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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

REVOLUÇÃO IRANIANA

REVOLUÇÃO IRANIANA
Foi em um dia 01/02 como hoje, no ano de 1979, que o Aiatolá Khomeini (Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini), retornou ao Irã para fundar a República Islâmica do Irã, em substituição ao regime monárquico do Xá Reza Pahlevi (Mohammad Reza Pahlevi).
O Xá Reza Pahlevi, nascido em 26/10/1919 em Teerã, quando o país ainda era a Pérsia, assumiu o poder durante a II Guerra Mundial, após a abdicação de Reza Xá, seu pai, forçada por uma invasão de ingleses e russos.
Durante seu reinado a indústria do petróleo foi estatizada, mas EUA e Inglaterra forçaram a volta da privatização. Também em seu período foram celebrados 2.500 anos de monarquia persa, contada desde Ciro, O Grande.
O Xá Reza Pahlevi tomou várias medidas para modernizar e secularizar o Irã, mantendo uma linha de atuação pró ocidente e mantendo negociações com Israel, o que lhe fez perder o apoio do clero xiita.
O Xá Reza Pahlevi e o Aiatolá Khomeini 
A crise econômica, as medidas fracassadas para solução desta e a inerente corrupção do regime o fizeram perder apoio dentre a população em geral e acabou por fazer surgir uma forte oposição. E quanto maior a oposição, maior foi a repressão.
Essa repressão cresceu tanto que incomodou o ocidente. Em 1977 o Presidente dos EUA, Jimmy Carter pressionou o regime a reduzir a perseguição política, no que foi atendido. Ao contrário do esperado, porém, as manifestações contra o governo só aumentaram.
Quando a repressão voltou, o exército matou cerca de 90 pessoas durante protestos, no que ficou conhecido como massacre da Sexta-Feira Negra em 08/09/1978. Como era de se esperar, as manifestações se agigantaram chegando ao número de 2 milhões de pessoas em Teerã no dia 12/12/79.
Quando os soldados do exército começaram a desertar para não ter que atirar no povo, o governo estava condenado. O Xá Reza Pahlevi ainda acenou com concessões, mas já tinha perdido a guerra. Quando o Aiatolá Khomeini exigiu o fim da monarquia, Pahlevi não viu outra alternativa que não a fuga do país.
Então Khomeini foi convidado a retornar ao país, vindo de Paris, onde estava exilado. Logo ele já era aceito como lider maior da revolução e assumiu o governo afastando todos os opositores.
Em pouco tempo o novo regime expulsou as representações diplomáticas americanas, cancelou os contratos de compras de armas e exportação de petróleo aos EUA e implantou uma constituição teocrática, baseada na Sharia, a Lei Islâmica. A ocidentalização do Irã foi interrompida.
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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Iraniana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruhollah_Khomeini
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mohammad_Reza_Pahlavi
https://historiazine.com/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-iraniana-80482633fd2f
https://historiazine.com/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-iraniana-80482633fd2f#.5k92sbj6y
http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/revolucao-islamica-no-ira-9541025
https://shakak76.wordpress.com/2015/02/10/iranian-revolutionthe-phenomenon-which-changed-the-middle-east/
http://www.davidburnett.com/gallery.html?gallery=44+Days%3A+the+Iranian+Revolution#/16
http://www.ilimvemedeniyet.com/iranian-islamic-revolution.html

http://www.davidburnett.com/gallery.html?gallery=44+Days%3A+the+Iranian+Revolution#/3

DIAS DE JANEIRO NA HISTÓRIA


FUNDAÇÃO DE SÃO VICENTE
Em um dia 22/01 como hoje, no ano de 1532, Martin Afonso de Souza, donatário português, fundava a Vila de São Vicente, primeira vila da História do Brasil.
A localidade, que na verdade é uma ilha, fora habitada, em seus primórdios, por índios Tapuias, expulsos pelos índios Tupis vindos da Amazônia por volta do ano 1000.
O nome, Ilha de São Vicente, foi dado por Gaspar de Lemos em 1502, em honra de Vicente de Saragoça, ou São Vicente Martir. Porém, os índios que a habitavam então denominavam de ilha de Gohayó.
Martin Afonso de Souza, que recebera duas capitanias hereditárias do Rei Dom João III, veio ao Brasil com a missão de demarcação do litoral até o Rio da Prata e, após travar combate contra os “índios carijós, guaianases e tamoios“ a quem venceu, fundou a vila.
As primeiras construções consistiram do pelourinho, símbolo da autoridade real, a igreja e uma câmara, para a qual foram realizadas as primeiras eleições das Américas, em 22/08/1532.
Assim, a fundação de São Vicente representou o início, de fato, da História do Brasil Colônia. Parabéns a todos os que, como eu, têm o orgulho de serem Vicentinos!
Moro no belíssimo Nordeste. Estou distante, mas não esqueço dos passeios de trenzinho na Praça 22 de Janeiro, dos doces maravilhosos (e cheios de abelhas) das barracas da Biquinha e da emocionante (e assustadora) travessia a pé da Ponte Pênsil.
Parabéns São Vicente!
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CÉSAR CRUZA O RUBICÃO
Em um dia 10/01 como hoje, no ano 49 a.C., Júlio César, acompanhado da XIII Legião, atravessou o Riacho Rubicão, em Ariminum (atual Rimini – Itália), cruzando assim a fronteira italiana da época e violando a lei do Senado que proibia o ingresso de Generais e Legiões armadas na Itália.
A República Romana vivia seus momentos finais, embora parecesse restaurada após a ditadura de Sila. Quando este morreu, o poder retornou a um Senado desconectado do povo e incapaz de reassumir, de fato, o comando do império que Roma já se tornara.1
Com isso, recorreu-se ao suporte de figuras aliadas de Sila, mas capazes de reunir apoio popular, apesar de oriundas das classes dominantes. O poder passou a se concentrar em Cneu Pompeu e Marco Crasso.2
O Triunvirato
Crasso, “...general enriquecido pela compra dos bens confiscados por Sila...”3 derrotara a rebelião de Spartacus, mas tivera seu triunfo (o mais pomposo desfile militar) negado pelo Senado.4
Pompeu conquistara fama e fortuna vencendo a rebelião de Sertório, na Hispania, também vencera o Rei Mitridates e eliminara os piratas do Mar Mediterrâneo.5 Contudo os senadores estavam receosos do poder acumulado pelo general, por eles mesmos conferido, e passaram a cerceá-lo.6
Uma vez terminadas as campanhas militares, Pompeu e Crasso deveriam devolver os postos de comando, o que não fizeram. E o Senado não tinha como forçá-los sem iniciar uma guerra civil.7
Para garantir o apoio do partido popular, ambos fizeram acordo com um dos sobrinhos de Mário que conseguira escapar da perseguição de Sila. Seu nome? Júlio César!8
O acordo político dos três garantia “assistência mútua entre si para dividir o poder” entre eles mesmos e seus aliados nascendo, assim, o sistema que ficou conhecido como Primeiro Triunvirato.9
Este sistema de alianças permitiu que César chegasse ao Consulado e conseguisse, depois, o mandato para atuar na Gália. Esta guerra, como se sabe, lhe garantiu imensa riqueza e fama, equiparando-o, e até superando, seus dois parceiros de poder.
Apesar dos imensos egos que suportava, o acordo correu bem até que a morte os separou. Em 54 a.C. a esposa de Pompeu, Júlia, morreu de parto. Ela era filha de César.10 E no ano seguinte, 53 a.C., quem morreu foi Crasso, quando seu exército foi massacrado na Partia.11
Com esta morte, o equilibrio do Triunvirato acabou pois “A graça do triunvirato residia na sua inerente estabilidade, pois nenhum dos seus membros podia contra os outros dois”.12
O iminente retorno de César vitorioso e super rico da Gália fez com que seus adversários do Senado instigassem Pompeu contra ele. A estratégia consistiu, segundo Sheppard, em fazê-lo voltar a Roma sem a imunidade do cargo de Cônsul, para poder acusá-lo e derrotá-lo, apesar de um acordo ter sido aprovado “...por ampla maioria: 370 votos contra 22.13
Os 22, porém, conseguiram vetar os votos dos 370 e “O fato de os poucos senadores poderem vetar uma medida com apoio tão amplo era apenas um dos sinais do estado de deterioração das instituições democráticas de Roma.14
Lissner compara Roma a uma nau sem piloto, entregue à anarquia: “O Senado era corruptível, a Constituição estalava por todos os lados e as tribunas dos oradores estavam muitas vezes manchadas de sangue...15
Quando Pompeu finalmente aderiu aos inimigos de César, o confronto direto deixou de ser apenas uma das opções, passando a ser a única.16
Os primeiros embates da Guerra Civil, porém, ocorreram não nos campos de batalha, mas no piso do Senado. Uma série de medidas legislativas, algumas apenas de fachada, outras aprovadas e depois vetadas, resultou, por fim, na declaração de César como fora da lei.17
Com suas conquistas e a própria vida em risco, César dirigiu-se a Ariminum, onde o Rio Rubicão marcava a fronteira da Itália, na qual pela lei ele não poderia entrar liderando tropas.18
Plutarco descreve assim o momento decisivo: “Havendo, pois, chegado ao Rio Rubicão, […] parou pensativo e esteve por algum tempo meditando sobre o atrevimento de suas ações. Depois […] sem articular mais palavras do que esta expressão […] - A sorte está lançada...- fez com que as tropas atravessassem o rio.”19
César estava voltando pra casa!

1    SHEPPARD, Si. Grandes Batalhas - Farsália 48 a.C. César contra Pompeu. Osprey – Espanha 2010. pg. 10
2      Idem
3    MENDES, Norma Musco. Roma Republicana. São Paulo: Ática, 1988. pg. 67
4    BRANDÃO, José Luís (coord.); OLIVEIRA, Francisco de (coord.). História de Roma Antiga volume I: das origens à morte de César. Coimbra-Portugal: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015. pg.373
5    GRIMAL, Pierre. História de Roma. Trad. Mª L. Loureiro. São Paulo: UNESP , 2011. pg. 106
6    (MENDES: 1988) pg. 67
7    (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.373
8    (MENDES: 1988) pg. 67
9    (GRIMAL: 2011) pg. 111
10  SUETONIUS. Roma Galante – pg. 16
11  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.384
12  (SHEPPARD: 2010) pg. 11
13  BRUNS, Roger. Os Grandes Líderes – Júlio César. São Paulo: Nova Cultural, 1988. pg. 64
14    Idem
15  LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964. pg.79
16  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.385
17  (SHEPPARD: 2010) pg. 12-16
18  Ibid. pg. 16
19  PLUTARCO. Vidas Paralelas - Tomo V - Pompeyo: LX

CALENDÁRIO JULIANO
Em 01/01/45 a.C., entrava em vigor o Caledário Juliano, após um estudo ordenado por Júlio César na qualidade de Pontifex Maximus de Roma.
O sistema de datação até então em uso era o Calendário Romano, que era Lunar, tinha 10 meses, 304 dias e, curiosamente, não incluia os 61 dias de inverno. Ele foi supostamente estabelecido por Rômulo, fundador da cidade.
Seus meses eram assim denominados: Mártio (31 dias); April (30 dias); Maio (31 dias); Júnio (30 dias); Quintil (30 dias); Sextil (30 dias); Setembro (30 dias); Outubro (31 dias); Novembro (30 dias); Dezembro (30 dias).
Por volta de 713 a.C., o calendário foi reformado, também supostamente, por Numa Pompílio, o segundo Rei de Roma. Ele incluiu “...os meses de Januarius (29 dias) e Februarius (28 dias) no final do calendário aumentando o seu tamanho para 355 dias...”, passando o sistema para Luni-Solar, iniciando os meses em coincidência com as fases da Luz e adicionando um mês ocasionalmente, para adequar ao ciclo solar.

É evidente que tal sistema era precário, passando períodos de até 10 anos sem a introdução do mês adicional. Em 46 a.C. César percebeu que as festividades programadas para março seriam realizadas em pleno inverno, e ordenou a reforma.
Assim sendo, inspirado no calendário egípcio, o ano deixou de iniciar em Março, passando a começar em Janeiro, os meses passaram a ter 30 ou 31 dias, sendo que Fevereiro ficou com 29 dias, e 30 dias a cada 3 anos.

CALENDÁRIO EGÍPCIO NO TEMPLO DE KARNAK
No Calendário Juliano os meses eram assim denominados: Januarius (31); Februarius (29 ou 30); Martius (31); Aprilis (30); Maius (31); Junius (30); Julius (31); Sextilis (30); September (31); October (30); November (31); December (30).
O Imperador Otávio Augusto determinou a inclusão do ano bissexto para cada quatro anos e o Senado mudou o nome do mês Sextilis para Augustus, trazendo o dia 29 de Februarius (Fevereiro) para o mês de Agosto, que ficou, então, com 31 dias, igual ao mês de seu tio César (Julius – 31). Foi assim que Fevereiro passou a ter apenas 28 dias.
O Calendário Juliano vigorou até 24/02/1582, quando foi substituído pelo Calendário Gregoriano, que vigora até nossos dias.
A Igreja Ortodoxa, porém, segue utilizando o Calendário Juliano e atualmente a diferença entre ambos é de 13 dias.
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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_juliano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_romano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_gregoriano

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

REVISTA REINO DE CLIO - NOVO EDITAL


REVISTA REINO DE CLIO
ISSN 2358-5218
PUBLIQUE SEU ARTIGO!
Você já viu ou participou de um momento em que teve consciência de que estava testemunhando um momento histórico? Pode ser uma greve, uma ocupação, uma manifestação, uma eleição, um comício, enfim, um momento que pode ser inserido no contexto histórico de sua cidade, estado ou país e até mesmo do mundo? 
Se você é uma Testemunha da História, nos queremos conhecer e compartilhar sua experiência. E por isso vamos lançar uma edição focada nesse tipo de acontecimento.
A REVISTA REINO DE CLIO lança Edital de Publicação para coleta de Artigos Científicos na área de História, para publicação na edição de nº 7, a ser lançada em Abril/2017.
PRAZO PARA RECEBIMENTO DOS TRABALHOS PARA AVALIAÇÃO:
01/02/2017 a 15/04/2017
PRAZO PARA AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS:
01/02/2017 a 29/04/2017
PUBLICAÇÃO PREVISTA:
30/04/2017
Para conhecer as Normas de Publicação clique AQUI, acesse a  Revista Reino de Clio e clique na aba "Normas".
Aguardamos seus trabalhos!



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A VITORIA CRISTÃ EM ROMA



COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA - I
Nesta nova minissérie que iniciamos, vamos recontar, mui resumidamente como sempre, como o cristianismo deixou de ser a religião dos oprimidos para se tornar a fé dos outrora opressores no Império Romano.
O período em questão foi, paradoxalmente, um dos momentos de maior perseguição aos cristãos.
E, também de forma paradoxal, foi um dos maiores algozes da cristandade quem tomou medidas que acabaram por possibilitar a ascensão, ao trono, daquele que viria a libertar os cristãos da perseguição.
Primeiro, nos referimos a Diocleciano, o grande perseguidor. Depois, a Constantino, o libertador. Convém, portanto, ir por partes pois, na escrita da História, os primeiros não são estudados por último! Quem foi Diocleciano?
Quando o Império Romano se tornou cristão, passando a venerar o Deus Único, essa não era a primeira experiência monoteísta que vivenciava.

Para Ivar Lissner, em sua obra “Os Césares”1, foi uma espécie de monoteísmo o que ocorreu após a vitória do Imperador Aureliano sobre a Rainha Septímia Zenóbia, de Palmira na atual Síria (cujas ruínas foram atacadas pelo Estado Islâmico).
Septimia Zenóbia perante Aureliano
O autor afirma que a devoção de Aureliano pelo deus Sol Invicto, colocou esta divindade acima de todas as demais: “Esse culto do Sol, por Aureliano venerado, exaltando um deus único, demonstra a evolução, bastante surpreendente da inteligência antiga.” (pg. 448).
Após a morte de Aureliano, porém, assassinado após um ardil tramado por seu secretário, a instabilidade reinou no império até a ascensão de Diocleciano em 17/11/284 d.C., quando foi proclamado pelos soldados em Nicomédia. Ele foi o último imperador resolutamente pagão.
O novo imperador é descrito por Lissner como um homem mais voltado ao cotidiano e seus conflitos do que aos grandes feitos. Como consequência, o novo imperador foi um organizador tão competente que permitiu ao Império Romano ganhar uma sobrevida.
Continua...
1 LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.


COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA - II
O status de Roma como capital estava, à época, abalado, considerando que vários imperadores pouco permaneciam na cidade, diante da necessidade de suas presenças em diferentes pontos de crise do império.
Segundo Lissner2, Diocleciano, por exemplo, manteve sua corte em Nicomédia e seus antecessores mais próximos, de reinados muito curtos, nem chegaram a pisar em Roma enquanto imperadores. Foram nomeados e mortos fora da capital:
Roma, a cidade caprichosa, mimada, cruel, empanturrada de triunfos, a cidade das arenas, dos teatros e das termas grandiosas, entrava na sombra. (pg. 453)
Neste período, o título “César” já não se aplicava ao Imperador propriamente, que utilizava o título de Dominus (Senhor), acompanhado de Augustus.
Lissner informa que, em 285 d.C., Diocleciano nomeou Maximiniano como César, encarregando-o de governar a Gália e, no mesmo ano, concedeu-lhe o título de Augustus, fazendo-o Co-Imperador. (pg. 452)
O Império Romano tornava-se, novamente, uma diarquia, experiência que não era nova. E a parceria deu excelentes resultados, como a vitória sobre os “... burgúndios, os alemães, os francos, os sármatas, os godos e os árabes.”(pg. 453)
Apesar disso, Diocleciano percebeu que seria preciso descentralizar ainda mais o governo e nomeou dois Césares, um para cada Augusto. Na prática, cada imperador ganhava um auxiliar de luxo.

Os nomeados foram Galério, César de Diocleciano, enviado à Gália, e Constâncio Cloro, César de Maximiniano, enviado ao Sul do Danúbio.
Diocleciano - Maximiniano - Galério - Constâncio Cloro
Nesse novo arranjo, cada Augusto adotou seu César como filho, tornando-os sucessores. Para tal estes foram obrigados ao divórcio e ao casamento com as filhas dos imperadores.
Também foi fixado um prazo de vinte anos para que os Augustos pudessem renunciar em favor dos Césares. O trabalho tornou-se bem mais organizado e rendeu excelentes frutos. O império respirava novamente.
2 LISSNER, Ivar, Os Césares - Apogeu e Loucura: Trad. de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.
COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – III
A reorganização de Diocleciano tirou o império da UTI.
Por outro lado, a reorganização do exército, a criação de uma força reserva e as obras públicas das quatro novas capitais, onde residiam os tetrarcas, e na própria Roma, demandavam enormes somas de dinheiro, que devia vir das províncias.
A descentralização do poder levou a uma imensa pressão burocrática e arrecadatória sobre os funcionários públicos e a população de uma forma geral, com exceção dos moradores de Roma, que eram isentos de impostos.
Para piorar, a medida de fixar preços e salários por todo o império, que na prática era um congelamento, só gerou inflação e retração da atividade comercial.
E a História Contemporânea mostra que, em momentos de grave crise econômica, a população, sempre bem orientada pelos aproveitadores, tende a buscar culpados sobre quem descarregar as frustrações.
E quem eram os bodes expiatórios perfeitos para as mazelas de Roma?Os Cristãos, é claro!
Além da decadência econômica, os últimos anos de Diocleciano à frente do império foram de perseguição aos seguidores de Cristo.
Continua...
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DIRETAS JÁ NA PRAÇA DA SÉ

GRANDE COMÍCIO DAS DIRETAS JÁ
Em um dia 25/01, no ano de 1984, dia do Aniversário de 430 anos de fundação da cidade de São Paulo, uma multidão estimada entre 200 a 300 mil pessoas se reuniu na Praça da Sé para exigir o direito de eleger, pelo voto direto, o Presidente do Brasil.
A ideia de um movimento pedindo eleições presidenciais diretas fora lançada em 1983 por Teotônio Vilela, Senador por Alagoas, e se materializou através da Proposta de Emenda Constitucional nº 5, apresentada no Congresso Nacional pelo Deputado Federal do Mato Grosso, Dante de Oliveira.
A mobilização começou em Pernambuco, a 31/03/1983, com um pequeno comício em Abreu e Lima, mas foi crescendo e se espalhando pelo país, apesar da forte oposição governamental e midiática.
Em 15/06 o movimento reuniu 5000 pessoas em Goiânia, 15000 em São Paulo no dia 27/11 e chegou a 40000 pessoas em Curitiba a 12/01/1984.
Os principais fatores que levaram ao crescimento do movimento foram, de um lado, o enfraquecimento da ditadura por conta, basicamente, de seu fracasso econômico e, por outro, da ascensão de lideranças democráticas fortes como Lula, à frente do poderoso Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Franco Montoro - governador de São Paulo, Leonel Brizola – governador do Rio de Janeiro, Tancredo Neves – governador de Minas Gerais e muitos outros ocupantes ou não de cargos públicos relevantes.

Mas foi somente no comício da Praça da Sé naquele 25/01 que as massas realmente afluíram para o movimento e surpreenderam até mesmo os organizadores pela quantidade.
Contando com a apresentação de Osmar Santos, o grande nome das transmissões esportivas do momento, e a participação de muitos artistas famosos e até de jogadores do Corinthians, time no qual o jogador Sócrates e outros haviam implantado a chamada Democracia Corinthiana, o evento foi um retumbante sucesso.

A cantora Fafá de Belém, que já se tornara a musa das diretas por sua peculiar interpretação do Hino Nacional, também se fez presente.
Entre a fala dos políticos e personalidades entremeava-se o grito da multidão: Um, dois, três, quatro, cinco, mil! Queremos eleger o Presidente do Brasil!!!”
Desdenhado pelo Porta-Voz da Presidência, Carlos Átila, que classificou a manifestação como pouco expressiva, o comício foi noticiado pela Rede Globo como se fosse parte da festa pelo aniversário da cidade.
No anúncio da cobertura, a fala do apresentador Marcos Hummel dizia que fora "Um dia de festa em São Paulo. A cidade comemorou seus 430 anos com mais de 500 solenidades. A maior foi um comício na praça da Sé".(1)
Na reportagem, realizada por Ernesto Paglia, surgiram imagens da missa na Catedral da Sé, entrevista com D. Paulo Evaristo Arns, o aniversário de 50 anos da USP, manifestação dos estudantes e, só então, o comício, mostrado como se não fosse apenas um ato político, mas de show, por conta da presença dos artistas participantes do ato.
Este foi um dos momentos mais tristes da história do telejornalismo brasileiro e hoje, quando o país vive sob um governo que não possui o menor respaldo popular, que vem destruindo sistematicamente as poucas conquistas sociais do povo, mais uma vez a Rede Globo se coloca contra o direito deste mesmo povo de escolher o Presidente do Brasil de forma direta, conforme editorial que se pode ler aqui.
Rede Globo... a saúva do Brasil?
(1) http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/globo-admite-pela-primeira-vez-na-televisao-que-errou-nas-diretas-ja-7512
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Fontes e Imagens:
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/01/comicio-da-se-em-1984-deu-a-largada-para-a-campanha-das-diretas-que-nao-viriam-2346.html
http://noticias.band.uol.com.br/brasil/noticia/100000658750/Diretas-Ja-comicio-na-praca-da-Se-foi-emocionante.html
http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/acontece-o-comicio-das-diretas-ja-na-praca-da-se/
http://veja.abril.com.br/brasil/ha-30-anos-em-sao-paulo-o-1o-grande-comicio-das-diretas-ja/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Os-30-anos-do-comicio-que-a-Globo-transformou-em-festa-/4/30084
http://memoriaglobo.globo.com/erros/diretas-ja.htm
http://msalx.placar.abril.com.br/2013/04/15/1136/hrWu2/faixa-irmo-celso.jpeg?1366042842
http://noticias.r7.com/brasil/fotos/inicio-da-onda-de-manifestacoes-das-diretas-ja-completa-30-anos-hoje-25012014?foto=17
http://www.blogdosarafa.com.br/?p=19913
http://www.seebbauru.org.br/conteudo.php?cid=7&id=6305
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/93/reflexoes-sobre-um-golpe-em-nossa-historia-1268.html

http://www.sul21.com.br/jornal/comicio-da-se-em-1984-foi-largada-da-campanha-das-diretas-que-nao-viriam/
https://portal4.wordpress.com/2015/04/22/globo-assume-erro-na-cobertura-das-diretas-ja-em-1984/
http://globotv.globo.com/rede-globo/memoria-globo/v/diretas-ja-19831984/2231981/


http://oglobo.globo.com/opiniao/nao-ha-alternativa-fora-da-constituicao-20635041