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sexta-feira, 21 de julho de 2017

WILLIAM WALLACE DERROTADO EM FALKIRK



WILLIAN WALLACE DERROTADO...
No dia 22 de Julho de 1298, na Batalha de Falkirk, as tropas do Rei Inglês, Eduardo I – Longshanks, derrotava as tropas escocesas, lideradas por Willian Wallace.
A História se passa de forma bem diferente do que mostrado no maravilhoso filme (apenas um filme) de Mel Gibson.
Eduardo I fora chamado pelos próprios escoceses, em 1291, para arbitrar a disputa pelo trono escocês, que era pretendido por vários nobres, entre eles Robert de Bruce e John Balliol.


O trono escocês estava vago pois o rei anterior, Alexandre III, falecera em 1286 sem deixar herdeiro homem. Sua neta, Margarida, então com três anos, herdaria o trono e estava prometida em casamento para o filho do rei inglês.
Mas Margarida morreu, de modo que Eduardo Longshanks fez exigências que tornavam a Escócia, na prática, reino vassalo da Inglaterra. O Rei Escocês escolhido no tribunal foi John Balliol, que aceitou a sujeição aos ingleses.

Estátua de William Wallace

Isso fez dele muito impopular na Escócia. Mas, diante das exigências cada vez maiores de Eduardo I, John fez aliança secreta com o Rei da França, Felipe o Belo. Quando Eduardo Longshanks descobriu invadiu a Escócia. A despeito de ter abraçado a causa de seu país, John Balliol não conseguiu reunir um exército forte e acabou renunciando. A guerra continuou sob a liderança de Andrew Moray e William Wallace.
Ambos conseguiram uma importante vitória na Batalha da Ponte de Stirling, mas Andrew morreu de um ferimento e Wallace assumiu sozinho o comando das tropas.


Nomeado Guardião da Escócia, Wallace passou a invadir e saquear o Norte da Inglaterra até que Eduardo I reagiu avançando país adentro rumo à capital, Edimburgo. Wallace posicionou suas tropas perto da cidade de Falkirk, para impedir esse avanço.
O exército de Wallace se posicionou com longas lanças fincadas no chão e com isso resistiu muito bem à cavalaria inglesa. Mas a própria cavalaria escocesa fugiu em meio ao combate, exatamente como mostrado no filme.
Assim, a posição defensiva de Wallace, que funcionara contra a cavalaria, tornou-se uma armadilha, pois era uma posição estática que acabou cercada e atacada pelos arqueiros ingleses. Vitória arrasadora de Longshanks.


Wallace fugiu para prosseguir na luta, mas foi capturado e morto em 1305. A guerra ainda perduraria vários anos. Eduardo Longshanks morreu em 1307 e seu filho, Eduardo II, prosseguiu a luta, mas foi derrotado na Batalha de Bannockburn em 1314.
Agora a Escócia estava em vantagem e voltou a invadir o Norte da Inglaterra. Eduardo II morreu em 1327 e em 01/05/1328, através do Tratado Edimburgo-Northampton, os ingleses reconheceram a vitória e independência da Escócia, com Robert de Bruce como Rei.


Fontes e Imagens:

http://pt.encydia.com/es/Batalha_de_Falkirk

https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Falkirk_(1298)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_de_independ%C3%AAncia_da_Esc%C3%B3cia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_IV_de_Fran%C3%A7a

https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Wallace

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_I_de_Inglaterra

http://www.film4.com/reviews/1995/braveheart

http://unisci24.com/197245.html

https://plentyoftweed.wordpress.com/history-vs-hollywood-episode-2-braveheart/

https://www.youtube.com/watch?v=fDb9hHLyFME

http://sixseeds.patheos.com/watchinggod/2014/09/braveheart-a-different-sort-of-freedom/

quarta-feira, 19 de julho de 2017

AS BRUXAS DE SALÉM

CAÇA ÀS BRUXAS EM SALÉM
Em um dia 19/08, no ano de 1692, ocorriam as execuções por enforcamento de Martha Carrier, George Jacobs Sr., George Burroughs, John Willard e John Proctor, acusados e condenados por prática de bruxaria.
A Vila de Salém, atual cidade de Danvers em Massachusetts, era habitada por puritanos fugidos da perseguição religiosa na Europa. Eles viviam sob leis bíblicas em um tempo de raro conhecimento científico e muita superstição.

Também eram comuns as desavenças internas, nas quais os membros constantemente entravam em disputa pela posse de terras, por estabelecimento de limites, etc, bem como disputas com a vizinha Cidade de Salém, que mantém o nome até hoje. 
Acima e abaixo, sítios onde ficavam as antigas construções de Salém.

O Reverendo, ou Primeiro Ministro, cargo mais importante da comunidade por conta de sua autoridade religiosa, era escolhido pelos moradores que deveriam pagar a ele uma taxa anual, o que por vezes não ocorria, levando a renúncias ao cargo. Quando Samuel Parris assumiu o posto ele era o quarto a ocupar o cargo.

Os problemas começaram em fevereiro de 1692, quando Betty Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, respectivamente filha e sobrinha do Reverendo Samuel Parris, começaram a apresentar comportamento agressivo, emitir sons estranhos e a ter espasmos violentos, sintomas hoje reconhecidos como oriundos da provável contaminação por um fungo. 
A casa onde a bruxaria começou em foto do século XIX.
O médico consultado, sem encontrar resposta, afirmou que as meninas estavam enfeitiçadas e logo outras meninas da vila passaram a apresentar os mesmos sintomas. Dai para a histeria coletiva foi um pequeno passo, principalmente porque poucos anos antes, em 1689, um livro sobre feitiçaria, descrevia sintomas semelhantes, relacionando-os à ação de feiticeiras.

Quando foram examinadas e interrogadas as meninas acusaram a escrava do reverendo Parris, Tituba, além de “Sarah Good, uma moradora de rua; e Sarah Osborne, uma idosa pobre.[1]
Obviamente nenhuma das acusadas era bruxa, mas, com objetivo de escapar da forca, a escrava Tituba confessou e ainda afirmou ter feito pacto com o demônio. Quando Martha Corey, uma cristã muito devota e frequentadora dos cultos, foi acusada, o pânico se instalou pois agora qualquer um poderia estar sob influência direta do cramunhão tinhoso!

Qualquer comportamento minimamente fora dos padrões, marcas de nascença e cicatrizes pelo corpo passaram a ser motivo de denúncia e até Dorothy Good, de míseros 4 anos de idade, foi detida e interrogada! Testemunhas de defesa não eram admitidas! 
Certamente não descartamos o uso destas denúncias como estratégia para livrar-se de inimigos ou adversários, o que sempre ocorre nestes casos.
Em Maio daquele ano Massachusetts teve um novo governador nomeado, Sir William Phips, que instaurou um tribunal para processar e julgar os casos de Salém. 
Samuel Parris e William Phips.
Entre 200 e 300 pessoas foram acusadas de bruxaria. A primeira a ser condenada foi Bridget Bishop, enforcada em 10 de junho, seguida de outras 18 vítimas até 22 de setembro. 
O enforcamento de Bridget Bishop.


Execução de Giles Corey, esmagado por pedras.
Em 29 de outubro o governador dissolveu o tribunal proibindo novas prisões e libertando vários acusados.

Quando outro tribunal foi instalado, no ano seguinte, quase todos os que ainda permaneciam presos foram inocentados e libertados. 
Acima e abaixo, documentos do processo contra as Bruxas de Salém.

Quando o leitor se deparar com pessoas defendendo que nosso país seja governado por uma lei religiosa, ou atacando alguém por sua prática de fé, lembre-se do caso das Bruxas de Salém, onde fé e ignorância levaram tantos inocentes à morte. 


[1]  A bizarra história por trás das famosas Bruxas de Salem
https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm

Fontes e Imagens:
http://andandonolimbo.blogspot.com.br/2012/07/verdadeira-historia-das-bruxas-de-salem.html
https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-foram-e-como-morreram-as-bruxas-de-salem/
http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/bruxas-de-salem.html
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/feiticeiras.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_Salem_witch_trials
https://en.wikipedia.org/wiki/Salem_witch_trials


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terça-feira, 18 de julho de 2017

QUEDA DE TENOCHTITLÁN


QUEDA DE TENOCHTITLÁN
No ano de 1521, provavelmente no dia 13 de agosto, ocorria a queda da grande cidade asteca de Tenochtitlán, tomada pelos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortéz.
Os Astecas, também chamados Mexicas, viveram onde hoje é o México e o auge de sua civilização foi entre os séculos XIV e XVI.

Os mexicas, originários de Aztlán, chegaram às margens do lago Texcoco, vindos de Chapultepec, de onde haviam sido expulsos. Junto ao lago se estabeleceram e formaram uma aliança de três cidades que viria a dominar o futuro Império Asteca: Texcoco, Tiacopan e Tenochtitlán.
A sociedade asteca era formada pelo Imperador e Chefe Militar (eleito), sacerdotes, demais chefes militares, artesãos, trabalhadores urbanos e camponeses. Uma outra divisão comumente aceita pela historiografia era entre nobres (pipiltin), camponeses, (calpulli) e o povo, (macehualtin). Os pochtecas eram os comerciantes, que viajavam e faziam as vezes de espiões para o governante.

A região onde se estabeleceram os astecas era alagada, mas eles desenvolveram técnicas agrícolas impressionantes, construindo ilhas de cultivo, denominadas Chinampas, canais de drenagem e aquedutos que traziam água das montanhas.
A própria cidade de Tenochtitlán, que possuia templos imensos, largas e retas avenidas, foi construída no meio de um pântano!
Os astecas também se desenvolveram imensamente nas artes, confeccionando ricos tecidos, trabalhando com ouro e prata, realizando grandes avanços na pintura e também na matemática, astronomia e criando uma escrita pictórica.
Eles eram politeístas, adoravam os astros e as forças da natureza e realizavam sacrifícios humanos em larga escala.

Em 1519, ano da chegada dos espanhóis, residiam cerca de 300 mil pessoas em Tenochtitlán e a cidade jamais seria tomada por menos de 700 europeus, mesmo que reforçados por aliados, se antes não tivessem aberto as portas a eles. Quando tentaram voltar atrás já era tarde.
O Imperador Asteca, Montezuma, recebeu e hospedou os espanhóis com grande deferência quando estes se apresentaram como representantes do Rei da Espanha, Carlos I. Nestes primeiros contatos, os espanhóis já deixaram atrás de si o principal inimigo que haveria de ajudar na dizimação dos astecas: a varíola.
Quando a guerra veio, os europeus se fortaleceram fazendo alianças com povos rivais dos astecas, para o que contaram com a ajuda da índia Malinche, que era tradutora dos espanhóis e se tornou amante de Cortéz.
Tenochtitlán foi cercada durante sete meses, mas o armamento superior dos espanhóis e o enfraquecimento dos astecas por conta das doenças, fez com que a resistência chegasse a um fim. Mais um genocídio europeu nas Américas estava começando.
Fontes:
http://reino-de-clio.com.br/Hist-Geral.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Tenochtitlan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_do_Imp%C3%A9rio_Asteca

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Conquest_of_Tenochtitlan.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=hKeTFa4m7cQ
http://www.dailystormer.com/the-history-of-the-conquest-of-mexico-the-battle-on-the-causeway-and-the-fall-of-tenochtitlan/
https://ensaiosfragmentados.com/2013/05/09/tenochtitlan-o-planejamento-urbano-asteca/
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VITÓRIA CRISTÃ EM ROMA - 2

COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA - II
O status de Roma como capital estava, à época, abalado, considerando que vários imperadores pouco permaneciam na cidade, diante da necessidade de suas presenças em diferentes pontos de crise do império.
Segundo Lissner2, Diocleciano, por exemplo, manteve sua corte em Nicomédia e seus antecessores mais próximos, de reinados muito curtos, nem chegaram a pisar em Roma enquanto imperadores. Foram nomeados e mortos fora da capital:
Roma, a cidade caprichosa, mimada, cruel, empanturrada de triunfos, a cidade das arenas, dos teatros e das termas grandiosas, entrava na sombra. (pg. 453)
Neste período, o título “César” já não se aplicava ao Imperador propriamente, que utilizava o título de Dominus (Senhor), acompanhado de Augustus.
Lissner informa que, em 285 d.C., Diocleciano nomeou Maximiniano como César, encarregando-o de governar a Gália e, no mesmo ano, concedeu-lhe o título de Augustus, fazendo-o Co-Imperador. (pg. 452)
O Império Romano tornava-se, novamente, uma diarquia, experiência que não era nova. E a parceria deu excelentes resultados, como a vitória sobre os “... burgúndios, os alemães, os francos, os sármatas, os godos e os árabes.”(pg. 453)
Apesar disso, Diocleciano percebeu que seria preciso descentralizar ainda mais o governo e nomeou dois Césares, um para cada Augusto. Na prática, cada imperador ganhava um auxiliar de luxo.
Os nomeados foram Galério, César de Diocleciano, enviado à Gália, e Constâncio Cloro, César de Maximiniano, enviado ao Sul do Danúbio.
Diocleciano - Maximiniano - Galério - Constâncio Cloro
Nesse novo arranjo, cada Augusto adotou seu César como filho, tornando-os sucessores. Para tal estes foram obrigados ao divórcio e ao casamento com as filhas dos imperadores.
Também foi fixado um prazo de vinte anos para que os Augustos pudessem renunciar em favor dos Césares. O trabalho tornou-se bem mais organizado e rendeu excelentes frutos. O império respirava novamente.
Continua...


2 LISSNER, Ivar, Os Césares - Apogeu e Loucura: Trad. de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.

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CÉSAR x POMPEU - O CONFRONTO FINAL!

A BATALHA DE FARSÁLIA
Em um dia 09/08, no ano de 48 a.C., ocorria o confronto final entre Júlio César e Pompeu, que disputavam o poder sobre a República de Roma, que na prática deixaria de existir a depender do resultado daquela batalha, travada na Grécia, e do comportamento de seu vencedor. 
A Batalha de Farsália, ou Farsalos, foi parte da Guerra Civil iniciada por conta do boicote e da perseguição de uma parte do Senado contra César, no final da Guerra na Gália. 
Pompeu, o mais proeminente, poderoso e popular cidadão da facção senatorial anti César, e membro do Primeiro Triunvirato que fora desestabilizado pela morte de Crassus, liderou essa disputa pelo poder, deixando a César, como única opção viável, a reação.
O que Pompeu e o Senado não esperavam é que a reação de César fosse tão rápida e radical. Ele violou a Lei que proibia a entrada de generais acompanhados por tropas no território da Itália e marchou para Roma sem que Pompeu tivesse tempo de mobilizar tropas suficientes para barrar-lhe o caminho. Só restou-lhes a fuga! Em pouco tempo, porém, Roma estaria novamente em guerra!
O campo de batalha visto a partir do Leste, nas imediações de Paleofarsália.
Após seu retorno da Gália e da travessia do Rubicão, César conquistara Roma sem batalha, mas correra em perseguição a Pompeu, que conseguiu escapar do cerco em Brindisi, levando a guerra para o solo grego/macedônico.
Com muito mais recursos humanos e materiais, Pompeu se dava ao luxo de evitar um confronto direto, optando por minar as forças de seu adversário.
A vitória de Pompeu em Dirráquio obrigara César a fugir, apresentando-se o momento em que Pompeu deveria persegui-lo, o que ele até fez, mas interrompeu logo depois.
Quando a perseguição recomeçou e César estacionou suas tropas em Paleofarsália (não Farsália, que fica bem ao sul do campo de batalha), não demorou para que os exércitos ficassem frente a frente. Estava para começar o confronto direto que César sempre desejara e que decidiria o destino dos dois titans romanos.
César reuniu suas forças com as que escaparam de Pompeu em Dirráquio e chegou à planície de Tessália, onde encontrou campos cheios de trigo. A cidade de Gomphos, ou Gomphi1 recusou-se a atendê-lo e foi cercada.  
Na ocasião César falou aos soldados das vantagens de saquear uma cidade bem abastecida como aquela e “...aproveitando o entusiasmo extraordinário dos soldados, no mesmo dia de sua chegada pôs-se a atacar a cidade […] entregou-a à pilhagem dos soldados.2
Esta ação de César, pondo de lado a clemência, acabou fazendo com que Metrópolis3, a próxima cidade do caminho, fosse bem mais receptiva, assim como as demais cidades da região.4
Acima: à esquerda a região intermediária entre as atuais Gomfoi e Paleomonastiro, onde acreditamos ter sido localizada a antiga Gomphi. À direita a periferia de Mitropoli que acreditamos ser, obviamente, a antiga Metrópolis.
Abaixo: à esquerda a pequena Krini, a antiga Paleofarsália a oeste do campo de batalha. À direita a Igreja Ortodoxa Grega de Farsália, bem ao Sul do campo de batalha.
Seguindo sua marcha, César chegou à região de Paleofarsália (atual Krini – e não Farsália, mais ao sul e que mantém o nome), acampando às margens do Rio Enipeas. Pompeu também chegou à região e acampou próximo a elevações de onde podia observar vasta área.5
Acompanhando as formas geométricas brancas de cima para baixo: o primeiro elipse é o acampamento de Pompeu, logo abaixo, os primeiros três retângulos são suas tropas. Frente a eles as tropas de César, com um traço diagonal representando sua reserva contra a cavalaria inimiga. No círculo a localização de Paleofarsália e o segundo elipse aponta o acampamento de César. A seta indica a direção de Farsália, que ficou com a fama, mas nem aparece no mapa!
Em 09/08/48 a.C., finalmente as forças de Pompeu avançaram em direção ao acampamento de César. Eram compostas por 47 mil homens e 6.700 cavaleiros.6
César possuía cerca de 22 mil homens e mil cavaleiros e quando as infantarias ficaram frente a frente, as linhas de Pompeu eram bem mais robustas.7
Tendo o Rio Enipeas à esquerda de César e direita de Pompeu, o grosso das cavalarias foram posicionadas no lado oposto de cada um. Mas César posicionou dois mil soldados da infantaria em uma linha diagonal, atrás de sua cavalaria, oculta das vistas de Pompeu, mas prontas a entrar em combate quando a cavalaria mais numerosa deste avançasse, impedindo-os, assim, de cercar sua infantaria.8
Quando o confronto começou de fato, a cavalaria de Pompeu avançou a galope, mas a infantaria permaneceu parada, a esperar a chegada das tropas de César.9
Pompeu queria manter a coesão de suas forças e desorganizar as tropas de César pela caminhada quando “...estariam sem fôlego e exauridos de cansaço.”10
Mas as tropas de César não caíram na armadilha da correria. Avançaram em intervalos, reagrupando e descansando e, quando chegou o momento, atacaram.11
Pompeu usou tudo que tinha, mas César, apesar de estar em menor número, manteve reservas e, mesmo com a vantagem ainda maior que isso proporcionava ao adversário, as linhas de ambos os lados resistiam.12
Acima: à esquerda o Rio Enipeas nas proximidades do campo de batalha. À direita a vista dos montes onde acampou Pompeu, a partir da área do acampamento de César.
Abaixo: à esquerda uma vista mais próxima dos montes onde Pompeu montou seu acampamento. À direita o campo de batalha visto da área logo abaixo do mesmo acampamento.
A decisão, então, só poderia vir do confronto de cavalarias. Quando a mais numerosa cavalaria de Pompeu começou a ter vantagem, César ordenou o recuo da sua. Acreditando na vitória, as forças adversárias começaram a se dividir para cercar a infantaria de César por trás.13
Neste momento, a infantaria obliqua de César recebeu ordem de ataque. Os legionários investiram ferozmente assustando cavalos e atacando o rosto dos cavaleiros com suas lanças e, surpresa das surpresas, a infantaria de César venceu a cavalaria de Pompeu, que se colocou em fuga.14
Uma vez liberada, a cavalaria de César pôde cuidar das tropas de arqueiros de Pompeu e as reservas que tinha entraram no combate pelo flanco esquerdo, onde antes estava a cavalaria fugitiva. As tropas menores cercavam as tropas maiores!15
Sem reservas para colocar em combate, Pompeu viu suas legiões abandonarem a luta para escapar de um massacre. Foram recuando lentamente até refugiarem-se nas colinas próximas do acampamento, para onde seu comandante já se havia retirado. Vitória de César!16
César vencera a batalha decisiva da Guerra Civil. Mas, mesmo com a vitória assegurada, ele não agia como Pompeu e queria liquidar a partida, queria a vitória total, de modo que avançou seu exército para o acampamento adversário, invadindo-o e tomando-o. Pompeu e seus seguidores fugiram, assim como as tropas remanescentes.17
César colocou suas forças em perseguição e conseguiu cercar os restos do exército de Pompeu na atual localidade de Kiparissos, uma colina que foi cercada na base leste, cortando o acesso a um riacho. Sem água e sem líderes, o restante das forças de Pompeu se renderam na manhã de 10 de agosto de 48 a.C.18
A Guerra Civil ainda duraria quase 3 anos, mas a Batalha de Farsália foi, a nosso ver, decisiva. Não há um consenso absoluto sobre os motivos que levaram Pompeu a conceder a César um combate total quando seria muito mais vantajoso esperar que a fome e outros problemas minassem a força do exército deste.
O próprio César afirma que a confiança na vitória de Pompeu era tão grande que os políticos e militares romanos que o acompanhavam já se envolviam em disputas do poder que teriam ao retornar a Roma: “... todos estavam ocupados em obter cargos ou compensações financeiras, ou em dar livre curso aos seus ressentimentos pessoais...19
Para Rostovtzeff essas presenças políticas também foram motivo para a derrota de Pompeu, que não tinha total liberdade de ação, dificuldade causada “... pela presença de grande número de senadores em seu quartel-general – homens que constantemente criticavam e interferiam nas disposições do general e exigiam reuniões frequentes para discutir a situação.20
Sheppard segue na mesma linha ao afirmar que o próprio Pompeu não desejava conceder um combate direto, que foi obrigado a isso por seus companheiros “... não por vontade própria...”21
Obrigado ou não, Pompeu apostou tudo quando não precisava apostar nada. E perdeu. César manteve-se senhor de Roma e de seus vastos recursos, podendo dividir suas forças, enviando seus generais para lugares diferentes. Pompeu buscou refúgio no Egito onde acabou assassinado de forma traiçoeira.
Lissner escreve que o grande general foi apunhalado às vistas de sua esposa e filhos e que “...cobriu o rosto com sua toga. Não pronunciou uma palavra e nenhuma queixa lhe saiu da garganta.22
Quando, na perseguição, César chegou ao Egito, foi-lhe entregue a cabeça de seu maior rival, “Profundamente perturbado, César cobriu a face e chorou.23

1   Sheppard afirma que é a atual Paleo Episkopi (que não localizamos nos mapas da região), mas nós acreditamos que a antiga cidade pode ser a atual Gomfoi ou Paleomonastiro.
2   CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 80. pg. 273
3   Sheppard afirma que é a atual Paleo Kastro (que localizamos ao norte de Gomfoi e não ao sul como deveria ser. Nós acreditamos que a antiga cidade é a atual Mitropoli, ou Paleoklisi.
4   CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 81. pg. 273-275
5   (SHEPPARD: 2010) pg. 53
6   Ibid pg. 56
7   Ibid. pg. 56-60
8   CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 88-89. pg. 281-283
9   Ibid. Livro III: 92. pg. 285
10 Idem
11 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 93. pg. 285
12 (SHEPPARD: 2010) pg. 73
13 Ibid pg. 74
14 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 93. pg. 287
15 Idem
16 Ibid. Livro III: 94. pg. 285
17 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 95. pg. 289
18 (SHEPPARD: 2010) pg. 81
19 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 83. pg. 277
20 (ROSTOVTZEFF: 1983) pg 132
21 (SHEPPARD: 2010) pg. 56
22 (LISSNER: 1964) pg. 67-68
23 Ibid. pg.68


HIROSHIMA

70 ANOS DE UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE
(Republicado)
Nos últimos dias 06 e 09 de agosto, em 2015, completaram-se 70 anos do bombardeio atômico às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A nosso ver, a manipulação da energia nuclear para fins militares e, pior ainda, o seu uso efetivo, foi um dos piores crimes da História humana.
Os ataques foram as últimas etapas de uma corrida iniciada anos antes, em 1939, que contrapusera o III Reich e os Estados Unidos na disputa pelo domínio da energia nuclear.
Mobilizando uma astronômica quantidade de recursos humanos e materiais, os americanos ergueram uma super-secreta base de construção em Los Álamos, no deserto do Novo México, mais as gigantescas fábricas de processamento de urânio e plutônio em Oak Ridge, Tennessee e Hanford, Washington, respectivamente.
O Laboratório de Los Álamos - Novo México.
Sob o comando militar do General Leslie Richard Groves e do Físico Julius Robert Oppenheimer, os americanos prepararam duas bombas, a Little Boy, com carga de urânio, e a Fat Man, carregada com Plutônio e alguns dos parâmetros para a seleção de alvos potenciais deixa clara a natureza sinistra do planejamento: área urbana que fosse um importante alvo estratégico, com tamanho maior que 4,8km de diâmetro.
O Físico Oppenheimer e o General Groves.
Em outras palavras, uma cidade de médio ou grande porte, bem povoada, que seria transformada em um laboratório para testar a arma e, depois, fazer a máxima propaganda de seus efeitos.
Hiroshima, com cerca de 350 mil habitantes, que era sede de várias unidades militares, que possuia um centro de comunicações e um movimentado porto, foi atacada em 06/08, às 08:15hs, pela bomba Little Boy, transportada pelo avião bombardeiro B-29 Enola Gay, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Coronel Paul Tibbets.
A bomba Little Boy, a equipe do bombardeiro B-29 Enola Gay e a explosão sobre Hiroshima.
Nagasaki, que abrigava cerca de 260 mil habitantes no dia do ataque, que também era uma cidade industrial e portuária, era o alvo secundário do segundo bombadeio atômico (o principal era Kokura) e foi atacada em 09/08, às 11:00hs, com a bomba Fat Man, lançada pelo avião bombardeiro B-29 Bockscar, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Major Charles W. Sweeney.
A bomba Fat Man, a equipe do bombardeiro B-29 Bockscar e a explosão sobre Nagasaki.
Os efeitos devastadores causaram a morte instantânea ou consecutiva de 140 mil pessoas em Hiroshima e de 80 mil pessoas em Nagasaki, aproximadamente.
A obra “O Último Trem de Hiroshima”, de Charles Pellegrino1, fazendo uso de documentos e relatos coletados entre os sobreviventes, reconstitui de forma brilhante e terrível, os bombardeios e seus momentos posteriores.
É uma leitura assustadora, e reveladora do quão fundo o ser humano desceu na capacidade de causar o mal a seus semelhantes.
Pellegrino descreve a vaporização de pessoas antes mesmo que seus cérebros pudessem emitir a sensação de dor:
Sob o hipocentro, o sangue no cérebro da senhora Aoyama já começava a vibrar, na iminência de virar vapor. O que ela experimentou foi uma das mortes mais rápidas de toda a história humana. Antes que algum nervo começasse a perceber a dor, ela e seus nervos deixaram de existir. (pg.29)2
Muitas dessas vítimas desapareceram completamente, deixando como lembrança de sua presença apenas sombras impressas no chão ou em paredes, como negativos de uma fotografia.




Para os que não foram diretamente expostos, o horror de presenciar outros sendo diretamente atingidos, como a Srª. Teruko Kono, que não enviara seu filho à escola naquele dia:
Quando veio o golpe, ela o observava brincar em uma balsa, da janela do segundo andar de casa, à margem do rio. A casa ficava dentro da zona de Sadako, a menos de dois quilômetros do hipocentro. A senhora Kono foi escudada contra o raio de calor, mas o garoto foi completamente exposto. Ela o viu ser transformado em um relâmpago branco e pálido e emitir uma coluna de fumaça negra para o alto... (pg.37)
Qualquer coisa de cores mais escuras, como cabelos e roupas, pareciam atrair de forma mais forte os efeitos da explosão. Quem vestia roupas brancas parece ter sido atingido menos intensamente, se é que isso fez alguma diferença mais significativa.
Em sua obra,  Pellegrino reconstitui relatos de premonições assustadoras de crianças que imploraram para não serem enviadas à escola por suas mães, mas que não foram atendidas. Um dos casos foi o da jovem Etsuko Kuramoto que, diante da determinação irrevogável de sua mãe, de que iria para escola de qualquer forma, pediu para usar sua melhor roupa:
Quando Sumi Kuramoto viu a filha pela última vez, sua sagrada, adorada filha caminhava em direção à Escola Primária Nacional, rumo ao hipocentro, com sua "melhor roupa de domingo", e chorava. (pg.38)
Outra premonição, ainda mais arrepiante, foi a do garoto Hiroshi Mori. Ele disse à Yoshiko, sua mãe, que Hiroshima seria completamente destruída naquele dia. Mas ela não foi demovida da ideia de que o filho não poderia perder a aula e o enviou à escola:
...o garoto disse à mãe que se cuidasse e pediu que não colocasse comida em sua mochila, porque ele não precisaria de almoço naquele dia. (pg.38)
Relatos do momento da explosão dão conta do barulho ensurdecedor para alguns e quase silencioso para outros. Pessoas sendo erguidas do solo como folhas ao vento e depois novamente arremessadas ao chão com força esmagadora.
Para o Sr. Kita, que assistiu a explosão de uma estação meteorológica no monte fora da cidade, o barulho chegou em dois segundos e a onda de choque, segundo seus cálculos, viajava a setencentos metros por segundo. Após conseguir levantar, e usando um binóculo, ele pode ver toda a devastação que se abatia sobre Hiroshima:
Tudo no sul e no leste parecia ter-se tornado um deserto de areia amarela. No norte, e rio acima, o mundo era uma escuridão que mesmo à distância podia ser sentida, interrompida apenas por raios e turbilhões incandescentes que às vezes alcançavam a altura de cinco a dez andares. Havia estranhas correntes de vento ascendentes e descendentes junto à fumaça; e com os binóculos Kita pôde divisar grandes camadas de granizo negro ou neve descendo violentamente de cima. (pg.46-7)
Havia muitos sobreviventes, inclusive pessoas bem abaixo do local do chamado grau zero, onde ocorrera de fato a explosão. Estavam sob uma cúpula de concreto, ou ficaram dentro de bolsões de ar sob estruturas desmoronadas e escaparam no primeiro momento.
O caso do garoto de 13 anos, Yoshitaka, foi surpreendente. A escola inteira desabou ao seu redor, mas ele conseguiu sair “rápido o suficiente para testemunhar a nuvem ainda radiante que crescia no céu, quase diretamente acima de sua cabeça.”(pg. 58). Ele relatou o calor e as cores do arco-íris, o que chegou a considerar uma bela visão.
Os filhos da Srª Matsuyanagi, que escaparam praticamente ilesos da explosão e da onda de calor, não escaparam dos raios gama. A morte por hemorragia generalizada ocorreu poucas horas depois. (pg.60)
Além dos efeitos nocivos dos raios gama, os sobreviventes que podiam andar ainda foram submetidos à visão que pode ser classificada como o inferno na terra:
...a rua estava cheia de pessoas transformadas em carvão e pilhas de cera ardente. À primeira vista, a rua parecia simplesmente vazia, mas, quando ela olhou de novo por entre a fumaça e as chamas, era fácil ver como as pessoas que estavam caminhando na direção do banco jaziam caídas umas por cima das outras. Várias pareciam ter caído aos pedaços, como sacos de folhas queimadas e esparramadas pelo chão. (pg.62)
Depois dos primeiros efeitos, veio a chuva. Chuva negra com pingos grandes que machucavam a pele. Os relatos dão conta que os sobreviventes sentiam uma sede tão incontrolável que, contra todo bom senso, erguiam a cabeça para o alto e bebiam a chuva negra que, depois, iria lhes tirar a vida. (pg. 63).
Pellegrino segue trazendo horror sobre horror à medida que a leitura avança. Os relatos sobre a explosão em Nagasaki não são menos terríveis.
Não é uma leitura a ser recomendada como fazemos com um livro de aventuras ou mesmo de História. Não queremos que nossos amigos sofram. Mas é uma obra que deve ser lida, para que o repúdio à existência de armas nucleares cresça, se fortaleça e jamais desapareça.


Aqueles terríveis momentos parecem bem distantes de nós, no tempo e no espaço, mas há, espalhados pelo mundo, milhares de silos, plataformas e submarinos carregados com armas que fariam a Little Boy e a Fat Man parecerem brinquedos de criança.
As manchas brancas no chão da ponte, à direita, são tudo que restou de um grupo de pessoas que transitavam por ali no momento da explosão.
Nosso mais forte repúdio, no aniversário de 70 anos, àquele crime que foi cometido contra a humanidade, do passado, do presente e do futuro.
Marcello Eduardo.
Ps. Quem quiser ler a obra, pode fazer o download aqui. E quem quiser ler relatos de sobreviventes, recomendamos visitar este site aqui.
1PELLEGRINO, Charles. O Último Trem de Hiroshima : os sobreviventes olham  para trás. Rio de Janeiro : Leya, 2010.
2Versão em pdf, disponibilizada pelo site LeLivros