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sábado, 22 de outubro de 2016

A GUERRA DO CONTESTADO



22 DE OUTUBRO
COMEÇA A GUERRA DO CONTESTADO
INVESTIMENTO, DESPREZO E MISÉRIA
No início do Séc XX os estados de SC e PR disputavam uma faixa de terra de quase 50000m2 em suas fronteiras.
Nesta mesma área um empresário americano estava construindo uma ferrovia ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul e ganhou da União 15km de terra de cada lado da ferrovia.
Nestas terras ele implantou uma área para colonos europeus viverem e uma serraria.
As pessoas que já moravam nas terras antes foram expulsas e os madeireiros viram seus negócios fracassarem diante da concorrência do americano.
Sem ter a quem recorrer os prejudicados viram-se na necessidade de recorrer aos céus.
MISÉRIA E MESSIANISMO
A Inglaterra aguarda a volta do Rei Arthur, assim como Portugal aguarda a volta do Rei D. Sebastião. São mitos que sobrevivem na cultura popular daqueles países.
Na região do Contestado também havia um mito semelhante pois, em 1844, o monge João Maria supostamente realizou milagres e desapareceu. Em 1894 outro monge de nome igual fez o mesmo, reuniu muitos adeptos mas depois de algum tempo, sumiu também.
Logo, fixou-se no imaginário o mito do retorno do monge milagreiro. E ele “voltou”.
Em 1898 outro monge surgiu, dessa vez chamado José Maria, e quando a situação econômica piorou muito, aumentou na mesma proporção o número das pessoas que começaram a dar ouvidos à sua pregação.
MONARQUIA SEBASTIANISTA
As pessoas começaram a acreditar que José Maria era o João Maria que retornava e formaram uma comunidade sob suas ordens.
Na comunidade “Monarquia Celeste” José Maria pregava que D. Sebastião voltaria para lutar em favor do povo, que a República era a lei do diabo e que o fim do mundo estava próximo.
O comércio foi substituído por trocas, pequenos fazendeiros se juntaram a eles e uma milícia foi formada e armada.
Esse movimento inquietou os coronéis da área que pediram socorro ao governo, afirmando que seria preciso combater a Monarquia de Taquaruçu, local onde estava o monge.
Sabendo disso o grupo deslocou-se ao Paraná.
EQUÍVOCOS E COMBATES
Quando os seguidores do monge chegaram aos limites de Palmas no Paraná, o governo de lá pensou que Santa Catarina estava invadindo sua área, isso por conta da antiga disputa sobre a região.
Tropas foram enviadas para expulsar os invasores. Estes venceram o primeiro combate, mas perderam o monge. Os fiéis o enterraram sob madeira para facilitar a ressurreição dele e do exército de D. Sebastião.
Logo os governos de Santa Catarina e Paraná formaram uma nova tropa com 700 homens que conseguiu expulsar os fiéis e queimar a comunidade, fazendo com que os moradores se refugiassem em Caraguatá, local de difícil acesso. E agora os fiéis tinham nova liderança.
JOANA D'ARC BRASILEIRA
Como José Maria estava demorando a voltar do túmulo com seu exército, a jovem Maria Rosa, com 15 anos, tornou-se líder ao afirmar que recebia ordens do monge morto.
Ela foi chamada de Joana d'Arc, pois usava cavalo e roupas brancas e flores no cabelo.
O ataque do governo a Caraguatá terminou em fuga desordenada dos soldados e, com esta vitória, os rebeldes passaram a receber muitos adeptos. Mas o governo não queria reviver as derrotas de Canudos e logo voltou a atacar.
Adotando táticas de guerrilha como defesa, os rebeldes passaram ao contra ataque saqueando fazendas e cidades e destruindo cartórios. Caraguatá, sob epidemia de tifo, foi abandonada.
CALMARIA E GUERRA TOTAL
As tropas do governo pensaram que a guerra terminara, mas os rebeldes fugidos de Caraguatá se reagruparam em Santa Maria e de lá partiam para atacar as cidades vizinhas.
Com o domínio de cerca de 250km2 de terras, os rebeldes assustaram o governo que nomeou o General Setembrino de Carvalho para chefiar 7000 soldados contra os “inimigos do estado”.
O exército restabeleceu as ferrovias e construiu o Campo de Aviação do Caçador, inaugurando o uso de aviões pelas Forças Armadas.
Setembrino enviou mensagem aos rebeldes prometendo devolução de terras a quem se entregasse e tratamento severo a quem não depusesse as armas.
CERCO, FOME E MASSACRE
Mudando de tática, Setembrino evitou o confronto direto e cercou Santa Maria fazendo com que houvesse fome no local. Velhos, mulheres e crianças foram se rendendo, dando mais tempo de comida aos rebeldes.
Deodato Manuel Ramos, o “Adeodato” assumiu a liderança dos rebeldes, mudou o núcleo do povoado para o vale e começou a executar quem queria se render ao Exército.
O ataque final se iniciou em 08/02/1915 e a devastação e massacre dos redutos rebeldes terminou em 05/04/16.
O último líder, Adeodato fugiu mas acabou se entregando após longa perseguição. Morreu na prisão em tentativa de fuga.
Fonte e Imagens:
http://reino-de-clio.com.br/Hist-Brasil.html

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