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segunda-feira, 24 de junho de 2013

ESPECIAL 2



O CAPÍTULO ANTERIOR ESTÁ LOGO ABAIXO DO ATUAL!


COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – IX
Segundo Paul Veyne13, não foi Constantino que encerrou com a perseguição aos cristãos, já encerrada antes, mas que coube a ele “...fazer com que o cristianismo, transformado em sua religião, fosse uma religião amplamente favorecida, diferentemente do paganismo.”(pg.7).
O autor informa que havia um ambiente de virada da situação dos cristãos pois, no ano seguinte à tomada de Roma por Constantino, o Augusto do Oriente, Licínio, que era pagão mas não perseguia os cristãos, venceu seu rival perseguidor, Daia.
Com esta vitória, Roma voltava a ser uma diarquia, com um Augusto para o Ocidente, Constantino, e outro para o Oriente, Licínio. Ambos já haviam entrado “...em acordo em Milão para que seus assuntos pagãos e cristãos fossem tratados em pé de igualdade...” (pg.8)

A união dos dois homens mais poderosos da terra fora sacramentada através do casamento. Não entre eles, claro, mas entre Constância, filha de Constantino, e Licínio. No acordo foi disposto que o cristianismo seria tolerado e que “...os bens espoliados, os lugares de reunião dos cristãos deviam ser restituídos, as diversas comunidades cristãs reconhecidas.”(LISSNER, pg.491).
Paul Veyne chama a atenção para a diferença fundamental existente entre os cultos pagão e cristão que foram autorizados a conviver no império. Enquanto o fiel pagão tinha uma relação ocasional e de interesse com seus deuses, a quem recorria para o suprimento de suas necessidades, os cristãos agiam como submissos a Deus, vivendo em função de agradá-Lo. (pg.8)
E, se por um lado, Constantino não pretendesse, segundo Veyne, impor a crença cristã aos pagãos, por outro não aceitaria mais qualquer perseguição pagã aos cristãos.
Assim, foi por uma legítima proteção da fé, ou usando-a como pretexto, que Constantino entrou em guerra contra Licínio em 324 d.C. quando este expulsou os cristãos de seu convívio e impediu a passagem das tropas ocidentais pelas terras do Oriente para combater na Sarmátia14.
Vamos, contudo, por partes. 
Continua...

COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – VIII
Segundo Lissner7, Maxêncio formou um exército composto de “...170.000 infantes e de 18.000 cavaleiros.”(pg. 480) e estabeleceu sua sede em Roma, ordenando a destruição do acesso à cidade, as pontes sobre o Rio Tibre.
Ele contava com muitas vantagens. Um exército duas vezes maior que o de Constantino, o apoio da Guarda Pretoriana, as muralhas da cidade e um bom abastecimento de alimentos.
Por seu turno, Constantino conseguiu recrutar um exército composto de “...90.000 infantes e de 8.000 cavaleiros...”(pg. 480), com o qual chegou às portas de Roma.
Ele ainda conquistou apoio ao redor de Roma, que fora isolada com a derrubada das pontes, e, mais ainda, contava com a simpatia do próprio povo de Roma, dentro dos muros.
Lissner conta que o confronto decisivo ocorreu em 28/10/312 d.C. Na Ponte Mílvia, sobre o Rio Tibre. Maxêncio, que ordenara sua destruição para cortar o acesso a Roma construíra, ao lado, uma ponte de barcos, para permitir passagem às suas tropas.
A Historiografia da época revela um acontecimento milagroso, relacionado a esta batalha. Com algumas diferenças entre si, os relatos de Lactâncio8 e Eusébio de Cesaréia9 dão conta de que Constantino teve uma visão no céu (e depois um sonho), onde lhe foi mostrada uma mensagem: in hoc signo vinces10 (com este símbolo vencerás) e as letras “x” e “p” conjugadas (que são as primeiras letras da palavra Cristo em grego: ΧΡΙΣΤΟΣ11).
Constantino ordenou que o símbolo fosse pintado nos escudos e nos estandartes de seu exército, que, assim caracterizado, marchou para enfrentar as tropas de Maxêncio.
Este consultara os oráculos sibilinos que lhe informaram que o inimigo de Roma morreria, de modo que partiu convicto da vitória. Ele posicionou suas tropas em longa linha de frente, tendo o Rio Tibre na retaguarda, o que dificultou a mobilidade.12
Constantino ordenou um ataque de cavalaria que, apesar do menor número, conseguiu romper a cavalaria de Maxêncio e fazer carga sobre a infantaria cuja linha também rompeu.
Na fuga por sobre a ponte de barcos Maxêncio caiu no rio, morrendo afogado. Quem não conseguiu atravessar antes do colapso da estrutura foi capturado ou morto pelos soldados de Constantino.
Se Constantino teve realmente uma visão espiritual, ou se apenas usou um habilíssimo estratagema para encorajar seus soldados (provavelmente de maioria cristã), o fato é que seu exército inferior derrotou as numerosas mas mal comandadas e pouco motivadas tropas de Maxêncio.
Em 29/10/312 Constantino entrou triunfalmente em Roma, sendo saudado pela população que também podia ver a cabeça de Maxêncio exibida como prova de sua morte. Parece que o inimigo de Roma era ele próprio!
Continua...
7 LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.
8Lucio Célio Firmiano Lactâncio foi um autor entre os primeiros cristãos que se tornou um conselheiro do primeiro imperador romano cristão, Constantino I, guiando sua política religiosa que começava a se desenvolver e sendo o tutor de seu filho.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lact%C3%A2ncio
9Eusébio de Cesareia foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos quanto à história do cristianismo primitivo.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eus%C3%A9bio_de_Cesareia
10https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_da_Ponte_M%C3%ADlvia
11https://pt.wikipedia.org/wiki/Chi_Rho
12https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_da_Ponte_M%C3%ADlvia

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