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sexta-feira, 10 de junho de 2016

ESTE DIA NA HISTÓRIA

NÃO É O TEXTO QUE VC BUSCA? ELE PODE ESTAR MAIS ABAIXO.


AUSCHWITZ I
PRECURSOR DO INFERNO
Em um final de semana como este, em 1940, era inaugurado o Campo de Concentração de Auschwitz I.
Quando ouço a palavra Auschwitz logo vem à mente a imagem daquela construção longa, de telhado alto, com trilhos de trem na frente. É uma imagem que ficou ainda mais marcante para quem assistiu ao filme "A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg. O diretor americano apresenta o lugar como sendo muito mais sombrio que o campo onde viviam os judeus de Schindler. E deveria ser mesmo...
Mas aquele lugar sinistro não é o Campo de Concentração. Aquela é a entrada do Campo Auschwitz II - Birkenau, o campo de extermínio.
Auschwitz I é onde fica o infame portão com a frase “Arbeit Macht Frei” (O trabalho liberta) e surgiu como campo de concentração funcionando depois mais como a administração de todo o imenso complexo de três campos e das outras dezenas de campos auxiliares.
Mas que o leitor não se engane. Morreu muita gente em Auschwitz I...
As construções iniciais do campo, que fica na localidade polonesa de Oświęcim, tinham servido de alojamento para a artilharia do exército e foram escolhidas para abrigar novo campo, diante da superlotação que já se registrava nas demais instalações espalhadas pela Polônia e Alemanha.
A reforma foi ordenada por Heinrich Himmler em 27 de abril de 1940 e a supervisão das obras coube ao Obersturmbannführer Rudolf Höss, que acabou se tornando o primeiro comandante do novo campo.
Rudolf Höss, prestes a ir ao encontro do chefe...
Após o despejo de todos os moradores das redondezas, foi criada uma área de 40 km2 que fornecia muito espaço para ampliação das instalações e, ao mesmo tempo, isolamento das vilas e cidades mais próximas. Os nazistas não queriam que ninguém soubesse o que aconteceria naquele local...
Os primeiros escravos a trabalhar em Auschwitz foram alemães, trazidos do Campo de Concentração de Sachsenhausen, o primeiro dos campos construído na Alemanha “para confinar ou liquidar em massa opositores políticos, judeus, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová, e, posteriormente, milhares de prisioneiros de guerra.1 Sua tarefa era servir como funcionários dentro do complexo.
Os primeiros ocupantes de Auschwitz como prisioneiros trazidos para confinamento foram 728 poloneses, 20 dos quais judeus, que chegaram em junho. Menos de um ano depois, em março de 1941, a quantidade de ocupantes já chegava a 10.900 pessoas, a maioria poloneses.
Dentro do sistema, cada prisioneiro era marcado em suas roupas segundo sua origem. Criminosos comuns recebiam a cor verde, presos políticos recebiam a cor vermelha e a cor amarela era destinada aos judeus.
Estes, junto com os prisioneiros soviéticos, recebiam os piores tratamentos.
Os prisioneiros tinham que trabalhar, geralmente nas fábricas de armas adjacentes. O trabalho era extenuante e a única “folga” era nos dias de Domingo, quando os escravos deveriam se dedicar a limpeza.
Uma das fábricas próximas a Auschwitz.
Para os desobedientes, fugitivos recapturados e suspeitos de sabotagem havia o Bloco 11, considerado a prisão da prisão, que possuia celas de 1,5 m² nas quais quatro prisioneiros eram colocados juntos e onde passavam a noite em pé, o que era um terrível castigo.
Algumas celas do Bloco 11.
Mas estes castigos não eram piores do que aqueles aplicados aos que eram enviados ao porão do Bloco 11, onde ficavam sem água nem comida até que morressem de fome e/ou sede. Outros eram colocados em celas vedadas, na qual morriam asfixiados.
Neste porão foi conduzida a primeira experiência de extermínio com o famigerado gás Zyclon B. 
Latas de Zyclon B, que vinha em forma de pedrinhas que se dissolviam no ar, liberando o gás mortal.
Seiscentos prisioneiros soviéticos e cento e cinquenta poloneses foram trancados por ordem do subcomandante SS-Hauptsturmführer Karl Fritzsch e expostos ao gás, vindo a morrer.
O “êxito” da experiência fez com que uma área maior fosse adaptada para ampliar a eficiência, e um crematório foi construído. 
Acima a câmara de gás de Auschwitz e abaixo o crematório.

Cerca de 60 mil pessoas morreram nas novas instalações até que foi convertida em bunker para a SS.
O leitor não estranhe esse número. Lembre-se que estamos falando de Auschwitz I, que era um Campo de Concentração. O campo de extermínio ainda seria implantado.
A despeito disso, e como foi visto, Auschwitz I foi embrião para a indústria da morte nazista em muitos aspectos. E não foi o trabalho que libertou os prisioneiros, foi o Exército Vermelho da União Soviética.
1https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_de_Sachsenhausen 

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Fontes e Imagens:
http://www.infoescola.com/historia/campo-de-concentracao-de-auschwitz/
http://www.dw.com/pt-br/1945-liberta%C3%A7%C3%A3o-de-auschwitz-birkenau/a-1465691
http://www.viajandoporai.com.br/campos-de-concentracao-na-polonia-parte-1-uma-visita-a-auschwitz/
http://www.megacurioso.com.br/guerras/75463-10-fatos-assombrosos-que-voce-talvez-desconheca-sobre-auschwitz.htm
http://avidanofront.blogspot.com.br/2010/12/kapos.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/O%C5%9Bwi%C4%99cim
https://pt.wikipedia.org/wiki/SS-Totenkopfverb%C3%A4nde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Auschwitz
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_de_Sachsenhausen


AS DUAS RENDIÇÕES DA ALEMANHA NAZISTA
Em um dia 07/05, no ano de 1945, a Alemanha Nazista assinava a rendição incondicional frente aos aliados na cidade francesa de Reims. Não foi o que você leu nos livros de História não é mesmo?
E se nós dissermos que a Alemanha começou a se render em 07 de Maio e só terminou quando já era dia 09? Curioso não? Vejamos pois!
Esta rendição, firmada às 02:41hs, foi a primeira a envolver o conjunto das forças armadas do III Reich e foi assinada pelo Coronel-General Alfred Jodl em nome dos alemães, representando o Almirante Karl Dönitz, sucessor de Hitler; Walter Bedell Smith, representando os aliados do ocidente, e por Ivan Susloparov, representando os Soviéticos. François Sevez assinou como testemunha, em nome dos franceses.
A nosso ver, a morte (ou fuga) de Hitler foi o fato que, realmente, consumou a derrota da Alemanha e ela se deu frente ao Exército Vermelho, que já tomava quase toda Berlim, a capital do III Reich. Dois dias depois, em 02/05, o General Helmuth Weidling, comandante da defesa da cidade, rendeu suas tropas ao General Vasily Chuikov.
Assim sendo, a viagem de Alfred Jodl, a mando do novo governante alemão, Almirante Karl Dönitz, nada mais foi do que uma tentativa de evitar uma rendição aos soviéticos, única força estrangeira presente em Berlim naquele momento. Os alemães pediram para prosseguir resistindo contra os soviéticos, o que Eisenhower não aceitou, obrigando-os a assinar a rendição incondicional.
Coronel-General Alfred Jodl assina a 1ª Rendição Alemã.
A despeito deste gesto de lealdade, Stalin ficou furioso com o que parecia ser a comprovação de suas suspeitas de que EUA e Inglaterra negociavam uma paz em separado com a Alemanha. Esse temor era infundado mas compreensível, uma vez que, se os alemães pudessem deslocar todas as suas tropas da França, Holanda, Itália, Noruega, etc, para o Leste, o Exército Vermelho sofreria um pesado contra-ataque e as perdas cresceriam exponencialmente.
Por isso foi preparada uma segunda rendição, desta vez em Berlim, onde os soviéticos tiveram o papel principal com a presença do General Georgi Zhukov. Foi essa a rendição que entrou para os livros de História.
Marechal Georgy Zhukov da URSS
No dia 08/05, na Escola de Engenharia do Exército Alemão, naquele momento transformada em Administração Militar Soviética de Berlim (e atualmente Museu Alemão-Russo Berlin-Karlshorst), compareceram os oficiais superiores das três forças armadas alemãs: "O marechal Wilhelm Keitel (Exército), o general Hans-Juergen Strumpff (Aeronáutica) e o almirante Hans Georg von Friedeburg (Marinha)."1
Museu Alemão-Russo Berlin-Karlshorst
Representando os aliados estavam presentes: Marechal Georgy Zhukov da URSS, Marechal Chefe do Ar Arthur Tedder da Inglaterra, General Carl Spaatz dos EUA e o General Jean de Lattre de Tassigny, da França como testemunha.2
A cerimônia começou com atraso, pouco antes da meia-noite (o que significava já ser 09 de maio em Moscou), e só terminou depois da meia-noite mesmo no horário ocidental, ou seja, também já no dia 09 de maio.
O Marechal Wilhelm Keitel assina a 2ª Rendição Alemã.
Assim sendo, temos três datas distintas para a rendição incondicional do III Reich: 07 de maio, em Reims, como primeira rendição; 08 de maio, em Berlim, como rendição oficialmente aceita por todos os aliados e pela História, mas que só ocorreu quando já era dia 09 de maio na URSS, país que verdadeiramente derrotara a Alemanha.
Mais abrangente do que a Rendição de Reims, a Rendição de Berlim exigia o desarmamento completo da Alemanha, a extinção do Partido Nazista e a libertação de todos os prisioneiros de guerra.

Os dois documentos de rendição. À esquerda a 1ª rendição (em inglês), com assinatura de Jodl em destaque. À direita a 2ª rendição (em russo), com assinatura de Keitel em destaque.
Encerrava-se, assim, o pior mal que já caminhara sobre a face da Terra, embora siga tentando ressurgir aqui e ali, desde então.
1https://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2005/05/03/ult34u124826.jhtm
2https://pt.wikipedia.org/wiki/Instrumento_da_rendi%C3%A7%C3%A3o_alem%C3%A3



ONDE MORREU ADOLF HITLER? - Parte II
Os registros informam que os corpos foram colocados em uma cratera, que foi cheia de combustível, e incendiados, porém não teriam sido totalmente consumidos, mas que depois foram atingidos por uma bomba! Convenhamos, caro leitor, que é difícil crer que possa sobrar algo de corpos queimados sob 200 litros de gasolina!
Supostos corpos de Hitler e Eva Braun.
Depois de não serem consumidos por 200 litros de gasolina em chamas e uma bomba, a situação dos corpos de Hitler e Eva ficou ainda mais nebulosa. Inicialmente os soviéticos negaram ter encontrado os corpos, mas depois admitiram. Após estudos, eles teriam enterrado os restos em um bosque perto da cidade de Ratenow ainda em 1945.
Em 1946 os restos foram exumados e reenterrados em Magdeburg onde ficaram até 1970 quando foram desenterrados novamente, incinerados e as cinzas jogadas no Rio Elba.
Rio Elba em Magdeburgo.
Mas talvez seja sintomático que, no ambiente da Guerra Fria, Stalin tenha acusado os aliados de dar fuga a Hitler. Os aliados, por sua vez, desconfiavam da versão soviética sobre os corpos.


Dúvidas e Teorias
Os soviéticos desconfiavam dos aliados e os aliados desconfiavam dos soviéticos em tudo, de modo que não seria diferente com o paradeiro do corpo de Hitler.
Foi neste jogo de empurra que começou a ganhar corpo a teoria da fuga do verdadeiro Hitler e da morte de um sósia em seu lugar, versão que ganha força quando ficamos sabendo que uma foto do corpo do Führer, divulgada  na época em quase todos os jornais, na verdade era de Gustav Weber, que realmente trabalhou como sósia do ditador alemão!
Gustav Weber, o sósia de Hitler.
E há pouco, documentos liberados pelo FBI dão conta de que um informante (cujo nome é coberto com uma tarja preta no relatório) contou ao escritório do FBI de Los Angeles que ajudou “... seis altos oficiais argentinos a esconder Adolf Hitler quando desembarcou por submarino na Argentina.1
Primeira página do relatório do FBI.
Neste mesmo relatório, o informante diz que ele e mais três homens encontraram pessoalmente Hitler e Eva Braun quando ambos “... desembarcaram de dois submarinos na Argentina, aproximadamente duas semanas e meia após a queda de Berlim.1
O informante do FBI relata que ao todo vieram cerca de 50 pessoas e que altos oficiais argentinos providenciaram cavalos para transportar os pertences dos alemães.
Na ocasião, “...à luz do dia, todos os suprimentos foram carregados nos cavalos e uma viagem de um dia inteiro para o interior dos montes do sul dos Andes foi iniciada.1
A informação é de que os submarinos aportaram na Península de Valdez, no Golfo de San Katias, onde haviam vários pequenos vilarejos, nos quais os alemães foram abrigados por famílias locais. Segundo o informante, Hitler estava “... sofrendo de asma e úlceras, raspou seu bigode e tem uma longa cicatriz em seu lábio superior.1
Quem reconheceria Hitler sem o bigode?
O arquivo do FBI possui 203 páginas e demonstra o interesse do bureau no assunto, tanto que envolve diversas correspondências recebidas e enviadas por ninguém menos que o próprio J. Edgar Hoover, de modo que não é tarefa imprópria dar alguma atenção à teoria da fuga de Hitler. Hoover declarou que "Os oficiais do exército americano na Alemanha não localizaram o corpo de Hitler, nem há nenhuma fonte confiável que diga definitivamente que Hitler está morto".2
Carta assinada por J. Edgar Hoover.
Em resumo, a teoria é de que Hitler teria escapado ao Exército Vermelho através de um túnel secreto, que ligaria o bunker a um local onde pudesse embarcar em um avião. De lá, seguiu para Áustria e, depois, para a Espanha, onde embarcou no submarino que o trouxe até a Argentina.
O submarino teria desembarcado Hitler em Caleta de los Loros de Rio Preto, de onde a comitiva rumou para o Oeste do país, mais precisamente a Villa La Angostura, perto de Bariloche, onde foi hóspede na Casa Inalco, no Departamento Los Lagos – Neuquén.
Suposta área do desembarque de Hitler.
Hitler teria vivido na Argentina até o fim da ditadura de Perón, quando, então, mudou-se para o Paraguai, onde morreu.
Bem... sem encontrar o corpo, que estaria enterrado em algum lugar da América do Sul, e fazer o exame de DNA, não há como afirmar com certeza que Hitler realmente escapou do cerco soviético em Berlim. Mas podemos analisar a teoria para saber se teria sido possível.
Acima e abaixo a Casa Inalco, onde Hitler teria vivido.

A primeira pergunta a ser feita é como Hitler teria escapado de seu bunker e a teoria da fuga aponta para um túnel secreto, construído especialmente como rota de escape do subsolo. Não é de se esperar mesmo que os metódicos alemães fossem construir uma caixa de concreto embaixo do chão que possuísse apenas uma rota de entrada/saída.
E, segundo os produtores do documentário Hunting Hitler, do History, realmente há um túnel, que seguia na direção do Aeroporto Tempelhof, mas que não terminava, faltando pouco mais de 100 metros para chegar lá. Como esse espaço teria sido percorrido pelo alquebrado Hitler?
Como ele não iria se expor aos olhos de algum observador inimigo e nem ao risco de ser atingido, deveria existir, em algum lugar, um outro túnel que completasse o percurso. E foi exatamente o que o Hunting Hitler acredita ter descoberto!
Na atual estação de metrô de Luftbrücke, há uma parede falsa, que os aparelhos sonares comprovaram que esconde um espaço vazio por trás.
Acima a entrada da Estação Luftbrücke. Abaixo, a parede que esconde o suposto túnel da fuga de Hitler.

Os documentaristas informam ainda que, em 21/04/1945, após a última  aparição pública de Hitler, ocorreu uma grande fuga de nazistas pelo aeroporto e pelo menos oito aviões teriam sido carregados de objetos pessoais do ditador.2
O jornalista argentino Abel Basti pesquisou o tema e afirma, em seu livro “O Exílio de Hitler”, que o ditador alemão fugiu realmente para a Argentina.
Citando documentos dos Serviços Secretos alemães e ingleses, Basti afirma que Hitler voou para a Áustria, depois para a Espanha e, de lá, partiu em submarino para a Argentina, fazendo escala nas Ilhas Canárias.3
Aeroporto Tempelhof - 1945.
A teoria dos submarinos também não é descartável, pois sabe-se que as belonaves U-530 e U-977 renderam-se na Argentina em julho e agosto de 1945, embora a ordem de rendição tenha sido expedida em 08 de maio.4
E o detalhe mais significativo: a tripulação foi processada na Inglaterra para descobrir se tinham dado fuga a líderes nazistas! Me parece que, quando os detalhes vão sendo somados, a suposta fuga de Hitler parece menos impossível.
Submarino U-977

Submarino U-530.
Por fim, em entrevista a Léo Gerchmann do Jornal Zero Hora,5 Abel Basti afirma que Hitler e Eva Braun viveram na propriedade do pai do Rei da Holanda e em Bariloche, em meio à comunidade alemã.
Ele afirma ainda que o governo dos EUA tinha conhecimento da situação, mas que não desejava que Hitler caísse nas mãos dos soviéticos.
É uma afirmação de comprovação quase impossível.
Por outro lado, recentemente foi revelado o conteúdo do diário de JFK, o Presidente Kennedy, onde ele escreveu: "A sala onde Hitler deveria ter encontrado a sua morte mostrou paredes chamuscadas e vestígios de fogo" e escreveu ainda: "Não há evidência completa, entretanto, que o corpo encontrado era o corpo de Hitler."6
Assim, Hitler teria vivido sob a proteção do governo argentino até a deposição de Perón, quando se transferiu para o Paraguai, onde o ditador Stroessner passou a protegê-lo, assim como a vários outros nazistas.
Nas palavras de Abel, “Hitler morreu em 3 de fevereiro de 1971. Seu corpo está enterrado no Paraguai. Está em uma propriedade privada, em um bunker secreto, que atualmente é o porão de um hotel paraguaio, em Assunção.
Claro que tais afirmações são muito questionadas. Em texto enviado para o mesmo Léo Gerchmann do Jornal Zero Hora,7 o Professor Waldemar Dalenogare Neto8 contesta Abel Basti.
A meu ver a crítica de Neto é deselegante quando acusa o autor de não ser acadêmico, nem pesquisador e nem notório, como se isso fosse pressuposto para credibilidade. Penso que a crítica a um texto deve ser  feita ao texto e não por meio da desqualificação do autor.
Mas Neto não está errado quando afirma que a versão do suicídio é corroborada por gente do calibre de Hugh Trevor-Roper, Ian Kershaw, Joachim Fest, William L. Shirer e Richard J. Evans.
E ele levanta duas questões importantes que devem ser respondidas: a “Viabilidade da fuga de Berlim” e o “Motivo da fuga de Berlim”.
Para Neto, baseando-se nos autores citados, a última chance de fuga de Berlim teria se dado em 22/04/1945, quando da visita de Albert Speer ao bunker. 
Mas isso apenas mostra que até esse dia, após a partida de Speer, a fuga ainda teria sido possível. Dada a decepção de Hitler por Speer não ter cumprido sua ordem de "Terra Arrasada", não seria de admirar que o ditador tivesse deixado seu assistente de fora do plano.
Mas, o que impediria os auxiliares diretos de Hitler, com sua reconhecida fidelidade canina ao ditador, de tomar parte em um plano de fuga e contar todos uma mesma sequência de acontecimentos com alguns dias de diferença entre fatos e versão? É impossível? Não creio. Mas também seria preciso provar isso, o que é quase impossível hoje, quando todos estão mortos.

Seguindo no roteiro de duas perguntas de Neto, a nosso ver o motivo para a fuga de Berlim é óbvio. Se Hitler realmente tentou fugir da cidade, o fez para sobreviver e para não cair nas mãos dos soviéticos. Mas Neto não discorre sobre isso, restringindo-se a criticar os métodos de Basti.
Ainda a nosso ver, a versão de Basti peca quando não apresenta os documentos secretos nos quais se baseia, mas sua refutação total só pode ser feita com a apresentação de outros documentos e fontes que comprovem a falsidade de suas afirmações.
A versão do suicídio em Berlim possui muitos depoimentos mas nenhum  corpo. Possui uma arcada dentária guardada na Rússia, mas nenhum exame de DNA 100% definitivo. Possui um pedaço de crânio que se dizia ser de Hitler mas que foi comprovado como sendo de uma mulher.
Por tudo isso, embora para nós a versão mais comumente aceita do suicídio seja a mais plausível e até desejável (pois seria muito duro saber que após cometer todas aquelas atrocidades Hitler teria escapado para morrer tranquilamente no Paraguai), não descartamos 100% a versão de Basti, ainda mais depois da liberação dos documentos do FBI.
Como se vê, Hitler segue sendo um assunto inesgotável na História e só podemos afirmar com certeza que hoje ele está morto. Só não sabemos dizer onde...
FIM
1 FBI – Los Angeles – Arquivo 105-410 - 21/09/1945
2 http://www.express.co.uk/news/history/611229/Adolf-Hitler-tunnel-freedom
3 https://zap.aeiou.pt/tunel-secreto-em-berlim-reforca-teorias-de-que-pode-ter-fugido-no-fim-da-guerra-85799
4 http://www.sharkhunters.com/book1.htm
5 http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2016/09/pesquisador-reune-relatos-de-que-hitler-viveu-na-argentina-7484679.html?pagina=7
6 http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/287210/Di%C3%A1rio-de-Kennedy-revela-que-ele-acreditava-que-Hitler-sobreviveu-%C3%A0-guerra.htm
7 http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/leo-gerchmann/noticia/2016/09/historiador-sustenta-historia-oficial-e-contesta-tese-segundo-a-qual-hitler-viveu-na-argentina-e-no-paraguai-7511598.html
8 Doutorando em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Bacharel, Licenciado e Mestre em História na mesma universidade.
  Disp: 
 https://www.escavador.com/sobre/8884985/waldemar-dalenogare-neto
Fontes e Imagens:
https://chicomiranda.wordpress.com/tag/verdades-sobre-a-morte-hitler/
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/morte_hitler.htm
http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/cercado-por-tropas-russas-num-bunker-em-berlim-adolf-hitler-teria-se-matado-16018175
http://www.express.co.uk/news/history/611229/Adolf-Hitler-tunnel-freedom
http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2016/09/pesquisador-reune-relatos-de-que-hitler-viveu-na-argentina-7484679.html?pagina=7
http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/leo-gerchmann/noticia/2016/09/historiador-sustenta-historia-oficial-e-contesta-tese-segundo-a-qual-hitler-viveu-na-argentina-e-no-paraguai-7511598.html
http://br.blastingnews.com/mundo/2016/01/fbi-revela-que-a-morte-de-adolf-hitler-foi-uma-farsa-e-que-ele-fugiu-para-a-espanha-00729675.html
https://es.wikipedia.org/wiki/U-530_(1942)
https://pt.wikipedia.org/wiki/U-977
https://zap.aeiou.pt/tunel-secreto-em-berlim-reforca-teorias-de-que-pode-ter-fugido-no-fim-da-guerra-85799
http://www.jn.pt/mundo/interior/restos-mortais-de-hitler-foram-cremados-1441974.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_de_Adolf_Hitler
https://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Hitler
http://vcsabiadisso.blogspot.com.br/2014/10/casa-de-hitler-na-argentina.html
http://www.planetpropertyblog.co.uk/2011/11/25/hitlers-secret-hideout-for-sale/
http://www.panoramio.com/photo/64639758


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/466904/tunel-secreto-em-berlim-sugere-que-hitler-pode-nao-ter-morrido





YURI GAGARIN
O PRIMEIRO HOMEM NO ESPAÇO
Em um dia 12/04 como este, no ano de 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornava o primeiro ser humano a viajar pelo espaço sideral.
Yuri Alekseievitch Gagarin nasceu em Klushino, Província de Smolensk, no dia 09/03/1934, um dos quatro filhos de Aleksei Ivanovitch Gagarin e Anna Timofeievna Gagarina, trabalhadores rurais de uma fazenda coletiva soviética.
Quando Smolensk ficou sob ocupação nazista os dois irmãos de Yuri foram deportados para a Alemanha onde foram transformados em escravos. 
Casa onde viveu Gagarin.
Muito interessado por aviões e pelo espaço, Gagarin fez curso de vôo e acabou se tornando aviador, ingressando na Escola de Pilotos de Orenburg, onde passou a pilotar aeronaves militares.

Após ganhar suas asas (concluir sua instrução), Gagarin se casou com Valentina Ivanovna Goryacheva em 1957, com quem teve duas filhas (Galina Gagarina, Yelena Yurievna Gagarina), e logo foi transferido para Murmansk, onde ficou lotado na Base Aérea de Luostari. 
Essa base era perto da Noruega e o clima fechado do lugar tornava os vôos quase sempre arriscados, o que tornou Gagarin um piloto muito hábil. Ainda em 1957 ele ascendeu à patente de Tenente da Força Aérea Soviética e dois anos depois chegou a Tenente Sênior.
Em 1960, quando foi iniciada a seleção para pilotos do Programa Espacial Soviético, Gagarin foi um dos 20 pilotos selecionados após rigorosos testes e depois escolhido para chefiar a missão e ser o primeiro cosmonauta.
Sua escolha baseou-se em sua origem humilde, sua personalidade cativante, sua liderança e sua baixa estatura e peso, considerando o tamanho da cápsula na qual o vôo seria realizado que “...media 4,4 metros de comprimento e 2,4 metros de diâmetro.1
O vôo era de imenso risco, considerando que o Programa Espacial Soviético enviara 48 cães ao espaço, vinte dos quais morreram. A bela cadelinha Laika foi apenas a primeira e mais famosa deles. 
A bela cadelinha Laika.
Contudo, a despeito dos riscos envolvidos, Gagarin embarcou na cápsula Vostok 1, acoplada ao foguete Soyuz-R-7 que foi lançado da Base de Baikonur, no Casaquistão às 09:07hs. 
Base de Baikonur, no Casaquistão


A cápsula Vostok 1


Viajando a uma velocidade de 28000 km/h e a uma altitude de 315km, Gagarin chegou ao espaço se tornou o primeiro ser humano a ficar fisicamente fora do Planeta Terra e a poder vê-lo da janela da cápsula. Aquele foi um dos momentos em que se pode ver a roda da História girar.
O cosmonauta soviético completou a volta ao planeta em um vôo que durou 01:48 hs. Nas comunicações da nave com a base em terra Gagarin teria dito que “A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível!” mas há quem diga que não, que essa frase foi proferida após o pouso.
Ao ver a Terra ele teria dito “Através da janela, eu vejo a Terra. O chão é claramente identificável. Eu vejo rios e as dobras do terreno. Tudo é tão claro…”.2
Gagarin não precisou pilotar a nave, pois tudo foi automatizado, embora ele tivesse condições de assumir os controles em caso de extrema necessidade. Após a reentrada na atmosfera ele ejetou e desceu de pára-quedas. 
A cápsula Vostok 1 após o pouso.
Quando a notícia foi divulgada, Yuri Gagarin tornou-se instantaneamente uma celebridade mundial, passando a visitar diversos países onde foi sempre recebido com grandes festividades, inclusive no Brasil. 


O Programa Espacial Soviético seguiu assombrando o mundo com suas conquistas: “Valentina Tereshkova foi a primeira mulher no espaço; dois anos depois, o cosmonauta Alexei Leonov foi o primeiro a flutuar por dez minutos fora de sua cápsula; e, no ano seguinte, o módulo Luna 9 pousou na Lua.”3
Acima, Gagarin em Varsóvia e abaixo, no Brasil, com o Presidente Jânio Quadros.


Os americanos, dentro do contexto da Guerra Fria, também entraram na Corrida Espacial, mas só foram marcar um gol decisivo em 1969 com a conquista da Lua, na qual Neil Armstrong imprimiu a marca dos pés. Ou seria Stanley Kubrick?


1https://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/ha-45-anos-morria-em-voo-yuri-gagarin-primeiro-homem-a-chegar-ao-espaco,955149eed4bad310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
2https://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/ha-45-anos-morria-em-voo-yuri-gagarin-primeiro-homem-a-chegar-ao-espaco,955149eed4bad310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
3http://www.dw.com/pt-br/1961-yuri-gagarin-no-espa%C3%A7o/a-495389


Fontes e Imagens:
https://educacao.uol.com.br/biografias/yuri-gagarin.htm
https://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/ha-45-anos-morria-em-voo-yuri-gagarin-primeiro-homem-a-chegar-ao-espaco,955149eed4bad310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/04/viagem-pioneira-de-yuri-gagarin-ao-espaco-completa-55-anos.html
https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/201604124119226-gagarin-10-fatos/
https://br.sputniknews.com/fotos/201604124118249-galeria-fotos-repercussao-voo-Gagarin-Brasil-mundo/
https://br.sputniknews.com/fotos/201604124118249-galeria-fotos-repercussao-voo-Gagarin-Brasil-mundo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_Vostok
https://pt.wikipedia.org/wiki/Laika
https://pt.wikipedia.org/wiki/Iuri_Gagarin
http://brazilian-pop-politics.blogspot.com.br/2012/04/yuri-gagarin-visits-brazil-1961.html
https://pics-about-space.com/yuri-gagarin-and-his-wife?p=3
http://www.space.com/17764-laika-first-animals-in-space.html

http://www.thelivingmoon.com/45jack_files/03files/Launch_Sites_Baikonur.html


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Em um dia 26/02, no ano de 1815, Napoleão escapava da Ilha de Elba onde se encontrava exilado desde 04/05/1814 em cumprimento ao Tratado de Fontainebleau.
O Tratado fora imposto pelos comandantes da coalizão de países que derrotara a França na Batalha de Paris.  
Recolhido no Palácio de Fontainebleau, Napoleão foi intimado a abdicar. Ele ainda tentou deixar seu filho como herdeiro do trono e sua esposa, Maria Luísa da Áustria, como regente, mas sem sucesso. 
Encenação da chegada de Napoleão a Elba
O tratado, porém, permitia que mantivesse o título de Imperador e foi-lhe concedido governar a Ilha de Elba, para onde poderia levar uma pequena corte, 400 soldados, manter alguns navios e receber do governo da França, anualmente, uma quantia de dois milhões de francos. 
Nos primeiros meses de exílio o gênio de Napoleão promoveu uma verdadeira revolução administrativa na ilha com a "...construção de estradas e drenagem dos pântanos, impulsionar a agricultura e desenvolvimento de minas, bem como reformar as escolas da ilha e todo o seu sistema legal."(1)
E também consta que o soberano se tornou praticamente uma atração turística!
Conforme afirma Katharine Macdonogh em “A Sympathetic Ear: Napoleon, Elba And The British – From History Today (1994)” (2), no porto de Elba passaram a desembarcar inúmeros oficiais ingleses para conhecer o maior de todos os rivais da Inglaterra. E, segundo os relatos que a autora apresenta, Napoleão os encantou a ponto de torná-los admiradores dali em diante. 

Segundo Lord John Russell, Napoleão se mostrou “extremamente bondoso ... sua maneira parece estudada para por a pessoa à vontade por sua familiaridade; Seu sorriso e riso são muito agradáveis (2)
Outro relato, de Hugh Fortescue, Visconde Ebrington, diz que:
Sua maneira me deixou quase à vontade desde o início, e pareceu incentivar minhas perguntas, que ele respondeu sobre todos os assuntos sem a menor hesitação, e com uma rapidez de compreensão e clareza de expressão além do que eu já vi em qualquer outro homem. (2)
Mas, segundo Shannon Selin em seu blog “Imagining the Bounds of History” (3), logo a consciência do mundo diminuto ao seu redor, em contraste com as memórias do grande comando que exercera, parecem ter feito "cair a ficha" do grande homem. Some-se a isso o descumprimento do tratado pela França, que não efetuou o pagamento que fora prometido. 
Este também parece ser o entendimento do Coronel Neil Campbell - comissário britânico na ilha – que escreveu diversas vezes aos seus superiores na Inglaterra informando sobre o declínio financeiro do Imperador, demonstrado nos cortes de obras e despesas gerais e alertando que a falta de pagamento a Napoleão poderia causar sua fuga.(3)
Mas, embora não estivesse totalmente errado, o coronel inglês não sabia que Napoleão já pensava em sair de Elba quando ainda estava em Fontainebleau!
Mantendo-se bem informado sobre o que ocorria na França, Napoleão soube de três fatos que podem tê-lo estimulado a deixar a ilha: a impopularidade de Luis XVIII; as conversas no Congresso de Viena sobre retirá-lo de Elba para outro local bem mais distante; a movimentação para coroar o Duque de Orleans governante da França, o que traria uma situação nova e de difícil reversão.(3)
Assim sendo, já em junho de 1814 havia boatos de que Napoleão pretendia deixar a ilha. Entretanto o acontecimento só foi se concretizar mesmo no ano seguinte quando o Coronel Neil Campbell viajou para Londres em 16/02.
Napoleão imediatamente deu ordens para que suas embarcações fossem preparadas. A partir dai os acontecimentos são como um fantástico roteiro de filme de ação e espionagem! 
Portoferraio - Ilha de Elba
Segundo Selin, Napoleão ordenou que o navio Inconstant fosse pintado como um navio inglês e abastecido com mantimentos.
Quando uma embarcação britânica aportou em Elba ele ordenou que seu navio fosse escondido para não ser visto e colocou seus soldados para executar serviços corriqueiros de jardinagem! Pouco depois decretou bloqueio do porto evitando a partida de qualquer barco que pudesse alertar o exterior sobre sua fuga.
Em 25/02 ele avisou às autoridades da ilha que partiria e ordenou a impressão de cartas a serem divulgadas na França. No dia 26/02 a frota partiu levando 600 membros da Velha Guarda, 100 lanceiros poloneses desmontados, 300 membros do Batalhão Corso, 50 membros da gendarmeria (guarda) e 100 civis, incluindo empregados. (3)
No mar, a frota chegou a ser abordada por um navio inglês, mas o capitão deste foi enganado pelo capitão a serviço de Napoleão. Em 01/03 a pequena tropa do Imperador desembarcou em “Golfe-Juan, entre Cannes e Antibes”.
Golfe-Juan - França

Napoleão saudado pelo 5º Regimento
Algum tempo depois, as tropas do Quinto Regimento, enviadas para deter a marcha de Napoleão rumo a Paris o interceptaram. O soberano se postou sozinho, em frente aos soldados e os conclamou a atirar no próprio Imperador. Como lhes era impossível fazer isso, aderiram a ele e, assim, a marcha se transformou em um cortejo triunfal que chegou a Paris sem disparar nenhum tiro.
Mas isso é uma outra História! Vive L'Empereur!

(1) https://widescience.wordpress.com/2015/03/02/por-que-napoleao-provavelmente-deveria-ter-ficado-no-exilio-na-primeira-vez/

(2) https://www.napoleon.org/en/history-of-the-two-empires/articles/a-sympathetic-ear-napoleon-elba-and-the-british-from-history-today-1994-vol-44/

(3) http://shannonselin.com/2016/02/how-did-napoleon-escape-from-elba/


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Fontes e Imagens: 
https://widescience.wordpress.com/2015/03/02/por-que-napoleao-provavelmente-deveria-ter-ficado-no-exilio-na-primeira-vez/
https://www.napoleon.org/en/history-of-the-two-empires/articles/a-sympathetic-ear-napoleon-elba-and-the-british-from-history-today-1994-vol-44/
http://shannonselin.com/2016/02/how-did-napoleon-escape-from-elba/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_dos_Cem_Dias
https://pt.wikipedia.org/wiki/Napole%C3%A3o_Bonaparte
https://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_of_Fontainebleau_(1814)
http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2016/03/20-de-marco-de-1815-napoleao-bonaparte.html
http://edition.cnn.com/2014/05/06/travel/napoleon-elba/
http://www.lefigaro.fr/livres/2014/11/13/03005-20141113ARTFIG00041-napoleon-sa-relation-intime-avec-le-christianisme.php
https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Paris_(1814)
https://en.wikipedia.org/wiki/File:Montfort_-_Adieux_de_Napoleon_a_la_Garde_imperiale.jpg
https://sonofskye.wordpress.com/2014/05/10/marshal-etienne-jacques-macdonald-of-france-1765-1814/



Em 1988, quando já completavam-se 25 anos de sua prisão, Mandela sofreu de tuberculose e foi transferido para a Prisão de Victor Verster, onde não ficava em uma sela, mas em um bangalô com piscina e cozinheiro exclusivo. O regime temia que ele morresse de doença e que não houvesse mais ninguém com que pudesse negociar e evitar a guerra civil.
As negociações avançaram e, em 05/07/1989, o Presidente Pieter Botha se encontrou com Nelson Mandela para preparar sua libertação. Mas, foi o seu sucessor na liderança do Partido Nacional, Frederick de Klerk16 quem, no dia 02/02/1990 anunciou no Parlamento as primeiras medidas para pôr fim ao sistema de Apartheid. 
Nove dias depois, em 11/02/1990, Nelson Mandela foi libertado da prisão e recepcionado por uma multidão do lado de fora. 
MANDELA LIVRE!
O mundo celebrou a liberdade de Mandela, pois o fim do Apartheid estava próximo.
De Klerk iniciou o diálogo com o CNA e promulgou as primeiras leis anti Apartheid sendo muito criticado por setores da elite branca.

Entretanto ele recebeu o apoio de 69% dos eleitores brancos que votaram pelo fim do regime em um plebiscito de 1992.
Do outro lado, Mandela assumiu a liderança do CNA e passou a negocir a promulgação de uma nova Constituição que abolisse de vez a segregação racial.
Mas, também houve resistência entre os negros. Mangosuthu Buthelezi17, líder do Partido da Liberdade Inkhata18, acusou Mandela de traição e tentou assumir a liderança dos interesses dos negros. Essa disputa resultou em confrontos sangrentos, mas foi vencida por Mandela.
Pelo lado branco, a resistência ocorreu capitaneada pela Frente Nacional Africânder (FNA), fundada em 1993 e composta por 21 grupos extremistas que pretenderam criar um país independente na região do Transvaal.
A despeito disso, o Presidente De Klerk pediu perdão pelo Apartheid em outubro de 1992 e um ano depois, em outubro de 1993, ele e Mandela receberam juntos o Prêmio Nobel da Paz. 
Foi posta em vigor a nova Constituição provisória não-racial, que outorgava direito de voto à maioria negra e, em 27/04/1994, as primeiras eleições multirraciais na África do Sul foram realizadas. 
Nelson Mandela concorreu como candidato pelo Congresso Nacional Africano e foi eleito Presidente com 62,6% dos votos, conquistando 252 das 400 cadeiras da Assembléia Nacional. Mangosuthu Buthelezi obteve pouco mais de 10% dos votos, mas tornou-se ministro do governo Mandela. 
Começava a era de ouro do perdão na Nação Arco Íris!
FIM




REVOLUÇÃO IRANIANA
Foi em um dia 01/02 como hoje, no ano de 1979, que o Aiatolá Khomeini (Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini), retornou ao Irã para fundar a República Islâmica do Irã, em substituição ao regime monárquico do Xá Reza Pahlevi (Mohammad Reza Pahlevi).
O Xá Reza Pahlevi, nascido em 26/10/1919 em Teerã, quando o país ainda era a Pérsia, assumiu o poder durante a II Guerra Mundial, após a abdicação de Reza Xá, seu pai, forçada por uma invasão de ingleses e russos.
Durante seu reinado a indústria do petróleo foi estatizada, mas EUA e Inglaterra forçaram a volta da privatização. Também em seu período foram celebrados 2.500 anos de monarquia persa, contada desde Ciro, O Grande.
O Xá Reza Pahlevi tomou várias medidas para modernizar e secularizar o Irã, mantendo uma linha de atuação pró ocidente e mantendo negociações com Israel, o que lhe fez perder o apoio do clero xiita.
O Xá Reza Pahlevi e o Aiatolá Khomeini 
A crise econômica, as medidas fracassadas para solução desta e a inerente corrupção do regime o fizeram perder apoio dentre a população em geral e acabou por fazer surgir uma forte oposição. E quanto maior a oposição, maior foi a repressão.
Essa repressão cresceu tanto que incomodou o ocidente. Em 1977 o Presidente dos EUA, Jimmy Carter pressionou o regime a reduzir a perseguição política, no que foi atendido. Ao contrário do esperado, porém, as manifestações contra o governo só aumentaram.
Quando a repressão voltou, o exército matou cerca de 90 pessoas durante protestos, no que ficou conhecido como massacre da Sexta-Feira Negra em 08/09/1978. Como era de se esperar, as manifestações se agigantaram chegando ao número de 2 milhões de pessoas em Teerã no dia 12/12/79.
Quando os soldados do exército começaram a desertar para não ter que atirar no povo, o governo estava condenado. O Xá Reza Pahlevi ainda acenou com concessões, mas já tinha perdido a guerra. Quando o Aiatolá Khomeini exigiu o fim da monarquia, Pahlevi não viu outra alternativa que não a fuga do país.
Então Khomeini foi convidado a retornar ao país, vindo de Paris, onde estava exilado. Logo ele já era aceito como lider maior da revolução e assumiu o governo afastando todos os opositores.
Em pouco tempo o novo regime expulsou as representações diplomáticas americanas, cancelou os contratos de compras de armas e exportação de petróleo aos EUA e implantou uma constituição teocrática, baseada na Sharia, a Lei Islâmica. A ocidentalização do Irã foi interrompida.


Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Iraniana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruhollah_Khomeini
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mohammad_Reza_Pahlavi
https://historiazine.com/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-iraniana-80482633fd2f
https://historiazine.com/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-iraniana-80482633fd2f#.5k92sbj6y
http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/revolucao-islamica-no-ira-9541025
https://shakak76.wordpress.com/2015/02/10/iranian-revolutionthe-phenomenon-which-changed-the-middle-east/
http://www.davidburnett.com/gallery.html?gallery=44+Days%3A+the+Iranian+Revolution#/16
http://www.ilimvemedeniyet.com/iranian-islamic-revolution.html

http://www.davidburnett.com/gallery.html?gallery=44+Days%3A+the+Iranian+Revolution#/3


CONFERÊNCIA DE WANNSEE
Neste caso não é um belo dia, mas um triste dia na História. Em um dia como este 20 de janeiro, em 1942, ocorria a reunião que iria detalhar o planejamento da Solução Final para o destino dos judeus dentro da Alemanha Nazista e territórios conquistados. A Conferência de Wannsee foi um encontro de líderes nazistas, realizadas no subúrbio berlinense de Wannsee, em uma mansão às margens do lago denominado Grosser Wannsee.
O encontro foi marcado pelo diretor do Gabinete Central de Segurança do Reich, SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich e destinou-se a estabelecer a cooperação de todos os setores envolvidos, especialmente no transporte, na eliminação dos judeus que seriam trazidos de todos os lugares para a Polônia, onde seriam exterminados.
Heydrich agia obedecendo uma ordem escrita e assinada por  Hermann Göring determinando que planejasse a solução da questão judaica, embora o extermínio já tivesse começado logo após a invasão da URSS em junho do ano anterior, 1941.
Hermann Göring e Reinhard Heydrich
Portanto, ao contrário do que alguns pensam, não foi na Conferência de Wannsee que a decisão de exterminar os judeus foi tomada, pois a reunião teve, como primeiro objetivo, apenas determinar a participação de cada órgão do governo nazista envolvido no processo como, por exemplo, os Ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Interior e a SS. Em outras palavras, organizar o que já estava acontecendo.
A perseguição aos judeus começou logo no início do governo de Hitler, em 1933 e se intensificou com as Leis de Nuremberg em 1935. A matança indiscriminada porém começou após a invasão da Polônia, em 1939. O plano nazista para o Leste não previa apenas a morte dos judeus, mas também dos eslavos e a ideia era reduzir a população, pela fome, com a morte de 30 milhões de pessoas!
As colheitas fracas na Alemanha nos anos de 1940 e 1941 levou o governo nazista a calcular que os judeus não se encaixavam no número de pessoas que deveriam ser alimentadas e que incluíam os próprios alemães e os trabalhadores escravos das fábricas do III Reich.
Quando a invasão da URSS começou, logo Heydrich estava autorizando a morte de membros do partido comunista, comissários do povo, judeus em cargos públicos, adversários políticos, sabotadores, agitadores e membros da resistência. Não demorou para ordenar que todos os judeus fossem considerados membros da resistência, o que autorizava sua morte indiscriminada.
Heydrich enviou as convocações para a reunião em 29/11/1941, marcando a data do encontro para 09/12/1941 no escritório da Interpol. Porém, devido ao fracasso da tomada de Moscou e a declaração de guerra de Hitler contra os EUA, após o ataque japonês a Pearl Harbor, a conferência foi adiada. O local já havia sido alterado dias antes. 
CONVOCAÇÃO PARA A CONFERÊNCIA
Esses eventos levaram Hitler a perceber que a guerra não acabaria cedo como previra e, assim sendo, em 12/12/1941 ele transmitiu aos membros superiores do governo que decidira eliminar os judeus logo, sem esperar pelo fim da guerra.
Os novos convites para o encontro, agora remarcado para 20/01/1942 foram enviados dia 08. Foram 15 participantes, dentre os quais Adolf Eichmann, que depois ficaria famoso por ter sido sequestrado por agentes do Mossad na Argentina, para ser julgado em Israel.
Heydrich iniciou a reunião relembrando as medidas anti-judaicas tomadas desde 1933 e contabilizando a existência de 11 milhões de judeus na Europa com cerca de metade deles fora dos domínios da Alemanha. A intenção era levar os judeus sob domínio da Alemanha para a URSS, onde morreriam “de causas naturais” na construção de estradas. Os restantes deveriam ser “tratados adequadamente”, considerando que poderiam voltar a se reproduzir, o que não era desejado.
LISTA DE ADOLF EICHMANN - JUDEUS DA EUROPA
Essa remoção em massa era uma exigência do processo de mudança dos alemães que iriam colonizar o Leste, especialmente aqueles que havia perdido suas casas nos bombardeios aéreos aliados. O processo incluiria o transporte para guetos de transição na Polônia e, depois, para a URSS.
Nem todos os judeus, porém, seriam deportados rumo a morte pois, segundo Heydrich, “Judeus com mais de 65 anos de idade, e judeus veteranos da Primeira Guerra Mundial que tivessem sido feridos com gravidade ou que tivessem recebido a Cruz de Ferro, podiam ser enviados para o campo de concentração de Theresienstadt em vez de serem mortos.
Os Mischlings de primeiro grau (mestiços com avós judeus) seriam mortos, porém, se fossem casados e tivessem filhos com não-judeus, seriam poupados. Mesmo caso dos que possuissem isenção concedida por altas autoridades. Mas deveriam ser esterilizados ou deportados caso não aceitassem.
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS JUDEUS
Os Mischlings de segundo grau (com apenas um dos avós judeu) seriam considerados alemães, a menos que fossem casados com judeus, mischlings de primeiro grau ou tivessem a aparência e o comportamento marcadamente “judaicos”. Casamentos interraciais seriam analisados individualmente.
Após a fala de Heydrich a reunião seguiu menos formal. Não foi registrada nenhuma oposição dos presentes, antes, porém, sugestões para “aperfeiçoar” o processo. Heydrich, que esperava muita resistência, ficou satisfeito com a concordância geral.
PARTICIPANTES DA CONFERÊNCIA DE WANNSEE
O documento final da conferência, denominado Protocolo de Wannsee, foi redigido com termos camuflados, para esconder o terror das decisões que continha. Foram feitas 30 cópias da ata, que foram enviadas aos participantes. A maioria delas foi destruída ao final da guerra, mas uma delas sobreviveu e serviu de prova no Julgamento de Nuremberg.
Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Wannsee
https://en.wikipedia.org/wiki/Generalplan_Ost
https://warfarehistorynetwork.com/daily/wwii/the-wannsee-conference-hitlers-final-solution/
https://dirkdeklein.net/2017/07/14/the-minutes-of-the-wannsee-conference-meeting/




CÉSAR CRUZA O RUBICÃO
Em um dia 10/01 como hoje, no ano 49 a.C., Júlio César, acompanhado da XIII Legião, atravessou o Riacho Rubicão, em Ariminum (atual Rimini – Itália), cruzando assim a fronteira italiana da época e violando a lei do Senado que proibia o ingresso de Generais e Legiões armadas na Itália.
A República Romana vivia seus momentos finais, embora parecesse restaurada após a ditadura de Sila. Quando este morreu, o poder retornou a um Senado desconectado do povo e incapaz de reassumir, de fato, o comando do império que Roma já se tornara.1
Com isso, recorreu-se ao suporte de figuras aliadas de Sila, mas capazes de reunir apoio popular, apesar de oriundas das classes dominantes. O poder passou a se concentrar em Cneu Pompeu e Marco Crasso.2
O Triunvirato
Crasso, “...general enriquecido pela compra dos bens confiscados por Sila...”3 derrotara a rebelião de Spartacus, mas tivera seu triunfo (o mais pomposo desfile militar) negado pelo Senado.4
Pompeu conquistara fama e fortuna vencendo a rebelião de Sertório, na Hispania, também vencera o Rei Mitridates e eliminara os piratas do Mar Mediterrâneo.5 Contudo os senadores estavam receosos do poder acumulado pelo general, por eles mesmos conferido, e passaram a cerceá-lo.6
Uma vez terminadas as campanhas militares, Pompeu e Crasso deveriam devolver os postos de comando, o que não fizeram. E o Senado não tinha como forçá-los sem iniciar uma guerra civil.7
Para garantir o apoio do partido popular, ambos fizeram acordo com um dos sobrinhos de Mário que conseguira escapar da perseguição de Sila. Seu nome? Júlio César!8
O acordo político dos três garantia “assistência mútua entre si para dividir o poder” entre eles mesmos e seus aliados nascendo, assim, o sistema que ficou conhecido como Primeiro Triunvirato.9
Este sistema de alianças permitiu que César chegasse ao Consulado e conseguisse, depois, o mandato para atuar na Gália. Esta guerra, como se sabe, lhe garantiu imensa riqueza e fama, equiparando-o, e até superando, seus dois parceiros de poder.
Apesar dos imensos egos que suportava, o acordo correu bem até que a morte os separou. Em 54 a.C. a esposa de Pompeu, Júlia, morreu de parto. Ela era filha de César.10 E no ano seguinte, 53 a.C., quem morreu foi Crasso, quando seu exército foi massacrado na Partia.11
Com esta morte, o equilibrio do Triunvirato acabou pois “A graça do triunvirato residia na sua inerente estabilidade, pois nenhum dos seus membros podia contra os outros dois”.12
O iminente retorno de César vitorioso e super rico da Gália fez com que seus adversários do Senado instigassem Pompeu contra ele. A estratégia consistiu, segundo Sheppard, em fazê-lo voltar a Roma sem a imunidade do cargo de Cônsul, para poder acusá-lo e derrotá-lo, apesar de um acordo ter sido aprovado “...por ampla maioria: 370 votos contra 22.13
Os 22, porém, conseguiram vetar os votos dos 370 e “O fato de os poucos senadores poderem vetar uma medida com apoio tão amplo era apenas um dos sinais do estado de deterioração das instituições democráticas de Roma.14
Lissner compara Roma a uma nau sem piloto, entregue à anarquia: “O Senado era corruptível, a Constituição estalava por todos os lados e as tribunas dos oradores estavam muitas vezes manchadas de sangue...15
Quando Pompeu finalmente aderiu aos inimigos de César, o confronto direto deixou de ser apenas uma das opções, passando a ser a única.16
Os primeiros embates da Guerra Civil, porém, ocorreram não nos campos de batalha, mas no piso do Senado. Uma série de medidas legislativas, algumas apenas de fachada, outras aprovadas e depois vetadas, resultou, por fim, na declaração de César como fora da lei.17
Com suas conquistas e a própria vida em risco, César dirigiu-se a Ariminum, onde o Rio Rubicão marcava a fronteira da Itália, na qual pela lei ele não poderia entrar liderando tropas.18
Plutarco descreve assim o momento decisivo: “Havendo, pois, chegado ao Rio Rubicão, […] parou pensativo e esteve por algum tempo meditando sobre o atrevimento de suas ações. Depois […] sem articular mais palavras do que esta expressão […] - A sorte está lançada...- fez com que as tropas atravessassem o rio.”19
César estava voltando pra casa!

1    SHEPPARD, Si. Grandes Batalhas - Farsália 48 a.C. César contra Pompeu. Osprey – Espanha 2010. pg. 10
2      Idem
3    MENDES, Norma Musco. Roma Republicana. São Paulo: Ática, 1988. pg. 67
4    BRANDÃO, José Luís (coord.); OLIVEIRA, Francisco de (coord.). História de Roma Antiga volume I: das origens à morte de César. Coimbra-Portugal: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015. pg.373
5    GRIMAL, Pierre. História de Roma. Trad. Mª L. Loureiro. São Paulo: UNESP , 2011. pg. 106
6    (MENDES: 1988) pg. 67
7    (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.373
8    (MENDES: 1988) pg. 67
9    (GRIMAL: 2011) pg. 111
10  SUETONIUS. Roma Galante – pg. 16
11  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.384
12  (SHEPPARD: 2010) pg. 11
13  BRUNS, Roger. Os Grandes Líderes – Júlio César. São Paulo: Nova Cultural, 1988. pg. 64
14    Idem
15  LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964. pg.79
16  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.385
17  (SHEPPARD: 2010) pg. 12-16
18  Ibid. pg. 16
19  PLUTARCO. Vidas Paralelas - Tomo V - Pompeyo: LX


17 DE SETEMBRO
ASSINATURA DA CONSTITUIÇÃO DOS EUA
A primeira e única constituição dos EUA até hoje foi discutida entre os dias 25 de maio e 17 de setembro de 1787 na Filadélfia-Pensilvânia, sendo sinal da estabilidade política daquela nação, onde quase não há espaço para golpes e afrontas à democracia como aqui onde as constituições só valem enquanto beneficiam os poderosos. 
O documento original estadunidense é composto por sete artigos que dão as linhas básicas da divisão dos três poderes, os direitos dos estados dentro do sistema federalista adotado e o formato de ratificação pelos mesmos.
A Carta Magna americana recebeu 27 alterações ao longo dos séculos e as dez primeiras emendas estabeleceram os direitos civis, ampliados por emendas posteriores.
A nosso ver, a emenda mais significativa foi a XIII, aprovada durante a Guerra Civil, no governo de Abraham Lincoln, que aboliu a escravatura:
Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.
É a segunda Carta Magna mais antiga do mundo ainda em vigor e a mais curta delas. O povo americano aprende, desde a mais tenra idade, o valor de suas leis e o juramento de defesa da Constituição é presente até mesmo em muitas escolas.

Neste ponto, os EUA são um bom exemplo que o Brasil deveria seguir, em especial nossa classe política. Mas, olhando o governo que temos hoje isso seria, nos parece, esperar demais.


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31 DE AGOSTO
SURGE JACK, O ESTRIPADOR
No ano de 1888, no dia 31 de Agosto, Jack Estripador fazia sua primeira vítima, de acordo com estudiosos do tema.
A vítima foi Polly, apelido de Mary Ann Nichols, como era conhecida em Whitechapel. Ela nascera em Shoe Lane (26/08/1845) e era mãe de 05 filhos, 03 homens e 02 mulheres.
Polly morreu na noite de 30/08 ou madrugada de 31/08 na rua Buck's Row, atual Durward Street, onde seu corpo foi descoberto às 03:40hs.

Sua morte foi extremamente violenta, ocasionada por cortes profundos na garganta além de vários cortes no abdomen e esviceração.
Registro de Óbito de Mary Ann Nichols
Várias outros assassinatos foram cometidos depois, sempre com violência extrema.
A partir de Setembro o assassino teria escrito cartas à Scotland Yard, sendo 03 delas consideradas genuínas. Na primeira, de 25/09/1888, o assassino se autodenominou Jack, o Estripador.

Na segunda carta, datada de 01/10/1888 ele assumiu um duplo homicídio e na terceira, de 15/10/1888, Jack enviou junto com a carta um pedaço do rim de uma das vítimas, alegando ter comido o restante.
A primeira carta de Jack

A famosa carta, intitulada "Do Inferno".
A polícia não conseguiu encontrar o assassino e a investigação da época, em torno de sete, depois doze suspeitos, não levou a nada.

Mas em 2014, através de exames de DNA mitocondrial realizado no xale de uma das vítimas (Catherine Eddowes), que nunca fora lavado, Russell Edwards e Jari Louhelainen afirmaram que Jack Estripador seria Aaron Kosminski, um dos suspeitos da polícia na época.
Aaron Kosminski era um “...imigrante judeu de 25 anos, que veio do então Império Russo, que vivia com sua mãe e irmãs.”(1)

Jack Estripador não foi o maior serial killer da História mas foi, com certeza, o mais famoso de todos, embora (e talvez por isso mesmo) sua suposta identidade só tenha sido conhecida mais de um século após os crimes que cometeu. Que esteja bem quente ai embaixo Jack!

Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jack,_o_Estripador
https://pt.wikipedia.org/wiki/Suspeitos_do_caso_Jack,_o_Estripador
(1) http://seuhistory.com/noticias/apos-mais-de-um-seculo-identidade-de-jack-o-estripador-e-finalmente-revelada
http://www.aljazeera.com/mritems/Images/2014/9/8/2014983945211734_20.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/55/Wanted_poster.jpg

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/02750/ripper_2750609b.jpg



CAÇA ÀS BRUXAS EM SALÉM
Em um dia 19/08, no ano de 1692, ocorriam as execuções por enforcamento de Martha Carrier, George Jacobs Sr., George Burroughs, John Willard e John Proctor, acusados e condenados por prática de bruxaria.
A Vila de Salém, atual cidade de Danvers em Massachusetts, era habitada por puritanos fugidos da perseguição religiosa na Europa. Eles viviam sob leis bíblicas em um tempo de raro conhecimento científico e muita superstição.
Também eram comuns as desavenças internas, nas quais os membros constantemente entravam em disputa pela posse de terras, por estabelecimento de limites, etc, bem como disputas com a vizinha Cidade de Salém, que mantém o nome até hoje.
Acima e abaixo, sítios onde ficavam as antigas construções de Salém.

O Reverendo, ou Primeiro Ministro, cargo mais importante da comunidade por conta de sua autoridade religiosa, era escolhido pelos moradores que deveriam pagar a ele uma taxa anual, o que por vezes não ocorria, levando a renúncias ao cargo. Quando Samuel Parris assumiu o posto ele era o quarto a ocupar o cargo.
Os problemas começaram em fevereiro de 1692, quando Betty Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, respectivamente filha e sobrinha do Reverendo Samuel Parris, começaram a apresentar comportamento agressivo, emitir sons estranhos e a ter espasmos violentos, sintomas hoje reconhecidos como oriundos da provável contaminação por um fungo.
A casa onde a bruxaria começou em foto do século XIX.
O médico consultado, sem encontrar resposta, afirmou que as meninas estavam enfeitiçadas e logo outras meninas da vila passaram a apresentar os mesmos sintomas. Dai para a histeria coletiva foi um pequeno passo, principalmente porque poucos anos antes, em 1689, um livro sobre feitiçaria, descrevia sintomas semelhantes, relacionando-os à ação de feiticeiras.
Quando foram examinadas e interrogadas as meninas acusaram a escrava do reverendo Parris, Tituba, além de “Sarah Good, uma moradora de rua; e Sarah Osborne, uma idosa pobre.[1]
Obviamente nenhuma das acusadas era bruxa, mas, com objetivo de escapar da forca, a escrava Tituba confessou e ainda afirmou ter feito pacto com o demônio. Quando Martha Corey, uma cristã muito devota e frequentadora dos cultos, foi acusada, o pânico se instalou pois agora qualquer um poderia estar sob influência direta do cramunhão tinhoso!
Qualquer comportamento minimamente fora dos padrões, marcas de nascença e cicatrizes pelo corpo passaram a ser motivo de denúncia e até Dorothy Good, de míseros 4 anos de idade, foi detida e interrogada! Testemunhas de defesa não eram admitidas!
Certamente não descartamos o uso destas denúncias como estratégia para livrar-se de inimigos ou adversários, o que sempre ocorre nestes casos.
Em Maio daquele ano Massachusetts teve um novo governador nomeado, Sir William Phips, que instaurou um tribunal para processar e julgar os casos de Salém.
Samuel Parris e William Phips.
Entre 200 e 300 pessoas foram acusadas de bruxaria. A primeira a ser condenada foi Bridget Bishop, enforcada em 10 de junho, seguida de outras 18 vítimas até 22 de setembro. 
O enforcamento de Bridget Bishop.


Execução de Giles Corey, esmagado por pedras.
Em 29 de outubro o governador dissolveu o tribunal proibindo novas prisões e libertando vários acusados.
Quando outro tribunal foi instalado, no ano seguinte, quase todos os que ainda permaneciam presos foram inocentados e libertados.
Acima e abaixo, documentos do processo contra as Bruxas de Salém.

Quando o leitor se deparar com pessoas defendendo que nosso país seja governado por uma lei religiosa, ou atacando alguém por sua prática de fé, lembre-se do caso das Bruxas de Salém, onde fé e ignorância levaram tantos inocentes à morte.


[1]  A bizarra história por trás das famosas Bruxas de Salem
  https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm


Fontes e Imagens:
http://andandonolimbo.blogspot.com.br/2012/07/verdadeira-historia-das-bruxas-de-salem.html
https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-foram-e-como-morreram-as-bruxas-de-salem/
http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/bruxas-de-salem.html
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/feiticeiras.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_Salem_witch_trials
https://en.wikipedia.org/wiki/Salem_witch_trials


QUEDA DE TENOCHTITLÁN
No ano de 1521, provavelmente no dia 13 de agosto, ocorria a queda da grande cidade asteca de Tenochtitlán, tomada pelos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortéz.
Os Astecas, também chamados Mexicas, viveram onde hoje é o México e o auge de sua civilização foi entre os séculos XIV e XVI.
Os mexicas, originários de Aztlán, chegaram às margens do lago Texcoco, vindos de Chapultepec, de onde haviam sido expulsos. Junto ao lago se estabeleceram e formaram uma aliança de três cidades que viria a dominar o futuro Império Asteca: Texcoco, Tiacopan e Tenochtitlán.
A sociedade asteca era formada pelo Imperador e Chefe Militar (eleito), sacerdotes, demais chefes militares, artesãos, trabalhadores urbanos e camponeses. Uma outra divisão comumente aceita pela historiografia era entre nobres (pipiltin), camponeses, (calpulli) e o povo, (macehualtin). Os pochtecas eram os comerciantes, que viajavam e faziam as vezes de espiões para o governante.
A região onde se estabeleceram os astecas era alagada, mas eles desenvolveram técnicas agrícolas impressionantes, construindo ilhas de cultivo, denominadas Chinampas, canais de drenagem e aquedutos que traziam água das montanhas.
A própria cidade de Tenochtitlán, que possuia templos imensos, largas e retas avenidas, foi construída no meio de um pântano!
Os astecas também se desenvolveram imensamente nas artes, confeccionando ricos tecidos, trabalhando com ouro e prata, realizando grandes avanços na pintura e também na matemática, astronomia e criando uma escrita pictórica.
Eles eram politeístas, adoravam os astros e as forças da natureza e realizavam sacrifícios humanos em larga escala.
Em 1519, ano da chegada dos espanhóis, residiam cerca de 300 mil pessoas em Tenochtitlán e a cidade jamais seria tomada por menos de 700 europeus, mesmo que reforçados por aliados, se antes não tivessem aberto as portas a eles. Quando tentaram voltar atrás já era tarde.
O Imperador Asteca, Montezuma, recebeu e hospedou os espanhóis com grande deferência quando estes se apresentaram como representantes do Rei da Espanha, Carlos I. Nestes primeiros contatos, os espanhóis já deixaram atrás de si o principal inimigo que haveria de ajudar na dizimação dos astecas: a varíola.
Quando a guerra veio, os europeus se fortaleceram fazendo alianças com povos rivais dos astecas, para o que contaram com a ajuda da índia Malinche, que era tradutora dos espanhóis e se tornou amante de Cortéz.
Tenochtitlán foi cercada durante sete meses, mas o armamento superior dos espanhóis e o enfraquecimento dos astecas por conta das doenças, fez com que a resistência chegasse a um fim. Mais um genocídio europeu nas Américas estava começando.
Fontes:
http://reino-de-clio.com.br/Hist-Geral.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Tenochtitlan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_do_Imp%C3%A9rio_Asteca

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Conquest_of_Tenochtitlan.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=hKeTFa4m7cQ
http://www.dailystormer.com/the-history-of-the-conquest-of-mexico-the-battle-on-the-causeway-and-the-fall-of-tenochtitlan/

https://ensaiosfragmentados.com/2013/05/09/tenochtitlan-o-planejamento-urbano-asteca/

70 ANOS DE UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE
(Republicado)
Nos últimos dias 06 e 09 de agosto, em 2015, completaram-se 70 anos do bombardeio atômico às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A nosso ver, a manipulação da energia nuclear para fins militares e, pior ainda, o seu uso efetivo, foi um dos piores crimes da História humana.
Os ataques foram as últimas etapas de uma corrida iniciada anos antes, em 1939, que contrapusera o III Reich e os Estados Unidos na disputa pelo domínio da energia nuclear.
Mobilizando uma astronômica quantidade de recursos humanos e materiais, os americanos ergueram uma super-secreta base de construção em Los Álamos, no deserto do Novo México, mais as gigantescas fábricas de processamento de urânio e plutônio em Oak Ridge, Tennessee e Hanford, Washington, respectivamente.
O Laboratório de Los Álamos - Novo México.
Sob o comando militar do General Leslie Richard Groves e do Físico Julius Robert Oppenheimer, os americanos prepararam duas bombas, a Little Boy, com carga de urânio, e a Fat Man, carregada com Plutônio e alguns dos parâmetros para a seleção de alvos potenciais deixa clara a natureza sinistra do planejamento: área urbana que fosse um importante alvo estratégico, com tamanho maior que 4,8km de diâmetro.
O Físico Oppenheimer e o General Groves.
Em outras palavras, uma cidade de médio ou grande porte, bem povoada, que seria transformada em um laboratório para testar a arma e, depois, fazer a máxima propaganda de seus efeitos.
Hiroshima, com cerca de 350 mil habitantes, que era sede de várias unidades militares, que possuia um centro de comunicações e um movimentado porto, foi atacada em 06/08, às 08:15hs, pela bomba Little Boy, transportada pelo avião bombardeiro B-29 Enola Gay, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Coronel Paul Tibbets.
A bomba Little Boy, a equipe do bombardeiro B-29 Enola Gay e a explosão sobre Hiroshima.
Nagasaki, que abrigava cerca de 260 mil habitantes no dia do ataque, que também era uma cidade industrial e portuária, era o alvo secundário do segundo bombadeio atômico (o principal era Kokura) e foi atacada em 09/08, às 11:00hs, com a bomba Fat Man, lançada pelo avião bombardeiro B-29 Bockscar, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Major Charles W. Sweeney.
A bomba Fat Man, a equipe do bombardeiro B-29 Bockscar e a explosão sobre Nagasaki. 
Os efeitos devastadores causaram a morte instantânea ou consecutiva de 140 mil pessoas em Hiroshima e de 80 mil pessoas em Nagasaki, aproximadamente.
A obra “O Último Trem de Hiroshima”, de Charles Pellegrino1, fazendo uso de documentos e relatos coletados entre os sobreviventes, reconstitui de forma brilhante e terrível, os bombardeios e seus momentos posteriores.
É uma leitura assustadora, e reveladora do quão fundo o ser humano desceu na capacidade de causar o mal a seus semelhantes.
Pellegrino descreve a vaporização de pessoas antes mesmo que seus cérebros pudessem emitir a sensação de dor:
Sob o hipocentro, o sangue no cérebro da senhora Aoyama já começava a vibrar, na iminência de virar vapor. O que ela experimentou foi uma das mortes mais rápidas de toda a história humana. Antes que algum nervo começasse a perceber a dor, ela e seus nervos deixaram de existir. (pg.29)2
Muitas dessas vítimas desapareceram completamente, deixando como lembrança de sua presença apenas sombras impressas no chão ou em paredes, como negativos de uma fotografia.


Para os que não foram diretamente expostos, o horror de presenciar outros sendo diretamente atingidos, como a Srª. Teruko Kono, que não enviara seu filho à escola naquele dia:
Quando veio o golpe, ela o observava brincar em uma balsa, da janela do segundo andar de casa, à margem do rio. A casa ficava dentro da zona de Sadako, a menos de dois quilômetros do hipocentro. A senhora Kono foi escudada contra o raio de calor, mas o garoto foi completamente exposto. Ela o viu ser transformado em um relâmpago branco e pálido e emitir uma coluna de fumaça negra para o alto... (pg.37)
Qualquer coisa de cores mais escuras, como cabelos e roupas, pareciam atrair de forma mais forte os efeitos da explosão. Quem vestia roupas brancas parece ter sido atingido menos intensamente, se é que isso fez alguma diferença mais significativa.
Em sua obra,  Pellegrino reconstitui relatos de premonições assustadoras de crianças que imploraram para não serem enviadas à escola por suas mães, mas que não foram atendidas. Um dos casos foi o da jovem Etsuko Kuramoto que, diante da determinação irrevogável de sua mãe, de que iria para escola de qualquer forma, pediu para usar sua melhor roupa:
Quando Sumi Kuramoto viu a filha pela última vez, sua sagrada, adorada filha caminhava em direção à Escola Primária Nacional, rumo ao hipocentro, com sua "melhor roupa de domingo", e chorava. (pg.38)
Outra premonição, ainda mais arrepiante, foi a do garoto Hiroshi Mori. Ele disse à Yoshiko, sua mãe, que Hiroshima seria completamente destruída naquele dia. Mas ela não foi demovida da ideia de que o filho não poderia perder a aula e o enviou à escola:
...o garoto disse à mãe que se cuidasse e pediu que não colocasse comida em sua mochila, porque ele não precisaria de almoço naquele dia. (pg.38)
Relatos do momento da explosão dão conta do barulho ensurdecedor para alguns e quase silencioso para outros. Pessoas sendo erguidas do solo como folhas ao vento e depois novamente arremessadas ao chão com força esmagadora.
Para o Sr. Kita, que assistiu a explosão de uma estação meteorológica no monte fora da cidade, o barulho chegou em dois segundos e a onda de choque, segundo seus cálculos, viajava a setencentos metros por segundo. Após conseguir levantar, e usando um binóculo, ele pode ver toda a devastação que se abatia sobre Hiroshima:
Tudo no sul e no leste parecia ter-se tornado um deserto de areia amarela. No norte, e rio acima, o mundo era uma escuridão que mesmo à distância podia ser sentida, interrompida apenas por raios e turbilhões incandescentes que às vezes alcançavam a altura de cinco a dez andares. Havia estranhas correntes de vento ascendentes e descendentes junto à fumaça; e com os binóculos Kita pôde divisar grandes camadas de granizo negro ou neve descendo violentamente de cima. (pg.46-7)
Havia muitos sobreviventes, inclusive pessoas bem abaixo do local do chamado grau zero, onde ocorrera de fato a explosão. Estavam sob uma cúpula de concreto, ou ficaram dentro de bolsões de ar sob estruturas desmoronadas e escaparam no primeiro momento.
O caso do garoto de 13 anos, Yoshitaka, foi surpreendente. A escola inteira desabou ao seu redor, mas ele conseguiu sair “rápido o suficiente para testemunhar a nuvem ainda radiante que crescia no céu, quase diretamente acima de sua cabeça.”(pg. 58). Ele relatou o calor e as cores do arco-íris, o que chegou a considerar uma bela visão.
Os filhos da Srª Matsuyanagi, que escaparam praticamente ilesos da explosão e da onda de calor, não escaparam dos raios gama. A morte por hemorragia generalizada ocorreu poucas horas depois. (pg.60)
Além dos efeitos nocivos dos raios gama, os sobreviventes que podiam andar ainda foram submetidos à visão que pode ser classificada como o inferno na terra:
...a rua estava cheia de pessoas transformadas em carvão e pilhas de cera ardente. À primeira vista, a rua parecia simplesmente vazia, mas, quando ela olhou de novo por entre a fumaça e as chamas, era fácil ver como as pessoas que estavam caminhando na direção do banco jaziam caídas umas por cima das outras. Várias pareciam ter caído aos pedaços, como sacos de folhas queimadas e esparramadas pelo chão. (pg.62)
Depois dos primeiros efeitos, veio a chuva. Chuva negra com pingos grandes que machucavam a pele. Os relatos dão conta que os sobreviventes sentiam uma sede tão incontrolável que, contra todo bom senso, erguiam a cabeça para o alto e bebiam a chuva negra que, depois, iria lhes tirar a vida. (pg. 63).
Pellegrino segue trazendo horror sobre horror à medida que a leitura avança. Os relatos sobre a explosão em Nagasaki não são menos terríveis.
Não é uma leitura a ser recomendada como fazemos com um livro de aventuras ou mesmo de História. Não queremos que nossos amigos sofram. Mas é uma obra que deve ser lida, para que o repúdio à existência de armas nucleares cresça, se fortaleça e jamais desapareça.

Aqueles terríveis momentos parecem bem distantes de nós, no tempo e no espaço, mas há, espalhados pelo mundo, milhares de silos, plataformas e submarinos carregados com armas que fariam a Little Boy e a Fat Man parecerem brinquedos de criança.
As manchas brancas no chão da ponte, à direita, são tudo que restou de um grupo de pessoas que transitavam por ali no momento da explosão.
Nosso mais forte repúdio, no aniversário de 70 anos, àquele crime que foi cometido contra a humanidade, do passado, do presente e do futuro.
Marcello Eduardo.
Ps. Quem quiser ler a obra, pode fazer o download aqui. E quem quiser ler relatos de sobreviventes, recomendamos visitar este site aqui.
1PELLEGRINO, Charles. O Último Trem de Hiroshima : os sobreviventes olham  para trás. Rio de Janeiro : Leya, 2010.
2Versão em pdf, disponibilizada pelo site LeLivros



BATALHA DE KURSK
Em um dia 05/07, no ano de 1943, começava a maior batalha de tanques da História, a Batalha de Kursk, ocorrida após a terrível derrota alemã em Stalingrado.
De um lado as temíveis divisões Panzer da Wehrmacht, comandadas por Erich von Manstein, Kurt Zeitzler, Hermann Hoth e Walther Model. Eles estavam à frente de 38 divisões, a maioria blindada e dispunham de 780.900 homens e 2.928 tanques.
Do lado soviético, os comandantes Georgy Jukov, Nikolai Vatutin, Konstantin Rokossovsky e Ivan Koniev, que tinham ao dispor 1.910.361 homens e 5.128 tanques.
Tal disparidade de material bélico entre as duas forças demonstram o quanto desgastado já estava o Exército Alemão após Stalingrado e como a URSS podia mobilizar uma avalanche inesgotável de homens e material, uma produção que a Alemanha Nazista, mesmo com todos os escravos que possuía, não conseguia igualar.
A tática de Stalin de desmontar e transferir para o interior longínquo do país fábricas inteiras, surtiu o efeito desejado de retirá-las do alcance alemão e manter a produção em alta, diferente das fábricas do III Reich, que sofriam com os bombardeios aéreos e não tinham para onde mudar.
A posição do Japão de não atacar a URSS pelo Leste também prejudicou os planos de Hitler, pois permitiu que Stalin trouxesse várias divisões que estavam estacionadas na Sibéria para lutar em Stalingrado, Kursk e em todas as batalhas seguintes.
Depois de perder o VI Exército inteiro em Stalingrado, os alemães planejaram formar uma linha defensiva para barrar o avanço soviético enquanto recuperavam suas próprias forças. 
O Comandante Erich von Manstein, que cortara o contra ataque soviético em Kharkov, sugeriu uma ofensiva em direção a Ucrânia, mas Hitler optou por atacar Kursk, de onde poderia dominar uma linha férrea para Moscou.
Esses planos, porém, seriam o oposto da célebre tática da Blitzkrieg, que previa ataque de surpresa, rápido e maciço. A mobilização alemã, porém, deixou óbvio seu destino de ataque. E, para além da obviedade, a despeito de ter sido marcado para 04 de maio, só foi ocorrer dois meses depois.
Do ponto de vista soviético os planos alemães eram tão óbvios que eles só se convenceram de que o alvo nazista era mesmo Kursk após receberem confirmação através de um espião que estava na Suíça. Então passaram a fortificar a área de forma maciça.
Na noite de 04 para 05 de julho os alemães iniciaram ataques preliminares e os soviéticos responderam com suas 20 mil peças de artilharia.
Já no dia 05 de julho a Força Aérea Soviética iniciou ataque contra as bases da Luftwaffe para ganhar a supremacia aérea, tática que aprenderam com os alemães. Essa batalha aérea durou horas e os alemães conseguiram manter o equilíbrio. Mas essa iniciativa soviética vinha provar que não haveria surpresas naqueles dias.
O avanço alemão nos dias subseqüentes só obteve mais sucesso ao Sul, pois no centro e ao Norte foram barrados pela resistência e as medidas defensivas soviéticas e as perdas foram grandes de ambos os lados pois as forças aéreas não apoiavam o suficiente uma vez que os pilotos não conseguiam enxergar o solo envolto em poeira, fogo e fumaça, os comandantes não tinham controle em tempo real sobre as tropas e os confrontos partiam mais de iniciativas isoladas das unidades de combate.

A despeito disso os alemães acabaram se saindo melhor no quesito baixas, no entanto o ritmo daquele avanço inicial ficou muito aquém do planejado.
No entanto, com a invasão aliada na Sicília em 11 de Julho, Hitler decidiu deslocar tropas e a situação alemã decaiu. Os ataques diminuíram, o que permitiu ao Exército Vermelho um tempo de para recuperação.

Em agosto os soviéticos começaram a avançar e os alemães a recuar. Em 20/08 o recuo alemão se transformou em retirada e no dia 23 de agosto de 1943 terminava a Batalha de Kursk.

Os soviéticos venceram com perdas muito maiores: 863.000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados, 6.064 armas pesadas e tanque destruídos ou seriamente avariados, entre 1.626 e 1.961 aeronaves perdidas e 5.244 canhões perdidos.
Os alemães perderam com perdas bem menores: 198.000 mortos, feridos ou desaparecidos, 760 armas pesadas e tanque destruídos e 681 aeronaves perdidas. A diferença é que os soviéticos tinham uma capacidade de reposição quase ilimitada, como já foi dito, e os alemães não.

Destacamos três conseqüências fundamentais da Batalha de Kursk. A primeira é que, pela primeira vez, o Exército Vermelho reconquistou territórios no verão e sem ajuda do “General Inverno”.
A segunda é que a derrota tirou dos alemães a capacidade de tomar a iniciativa, passando a constantes recuos até Berlim menos de dois anos depois.
E a terceira e mais importante: enquanto Hitler, desconfiado da capacidade militar de seus generais, passou a assumir cada vez mais o comando direto das tropas. Do lado soviético, porém, Stalin percebeu a imensa habilidade de seus principais generais, afastando-se do planejamento militar.
Essas duas decisões opostas revelaram-se históricas e catastróficas para as forças armadas do III Reich.
Nossa homenagem a todos os guerreiros que lutaram e tombaram nos campos de Kursk. Que possam ter encontrado a paz que certamente desejaram.


Fontes e Imagens:
https://br.sputniknews.com/portuguese.ruvr.ru/2013_08_22/batalha-de-kursk-um-combate-de-titas-da-segunda-guerra-mundial-2313/
http://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-kursk.htm
https://seuhistory.com/hoje-na-historia/chega-ao-fim-maior-batalha-de-tanques-da-historia
https://gazetarussa.com.br/arte/2013/07/12/batalha_de_kursk_atraves_dos_olhos_de_quem_presenciou_tudo_20401
http://www.historiailustrada.com.br/2014/08/a-maior-batalha-de-tanques-da-historia.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Kursk

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Battle_of_Kursk?uselang=pt

3 comentários:

  1. Adorei!! Mas perdoe-me e o dia dos namorados se relaciona como?? klausprovenzano@hotmail.com

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  2. Ah! Porque foi em 12 de junho! A data do dia dos namorados varia conforme o pais. Na Bolívia é em setembro, nos EUA em fevereiro, aqui... klausprovenzano@hotmail.com

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    1. O dia dos namorados brasileiro se refere apenas à publicação anterior, do saque a Roma pelos Vândalos. Este post é atualizado sempre que há algo interessante sobre determinado dia de junho. Mas pode clicar no link acima e ler a postagem imediatamente anterior a esta.

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