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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
CHURCHILL - Parte 17
Bonar
Law foi diagnosticado com um câncer
terminal e se demitiu. Em seu lugar assumiu, como novo Primeiro-Ministro,
Stanley Baldwin.[3] Em 1923 Baldwin
convocou eleições e Churchill concorreu por Leicester onde foi novamente
derrotado. Derrotado também foram os Conservadores, que perderam cerca de 100
cadeiras no Parlamento. Liberais e Trabalhistas se uniram e Baldwin perdeu seu
posto de Primeiro-Ministro, sendo substituído pelo trabalhista Ramsay
MacDonald. [4]. (pg. 500-501)
[1] GILBERT,
Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete
de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2] Em relação às
referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma
questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com
o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos
parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se
refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores (<<pg.200-202).
[3] Stanley Baldwin, (Bewdley, 03/08/1867 —
Stourport-on-Severn, 14/12/1947) foi um político britânico, por três vezes
primeiro-ministro do Reino Unido pelo Partido Conservador. Em maio de 1923,
Bonar Law foi diagnosticado com um câncer terminal e se retirou da vida
pública. O rei Jorge V nomeia, como primeiro-ministro a Baldwin, ao invés do
aristocrático líder conservador George Nathaniel Curzon, membro da Câmara dos
Lordes. A princípio, manteve seu cargo de Chanceler do Tesouro, até que nomeou
para o cargo Neville Chamberlain. Os conservadores tinham uma clara maioria na
Câmara dos Comuns e puderam governar durante cinco anos sem convocar novas
eleições, mas Baldwin se sentia comprometido com a decisão de Bonar Law de não
introduzir novas tarifas sem novas eleições. Com o país fazendo frente ao
crescente desemprego, Baldwin decidiu convocar eleições em 1923, buscando um
mandato que lhe permitiria introduzir tarifas protecionistas para enfrentar a
situação. Nas eleições, mantiveram a maioria na Câmara dos Comuns, entretanto,
o pacote de tarifas, principal assunto político, não logrou êxito. Permaneceu
como primeiro-ministro até a sessão de abertura do novo parlamento em janeiro
de 1924, momento no qual o governo foi derrotado numa moção de confiança.
Imediatamente, demitiu-se.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Stanley_Baldwin
[4] James Ramsay MacDonald (Lossiemouth,
12/10/1866 — Oceano Atlântico, 09/11/1937), foi um político britânico, um dos
fundadores e dirigentes do Partido Trabalhista Independente e do Partido
Trabalhista, foi o primeiro trabalhista a se tornar primeiro-ministro do Reino
Unido, no reinado de Jorge V. A formação de um governo com a minoria deu-se
pela coalizão com os Liberais, para a formação do primeiro gabinete. Com a
frágil maioria, ainda em 1924, MacDonald convocou eleições gerais, sendo nesta
ocasião derrotado pelos Conservadores. Durante a campanha, um jornal publicou a
famosa “Carta de Zinoviev”. Embora mais tarde ter-se comprovado ser uma fraude,
a carta arruinou as credenciais anti-comunistas de MacDonald. Seu principal ato
durante este primeiro mandato foi o Wheatley Housing Act, que foi um programa
de construção de edifícios com 500.000 apartamentos para o aluguel às famílias
de trabalhadores (proletariado). Durante este primeiro mandato, em setembro,
fez um discurso à Liga das Nações, em Genebra, em que o principal tema era o
desarmamento geral da Europa, que foi recebido com grande aclamação.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ramsay_MacDonald
| Stanley Baldwin - Ramsay MacDonald |
Depois
desta derrota, Baldwin passou a se empenhar para que Churchill liderasse os
liberais descontentes com a aliança com os trabalhistas e os conduzisse em
torno de uma ação conjunta com os conservadores. Clementine não via com bons olhos o retorno
do marido ao meio conservador, mas também não se opunha totalmente: “Meu
querido, uma pessoa não concorre se não tiver uma razoável certeza de que
ganhará”, “Em todo o caso, não seja uma pechincha para os tories. Eles o
trataram tão mal no passado que agora devem ser obrigados a pagar.”.
Em
19/03/1924 Churchill foi novamente derrotado. Ele estava receoso de retornar ao
convívio conservador pois não queria abandonar as bandeiras liberais que defendera
nos últimos 20 anos. Por outro lado não via outra legenda com mais chances de
derrotar o socialismo do que os conservadores.
Ele
encontrou um ponto em comum no combate ao empréstimo que o governo trabalhista
concedeu à Rússia bolchevique e então pode discursar pregando uma união
liberal-conservadora contra o trabalhismo e seu apoio à Rússia.
Como
esse discurso tinha apelo popular, nas eleições de 29/10/1924 Winston foi
eleito com larga margem de votos sobre seus concorrentes. Também foi uma grande
vitória para os conservadores que conquistaram “419 lugares contra 151 para
os trabalhistas e apenas 40 para o Partido Liberal”. Stanley Baldwin voltou
ao posto de Primeiro-Ministro.
Embora
não acreditasse que fosse chamado para ocupar cargo no governo, Churchill foi
convocado para o Ministério das Finanças e aceitou, contra o desejo da esposa,
que preferia a Saúde. (<<<<pg. 502-507)
Como
Ministro das Finanças do Governo Conservador, Churchill logo começou a colocar
em prática sua agenda liberal, “...arquitetando e financiando um alargamento
substancial do sistema nacional de seguro”, redução de impostos para “...profissionais,
pequenos comerciantes e homens de negócios — toda a espécie de gente que
trabalha com o cérebro”, programas sociais (para os vulneráveis como
viúvas, órfãos e velhos) e de construção de casas populares.
Na
política externa ele conseguiu estabelecer um calendário de pagamento para a
dívida da Inglaterra com os EUA, bem como para as dívidas de “França, da
Bélgica, da Itália e do Japão, […] Brasil, Tchecoslováquia, Romênia e Sérvia”
para com a Inglaterra.
Como
débitos eram menores que créditos, ele garantiu uma entrada de recursos. Também
conseguiu economizar dinheiro reduzindo o orçamento da Marinha. (<<pg.
508-512)
Sua
intenção era garantir recursos para suas reformas sociais voltadas aos
desamparados. Mas ele não fazia isso apenas movido pelo sentimento da caridade,
embora ele fosse predominante. Aos nossos olhos é possível ver o planejamento
de uma colcha de proteção social que servisse também como defesa contra a
entrada de ideias socialistas no país:
Se
posso usar uma metáfora militar, não são as fortes tropas a marchar que
necessitam de um prêmio extraordinário ou de indulgência. É aos que ficaram
para trás, os fracos, os feridos, os veteranos, as viúvas e os órfãos que devem
dirigir-se as ambulâncias do Estado”. (<pg. 512)
Nosso
objetivo é o apaziguamento do azedume entre as classes, a promoção de um
espírito de cooperação, a estabilização de nossa vida nacional e a construção
de nossos planos sociais e financeiros numa base de três ou quatro anos. (pg.
513)
![]() |
| Negociações do Tratado de Locarno |
Churchill também trabalhou no sentido de não isolar a Alemanha, mas
incluí-la no esquema de proteção das fronteiras dos países. Também sugeriu à
Polônia cultivar a amizade com a Alemanha no intento de não ficar isolada entre
esta e a Rússia se um acordo russo-alemão fosse costurado. Segundo Martin
Gilbert, essas ideias resultaram no Tratado de Locarno.[5]
(pg. 513)
Como
se vê, sempre que possível, Churchill optava pela ação conciliadora, como se
veria logo após, em mais uma greve dos mineiros. Winston conseguiu evitar
demissões garantindo subsídios do governo às mineradoras. (pg. 513)
CONTINUA
[5] Por meio dos sete Tratados de Locarno,
negociados em Locarno, Suíça, em 16 de outubro de 1925, e assinados em Londres
em 1 de dezembro de 1925, as potências da Europa Ocidental aliadas na Primeira
Guerra Mundial buscaram a manutenção das fronteiras entre a Bélgica e a
Alemanha, assim como aquelas da França com a Alemanha. Foram fiadores do
Tratado o Reino Unido e a Itália, apesar de não terem tomado, efetivamente,
nenhuma providência no sentido de honrarem sua promessa. Nenhum comprometimento
militar ou planejamento de defesa para os territórios envolvidos foi feito. Nos
termos do tratado principal (o "Pacto de Estabilidade" ou "Pacto
Renano", entre Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido e Itália), os
signatários ofereciam garantias de que a Alemanha não seria reocupada pelos
Aliados; em troca, a Alemanha aceitava manter desmilitarizada a área da Renânia
- o que já era previsto no Tratado de Versalhes, mas não era realmente aceito
pelo governo alemão, que encarava aquilo, até então, como mais uma das
imposições cruéis que o pacto pós-Primeira Guerra tinha criado. O governo
alemão, porém, recusou-se a negociar um "Locarno no Leste", deixando
claro que estava descontente com a então configuração das fronteiras orientais.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratados_de_Locarno
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
MANDELA LIVRE!
MANDELA LIVRE!
Na
metade final dos anos 80 a África do Sul era pressionada por todos os lados e
em todo o mundo pelo fim do Apartheid e a libertação de Nelson Mandela.
No
front interno do combate ao regime racista a luta se intensificou. Em 1985 foi
iniciada uma campanha para prejudicar a governabilidade do país.
O CNA
aumentou o número de atentados e os confrontos se espalharam pelos subúrbios.
Mais
de 700 mortes foram registradas.
http://buzzsouthafrica.com/ugly-and-less-known-facts-you-wont-believe-about-nelson-mandela/
|
Naquele ano, após uma
cirurgia na próstata, Mandela foi isolado de seus companheiros e passou a
negociar sozinho com o governo um fim para os conflitos, o que causou
desconfiança entre seus próprios seguidores.
As propostas do governo de
que receberia a liberdade em troca de reconhecimento ao regime foram recusadas
por Mandela que, com isso, colocou o Presidente Pieter Willem Botha em xeque.
Em 1988 Mandela sofreu de
tuberculose e foi transferido para a Prisão de Victor Verster, onde não ficava
em uma sela, mas em um bangalô com piscina e cozinheiro exclusivo.
O regime temia que ele
morresse de doença e que não houvesse mais ninguém com quem pudesse negociar e
evitar a guerra civil.
As negociações avançaram e,
em 05/07/1989, o Presidente Pieter Botha se encontrou com Nelson Mandela para
preparar sua libertação.
Mas foi o seu sucessor na
liderança do Partido Nacional, Frederick de Klerk quem, no
dia 02/02/1990 anunciou no Parlamento as primeiras medidas para pôr fim ao
sistema de Apartheid.
De Klerk e Mandela em Davos - 1992
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Frederik_de_Klerk_with_Nelson_Mandela
_-_World_Economic_Forum_Annual_Meeting_Davos_1992.jpg
|
Nove dias depois, em 11/02/1990, Nelson Mandela foi libertado da prisão e recepcionado por uma multidão do lado de fora.
O CNA juntou-se ao NP,
partido de De Klerk, para formar um governo de unidade nacional. A aliança
possibilitou o primeiro governo multirracial do país, que promoveu reformas
para criar uma nação onde todas as raças pudessem conviver em igualdade de direitos.
Este texto é
parte de uma série, para ler a série completa clique aqui e na bandeira da África do Sul na página que abrir.
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
CHURCHILL - Parte 16
Em
29/05/1921 Lady Randolph, mãe de Churchill, caiu de uma escada e teve que
amputar a perna por conta de uma gangrena. Ela faleceu em 09/06/1921 aos 67
anos. Winston escreveu que sentia a perda, mas não de forma trágica, pois sua
mãe tivera “...uma vida repleta. O vinho da vida corria em suas veias.
Mágoas e tempestades eram conquistadas por sua natureza e, no fim das contas,
foi uma vida cheia de luz.” (pg. 478)
Alguns
dias depois do funeral, em discurso na Conferência Imperial, Churchill alertou
para a necessidade de promover a reconciliação entre a França e a Alemanha, sob
o risco de ocorrer “em pouco mais que uma geração, um recrudescer da luta
que terminara havia tão pouco tempo”. (pg. 478)
Em
23/08/1921 Churchill sofreu a segunda perda pessoal naquele ano. Sua filha mais
nova, Marigold, faleceu vítima de meningite. Winston escreveu de sua
devastadora tristeza por “essa pequena vida se extinguir quando parecia vir
a ser tão bela e tão feliz, exatamente quando tudo estava começando”. (pg.
479)
No
restante daquele ano trágico, Churchill se dedicou a costurar um acordo sobre a
autonomia da Irlanda que resultou no Tratado Anglo-Irlandês.[3] Depois foi
nomeado para presidir a Comissão Ministerial de Orçamento de Defesa onde
deveria promover cortes de despesas que atendessem aos críticos dos gastos sem
prejudicar as forças armadas. (PG. 480-483)
[1] GILBERT,
Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete
de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2] Em relação às
referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma
questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com
o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos
parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se
refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores (<<pg.200-202).
[3] O Tratado Anglo-Irlandês foi um acordo
firmado entre a Irlanda e o Reino Unido com o objetivo de dividir territórios
no então Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Estabelecido em 1921, instituiu
o Estado Livre Irlandês e separou a Irlanda do Norte da República
Irlandesa.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Anglo-Irland%C3%AAs
Na
Irlanda os extremistas não aceitaram o acordo e a violência recomeçou, apesar
da produtiva conversa (promovida por Churchill) em que os líderes irlandeses
adversários Sir James Craig [1]
e
Michael Collins [2]
terem
chegado a entendimento, bem como da aprovação do Tratado e da Lei do Estado
Livre Irlandês por parte do parlamento britânico. A facção republicana liderada
por Eamon de Valera [3]
iniciou
ações violentas que acabaram em uma guerra civil que foi vencida pelo governo.[4] (pg. 484-491)
[1] James Craig, 1º Visconde Craigavon,
(08/01/1871 - 24/11/1940), foi um proeminente político unionista irlandês, líder
do Partido Unionista do Ulster e primeiro Primeiro Ministro da Irlanda do
Norte. Ele foi criado um baronete em 1918 e elevado ao Pariato em 1927.
https://en.wikipedia.org/wiki/James_Craig,_1st_Viscount_Craigavon
[2] Michael John "Mick" Collins (Cloich
na Coillte, 16/10/1890 — Béal na mBláth, 22/08/1922) foi um líder
revolucionário irlandês, que agiu como Ministro das Finanças da República
Irlandesa, Director dos Serviços Secretos do Exército Republicano Irlandês
(IRA) e membro da delegação irlandesa que negociou o Tratado anglo-irlandês,
tendo sido também Presidente do Governo Provisório da Irlanda do Sul e
Comandante-Chefe do Exército Nacional. Foi uma das figuras centrais da luta
irlandesa por independência no começo do século XX.
https://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Collins_(Irish_leader)
[3] Éamon de Valera (nascido Edward George de
Valera; Nova York, 14/10/1882 - Dublin, 29/08/1975) foi uma das figuras
políticas dominantes do século XX, na Irlanda. Entre 1917 e 1973, ocupou vários
cargos públicos proeminentes, servindo várias vezes como Chefe de Estado e
governo. De Valera foi um dos líderes na luta contra o Reino Unido pela
independência da Irlanda e um dos responsáveis pela criação da atual
Constituição da Irlanda. Mais tarde, ele também liderou a facção anti-tratado
do movimento republicano irlandês durante a violenta guerra civil de
1922–1923.
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89amon_de_Valera
[4] A Guerra Civil Irlandesa (28/06/1922 —
24/05/1923) foi um conflito que acompanhou a criação do Estado Livre Irlandês
como uma entidade independente do Reino Unido dentro do Império Britânico. O
conflito foi travado entre dois grupos opostos de nacionalistas irlandeses: as
forças do novo governo do Estado Livre, apoiantes do Tratado anglo-irlandês, e
os republicanos, para quem o Tratado representava uma traição da República da
Irlanda. A guerra foi ganha pelas forças governistas. Segundo historiadores, a
guerra civil na Irlanda pode ter levado mais vidas do que a guerra da
independência contra a Grã-Bretanha, que a precedeu, e deixou a sociedade
irlandesa dividida e ressentida nas décadas seguintes. Atualmente, os dois
principais partidos políticos da República Irlandesa, a Fianna Fáil e a Fine
Gael, são os descendentes diretos dos lados opostos desta guerra.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Irlandesa
| Sir James Craig - Michael Collins - Eamon de Valera |
Quase
ao mesmo tempo, Churchill passou a trabalhar por conferir os estatutos legais
para garantir a permanência dos judeus na Palestina. Em 15/09/1922, pouco mais
de um ano após a morte da pequena Maringold, Clementine deu a luz a Mary
Spencer-Churchill, a última filha do casal. (pg. 489-491)
Durante
este período, uma crise militar entre a Grécia e a Turquia fez com que os olhos
de Churchill se voltassem novamente para o Estreito de Dardanelos. Winston era
francamente favorável a fazer as pazes com a Turquia, mas Lloyd George apoiava
entusiasticamente os gregos quando, no início do conflito eles avançavam na
Ásia Menor.
Mas
em Setembro a situação já tinha se invertido quando o avanço turco retomou a
região. Churchill defendia que as tropas britânicas (sediadas em Chanak e em franca
desvantagem) também se retirassem da Ásia Menor, concentrando-se para defesa de
Galípoli, o que o Primeiro-Ministro não aceitava. (<pg. 467-468 / 473 / 478 / 491-495)
Afinal
a guerra não aconteceu pois um acordo foi costurado. A despeito disso os conservadores,
liderados por Bonar Law, decidiram se retirar do governo de coalização, levando
à queda de Lloyd George e de seu gabinete. Neste episódio, no qual perdeu o
emprego, Churchill não pode atuar pois teve uma crise de apendicite e precisou
ser operado declarando, depois, que “Num piscar de olhos, encontrei-me sem
ministérios, sem lugar no Parlamento, sem partido e sem apêndice”. (pg.
493-495)
| Lloyd George - Bonar Law |
Em 23
de outubro de 1922 Bonar Law assumiu como Primeiro-Ministro e logo dissolveu o
Parlamento, convocando eleições. Em Dundee (Escócia), o distrito pelo qual
Churchill disputava a eleição, os Conservadores não lançaram candidato, mas a
facção Liberal correligionária de Asquith o fez. Outro candidato liberal foi
lançado (E.D. Morei), bem como um independente (Edwin Scrymgeour) ligado aos
trabalhistas.
Recém
operado, Winston não podia viajar para fazer campanha, de modo que a sempre
atuante Clementine fazia discursos em seu lugar, mas a popularidade dos
Churchill estava em
queda. Clementine escreveu ao marido relatando a vilania da
imprensa e a forma como ela o apresentava:
Acho
que aquilo de que as pessoas mais gostam é a solução da questão irlandesa, de
modo que trouxe isso à tona, bem como sua parte em ser dado governo próprio aos
bôeres. A ideia contra você parece ser que é um “fazedor de guerra”, mas eu o
exibo como um querubim pacificador, com asinhas de plumas ao redor de seu rosto
rechonchudo. (<<pg. 496)
O
resultado das urnas revelou a vitória de
Scrymgeour e Morei. Churchill ficou apenas na quarta colocação. Após a
derrota ele recebeu várias manifestações de amigos lastimando a decisão do povo
de Dundee. Lawrence da Arábia escreveu “Que merdas devem ser as pessoas de
Dundee”.
A um
outro amigo, porém, Churchill respondeu “Se visse o tipo de vida que as pessoas
de Dundee levam, você admitiria que elas têm muitas razões.” (<pg. 498)
| Um dos quadros pintador por Churchill |
A
vitória dos Conservadores foi arrasadora. Conseguiram 354 cadeiras no
Parlamento, os trabalhistas ficaram com 142, os liberais de Lloyd George 62, os
liberais de Asquith 54. Churchill estava bastante desanimado e viajou com a
família para férias de seis meses na França, para descansar, pintar e escrever
os volumes da obra A Crise Mundial. (pg. 498)
No
segundo volume desta obra Churchill apresentou muitos documentos sobre sua verdadeira
parcela de participação na campanha de Galípoli.
CONTINUA
domingo, 22 de dezembro de 2019
CHURCHILL - Parte 15
A
guerra civil na Rússia terminou com a vitória dos bolcheviques. Churchill
trabalhou intensamente para conseguir enviar ajuda aos anti-bolcheviques, mas
foi sempre tolhido pela inabalável determinação do governo britânico em
envolver-se o mínimo possível e, embora tenha havido momentos em que o exército
branco chegou mesmo a se aproximar de Moscou, no final o Exército Vermelho
empurrou os inimigos para fora da Rússia, vencendo a guerra.
Ao
final dela a disposição mundial era de negociar com os bolchevistas vitoriosos,
fato que Winston acabou apoiando. Ele teve pouco poder de decisão na questão da
guerra, mas seu empenho em apoiar o lado que acabou derrotado fez com que a
derrota fosse atribúida a ele dentro da Inglaterra, quase como uma nova
Galipoli. (<pg. 445-460)
Já
praticamente afastado das questões da Rússia, inclusive no que diz respeito a
invasão da Polônia, Churchill passou a se preocupar com os atentados praticados
na Irlanda por pessoas ligadas ao Sinn Fein [3] e a uma revolta
na Mesopotâmia, atual Iraque.
[1] GILBERT,
Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete
de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2] Em relação às
referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma
questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com
o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos
parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se
refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores (<<pg.200-202).
[3] Sinn Féin é um dos movimentos políticos mais
antigos da Irlanda. Fundado em 1905 por Arthur Griffith para unir os grupos
informais nacionalistas de resistência pacífica ao domínio britânico, seu
objetivo era restaurar a monarquia irlandesa, fora do poder desde o século
XVIII. Em gaélico irlandês, a expressão significa "Nós mesmos". Em
tempos passados os próprios integrantes afirmavam ser o braço político do
Exército Republicano Irlandês, o IRA.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinn_F%C3%A9in
Ele
defendia uma retirada britânica daquela área do Crescente Fértil, posição
derrotada dentro do governo. Defendia, também, a repressão contra os
terroristas irlandeses até o momento em que se dispusessem a conversar.
A
despeito dessa posição conciliadora, tornou-se um dos alvos de futuros
sequestros de autoridades planejados pelos terroristas. Aos poucos o ciclo de
atentados e represálias tornou-se uma bola de neve. (<<pg. 461-467)
Vendo
um inevitável aumento das despesas militares por conta de tantos conflitos,
Churchill sugeriu a criação de um departamento para cuidar exclusivamente da
questão do Oriente Médio. Nesta época, sempre com uma visão décadas antecipada,
ele defendia a criação de um estado judeu nas margens do Rio Jordão:
Se,
como é bastante possível que aconteça, for criado um Estado judaico nas margens
do Jordão, sob a proteção da Coroa Britânica, que pode incluir três ou quatro
milhões de judeus, terá ocorrido na história do mundo um evento benéfico sob
todos os pontos de vista, que estará especialmente em harmonia com os mais
autênticos interesses do império britânico. (<pg. 469)
Quando
Lloyd George se convenceu da necessidade de economizar, chamou Churchill para
ocupar o cargo de Ministro das Colônias, o que ele aceitou em 07/01/1921,
assumindo o posto oficialmente em 13/02/1921. (pg. 468-469)
| Lawrence da Arábia |
Churchill
trabalhou para reduzir os gastos da Inglaterra na administração do Iraque
conferindo autonomia administrativa à região. Ele nomeou o general Thomas
Edward Lawrence (o Lawrence da Arábia [4]) como seu
conselheiro e, através dele, costurou um acordo com o Emir Faiçal e seu irmão
Abdullah para que estes ocupassem os tronos do Iraque e da Transjordânia
respectivamente e garantissem a existência de um futuro estado judeu e não
atacassem os franceses na Síria.
Uma
conferência realizada no Cairo (março/1921) resultou em acordo que foi
sacramentado no documento intitulado Tratado Anglo-Iraquiano.[4] Mais uma vez
demonstrando sua visão muito à frente de seu tempo, Winston propôs autonomia
aos curdos que viviam no norte do Iraque. (<pg. 471-473)
[4] Thomas Edward Lawrence (16/08/1888 -
19/05/1935), também conhecido como Lawrence da Arábia, e (aparentemente entre
os seus aliados árabes) Aurens ou El Aurens, foi um arqueólogo, militar, agente
secreto, diplomata e escritor britânico. Tornou-se famoso pelo seu papel como
oficial britânico de ligação durante a Revolta Árabe de 1916-1918. A sua fama como herói
militar foi largamente promovida pela reportagem da revolta feita pelo viajante
e jornalista estadunidense Lowell Thomas, e ainda devido ao livro
autobiográfico de Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria.
https://pt.wikipedia.org/wiki/T._E._Lawrence
[5] O Tratado Anglo-Iraquiano de 1922 foi um
acordo assinado entre os governos do Reino Unido e do Iraque. O tratado foi
planejado para permitir aos habitantes locais uma participação limitada na
divisão do poder, dando aos britânicos o controle da política militar e
exterior. Tinha a intenção de concluir um acordo feito na Conferência do Cairo
para estabelecer um governo haxemita no Iraque. O Tratado Anglo-Iraquiano foi assinado
principalmente devido aos esforços revolucionários dos cidadãos do Iraque, uma
coligação de ambos os árabes, xiitas e sunitas. Os maiores centros de
insurreição durante a Grande Revolução Iraquiana de 1920 incluíram Moçul,
Bagdá, Najafe e Carbala. O esforço de rebelião em Carbala foi inflamado por uma
fatwa emitida pelo grande mujtahid Imame Xirazi. A fatwa fazia uma observação
que era anti-islâmico ser governado pelos britânicos, que não praticavam o
islamismo. A fatwa ordenou um Jihad contra a ocupação britânica. O tratado foi
assinado em nome dos britânicos por Sir Percy Cox em 10 de outubro de 1922. Não
foi ratificado pelo governo iraquiano até 1924, quando o Alto Comissário
Britânico ameaçou impor sua autoridade para desfazer a constituição, elaborada
pela assembleia constituinte do Iraque. Foi visto com desdém por muitos
iraquianos, tanto xiitas quanto sunitas. De qualquer forma, foi o primeiro
passo para um Iraque mais independente.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Anglo-Iraquiano
| Os Reis Faiçal e Abdullah |
Mas,
se Faiçal e Abdullah aceitavam a imigração dos judeus, a maioria dos árabes não
estava disposta a permitir a existência de um enclave judeu na Palestina e
fizeram Churchill saber disso, solicitando a suspensão da vinda de mais judeus
para a região até a criação de um Estado Palestino. Ele, porém, não podia e nem
queria atender tal desejo, defendia direitos iguais a ambos os povos.
Cada
passo que se dê deverá ser para o benefício moral e material de todos os
habitantes da Palestina, judeus e árabes por igual. Se isso for feito, a
Palestina será feliz e próspera: a paz e a harmonia reinarão sempre e essa
terra se converterá num paraíso, numa terra de leite e mel onde os sofredores
de todas as raças e religiões encontrarão o descanso depois de suas provações.
(<pg. 475)
Mas
não foi possível conciliar os interesses judeus e árabes, de modo que a
economia que Churchill pretendia, e que motivara todas aquelas negociações, não
se concretizou. Motins árabes levaram à suspensão temporária da imigração. (pg.
476-477)
CONTINUA
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