo.5 Contudo os senadores estavam receosos do poder acumulado pelo general, por eles mesmos conferido, e passaram a cerceá-lo.6
Uma vez terminadas as campanhas militares, Pompeu e Crasso deveriam devolver os postos de comando, o que não fizeram. E o Senado não tinha como forçá-los sem iniciar uma guerra civil.7
Para garantir o apoio do partido popular, ambos fizeram acordo com um dos sobrinhos de Mário que conseguira escapar da perseguição de Sila. Seu nome? Júlio César!8
O acordo político dos três garantia “assistência mútua entre si para dividir o poder” entre eles mesmos e seus aliados nascendo, assim, o sistema que ficou conhecido como Primeiro Triunvirato.9
Este sistema de alianças permitiu que César chegasse ao Consulado e conseguisse, depois, o mandato para atuar na Gália. Esta guerra, como se sabe, lhe garantiu imensa riqueza e fama, equiparando-o, e até superando, seus dois parceiros de poder.
Apesar dos imensos egos que suportava, o acordo correu bem até que a morte os separou. Em 54 a.C. a esposa de Pompeu, Júlia, morreu de parto. Ela era filha de César.10 E no ano seguinte, 53 a.C., quem morreu foi Crasso, quando seu exército foi massacrado na Partia.11
Com esta morte, o equilibrio do Triunvirato acabou pois “A graça do triunvirato residia na sua inerente estabilidade, pois nenhum dos seus membros podia contra os outros dois”.12
O iminente retorno de César vitorioso e super rico da Gália fez com que seus adversários do Senado instigassem Pompeu contra ele. A estratégia consistiu, segundo Sheppard, em fazê-lo voltar a Roma sem a imunidade do cargo de Cônsul, para poder acusá-lo e derrotá-lo, apesar de um acordo ter sido aprovado “...por ampla maioria: 370 votos contra 22.13
Os 22, porém, conseguiram vetar os votos dos 370 e “O fato de os poucos senadores poderem vetar uma medida com apoio tão amplo era apenas um dos sinais do estado de deterioração das instituições democráticas de Roma.14
Lissner compara Roma a uma nau sem piloto, entregue à anarquia: “O Senado era corruptível, a Constituição estalava por todos os lados e as tribunas dos oradores estavam muitas vezes manchadas de sangue...15
Quando Pompeu finalmente aderiu aos inimigos de César, o confronto direto deixou de ser apenas uma das opções, passando a ser a única.16
Os primeiros embates da Guerra Civil, porém, ocorreram não nos campos de batalha, mas no piso do Senado. Uma série de medidas legislativas, algumas apenas de fachada, outras aprovadas e depois vetadas, resultou, por fim, na declaração de César como fora da lei.17
Com suas conquistas e a própria vida em risco, César dirigiu-se a Ariminum, onde o Rio Rubicão marcava a fronteira da Itália, na qual pela lei ele não poderia entrar liderando tropas.18
Plutarco descreve assim o momento decisivo: “Havendo, pois, chegado ao Rio Rubicão, […] parou pensativo e esteve por algum tempo meditando sobre o atrevimento de suas ações. Depois […] sem articular mais palavras do que esta expressão […] - A sorte está lançada...- fez com que as tropas atravessassem o rio.”19
César estava voltando pra casa!


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1    SHEPPARD, Si. Grandes Batalhas - Farsália 48 a.C. César contra Pompeu. Osprey – Espanha 2010. pg. 10
2      Idem
3    MENDES, Norma Musco. Roma Republicana. São Paulo: Ática, 1988. pg. 67
4    BRANDÃO, José Luís (coord.); OLIVEIRA, Francisco de (coord.). História de Roma Antiga volume I: das origens à morte de César. Coimbra-Portugal: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015. pg.373
5    GRIMAL, Pierre. História de Roma. Trad. Mª L. Loureiro. São Paulo: UNESP , 2011. pg. 106
6    (MENDES: 1988) pg. 67
7    (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.373
8    (MENDES: 1988) pg. 67
9    (GRIMAL: 2011) pg. 111
10  SUETONIUS. Roma Galante – pg. 16
11  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.384
12  (SHEPPARD: 2010) pg. 11
13  BRUNS, Roger. Os Grandes Líderes – Júlio César. São Paulo: Nova Cultural, 1988. pg. 64
14    Idem
15  LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964. pg.79
16  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.385
17  (SHEPPARD: 2010) pg. 12-16
18  Ibid. pg. 16
19  PLUTARCO. Vidas Paralelas - Tomo V - Pompeyo: LX






NO CAMINHO DA ABOLIÇÃO
Nesta data, no ano de 1871, era promulgada a Lei do Ventre Livre, que libertava todos os filhos de escravos nascido a partir daquele dia. Catorze anos depois (1885), na mesma data, era aprovada a Lei dos Sexagenários, que libertava todos os escravos que atingissem a idade de 65 anos.
A Lei do Ventre Livre foi fruto de uma antiga pressão diplomática da Inglaterra, que pretendia fazer surgir um mercado consumidor bem maior para seus produtos através da criação de uma grande classe assalariada no Brasil. Claro que isso não era mencionado, preferindo-se o argumento de que a escravidão era uma abominação desumana.
A pressão inglesa veio também pela força das armas pois, com a aprovação do Slave Trade Suppression Act (Ato de Supressão do Comércio de Escravos), mais conhecido como Lei Bill Aberdeen (08/08/1845), a marinha real britânica passou a abordar os navios negreiros.
Essa medida, vista como uma intromissão indevida na soberania nacional, levou à aprovação da Lei Eusébio de Queirós em 04/09/1850, que proibia o tráfico internacional de escravos para o Brasil.
A lei, apesar de conter uma intenção mais de aparência do que de efetividade, logrou reduzir bastante a entrada de escravos vindos da África. Mas isso fez aumentar o comércio interno de escravos, entre as províncias, o que não satisfazia as intenções inglesas.
Por longos anos o país se bateu no dilema entre a questão humana e econômica até que a libertação dos filhos de escravos foi visto como uma forma lenta e segura de caminhar para o fim da escravidão sem grandes prejuízos econômicos para os donos de escravos.
A Lei nº 2040 foi, após meses de discussões e aprovação da Câmara, aprovada no Senado por 65 votos contra 45, a maioria destes últimos dados por representantes dos produtores de café de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A Lei do Ventre Livre desagradou aos escravagistas, pela perda de patrimônio futuro, e aos abolicionistas mais radicais, pois não resolvia o problema de imediato.
O passo seguinte só foi dado catorze anos depois, quando foi aprovada a lei que libertava os escravos de 60 anos (após mais três anos de trabalho compensatório a seus proprietários) e imediatamente os escravos com 65 anos.
O projeto foi apresentado por Souza Dantas do Partido Liberal em 15/07/1884 e a oposição a ele foi tamanha que gerou uma crise que acabou com a dissolução da Câmara.
Quem recolocou a ideia novamente em pauta foi o novo Presidente do Conselho de Ministros, o Barão de Cotegipe (João Maurício Wanderley). Ele negociou um novo projeto, apresentado pelo Senador José Antônio Saraiva, com as mudanças de idade e indenização. Ambos eram membros do Partido Conservador.
A estratégia de Cotegipe para conseguir os votos conservadores necessários ao novo projeto foi fazer-lhes ver a aprovação sob aquelas bases menos desfavoráveis como uma forma de calar a propaganda abolicionista. A lei foi aprovada e promulgada em 28/09/1885.
Na prática, a nova lei, somada a anterior, colocava um marco temporal para o fim da escravidão no Brasil: quando o último escravo completasse 65 anos, o que se daria, no mais tardar, em 1936, sem contar as eventuais (e muitas) fraudes. Mas, felizmente, os abolicionistas queriam mais. E conseguiram! Menos de três anos depois era aprovada a Lei Áurea.
Para conhecer o texto da Lei do Ventre Livre clique aqui.
Para conhecer o texto da Lei dos Sexagenários clique aqui.

Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_do_Ventre_Livre
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Aberdeen
http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/08/31/lei-dos-sexagenarios-completa-130-anos
http://www.historia.uff.br/curias/modules/tinyd0/index.php?id=14
http://blackpagesbrazil.com.br/?p=2119
http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=Escravos&lang=3