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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

GRANDE SÉRIE - WINSTON CHURCHILL

WINSTON CHURCHILL  [1] [2]
Iniciamos, caros súditos do Reino de Clio, uma nova grande série. Desta feita vamos mergulhar no universo da vida do grande estadista inglês Sir Winston Churchill, que liderou a Gran Bretanha em seu momento mais difícil, que foi um dos líderes mundiais no combate ao nazi-fascismo que ameaçou dominar o mundo nos anos 40 do século XX.
Talvez seja possível dizer, se me permitem sair do campo da ciência por alguns instantes, que Churchill poderia ter sido a reencarnação do Rei Arthur, se é que este existiu. Pois, como preconizava a antiga profecia, ergueu-se sobre a nação, que vivia seu momento mais sombrio e de maior dificuldade, como um poderoso comandante guerreiro, acreditando, incentivando, confortando e liderando rumo a uma vitória que parecia quase impossível.
Este é o Churchill que encontramos em nossas leituras e que vamos colocar ao seu dispor nesta série. Nossa série é baseada na obra Winston Churchill – Uma Vida, de Martin Gilbert [3] (edição eletrônica – dois volumes), um trabalho ambicioso (até pretensioso eu diria) conforme as palavras do próprio autor não parecem deixar margem à dúvidas: “É meu objetivo dar nestas páginas um retrato completo e perfeito da vida de Churchill, tanto em seu aspecto pessoal quanto político.” (pg. 8)
Gilbert afirma ter usado como fontes de seu trabalho a correspondência de Churchill, documentos da esposa Clementine, arquivos governamentais, arquivos pessoais de amigos, colegas e opositores bem como “recordações pessoais da família de Churchill, de seus amigos e de seus contemporâneos.” (pg. 9), o que, por si só, já inviabiliza a pretensão de compor “um retrato completo e perfeito” do biografado, considerando-se a natureza incompleta e distorcida dos registros da memória humana.
A despeito disso, ainda que sempre desconfiando das ambições de qualquer autor que afirme poder reconstruir à perfeição o passado, vamos trazer um resumo dessa obra sobre a vida de um dos maiores estadistas da História. Vamos complementar o trabalho com informações básicas sobre pessoas e eventos a partir das notas de rodapé.


[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
[3]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
Palácio de Blemhein
Quanto ao nosso personagem, seu próprio nome, Churchill, dispensa maiores apresentações, de modo que vamos logo ao texto.
Winston Leonard Spencer-Churchill nasceu em 30 de novembro de 1874 no Palácio de Blenheim, em Woodstock, Oxfordshire, Reino Unido, filho de Jeanette Jerome e Randolph Churchill, este último um membro da aristocrática família do  Duque de Marlborough e ela uma estadunidense. (pg.12)
Randolph Churchill - Jeanette Jerome - O Pequeno Churchill 
Ele nasceu com pouco mais de sete meses de gestação devido a uma queda de sua mãe quando participava de uma caçada.
Pouco tempo antes do nascimento de nosso personagem, seu pai fora eleito para a Câmara dos Comuns pelo município de Woodstock. Quase três anos depois o avô, John Spencer-Churchill, 7° Duque de Marlborough, foi nomeado Vice-Rei da Irlanda e a família mudou-se para Dublin. (pg. 13)
A grande fome da Irlanda no final dos anos 1870, e os consequentes protestos, fizeram com que o jovem percebesse o medo que envolvia a presença de sua família aristocrática inglesa naquele país. (pg. 13)
Os pais de Churchill sempre foram muito ausentes e pouco participaram de sua educação. O menino praticamente foi criado por uma ama (espécie de babá), de nome Elizabeth Ann Everest, a quem ele amava profundamente. O pai, que chegou a ser nomeado Ministro na Índia, passava muito tempo em viagens e raramente visitava o filho, nem mesmo quando estava na mesma cidade. (pg. 20)
Elizabeth Ann Everest
Com relação à sua mãe, Churchill implorava-lhe atenção nas muitas cartas que escrevia. (pg. 17) Antes de completar sete anos ele foi enviado ao internato St. George, onde severíssimos castigos eram aplicados aos alunos:
A chicotada era dada com toda a força que o professor tinha”, escreveu mais tarde, “e bastavam duas ou três para que aparecessem gotas de sangue por toda a parte, mas os golpes se prolongavam por quinze ou vinte chicotadas, quando o traseiro do menino virava uma massa de sangue. (pg. 14)
Tal soma de abandono, desafeto e terror, em oposição a sua natureza indomável que se revelaria ao mundo na década de 1940, ergueram um adolescente rebelde, problemático e com dificuldade de aprendizagem nos primeiros anos da escola, o que se estendeu por vários anos e mais de uma escola, como em Brighton.
Quando começou a se destacar, Churchill apresentou boas notas em disciplinas humanas como História e Geografia, embora fosse mal nas letras. (pg. 16) Os estudos foram interrompidos em 1886 quando uma pneumonia quase o matou. Neste período recebeu a visita do pai duas vezes em dois meses distintos. (pg.21)
Ao longo de seus estudos, quando trocou Brighton por Harrow, Churchill foi tomando mais gosto e seu brilhantismo começou a se revelar, embora seu comportamento fosse quase sempre um dos piores de qualquer turma que tenha participado. (pg.27)

CHURCHILL – Parte II [1] [2]
Em Harrow, iniciou o treinamento militar de Churchill e seu interesse pelas disciplinas envolvidas nesse aprendizado cresceu bastante, principalmente em História. (pg.30) Portanto, quando chegou o momento de decidir ir ou não para universidade, o pai de Churchill fez questão de lhe enviar para o exército, mas não tendo em vista qualquer grande capacitação militar, como revela o próprio rapaz:
Durante anos, pensei que meu pai, com sua experiência e seu instinto, tinha discernido em mim qualidades de gênio militar, mas me disseram mais tarde que ele tinha apenas chegado à conclusão de que eu não era inteligente o bastante para a advocacia. (pg. 33)
Como suas notas em Matemática foram insuficientes, não pôde ir “para Woolwick, a academia para cadetes [...] nas academias reais de artilharia ou engenharia. Em vez disso, teria de se preparar para Sandhurst , [...] para futuros oficiais de infantaria e cavalaria.” (pg. 33)
Mas, apesar de ter se dedicado intensamente aos estudos preparatórios, ele foi reprovado em sua primeira tentativa de entrar em na Real Academia Militar de Sundhurst. (pg. 44) E após estudos ainda mais intensos, foi reprovado novamente (pg. 45)
Nos meses seguintes a esta segunda derrota, Churchill sofreu um grave acidente (uma queda de cerca de 10 metros de altura na qual quebrou a perna), do qual se recuperou, e passou a frequentar eventos sociais, sessões parlamentares e a conhecer políticos influentes. (pg. 47-49)
Em sua terceira tentativa ele finalmente conseguiu ser aprovado em Sundhurst. Não obteve pontos suficientes para entrar na infantaria, mas ficou na 4ª colocação para a cavalaria. (pg. 49) Contudo, por, influência de seu pai, Churchill recebeu licença especial para compor a infantaria. (pg. 51) Naquele momento, tudo o que Winston queria era entrar em Sundhurst e se era na infantaria, tudo bem. Algum tempo depois ele iria preferir a cavalaria, desejo interrompido pelo pai, provavelmente por conta do custo alto de se ter e manter um cavalo.

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
No meio militar Churchill finalmente se decidiu pelo empenho e a disciplina, em especial depois que as cartas de seu pai, mentalmente afetado pela Sífilis, passaram a desancá-lo de maneira brutal. (pg. 50) Suas notas passaram a ser condizentes com esse esforço.
Em 24 de janeiro de 1895 Randolph Churchill morreu aos 45 anos com a mente e o corpo devastados pela Sífilis. Sem saber a doença que matara seu pai, o jovem Winston passou a acreditar que os homens de sua família estavam fadados a morrer muito cedo. (pg. 61-62)
A despeito disso, um mês após a morte do pai, Churchill entrou para a cavalaria tendo seu cavalo sido pago por sua tia, a Duquesa Lily. (pg. 63) Naquele mesmo ano, em 03 de julho, faleceu a ama de criação de Churchill, Srª. Elizabeth Ann Everest, possivelmente a pessoa a quem ele mais amava depois da família. 
Envolvendo-se diretamente na tentativa de cuidar dela, Winston alternou idas e vindas entre seu regimento e a casa da velha ama, providenciou médico e enfermeira mas tudo em vão. Após a morte, o rapaz cuidou dos preparativos para o funeral, comprou a coroa de flores que adornou o caixão, bem como a lápide que identificava o túmulo. “nunca mais voltarei a ter nenhum amigo como ela”, escreveu Churchill à sua desatenciosa mãe sobre a Srª. Everest. (pg. 65)
Com o tempo, a imobilidade da vida militar em tempo de paz começou a entediar Churchill que passou a se interessar pela política e iniciou estudos autodidatas neste sentido. Essa rotina foi interrompida quando viajou a Cuba para acompanhar a repressão espanhola a uma insurreição dos habitantes da ilha. (pg. 67-68)
Nesta viagem, Churchill visitou pela primeira vez os EUA, onde anotou a seguinte impressão:
Imagine o povo americano como uma grande juventude vigorosa, que calca aos seus pés todas as nossas suscetibilidades e comete todos os horrores possíveis de mau comportamento, para quem nem a idade nem a tradição inspiram qualquer reverência, mas que cumprem seus afazeres com uma ingenuidade bondosa que pode fazer inveja às nações mais antigas da terra. (pg. 70)
Uma vez em Cuba, Churchill foi recebido no Estado-Maior do General Valdez e foi parar praticamente na linha de frente dos combates. Em artigos escritos para o jornal inglês Daily Graphic Winston reconhece que não havia uma simples rebelião em Cuba, mas uma verdadeira guerra e que as melhores forças estavam ao lado dos cubanos, contra os dominadores espanhóis. (pg. 71-72)
Guerra em Cuba
De volta a Inglaterra Churchill foi acusado de atos homossexuais por um desafeto que fora expulso da academia. Winston levou o caso aos tribunais, a acusação foi retirada e o acusador pagou nada menos que 400 libras de indenização. (pg.73)
Sempre em busca de estar em locais de conflito, onde poderia adquirir a experiência e o reconhecimento que não teria permanecendo no quartel da Inglaterra, Churchill tentou, sem sucesso, viajar para a África do Sul e o Egito. Foi deslocado, junto com seu regimento, para a Índia, onde uma tediosa rotina o engoliu por um bom tempo. 
Churchill na Índia - Em pé, faixa branca no peito.
 Essa monotonia só era interrompida pelos artigos caluniosos da Revista Truth, que ainda repercutia as acusações pelas quais Churchill já fora indenizado e os passeios com Pamela Plowden, filha de um funcionário público sediado em Hydebarad. A amizade de ambos durou a vida inteira. (<pg. 77-78) 
Pamela Plowden



Ao mesmo tempo, crescia em Churchill, junto com o tédio da inação na Índia, o desejo pela ação política, uma candidatura por um dos municípios nos quais o pai tivera influência. (pg. 79) Sua nomeação ao posto de Major, porém, reascendeu um pouco seu entusiamo pelo exército. (pg. 82)
Naqueles primeiros anos de interesse pela política Churchill se auto denominava liberal e defendia:
...o alargamento do direito de voto a todos os homens adultos, educação universal, igualdade entre todas as religiões e um imposto de renda progressivo. [...] a não intervenção na Europa, [...] Defender as colônias com “uma Marinha poderosa” e criar um sistema de defesa imperial. A leste de Suez, contudo, “não pode haver governos democráticos. A Índia deve ser governada segundo os velhos princípios”. (pg. 82)
Contudo, ao mesmo tempo em que defendia “...uma educação igual para todos, sem que qualquer grupo seja beneficiado.” e com professores não religiosos, mas “instrutores seculares nomeados pelo governo.”, Churchill era contra o movimento sufragista pois “Uma vez que se conceda o voto a um grande número de mulheres, que constituem a maior parte da sociedade […], todo o poder passará para as mãos delas”. (pg. 84)



CHURCHILL – Parte III [1] [2]
Dividido entre a paixão política e suas atribuições no exército, Churchill procurava conciliar ambos os lados. Quando foi juntar-se às tropas deslocadas para sufocar uma rebelião tribal no noroeste da Índia, manobrou para tornar-se também correspondente de guerra para dois jornais. Seu intuito era ir se tornando conhecido e popular. (pg. 86-87) Durante o conflito Winston viu-se diversas vezes envolvido em combate real. Em cartas à mãe, a quem ele escrevia compulsivamente, falava sobre suas experiências em combate:
Eles matam e mutilam todos os que capturam, e nós não hesitamos em acabar com os inimigos feridos. Desde que estou aqui, tenho visto coisas que não são muito bonitas, mas, como pode imaginar, nunca sujo minhas mãos com trabalho sujo, embora reconheça a necessidade de algumas coisas. (pg. 82)
Nesta época, e depois, o interesse de sua mãe parece ter aumentado, pois ela passou a atuar fortemente junto à alta sociedade londrina para fazer seu filho conhecido. Divulgava seus artigos, procurava um bom editor para o livro que ele escrevera sobre os combates, enfim, estava empenhada em concretizar os planos de Churchill para uma futura vida pública. (pg. 95-96)







[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Em 1898 ela arranjou uma reunião política em Bradford na qual Churchill discursou por quase uma hora e seus dotes de grande orador cativaram a audiência, como ele escreveu:
Fui ouvido com grande atenção durante 55 minutos”, [...] “ao fim dos quais houve gritos altos e generalizados de ‘Continue’. Cinco ou seis vezes aplaudiram-me por cerca de dois minutos sem interrupção”. Quando acabou, “muitas pessoas subiram para as cadeiras e houve realmente um grande entusiasmo” (pg. 102)
A discordância entre mãe e filho girava, nesta época, nos gastos excessivos da mãe, que Churchill criticava a ponto de recorrer a uma espécie de interdição parcial que protegia sua herança de um eventual segundo casamento da mãe. A despeito disso, Winston começava a ter bons resultados financeiros com sua produção literária. (pg. 97-100)
Foi bem remunerado, por exemplo, por suas cartas ao jornal Morning Post, que ele negociou enviar do Egito, para onde foi enviado após usar toda influência possível, inclusive oriundas do círculo mais próximo ao próprio Primeiro Ministro Salisbury.[3] O comandante das tropas no Egito, Lorde Kitchener,[4] não queria aceitar a presença de Churchill de forma nenhuma, mas acabou cedendo às inúmeras pressões após a morte de dois oficiais. (pg. 104)







[3]    Robert Arthur Talbot Gascoyne-Cecil, 3º Marquês de Salisbury (Hatfield, 3 de fevereiro de 1830 – Ibid., 22 de agosto de 1903), conhecido como Lord Robert Cecil até 1865 e como Visconde Cranborne entre 1865 e 1868, foi um político britânico, por três vezes Primeiro-ministro do Reino Unido, totalizando 13 anos como chefe de governo. Foi o primeiro primeiro-ministro do século XX no Reino Unido.

   https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Gascoyne-Cecil,_3.%C2%BA_Marqu%C3%AAs_de_Salisbury

[4]    O Marechal-de-campo Horatio Herbert Kitchener, 1º Conde Kitchener, (24 de junho de 1850 — 5 de junho de 1916) foi um militar graduado do Exército Britânico e administrador colonial que ganhou notoriedade por suas campanhas imperiais, incluindo ordens dadas de "terra arrasada" contra os bôeres e estabelecimento de campos de concentração na África do Sul durante a Segunda Guerra dos Bôeres. Ele mais tarde se envolveu no comando de operações militares no começo da Primeira Grande Guerra, na posição de Secretário de Estado para assuntos de guerra.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Horatio_Herbert_Kitchener
Primeiro Ministro Salisbury - Lorde Kitchener
Nesta campanha no Egito, parte da chamada Guerra Madista,[5] onde serviu muito bem como observador das tropas dos rebeldes dervixes, Churchill viu a morte muito de perto durante a Batalha de Omdurman,[6] quando a cavalaria ficou sob fogo cruzado e, embora  “Dos 310 oficiais e soldados que haviam participado da carga, um oficial e vinte soldados haviam morrido, e quatro oficiais e 55 soldados tinham ficado feridos.”, Winston não sofreu sequer um arranhão. (pg. 110)







[5]    A Guerra Madista foi uma Guerra Colonial travada no final do Século XIX. O confronto foi inicialmente travado entre sudaneses Madistas e egípcios e mais tarde com as forças britânicas. Também foi chamado o Guerra Anglo-Sudanesa ou Revolta do Sudão Madista. Os britânicos chamam a sua participação no conflito do Campanha do Sudão.
      
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Madista

[6]    Na Batalha de Omdurman (02/09/1898), um exército comandado pelo general britânico Sir Herbert Kitchener derrotou o exército de Abdullah al-Taashi, sucessor do autodenominado Mahdi, Muhammad Ahmad. Kitchener estava buscando vingança pela morte de 1885 do general Gordon. Foi uma demonstração da superioridade de um exército altamente disciplinado equipado com rifles modernos, metralhadoras e artilharia sobre uma força duas vezes maior, armada com armas mais antigas, e marcou o sucesso dos esforços britânicos para reconquistar o Sudão.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Omdurman
Acima e abaixo, a Batalha de Omdurman

Apesar de tantas vezes passar incólume por situações como essa, Churchill não era religioso e, embora compreendesse a necessidade da religião para o homem comum, via a religião, especialmente a católica, como um narcótico:
Posso imaginar uma pobre paróquia, com operários que vivem suas vidas em feias fábricas caiadas, labutando dia após dia entre cenários e ambientes destituídos de qualquer elemento de beleza. Consigo simpatizar com eles e com sua ânsia por alguma coisa não infectada pela miséria geral, alguma coisa que gratifique seu amor pela mística, alguma coisa um pouco mais próxima do belo, e acho insensível roubar de suas vidas essa aspiração nobilitante, mesmo que ela encontre expressão no incenso queimado, no uso de batinas e em outras práticas supersticiosas.
As pessoas que pensam muito no outro mundo raramente prosperam neste mundo; os homens devem fazer uso da mente sem matar suas dúvidas por meio de prazeres sensuais; a fé supersticiosa das nações raramente promove sua indústria. O catolicismo — todas as religiões, se preferir, mas o catolicismo em particular — é um delicioso narcótico: pode atenuar nossas dores e afugentar nossas preocupações, mas reprime nosso crescimento e esgota nossa força. E uma vez que a melhoria da raça britânica é meu objetivo político nessa vida, não posso permitir demasiada indulgência, se a puder impedir sem atacar outro grande princípio, a liberdade. (<pg.116-117)
Após ser liberado da Índia e uma nova passagem pelo Egito, Churchill retornou à Inglaterra onde iniciou sua carreira política.





CHURCHILL – Parte XI [1] [2]
No decorrer de janeiro/1915, embora Churchill ainda defendesse priorizar seu plano de ação no Mar do Norte, já começava a ver com bons olhos uma ação em Galipoli. Entretanto foi o Primeiro Ministro Asquith quem decidiu que as prioridades seriam uma ação no Mar Adriático, para pressionar a Itália, bem como o ataque a Galipoli, estipulando, inclusive, a data: fevereiro. (pg. 322)
O bombardeio começou em 19/02/1915 e visava destruir as defesas costeiras do estreito para poder adentrar a frota sob menor resistência. A primeira tentativa de entrada ocorreu em 18/03.
Dois navios foram enviados, mas encontraram resistência da fortaleza de Kum Kale. Após mais bombardeios preparatórios, os turcos recuaram das defesas na entrada do canal.
Em 25/02 os navios aliados penetraram o estreito seguindo os navios caça-minas. A medida em que avançavam, atacavam as defesas turcas e enviavam equipes de demolição para destruir as fortificações. Mas os turcos mudaram de estratégia.
Se as fortificações eram fáceis alvos estáticos, eles passaram a utilizar artilharia móvel, puxada por cavalos. Esses canhões disparavam nos navios e logo se deslocavam, tornando quase impossível aos inimigos acertá-los da água.







[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Sob fogo constante o trabalho dos navios caça-minas ficou bastante prejudicado e a situação piorou quando os navios de guerra começaram a bater nas minas não desarmadas e “...um dos pré-couraçados franceses bateu em uma mina e afundou em menos de dois minutos, matando praticamente toda a tripulação.[3].
Com vários outros navios danificados pela artilharia turca, a frota invasora foi obrigada a se retirar.
Em 18/03 nova incursão foi realizada. A frota entrou com 12 navios formados em três linhas de quatro embarcações, mais uma linha com quatro navios de apoio e uma quinta linha, com duas naus de reserva, seguindo os caça-minas.
Mas os turcos haviam implantado, secretamente, uma linha de minas paralela à costa, bem perto do curso dos navios invasores. Desconhecendo o perigo, estes adentraram o estreito e avançaram.
Porém, quando foram manobrar perto da linha minada, o inferno começou. Os navios começaram a bater nas minas e explodir. O primeiro afundou matando toda tripulação. Outros ficaram seriamente danificados e um deles ficou à deriva, tendo que ser abandonado. E os turcos ainda nem tinham usado todo seu potencial defensivo, localizado na parte mais estreita do canal, em Çanakkale.
Logo ficou claro que o estreito não seria tomado apenas pela marinha e que “Para limpar os Dardanelos seria necessário empregar forças terrestres que ocupariam as praias: a Península de Galipoli à esquerda e a costa da Turquia asiática à direita.[4].







[3]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 177.

[4]   PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 34. Tradução livre.
No dia 22/03 os ingleses tomaram a decisão de realizar o desembarque de uma grande quantidade de tropas terrestres e os locais escolhidos foram as praias do Cabo Helles, de Gaba Tepe e da Baia de Suvla. Mas os turcos previram os locais de desembarque e posicionaram tropas para defender a península a partir de posições mais elevadas em trincheiras e com artilharia.
Em 25/04/1915 os desembarques começaram e, nos próximos nove dias, os invasores sofreram uma média de mil mortes por dia. Em agosto, quando a retirada começou, as mortes já atingiam a marca de quarenta mil.
Foi um massacre, pois os turcos “...lhes fizeram frente com um mortífero fogo de artilharia e metralhadoras a partir de posições ocultas em terreno alto.[5].
A Batalha de Galipoli terminou oficialmente em 09/01/1916 e, dos cerca de 480 mil homens que participaram dos combates em mar e terra, nada menos que 220 mil foram feridos ou mortos.
Churchill não foi o responsável direto pelo planejamento e nem pela operação de Galipoli, mas levou a culpa que se espalhou a despeito da documentação com provas em contrário das acusações que recebia. (pg. 335-336)
Quando falou na Câmara dos Comuns sobre a operação, o Primeiro Ministro Asquith, apesar de munido destes documentos, não “defendeu Churchill da principal acusação que faziam a ele, de passar por cima de seus conselheiros navais.” e quando um novo Gabinete foi formado, Winston não foi incluído. Pediu para ser nomeado para outro posto mas não obteve sucesso. Também não foi demitido até que pediu demissão em caráter irrevogável. (pg. 355-356)
Não sabemos se serviu de consolo, mas Bonar Law,[6] que não era aliado comum de Churchill, declarou:
Ele tem os defeitos de suas qualidades, e, como suas qualidades são grandes, a sombra que lançam é também grande, mas afirmo deliberadamente, na minha opinião, que em poder intelectual e em força vital ele é um dos homens mais notáveis de nossa nação. (<pg. 357)
Vendo que sua atuação política como simples parlamentar durante a guerra seria inútil, e reconhecendo que precisaria se afastar para recuperar sua influência, Churchill foi juntar-se ao Regimento dos Hussardos nos campos de batalha, de onde escreveu:
Não parti porque desejava desligar-me da situação ou porque temia o peso desse golpe, mas porque estava e estou certo de que minha utilidade está exaurida por enquanto e de que apenas posso recuperá-la por meio de um definitivo e talvez prolongado afastamento. Se eu tivesse previsto a mais breve possibilidade de ser capaz de influenciar os acontecimentos, eu teria ficado. (pg. 358)
CONTINUA







[5]  PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 34. Tradução livre.. pg. 35.

[6]   Andrew Bonar Law (Kingston, 16 de setembro de 1858 — 30 de outubro de 1923) foi um político britânico, foi primeiro-ministro do Reino Unido pelo Partido Conservador. Foi, até hoje, o único primeiro-ministro britânico nascido fora da Grã-Bretanha. […] Abalado pela morte da esposa, não se deixa abater em sua vida pública e torna-se, em 1911, líder dos Conservadores, com a renúncia de Arthur Balfour. Durante a Primeira Guerra Mundial, causou grande embaraço a Bonar Law o fato de sua empresa ter vendido ferro para a Alemanha até 1914, para seu programa de armamamento.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andrew_Bonar_Law



CHURCHILL – Parte XII [1] [2]
Uma vez na frente de batalha Churchill alternava, como todos, dias nas trincheiras intercalados por dias na retaguarda. No início se empolgou com as novidades e chegou a ser nomeado comandante de batalhão. Era comum que fosse recebido com desconfiança pelos veteranos da frente, mas depois de algum tempo seu carisma e sua coragem conquistavam a todos.
Enquanto comandante de batalhão, sua prioridade foi a segurança dos homens, garantir que não ficassem sob disciplina rígida demais e tivessem momentos de lazer quando na reserva.
Mas os acontecimentos em Londres não deixavam de atrair sua atenção e ele queria retornar ao centro das decisões tanto quanto se via cada vez mais um opositor da forma como o governo Asquith conduzia a guerra.
Neste período sua esposa, Clementine, teve papel fundamental em representá-lo junto a todos os contatos políticos. Mas ela tentava demovê-lo da ideia de retornar logo pois temia que seu pouco tempo na frente de batalha fosse visto como um mero oportunismo. (<<<pg. 359-390)







[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Churchill chegou à França para combater em 18/11/1915 e retornou definitivamente a Londres em 07/05/1916. Quando partiu, sobre a despedida de seus comandados, um deles escreveu: “acredito que cada homem naquela sala sentiu sua partida como uma verdadeira perda pessoal”. (pg. 393)


Em seu regresso, como não possuísse qualquer cargo no governo, Churchill só podia fazer discursos na Câmara dos Comuns e lá ele passou a defender o recrutamento de irlandeses bem como o fim de operações inúteis, que só serviam para levar milhares de soldados à morte. 
Também trabalhou em sua defesa tentando publicar todos os documentos referentes ao planejamento e execução da Batalha de Galipoli, mas o Primeiro Ministro Asquith impediu a publicação pois eles apontavam sua própria culpa no episódio.
Sem poder se defender corretamente Winston não podia limpar seu nome e sem limpar seu nome não tinha condições políticas de ser nomeado para qualquer cargo importante. (<<pg. 393-396)
No início de dezembro de 1916 Asquith deixou o governo e em seu lugar assumiu, dois dias depois, Lloyd George,[1] amigo de Churchill. Entretanto, essa amizade não rendeu, de início, a nomeação de Winston para qualquer cargo, embora ele aceitasse qualquer nomeação, desde que pudesse ajudar no esforço de guerra.





[1]   David Lloyd George, 1.º Conde Lloyd-George de Dwyfor (Chorlton-upon-Medlock, 17/01/1863 — Llanystumdwy, 26/03/1945) foi um estadista britânico e o último membro do Partido Liberal a ser Primeiro-ministro do Reino Unido. Ele está enterrado na Abadia de Westminster.  Embora nascido em Manchester em 1863, David Lloyd George falava galês, e foi o único galês a ocupar o cargo de Primeiro Ministro no governo britânico. Substituiu Asquith como primeiro-ministro de um novo governo de coalizão em tempo de guerra entre os liberais e os conservadores. Este foi um movimento que dividiu seu Partido Liberal em duas facções; os que apoiavam Asquith e os que apoiavam o governo de coalizão. Apesar desta oposição, Lloyd George guiou o país politicamente pela guerra, e representou a Inglaterra na Conferência de Paz de Versalhes, não concordando com o Premier francês Georges Clemenceau e com o Presidente americano Woodrow Wilson. Lloyd George queria punir a Alemanha politicamente e economicamente pela devastação da Europa durante a guerra, mas não queria destruir totalmente o sistema econômico e político alemão do modo que Clemenceau e muitas outras pessoas da França queriam fazer.
https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Lloyd_George
O Ex Asquith e o novo Primeiro Ministro Lloyd George
O Partido Liberal estava dividido entre os partidários do ex Primeiro-ministro Asquith e os apoiadores do novo governo.
O grupo de Asquith era frontalmente contra a nomeação de Churchill para qualquer cargo, assim como o Partido Conservador e a imprensa a esse ligada. Assim Winston foi sendo escanteado com a desculpa de que deveria esperar a publicação do relatório da Comissão de Dardanelos, que investigava a Batalha de Galipoli, a qual ele já apresentara um monte de documentos. (<pg. 400-403)
Quando o relatório da Comissão de Dardanelos finalmente saiu, não respondia a muitas das acusações que vinham sendo feitas contra Churchill de forma sistemática. Ele se defendeu perante o parlamento quando do debate sobre o relatório e como a verdade mostrasse que Asquith fora um entusiasta do ataque, seus correligionários passaram a apoiar a operação. A situação começava a mudar. (pg. 403-404)
Livre das acusações, Churchill passou a advogar, junto às autoridades e no Parlamento, que nenhuma ofensiva nova fosse posta em prática em 1917, aguardando a chegada das tropas estadunidenses cujo pais tinha entrado na guerra.
Ele queria evitar um novo banho de sangue como a Batalha do Somme, na qual dezenas de milhares haviam morrido sem qualquer avanço. Ao mesmo tempo começou a colaborar extra-oficialmente com o Primeiro Ministro Lloyd George que o enviou para visitar as tropas na linha de frente. 
A oposição à nomeação de Winston para qualquer cargo, contudo, crescia e agora contava com pessoas muito próximas a Lloyd George. Este, no entanto, contra tudo e contra todos, nomeou Churchill para Ministro das Munições. E silenciou os opositores próximos com a ameaça de demitir-se. (<<pg. 405-408)
Nem mesmo os funcionários do Ministério da Guerra estavam satisfeitos com o novo ministro, e pareciam dispostos a demonstrar isso quando este fosse apresentado em seu primeiro dia de trabalho. Mas, como observou um dos presentes, em seu discurso Churchill:


iniciou suas observações mencionando que “sabia que estava partindo ‘da estaca zero em questão de popularidade’. Continuou afoitamente, mencionando sua política para uma produção ainda mais rápida de munições. À medida que elaborava seus planos, a atmosfera foi mudando perceptivelmente. Aquilo não era um pedido de desculpas, e sim um desafio. Aqueles que tinham vindo para insultá-lo ficaram para aplaudi-lo”. (<pg. 409)
Poucos dias depois, Churchill já tinha negociado o encerramento de uma greve no setor de produção de munições e esboçado um projeto de Lei das Munições de Guerra, que beneficiava e protegia os trabalhadores deste setor, como parte importante do esforço de guerra.
Embora fosse criticado pelo acordo que costurou, os trabalhadores que deixaram a greve logo tinham subido a produção para o nível mais alto do país. (<pg. 410-411)
Sempre em movimento, Churchill reestruturou internamente seu ministério, criando equipes de trabalho na qual empresários do ramo da produção bélica também colaboravam, viajou à França para coordenar a produção, inclusive com os EUA, e atender melhor as necessidades da frente de combate, ouviu e abraçou as reivindicações das mulheres que trabalhavam nas fábricas, preparou a instalação de uma fábrica de munições na França, articulou a implantação de uma fábrica de tanques perto de Paris e iniciou a compra dos materiais de que precisariam as tropas americanas ao chegar na Europa. (pg. 410-415)


CHURCHILL – Parte XIII [1] [2]
Em oposição a esta atividade frenética os adversários de Churchill gastavam o tempo em atacá-lo. Os Conservadores e a imprensa atacavam publicamente. Os liberais e até mesmo membros do governo procuravam o Primeiro Ministro Lloyd George com reclamações e picuinhas.
Alguns reclamavam por Winston falar nas reuniões do Gabinete, das quais ele só participava quando eram tratados assuntos relativos ao seu Ministério das Munições. (<pg. 421)
Enquanto isso os alemães planejavam ganhar a guerra depois da saída da Rússia do conflito, por decisão do novo governo bolchevique, após a Revolução de 1917.
Os alemães planejaram vencer na primavera-verão de 1918 com uma grande ofensiva que visava romper as linhas defensivas dos aliados e tomar o rumo de Paris.
Essa ofensiva foi dividida em etapas que levaram a batalhas menores, fruto de partes específicas do plano geral, e que foram travadas ao longo da frente ocidental.
Entre 21/03 a 05/04/1918 o Plano Michael deslocou 700 mil soldados, “...6.600 canhões e quase 1.100 aeronaves, contra um setor de 113 km entre Arras e o rio Oise.[3]  para enfrentar um terço disso na Segunda Batalha do Somme.
Utilizando apenas um bombardeio prévio, e  aproveitando-se do nevoeiro, os alemães conseguiram expulsar os britânicos e avançar “...até 50km em seis dias...[4].
Diante da catástrofe iminente, os comandantes ingleses e franceses se reuniram em 26/03 e mudaram o comandante geral, nomeando o General Foch para o posto. E ele logo começou a agir.
Foch deslocou tropas francesas e da reserva para reforçar a linha. Os alemães, contudo, seguiam avançando e haviam conquistado, até 05/04, mais terreno, chegando a apenas 110km de Paris.
O custo desse avanço foi que “...eles sofreram 239 mil baixas, mas infligiram 248 mil (178 mil à Grã-Bretanha e seu império, 70 mil à França), enquanto faziam 90 mil prisioneiros...[5]. O butim veio na forma de nada menos que “1.300 canhões.”.
Na sequência do Plano Michael, os alemães colocaram em ação o Plano Georgette, que levou à Quarta Batalha de Ypres, entre 09 e 29/04/1918.
Também se valendo da concentração de efetivos muito superiores em um local específico, as forças do Kaiser conseguiram avançar 20km em cinco dias. A linha defensiva aliada não foi rompida, mas Passchendaele e Ypres foram retomadas.
Menos de um mês depois nova etapa do plano alemão começou. Entre 27/05 e 06/06/1918 foi executado o Plano Blücher-Yorck, com a Terceira Batalha do Aisne.
Desta vez não houve segredo e os alemães pulverizaram as defesas aliadas quando nada menos que “...3.700 canhões dispararam dois milhões de projéteis em apenas quatro horas e meia...[6]. O avanço foi de espetaculares 20km em um único dia, crescendo para 50km oito dias depois. Estavam novamente no Marne e, agora, a 90km de Paris.
A desesperada resposta do comando aliado foi colocar boa parte da capacidade de navegação aliada na tarefa de transportar tropas americanas para a Europa e no final de junho“...mais de 250.000 soldados estadonidenses […] haviam chegado...[7].
Cada vez mais divisões norte-americanas começavam a participar dos combates retomando áreas conquistadas pelos alemães.
Em 09/06 começou a quarta etapa do avanço alemão, o Plano Gneisenau que conseguiu avançar 10 km no primeiro dia. Mas desta vez os defensores franceses conseguiram bloquear o avanço e contra-atacar. A batalha decisiva estava prestes a começar.
A Segunda Batalha do Marne foi o ponto culminante da tentativa alemã de obter a vitória final na guerra. Quando o momento finalmente chegou, porém, as condições das forças opositoras eram bem diferentes das iniciais.
Do lado aliado, o General Foch deslocara tropas de várias frentes para reforçar a região do Marne, contando também com as divisões norte-americanas, que possuiam muito mais soldados que o usual na Europa.
Do lado alemão, a Gripe Espanhola dizimava as tropas, exaustas e mal alimentadas. A despeito disso o comandante alemão, Ludendorff, ordenou novo ataque.
Em 15/07 tropas alemãs avançaram em Champagne, enfrentando os franceses e os americanos. Também avançaram em Reims, onde atacaram tropas francesas.
Na Quarta Batalha de Champagne os aliados conseguiram barrar o avanço, mas em Reims os alemães conseguiram cruzar o Rio Marne em vários pontos utilizando barcos e conquistaram várias áreas, iniciando a construção de pontes.
Somente em 17/07 as forças francesas e americanas combinadas conseguiram deter o ataque. Em 18/07 os aliados contra-atacaram pesadamente.
O General Foch mobilizou “...quatro exércitos franceses [...] reforçados por oito grandes divisões da AEF (americanos – inserção nossa), quatro divisões britânicas e duas italianas.[8] e mais 350 tanques que avançaram sobre os alemães em Château-Thierry,  obrigando-os a recuar.
A retirada alemã começou em 20/07 e uma linha defensiva foi estabelecida entre Ourcq e Marfaux. Novo recuo, em 27/07 trouxe a frente até Fère-en-Tardenois. Em 06/08 o contra-ataque foi detido e os alemães se estabeleceram entre Soissons e Reims.
A batalha terminou em 08/08/1918 e as perdas dos aliados, embora muito superiores às alemãs, bloquearam o último grande avanço inimigo e salvaram Paris. Em números, “...os franceses tiveram mais baixas, com 433 mil, seguidos pelas forças britânicas e seu império, com 418 mil...[9].
A despeito disso, o lado aliado comemorou uma grande vitória, apesar de não decisiva. O General Foch foi promovido a Marechal da França.



[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 522.

[4]   Ibidem.

[5]   Ibid. pg. 526.

[6]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 527.

[7]   PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 31. Tradução livre.

[8]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 529.



[9]   Ibid. pg. 530.


Do lado alemão o ânimo foi abatido e a derrota já era visível no horizonte. A partir do Marne, só haveria recuos para os Exércitos do Kaiser.
Neste período Churchill atuou vivamente na articulação com as forças aliadas onde passou a ser companhia constante do Primeiro Ministro Francês Clemenceau [10] bem como dos Marechais Foch [11] e Pétain.[12]
Quando em Londres ele passou a praticamente viver em seu gabinete no ministério, visando manter a produção de munições para suprir as necessidades das forças armadas, atuou contra as greves nas fábricas de armas por conta do constante envio de operários para lutar na frente de batalha, causando assim uma queda na produção.
A essa atividade ele intercalava seguidas viagens à França e visitas às frentes de combate. Também incentivava o uso de bombardeios aéreos sobre cidades alemãs como forma de forçar uma rendição.   (<<pg. 426-431)
CONTINUA



[10]   Georges Benjamin Clemenceau (Mouilleron-en-Pareds, 28/09/1841 — Paris, 24/11/1929) foi um estadista, jornalista e médico francês. Formado em medicina, ciência que cedo trocou pelas actividades políticas. Entre 1902 e 1920 Clemenceau foi eleito senador. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França nos períodos 1906-1909 e 1917-1920. Neste último, chefiou o país durante a Primeira Guerra Mundial e foi um dos principais autores da conferência de paz de Paris, que resultou no tratado de Versalhes, dentre outros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Clemenceau

[11]   Ferdinand Jean Marie Foch (Tarbes, 02/10/1851 – Paris, 20/03/1929) foi um General e Acadêmico francês, Marechal da França, da Grã-Bretanha e da Polônia. Ele foi o Comandante-em-Chefe das forças aliadas no fronte Oeste durante a Primeira Guerra Mundial. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_Foch

[12]   Henri Philippe Benoni Omer Joseph Pétain (Cauchy-à-la-Tour, 24/04/1856 – Île d'Yeu, 23/07/1951), geralmente apelidado de Marechal Pétain, foi um oficial general francês que alcançou a distinção de Marechal da França e posteriormente atuou como chefe de estado da França de Vichy de 1940 a 1944. Pétain, que tinha 84 anos em 1940, classifica-se como o mais velho chefe de estado da França. Hoje, ele é considerado por muitos como um colaborador nazista, o equivalente francês de seu contemporâneo Vidkun Quisling na Noruega. Ele às vezes era apelidado de Leão de Verdun. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_P%C3%A9tain



CHURCHILL – Parte XIV [13] [14]
No início de setembro/1918 já se ouviam comentários sobre uma iminente derrota alemã, otimismo que Churchill só veio compartilhar alguns dias depois. Nesta época ele trabalhava pelo emprego cada vez maior dos tanques como forma de proteger a infantaria e conseguir avanços maiores, bem como o uso do gás mostarda, mas suas previsões apontavam para o final da guerra apenas em 1919.[15]
Contudo, em 26/09/1918 um grande ataque com gás foi feito sobre as tropas alemãs. No dia seguinte a Bulgária se rendeu e em 15/10/1918 a Alemanha fez seu primeiro pedido de armistício, que foi recusado pelo Presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson [16] afirmando que apenas a rendição seria aceita.
Portanto “o bombardeio britânico de fábricas, depósitos de armamentos e aeródromos alemães intensificou-se.” (<pg. 435)
Em 30/10/1918 o Império Turco-Otomano se rendeu. O Império Austro-Húngaro se rendeu em 03/11/1918. 







[13]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[14]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[15]   O gás mostarda ou iperita, é um composto químico representado pela fórmula química C4H8Cl2S, em temperatura ambiente é um líquido oleoso, em estado puro, não tem cor e nem cheiro, em estado impuro possui uma cor amarelada e  um cheiro que lembra o de mostarda. Foi desenvolvido em 1822 por Cesar Mansuete Depretz e a partir de então, notou-se que na forma de gás, possui características extremamente perigosas para a saúde humana, pois provoca irritação nos olhos e feridas na pele e nas mucosas internas do sistema respiratório. As queimaduras provocadas pela exposição ao gás podem ser tão graves como as de terceiro grau e podem causar a morte em alguns dias. Em relação aos pulmões, o gás pode causar vesículas e até mesmo edema pulmonar.
      https://osabicao.com.br/o-que-e-o-gas-mostarda-2/.

[16]   Thomas Woodrow Wilson (Staunton, 28/12/1856 — Washington, D.C., 03/02/1924) foi um político e acadêmico americano que serviu como o 28º Presidente dos Estados Unidos de 1913 a 1921.  Em abril de 1917, quando a Alemanha iniciou uma guerra submarina irrestrita e o Telegrama Zimmermann foi enviado, Wilson pediu para o Congresso declarar guerra para "tornar o mundo seguro para a democracia". No começo de 1918, ele divulgou seus princípios para a paz chamados de Quatorze Pontos, e em 1919, após o armistício, ele viajou para Paris, e promoveu a criação da Liga das Nações, e participou da conclusão do Tratado de Versalhes. Após retornar da Europa, Wilson embarcou em uma turnê pelos Estados Unidos em 1919, fazendo campanha pelo tratado, sofrendo um derrame no caminho. Os republicanos no Senado se opunham ao tratado e Wilson se recusava a negociar com Henry Cabot Lodge, o que levou ao fracasso da ratificação do Tratado de Versalhes no Congresso.
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Woodrow_Wilson
Sozinha, a Alemanha enviou o segundo pedido de armistício em 07/11/1918. Três dias depois o Gabinete se reuniu em Londres para discutir as negociações:
Às 5h da manhã seguinte, os alemães aceitaram as condições dos Aliados. O combate cessaria às 11h dessa manhã. Dentro de quinze dias, as tropas alemãs evacuariam a França, a Bélgica, Luxemburgo e a Alsácia-Lorena. Todas as tropas alemãs sairiam da Renânia. As tropas aliadas e americanas ocupariam a parte da Alemanha a oeste do Reno. (<pg. 437)
No dia 11/11/1918, em seu escritório, Churchill pensava no que fazer com as fábricas e milhares de operários da indústria bélica cuja produção agora tornara-se desnecessária. Ele descreveu assim o momento em que o Big-Ben deu a badalada das 11 horas, que marcavam o fim da guerra:


Olhei novamente para a avenida. Estava deserta. Das portas de um dos grandes hotéis ocupados por departamentos do governo surgiu a figura frágil de uma funcionária, que gesticulava enquanto soava outra badalada do Big Ben. E, então, de todos os lados, homens e mulheres saíram à rua. Torrentes de pessoas saíram dos edifícios. Todos se levantaram das mesas e deixaram de lado papel e caneta. Bandeiras apareciam como que por encanto. (<pg. 438)
Quatro dias depois, 15/11/1918, nascia o quarto filho de Churchill, uma menina de nome Marigold Frances. A despeito da gravidez, Clementine enfrentava as longas ausências do marido atuando sempre que possível em favor de sua carreira política e, “durante mais de três anos tinha trabalhado para organizar refeitórios para as operárias das fábricas de munição”. (pg. 435/440)
Terminada a guerra Lloyd George convocou eleições gerais para decidir de vez a disputa com os liberais apoiadores de Asquith. Foi uma vitória consagradora da coligação e o Primeiro Ministro se manteve no cargo com ampla maioria no Parlamento.
Churchill também foi reeleito e, neste período, era um dos poucos que defendia uma paz moderada com a Alemanha, para evitar que o bolchevismo se instalasse naquele país.
Também defendia altos impostos sobre os lucros de guerra das empresas, nacionalização das estradas de ferro, controle dos monopólios e a criação da Liga das Nações, para dirimir conflitos futuros e evitar novas guerras. (<<pg. 440-441)
Em 09/01/1919 Churchill foi nomeado para o novo Ministério da Guerra e da Aviação onde tinha a tarefa de atuar dentro do contexto da Guerra Civil na Rússia,[17] na qual a Inglaterra apoiava os anti-bolcheviques inclusive com tropas e armas. Winston, ao contrário, advogava que fosse feito um acordo com eles (ainda que à força) desde que levasse a eleições democráticas no país e o consequente (achava ele) fim do domínio bolchevista pois, pela força, ele não acreditava ser possível vencer.
Apesar disso, defendia o auxílio com armas, suprimentos e voluntários para que os próprios russos anti-bolcheviques pudessem vencer. O Primeiro-ministro Lloyd George, porém, aceitava enviar apoio desde que não fosse muito custoso. As nações estavam cansadas da guerra e não queriam prolongar os combates agora na Rússia, não queriam se envolver e nem davam a mesma importância que Churchill ao perigo do bolchevismo se espalhar. Acreditavam que esse perigo aumentaria se enviassem muitos soldados à Rússia e eles tivessem contato com a ideologia marxista. (<pg. 445-450)







[17]   A Guerra Civil Russa foi um conflito armado múltiplo que eclodiu no território do já dissolvido Império Russo, envolvendo o novo governo bolchevique, alçado ao poder desde a Revolução de Outubro de 1917, e seus opositores, incluindo militares do antigo exército tsarista, conservadores e liberais favoráveis à monarquia, além de grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa e a correntes socialistas minoritárias (mencheviques). A data exata do início do conflito é controversa entre os historiadores: alguns defendem que teria ocorrido logo após a Revolução de Outubro (em 7 de novembro de 1917, segundo o calendário gregoriano), enquanto que, para outros, teria sido na primavera de 1918. A guerra civil perdurou até 1923, embora a maior parte dos combates já tivesse cessado em 1921, com a vitória dos bolcheviques. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Russa



Cabia a ele, ainda, a gigantesca tarefa de desmobilizar e trazer para casa os quase quatro milhões de soldados que haviam lutado na guerra e sobrevivido e que estavam muito insatisfeitos, começando a provocar distúrbios. Poucos dias depois ele já possuia um plano justo de desmobilizações no qual os soldados que tinham estado na guerra por mais tempo, bem como os feridos e os mais velhos, poderiam voltar para casa imediatamente. Ao mesmo tempo ele conseguiu manter um exército de um milhão de homens como força de ocupação na região do Rio Reno.  (pg. 441-445)



CHURCHILL – Parte XV [1] [2]
A guerra civil na Rússia terminou com a vitória dos bolcheviques. Churchill trabalhou intensamente para conseguir enviar ajuda aos anti-bolcheviques, mas foi sempre tolhido pela inabalável determinação do governo britânico em envolver-se o mínimo possível e, embora tenha havido momentos em que o exército branco chegou mesmo a se aproximar de Moscou, no final o Exército Vermelho empurrou os inimigos para fora da Rússia, vencendo a guerra.
Ao final dela a disposição mundial era de negociar com os bolchevistas vitoriosos, fato que Winston acabou apoiando. Ele teve pouco poder de decisão na questão da guerra, mas seu empenho em apoiar o lado que acabou derrotado fez com que a derrota fosse atribúida a ele dentro da Inglaterra, quase como uma nova Galipoli. (<pg. 445-460)
Já praticamente afastado das questões da Rússia, inclusive no que diz respeito a invasão da Polônia, Churchill passou a se preocupar com os atentados praticados na Irlanda por pessoas ligadas ao Sinn Fein [3] e a uma revolta na Mesopotâmia, atual Iraque.







[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Sinn Féin é um dos movimentos políticos mais antigos da Irlanda. Fundado em 1905 por Arthur Griffith para unir os grupos informais nacionalistas de resistência pacífica ao domínio britânico, seu objetivo era restaurar a monarquia irlandesa, fora do poder desde o século XVIII. Em gaélico irlandês, a expressão significa "Nós mesmos". Em tempos passados os próprios integrantes afirmavam ser o braço político do Exército Republicano Irlandês, o IRA. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinn_F%C3%A9in
Ele defendia uma retirada britânica daquela área do Crescente Fértil, posição derrotada dentro do governo. Defendia, também, a repressão contra os terroristas irlandeses até o momento em que se dispusessem a conversar.
A despeito dessa posição conciliadora, tornou-se um dos alvos de futuros sequestros de autoridades planejados pelos terroristas. Aos poucos o ciclo de atentados e represálias tornou-se uma bola de neve. (<<pg. 461-467)
Vendo um inevitável aumento das despesas militares por conta de tantos conflitos, Churchill sugeriu a criação de um departamento para cuidar exclusivamente da questão do Oriente Médio. Nesta época, sempre com uma visão décadas antecipada, ele defendia a criação de um estado judeu nas margens do Rio Jordão:
Se, como é bastante possível que aconteça, for criado um Estado judaico nas margens do Jordão, sob a proteção da Coroa Britânica, que pode incluir três ou quatro milhões de judeus, terá ocorrido na história do mundo um evento benéfico sob todos os pontos de vista, que estará especialmente em harmonia com os mais autênticos interesses do império britânico. (<pg. 469)


Quando Lloyd George se convenceu da necessidade de economizar, chamou Churchill para ocupar o cargo de Ministro das Colônias, o que ele aceitou em 07/01/1921, assumindo o posto oficialmente em 13/02/1921. (pg. 468-469)
Lawrence da Arábia
Churchill trabalhou para reduzir os gastos da Inglaterra na administração do Iraque conferindo autonomia administrativa à região. Ele nomeou o general Thomas Edward Lawrence (o Lawrence da Arábia [4]) como seu conselheiro e, através dele, costurou um acordo com o Emir Faiçal e seu irmão Abdullah para que estes ocupassem os tronos do Iraque e da Transjordânia respectivamente e garantissem a existência de um futuro estado judeu e não atacassem os franceses na Síria.
Uma conferência realizada no Cairo (março/1921) resultou em acordo que foi sacramentado no documento intitulado Tratado Anglo-Iraquiano.[4] Mais uma vez demonstrando sua visão muito à frente de seu tempo, Winston propôs autonomia aos curdos que viviam no norte do Iraque. (<pg. 471-473)







[4]   Thomas Edward Lawrence (16/08/1888 - 19/05/1935), também conhecido como Lawrence da Arábia, e (aparentemente entre os seus aliados árabes) Aurens ou El Aurens, foi um arqueólogo, militar, agente secreto, diplomata e escritor britânico. Tornou-se famoso pelo seu papel como oficial britânico de ligação durante a Revolta Árabe de 1916-1918. A sua fama como herói militar foi largamente promovida pela reportagem da revolta feita pelo viajante e jornalista estadunidense Lowell Thomas, e ainda devido ao livro autobiográfico de Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria.  
https://pt.wikipedia.org/wiki/T._E._Lawrence

[5]   O Tratado Anglo-Iraquiano de 1922 foi um acordo assinado entre os governos do Reino Unido e do Iraque. O tratado foi planejado para permitir aos habitantes locais uma participação limitada na divisão do poder, dando aos britânicos o controle da política militar e exterior. Tinha a intenção de concluir um acordo feito na Conferência do Cairo para estabelecer um governo haxemita no Iraque.  O Tratado Anglo-Iraquiano foi assinado principalmente devido aos esforços revolucionários dos cidadãos do Iraque, uma coligação de ambos os árabes, xiitas e sunitas. Os maiores centros de insurreição durante a Grande Revolução Iraquiana de 1920 incluíram Moçul, Bagdá, Najafe e Carbala. O esforço de rebelião em Carbala foi inflamado por uma fatwa emitida pelo grande mujtahid Imame Xirazi. A fatwa fazia uma observação que era anti-islâmico ser governado pelos britânicos, que não praticavam o islamismo. A fatwa ordenou um Jihad contra a ocupação britânica. O tratado foi assinado em nome dos britânicos por Sir Percy Cox em 10 de outubro de 1922. Não foi ratificado pelo governo iraquiano até 1924, quando o Alto Comissário Britânico ameaçou impor sua autoridade para desfazer a constituição, elaborada pela assembleia constituinte do Iraque. Foi visto com desdém por muitos iraquianos, tanto xiitas quanto sunitas. De qualquer forma, foi o primeiro passo para um Iraque mais independente.   
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Anglo-Iraquiano
Os Reis Faiçal e Abdullah
Mas, se Faiçal e Abdullah aceitavam a imigração dos judeus, a maioria dos árabes não estava disposta a permitir a existência de um enclave judeu na Palestina e fizeram Churchill saber disso, solicitando a suspensão da vinda de mais judeus para a região até a criação de um Estado Palestino. Ele, porém, não podia e nem queria atender tal desejo, defendia direitos iguais a ambos os povos.
Cada passo que se dê deverá ser para o benefício moral e material de todos os habitantes da Palestina, judeus e árabes por igual. Se isso for feito, a Palestina será feliz e próspera: a paz e a harmonia reinarão sempre e essa terra se converterá num paraíso, numa terra de leite e mel onde os sofredores de todas as raças e religiões encontrarão o descanso depois de suas provações. (<pg. 475)
Mas não foi possível conciliar os interesses judeus e árabes, de modo que a economia que Churchill pretendia, e que motivara todas aquelas negociações, não se concretizou. Motins árabes levaram à suspensão temporária da imigração. (pg. 476-477)




CHURCHILL – Parte XVI [1] [2]
Em 29/05/1921 Lady Randolph, mãe de Churchill, caiu de uma escada e teve que amputar a perna por conta de uma gangrena. Ela faleceu em 09/06/1921 aos 67 anos. Winston escreveu que sentia a perda, mas não de forma trágica, pois sua mãe tivera “...uma vida repleta. O vinho da vida corria em suas veias. Mágoas e tempestades eram conquistadas por sua natureza e, no fim das contas, foi uma vida cheia de luz.” (pg. 478)
Alguns dias depois do funeral, em discurso na Conferência Imperial, Churchill alertou para a necessidade de promover a reconciliação entre a França e a Alemanha, sob o risco de ocorrer “em pouco mais que uma geração, um recrudescer da luta que terminara havia tão pouco tempo”. (pg. 478)
Em 23/08/1921 Churchill sofreu a segunda perda pessoal naquele ano. Sua filha mais nova, Marigold, faleceu vítima de meningite. Winston escreveu de sua devastadora tristeza por “essa pequena vida se extinguir quando parecia vir a ser tão bela e tão feliz, exatamente quando tudo estava começando”. (pg. 479)
No restante daquele ano trágico, Churchill se dedicou a costurar um acordo sobre a autonomia da Irlanda que resultou no Tratado Anglo-Irlandês.[3] Depois foi nomeado para presidir a Comissão Ministerial de Orçamento de Defesa onde deveria promover cortes de despesas que atendessem aos críticos dos gastos sem prejudicar as forças armadas. (PG. 480-483)







[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   O Tratado Anglo-Irlandês foi um acordo firmado entre a Irlanda e o Reino Unido com o objetivo de dividir territórios no então Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Estabelecido em 1921, instituiu o Estado Livre Irlandês e separou a Irlanda do Norte da República Irlandesa.    
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Anglo-Irland%C3%AAs
Na Irlanda os extremistas não aceitaram o acordo e a violência recomeçou, apesar da produtiva conversa (promovida por Churchill) em que os líderes irlandeses adversários Sir James Craig [1] e Michael Collins [2] terem chegado a entendimento, bem como da aprovação do Tratado e da Lei do Estado Livre Irlandês por parte do parlamento britânico. A facção republicana liderada por Eamon de Valera [3] iniciou ações violentas que acabaram em uma guerra civil que foi vencida pelo governo.[4] (pg. 484-491)







[1]   James Craig, 1º Visconde Craigavon, (08/01/1871 - 24/11/1940), foi um proeminente político unionista irlandês, líder do Partido Unionista do Ulster e primeiro Primeiro Ministro da Irlanda do Norte. Ele foi criado um baronete em 1918 e elevado ao Pariato em 1927.  
     https://en.wikipedia.org/wiki/James_Craig,_1st_Viscount_Craigavon

[2]   Michael John "Mick" Collins (Cloich na Coillte, 16/10/1890 — Béal na mBláth, 22/08/1922) foi um líder revolucionário irlandês, que agiu como Ministro das Finanças da República Irlandesa, Director dos Serviços Secretos do Exército Republicano Irlandês (IRA) e membro da delegação irlandesa que negociou o Tratado anglo-irlandês, tendo sido também Presidente do Governo Provisório da Irlanda do Sul e Comandante-Chefe do Exército Nacional. Foi uma das figuras centrais da luta irlandesa por independência no começo do século XX.  
     https://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Collins_(Irish_leader)

[3]   Éamon de Valera (nascido Edward George de Valera; Nova York, 14/10/1882 - Dublin, 29/08/1975) foi uma das figuras políticas dominantes do século XX, na Irlanda. Entre 1917 e 1973, ocupou vários cargos públicos proeminentes, servindo várias vezes como Chefe de Estado e governo. De Valera foi um dos líderes na luta contra o Reino Unido pela independência da Irlanda e um dos responsáveis pela criação da atual Constituição da Irlanda. Mais tarde, ele também liderou a facção anti-tratado do movimento republicano irlandês durante a violenta guerra civil de 1922–1923. 
     https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89amon_de_Valera

[4]   A Guerra Civil Irlandesa (28/06/1922 — 24/05/1923) foi um conflito que acompanhou a criação do Estado Livre Irlandês como uma entidade independente do Reino Unido dentro do Império Britânico. O conflito foi travado entre dois grupos opostos de nacionalistas irlandeses: as forças do novo governo do Estado Livre, apoiantes do Tratado anglo-irlandês, e os republicanos, para quem o Tratado representava uma traição da República da Irlanda. A guerra foi ganha pelas forças governistas. Segundo historiadores, a guerra civil na Irlanda pode ter levado mais vidas do que a guerra da independência contra a Grã-Bretanha, que a precedeu, e deixou a sociedade irlandesa dividida e ressentida nas décadas seguintes. Atualmente, os dois principais partidos políticos da República Irlandesa, a Fianna Fáil e a Fine Gael, são os descendentes diretos dos lados opostos desta guerra. 
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Irlandesa
Sir James Craig - Michael Collins - Eamon de Valera
Quase ao mesmo tempo, Churchill passou a trabalhar por conferir os estatutos legais para garantir a permanência dos judeus na Palestina. Em 15/09/1922, pouco mais de um ano após a morte da pequena Maringold, Clementine deu a luz a Mary Spencer-Churchill, a última filha do casal. (pg. 489-491)
Durante este período, uma crise militar entre a Grécia e a Turquia fez com que os olhos de Churchill se voltassem novamente para o Estreito de Dardanelos. Winston era francamente favorável a fazer as pazes com a Turquia, mas Lloyd George apoiava entusiasticamente os gregos quando, no início do conflito eles avançavam na Ásia Menor.
Mas em Setembro a situação já tinha se invertido quando o avanço turco retomou a região. Churchill defendia que as tropas britânicas (sediadas em Chanak e em franca desvantagem) também se retirassem da Ásia Menor, concentrando-se para defesa de Galípoli, o que o Primeiro-Ministro não aceitava.  (<pg. 467-468 / 473 / 478 / 491-495)


Afinal a guerra não aconteceu pois um acordo foi costurado. A despeito disso os conservadores, liderados por Bonar Law, decidiram se retirar do governo de coalização, levando à queda de Lloyd George e de seu gabinete. Neste episódio, no qual perdeu o emprego, Churchill não pode atuar pois teve uma crise de apendicite e precisou ser operado declarando, depois, que “Num piscar de olhos, encontrei-me sem ministérios, sem lugar no Parlamento, sem partido e sem apêndice”. (pg. 493-495)
Lloyd George - Bonar Law
Em 23 de outubro de 1922 Bonar Law assumiu como Primeiro-Ministro e logo dissolveu o Parlamento, convocando eleições. Em Dundee (Escócia), o distrito pelo qual Churchill disputava a eleição, os Conservadores não lançaram candidato, mas a facção Liberal correligionária de Asquith o fez. Outro candidato liberal foi lançado (E.D. Morei), bem como um independente (Edwin Scrymgeour) ligado aos trabalhistas.
Recém operado, Winston não podia viajar para fazer campanha, de modo que a sempre atuante Clementine fazia discursos em seu lugar, mas a popularidade dos Churchill estava em queda. Clementine escreveu ao marido relatando a vilania da imprensa e a forma como ela o apresentava:
Acho que aquilo de que as pessoas mais gostam é a solução da questão irlandesa, de modo que trouxe isso à tona, bem como sua parte em ser dado governo próprio aos bôeres. A ideia contra você parece ser que é um “fazedor de guerra”, mas eu o exibo como um querubim pacificador, com asinhas de plumas ao redor de seu rosto rechonchudo. (<<pg. 496)
O resultado das urnas revelou a vitória de  Scrymgeour e Morei. Churchill ficou apenas na quarta colocação. Após a derrota ele recebeu várias manifestações de amigos lastimando a decisão do povo de Dundee. Lawrence da Arábia escreveu “Que merdas devem ser as pessoas de Dundee”.


A um outro amigo, porém, Churchill respondeu “Se visse o tipo de vida que as pessoas de Dundee levam, você admitiria que elas têm muitas razões.” (<pg. 498)
Um dos quadros pintador por Churchill
A vitória dos Conservadores foi arrasadora. Conseguiram 354 cadeiras no Parlamento, os trabalhistas ficaram com 142, os liberais de Lloyd George 62, os liberais de Asquith 54. Churchill estava bastante desanimado e viajou com a família para férias de seis meses na França, para descansar, pintar e escrever os volumes da obra A Crise Mundial. (pg. 498)
No segundo volume desta obra Churchill apresentou muitos documentos sobre sua verdadeira parcela de participação na campanha de Galípoli.


CONTINUA
[1]   GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]   Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).




CHURCHILL – Parte XVII [1] [2]
Bonar Law foi diagnosticado com  um câncer terminal e se demitiu. Em seu lugar assumiu, como novo Primeiro-Ministro, Stanley Baldwin.[3] Em 1923 Baldwin convocou eleições e Churchill concorreu por Leicester onde foi novamente derrotado. Derrotado também foram os Conservadores, que perderam cerca de 100 cadeiras no Parlamento. Liberais e Trabalhistas se uniram e Baldwin perdeu seu posto de Primeiro-Ministro, sendo substituído pelo trabalhista Ramsay MacDonald. [4]. (pg. 500-501)




[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   Stanley Baldwin, (Bewdley, 03/08/1867 — Stourport-on-Severn, 14/12/1947) foi um político britânico, por três vezes primeiro-ministro do Reino Unido pelo Partido Conservador. Em maio de 1923, Bonar Law foi diagnosticado com um câncer terminal e se retirou da vida pública. O rei Jorge V nomeia, como primeiro-ministro a Baldwin, ao invés do aristocrático líder conservador George Nathaniel Curzon, membro da Câmara dos Lordes. A princípio, manteve seu cargo de Chanceler do Tesouro, até que nomeou para o cargo Neville Chamberlain. Os conservadores tinham uma clara maioria na Câmara dos Comuns e puderam governar durante cinco anos sem convocar novas eleições, mas Baldwin se sentia comprometido com a decisão de Bonar Law de não introduzir novas tarifas sem novas eleições. Com o país fazendo frente ao crescente desemprego, Baldwin decidiu convocar eleições em 1923, buscando um mandato que lhe permitiria introduzir tarifas protecionistas para enfrentar a situação. Nas eleições, mantiveram a maioria na Câmara dos Comuns, entretanto, o pacote de tarifas, principal assunto político, não logrou êxito. Permaneceu como primeiro-ministro até a sessão de abertura do novo parlamento em janeiro de 1924, momento no qual o governo foi derrotado numa moção de confiança. Imediatamente, demitiu-se.  
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Stanley_Baldwin

[4]   James Ramsay MacDonald (Lossiemouth, 12/10/1866 — Oceano Atlântico, 09/11/1937), foi um político britânico, um dos fundadores e dirigentes do Partido Trabalhista Independente e do Partido Trabalhista, foi o primeiro trabalhista a se tornar primeiro-ministro do Reino Unido, no reinado de Jorge V. A formação de um governo com a minoria deu-se pela coalizão com os Liberais, para a formação do primeiro gabinete. Com a frágil maioria, ainda em 1924, MacDonald convocou eleições gerais, sendo nesta ocasião derrotado pelos Conservadores. Durante a campanha, um jornal publicou a famosa “Carta de Zinoviev”. Embora mais tarde ter-se comprovado ser uma fraude, a carta arruinou as credenciais anti-comunistas de MacDonald. Seu principal ato durante este primeiro mandato foi o Wheatley Housing Act, que foi um programa de construção de edifícios com 500.000 apartamentos para o aluguel às famílias de trabalhadores (proletariado). Durante este primeiro mandato, em setembro, fez um discurso à Liga das Nações, em Genebra, em que o principal tema era o desarmamento geral da Europa, que foi recebido com grande aclamação.
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Ramsay_MacDonald
Stanley Baldwin - Ramsay MacDonald
Depois desta derrota, Baldwin passou a se empenhar para que Churchill liderasse os liberais descontentes com a aliança com os trabalhistas e os conduzisse em torno de uma ação conjunta com os conservadores.  Clementine não via com bons olhos o retorno do marido ao meio conservador, mas também não se opunha totalmente: “Meu querido, uma pessoa não concorre se não tiver uma razoável certeza de que ganhará”, “Em todo o caso, não seja uma pechincha para os tories. Eles o trataram tão mal no passado que agora devem ser obrigados a pagar.”.
Em 19/03/1924 Churchill foi novamente derrotado. Ele estava receoso de retornar ao convívio conservador pois não queria abandonar as bandeiras liberais que defendera nos últimos 20 anos. Por outro lado não via outra legenda com mais chances de derrotar o socialismo do que os conservadores.
Ele encontrou um ponto em comum no combate ao empréstimo que o governo trabalhista concedeu à Rússia bolchevique e então pode discursar pregando uma união liberal-conservadora contra o trabalhismo e seu apoio à Rússia.
Como esse discurso tinha apelo popular, nas eleições de 29/10/1924 Winston foi eleito com larga margem de votos sobre seus concorrentes. Também foi uma grande vitória para os conservadores que conquistaram “419 lugares contra 151 para os trabalhistas e apenas 40 para o Partido Liberal”. Stanley Baldwin voltou ao posto de Primeiro-Ministro.

Embora não acreditasse que fosse chamado para ocupar cargo no governo, Churchill foi convocado para o Ministério das Finanças e aceitou, contra o desejo da esposa, que preferia a Saúde. (<<<<pg. 502-507)
Como Ministro das Finanças do Governo Conservador, Churchill logo começou a colocar em prática sua agenda liberal, “...arquitetando e financiando um alargamento substancial do sistema nacional de seguro”, redução de impostos para “...profissionais, pequenos comerciantes e homens de negócios — toda a espécie de gente que trabalha com o cérebro”, programas sociais (para os vulneráveis como viúvas, órfãos e velhos) e de construção de casas populares.
Na política externa ele conseguiu estabelecer um calendário de pagamento para a dívida da Inglaterra com os EUA, bem como para as dívidas de “França, da Bélgica, da Itália e do Japão, […] Brasil, Tchecoslováquia, Romênia e Sérvia” para com a Inglaterra.
Como débitos eram menores que créditos, ele garantiu uma entrada de recursos. Também conseguiu economizar dinheiro reduzindo o orçamento da Marinha. (<<pg. 508-512)
Sua intenção era garantir recursos para suas reformas sociais voltadas aos desamparados. Mas ele não fazia isso apenas movido pelo sentimento da caridade, embora ele fosse predominante. Aos nossos olhos é possível ver o planejamento de uma colcha de proteção social que servisse também como defesa contra a entrada de ideias socialistas no país:
Se posso usar uma metáfora militar, não são as fortes tropas a marchar que necessitam de um prêmio extraordinário ou de indulgência. É aos que ficaram para trás, os fracos, os feridos, os veteranos, as viúvas e os órfãos que devem dirigir-se as ambulâncias do Estado”. (<pg. 512)

Nosso objetivo é o apaziguamento do azedume entre as classes, a promoção de um espírito de cooperação, a estabilização de nossa vida nacional e a construção de nossos planos sociais e financeiros numa base de três ou quatro anos. (pg. 513)
Negociações do Tratado de Locarno
Churchill também trabalhou no sentido de não isolar a Alemanha, mas incluí-la no esquema de proteção das fronteiras dos países. Também sugeriu à Polônia cultivar a amizade com a Alemanha no intento de não ficar isolada entre esta e a Rússia se um acordo russo-alemão fosse costurado. Segundo Martin Gilbert, essas ideias resultaram no Tratado de Locarno.[5] (pg. 513)
Como se vê, sempre que possível, Churchill optava pela ação conciliadora, como se veria logo após, em mais uma greve dos mineiros. Winston conseguiu evitar demissões garantindo subsídios do governo às mineradoras. (pg. 513)
CONTINUA




[5]   Por meio dos sete Tratados de Locarno, negociados em Locarno, Suíça, em 16 de outubro de 1925, e assinados em Londres em 1 de dezembro de 1925, as potências da Europa Ocidental aliadas na Primeira Guerra Mundial buscaram a manutenção das fronteiras entre a Bélgica e a Alemanha, assim como aquelas da França com a Alemanha. Foram fiadores do Tratado o Reino Unido e a Itália, apesar de não terem tomado, efetivamente, nenhuma providência no sentido de honrarem sua promessa. Nenhum comprometimento militar ou planejamento de defesa para os territórios envolvidos foi feito. Nos termos do tratado principal (o "Pacto de Estabilidade" ou "Pacto Renano", entre Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido e Itália), os signatários ofereciam garantias de que a Alemanha não seria reocupada pelos Aliados; em troca, a Alemanha aceitava manter desmilitarizada a área da Renânia - o que já era previsto no Tratado de Versalhes, mas não era realmente aceito pelo governo alemão, que encarava aquilo, até então, como mais uma das imposições cruéis que o pacto pós-Primeira Guerra tinha criado. O governo alemão, porém, recusou-se a negociar um "Locarno no Leste", deixando claro que estava descontente com a então configuração das fronteiras orientais.
     https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratados_de_Locarno