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sexta-feira, 10 de junho de 2016

ESTE DIA NA HISTÓRIA

NÃO É O TEXTO QUE VC BUSCA? ELE PODE ESTAR MAIS ABAIXO.



Em 1988, quando já completavam-se 25 anos de sua prisão, Mandela sofreu de tuberculose e foi transferido para a Prisão de Victor Verster, onde não ficava em uma sela, mas em um bangalô com piscina e cozinheiro exclusivo. O regime temia que ele morresse de doença e que não houvesse mais ninguém com que pudesse negociar e evitar a guerra civil.
As negociações avançaram e, em 05/07/1989, o Presidente Pieter Botha se encontrou com Nelson Mandela para preparar sua libertação. Mas, foi o seu sucessor na liderança do Partido Nacional, Frederick de Klerk16 quem, no dia 02/02/1990 anunciou no Parlamento as primeiras medidas para pôr fim ao sistema de Apartheid. 
Nove dias depois, em 11/02/1990, Nelson Mandela foi libertado da prisão e recepcionado por uma multidão do lado de fora. 
MANDELA LIVRE!
O mundo celebrou a liberdade de Mandela, pois o fim do Apartheid estava próximo.
De Klerk iniciou o diálogo com o CNA e promulgou as primeiras leis anti Apartheid sendo muito criticado por setores da elite branca.

Entretanto ele recebeu o apoio de 69% dos eleitores brancos que votaram pelo fim do regime em um plebiscito de 1992.
Do outro lado, Mandela assumiu a liderança do CNA e passou a negocir a promulgação de uma nova Constituição que abolisse de vez a segregação racial.
Mas, também houve resistência entre os negros. Mangosuthu Buthelezi17, líder do Partido da Liberdade Inkhata18, acusou Mandela de traição e tentou assumir a liderança dos interesses dos negros. Essa disputa resultou em confrontos sangrentos, mas foi vencida por Mandela.
Pelo lado branco, a resistência ocorreu capitaneada pela Frente Nacional Africânder (FNA), fundada em 1993 e composta por 21 grupos extremistas que pretenderam criar um país independente na região do Transvaal.
A despeito disso, o Presidente De Klerk pediu perdão pelo Apartheid em outubro de 1992 e um ano depois, em outubro de 1993, ele e Mandela receberam juntos o Prêmio Nobel da Paz. 
Foi posta em vigor a nova Constituição provisória não-racial, que outorgava direito de voto à maioria negra e, em 27/04/1994, as primeiras eleições multirraciais na África do Sul foram realizadas. 
Nelson Mandela concorreu como candidato pelo Congresso Nacional Africano e foi eleito Presidente com 62,6% dos votos, conquistando 252 das 400 cadeiras da Assembléia Nacional. Mangosuthu Buthelezi obteve pouco mais de 10% dos votos, mas tornou-se ministro do governo Mandela. 
Começava a era de ouro do perdão na Nação Arco Íris!
FIM




REVOLUÇÃO IRANIANA
Foi em um dia 01/02 como hoje, no ano de 1979, que o Aiatolá Khomeini (Sayyid Ruhollah Musavi Khomeini), retornou ao Irã para fundar a República Islâmica do Irã, em substituição ao regime monárquico do Xá Reza Pahlevi (Mohammad Reza Pahlevi).
O Xá Reza Pahlevi, nascido em 26/10/1919 em Teerã, quando o país ainda era a Pérsia, assumiu o poder durante a II Guerra Mundial, após a abdicação de Reza Xá, seu pai, forçada por uma invasão de ingleses e russos.
Durante seu reinado a indústria do petróleo foi estatizada, mas EUA e Inglaterra forçaram a volta da privatização. Também em seu período foram celebrados 2.500 anos de monarquia persa, contada desde Ciro, O Grande.
O Xá Reza Pahlevi tomou várias medidas para modernizar e secularizar o Irã, mantendo uma linha de atuação pró ocidente e mantendo negociações com Israel, o que lhe fez perder o apoio do clero xiita.
O Xá Reza Pahlevi e o Aiatolá Khomeini 
A crise econômica, as medidas fracassadas para solução desta e a inerente corrupção do regime o fizeram perder apoio dentre a população em geral e acabou por fazer surgir uma forte oposição. E quanto maior a oposição, maior foi a repressão.
Essa repressão cresceu tanto que incomodou o ocidente. Em 1977 o Presidente dos EUA, Jimmy Carter pressionou o regime a reduzir a perseguição política, no que foi atendido. Ao contrário do esperado, porém, as manifestações contra o governo só aumentaram.
Quando a repressão voltou, o exército matou cerca de 90 pessoas durante protestos, no que ficou conhecido como massacre da Sexta-Feira Negra em 08/09/1978. Como era de se esperar, as manifestações se agigantaram chegando ao número de 2 milhões de pessoas em Teerã no dia 12/12/79.
Quando os soldados do exército começaram a desertar para não ter que atirar no povo, o governo estava condenado. O Xá Reza Pahlevi ainda acenou com concessões, mas já tinha perdido a guerra. Quando o Aiatolá Khomeini exigiu o fim da monarquia, Pahlevi não viu outra alternativa que não a fuga do país.
Então Khomeini foi convidado a retornar ao país, vindo de Paris, onde estava exilado. Logo ele já era aceito como lider maior da revolução e assumiu o governo afastando todos os opositores.
Em pouco tempo o novo regime expulsou as representações diplomáticas americanas, cancelou os contratos de compras de armas e exportação de petróleo aos EUA e implantou uma constituição teocrática, baseada na Sharia, a Lei Islâmica. A ocidentalização do Irã foi interrompida.


Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Iraniana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruhollah_Khomeini
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mohammad_Reza_Pahlavi
https://historiazine.com/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-iraniana-80482633fd2f
https://historiazine.com/a-revolu%C3%A7%C3%A3o-iraniana-80482633fd2f#.5k92sbj6y
http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/revolucao-islamica-no-ira-9541025
https://shakak76.wordpress.com/2015/02/10/iranian-revolutionthe-phenomenon-which-changed-the-middle-east/
http://www.davidburnett.com/gallery.html?gallery=44+Days%3A+the+Iranian+Revolution#/16
http://www.ilimvemedeniyet.com/iranian-islamic-revolution.html

http://www.davidburnett.com/gallery.html?gallery=44+Days%3A+the+Iranian+Revolution#/3


CONFERÊNCIA DE WANNSEE
Neste caso não é um belo dia, mas um triste dia na História. Em um dia como este 20 de janeiro, em 1942, ocorria a reunião que iria detalhar o planejamento da Solução Final para o destino dos judeus dentro da Alemanha Nazista e territórios conquistados. A Conferência de Wannsee foi um encontro de líderes nazistas, realizadas no subúrbio berlinense de Wannsee, em uma mansão às margens do lago denominado Grosser Wannsee.
O encontro foi marcado pelo diretor do Gabinete Central de Segurança do Reich, SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich e destinou-se a estabelecer a cooperação de todos os setores envolvidos, especialmente no transporte, na eliminação dos judeus que seriam trazidos de todos os lugares para a Polônia, onde seriam exterminados.
Heydrich agia obedecendo uma ordem escrita e assinada por  Hermann Göring determinando que planejasse a solução da questão judaica, embora o extermínio já tivesse começado logo após a invasão da URSS em junho do ano anterior, 1941.
Hermann Göring e Reinhard Heydrich
Portanto, ao contrário do que alguns pensam, não foi na Conferência de Wannsee que a decisão de exterminar os judeus foi tomada, pois a reunião teve, como primeiro objetivo, apenas determinar a participação de cada órgão do governo nazista envolvido no processo como, por exemplo, os Ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Interior e a SS. Em outras palavras, organizar o que já estava acontecendo.
A perseguição aos judeus começou logo no início do governo de Hitler, em 1933 e se intensificou com as Leis de Nuremberg em 1935. A matança indiscriminada porém começou após a invasão da Polônia, em 1939. O plano nazista para o Leste não previa apenas a morte dos judeus, mas também dos eslavos e a ideia era reduzir a população, pela fome, com a morte de 30 milhões de pessoas!
As colheitas fracas na Alemanha nos anos de 1940 e 1941 levou o governo nazista a calcular que os judeus não se encaixavam no número de pessoas que deveriam ser alimentadas e que incluíam os próprios alemães e os trabalhadores escravos das fábricas do III Reich.
Quando a invasão da URSS começou, logo Heydrich estava autorizando a morte de membros do partido comunista, comissários do povo, judeus em cargos públicos, adversários políticos, sabotadores, agitadores e membros da resistência. Não demorou para ordenar que todos os judeus fossem considerados membros da resistência, o que autorizava sua morte indiscriminada.
Heydrich enviou as convocações para a reunião em 29/11/1941, marcando a data do encontro para 09/12/1941 no escritório da Interpol. Porém, devido ao fracasso da tomada de Moscou e a declaração de guerra de Hitler contra os EUA, após o ataque japonês a Pearl Harbor, a conferência foi adiada. O local já havia sido alterado dias antes. 
CONVOCAÇÃO PARA A CONFERÊNCIA
Esses eventos levaram Hitler a perceber que a guerra não acabaria cedo como previra e, assim sendo, em 12/12/1941 ele transmitiu aos membros superiores do governo que decidira eliminar os judeus logo, sem esperar pelo fim da guerra.
Os novos convites para o encontro, agora remarcado para 20/01/1942 foram enviados dia 08. Foram 15 participantes, dentre os quais Adolf Eichmann, que depois ficaria famoso por ter sido sequestrado por agentes do Mossad na Argentina, para ser julgado em Israel.
Heydrich iniciou a reunião relembrando as medidas anti-judaicas tomadas desde 1933 e contabilizando a existência de 11 milhões de judeus na Europa com cerca de metade deles fora dos domínios da Alemanha. A intenção era levar os judeus sob domínio da Alemanha para a URSS, onde morreriam “de causas naturais” na construção de estradas. Os restantes deveriam ser “tratados adequadamente”, considerando que poderiam voltar a se reproduzir, o que não era desejado.
LISTA DE ADOLF EICHMANN - JUDEUS DA EUROPA
Essa remoção em massa era uma exigência do processo de mudança dos alemães que iriam colonizar o Leste, especialmente aqueles que havia perdido suas casas nos bombardeios aéreos aliados. O processo incluiria o transporte para guetos de transição na Polônia e, depois, para a URSS.
Nem todos os judeus, porém, seriam deportados rumo a morte pois, segundo Heydrich, “Judeus com mais de 65 anos de idade, e judeus veteranos da Primeira Guerra Mundial que tivessem sido feridos com gravidade ou que tivessem recebido a Cruz de Ferro, podiam ser enviados para o campo de concentração de Theresienstadt em vez de serem mortos.
Os Mischlings de primeiro grau (mestiços com avós judeus) seriam mortos, porém, se fossem casados e tivessem filhos com não-judeus, seriam poupados. Mesmo caso dos que possuissem isenção concedida por altas autoridades. Mas deveriam ser esterilizados ou deportados caso não aceitassem.
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS JUDEUS
Os Mischlings de segundo grau (com apenas um dos avós judeu) seriam considerados alemães, a menos que fossem casados com judeus, mischlings de primeiro grau ou tivessem a aparência e o comportamento marcadamente “judaicos”. Casamentos interraciais seriam analisados individualmente.
Após a fala de Heydrich a reunião seguiu menos formal. Não foi registrada nenhuma oposição dos presentes, antes, porém, sugestões para “aperfeiçoar” o processo. Heydrich, que esperava muita resistência, ficou satisfeito com a concordância geral.
PARTICIPANTES DA CONFERÊNCIA DE WANNSEE
O documento final da conferência, denominado Protocolo de Wannsee, foi redigido com termos camuflados, para esconder o terror das decisões que continha. Foram feitas 30 cópias da ata, que foram enviadas aos participantes. A maioria delas foi destruída ao final da guerra, mas uma delas sobreviveu e serviu de prova no Julgamento de Nuremberg.
Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Wannsee
https://en.wikipedia.org/wiki/Generalplan_Ost
https://warfarehistorynetwork.com/daily/wwii/the-wannsee-conference-hitlers-final-solution/
https://dirkdeklein.net/2017/07/14/the-minutes-of-the-wannsee-conference-meeting/




CÉSAR CRUZA O RUBICÃO
Em um dia 10/01 como hoje, no ano 49 a.C., Júlio César, acompanhado da XIII Legião, atravessou o Riacho Rubicão, em Ariminum (atual Rimini – Itália), cruzando assim a fronteira italiana da época e violando a lei do Senado que proibia o ingresso de Generais e Legiões armadas na Itália.
A República Romana vivia seus momentos finais, embora parecesse restaurada após a ditadura de Sila. Quando este morreu, o poder retornou a um Senado desconectado do povo e incapaz de reassumir, de fato, o comando do império que Roma já se tornara.1
Com isso, recorreu-se ao suporte de figuras aliadas de Sila, mas capazes de reunir apoio popular, apesar de oriundas das classes dominantes. O poder passou a se concentrar em Cneu Pompeu e Marco Crasso.2
O Triunvirato
Crasso, “...general enriquecido pela compra dos bens confiscados por Sila...”3 derrotara a rebelião de Spartacus, mas tivera seu triunfo (o mais pomposo desfile militar) negado pelo Senado.4
Pompeu conquistara fama e fortuna vencendo a rebelião de Sertório, na Hispania, também vencera o Rei Mitridates e eliminara os piratas do Mar Mediterrâneo.5 Contudo os senadores estavam receosos do poder acumulado pelo general, por eles mesmos conferido, e passaram a cerceá-lo.6
Uma vez terminadas as campanhas militares, Pompeu e Crasso deveriam devolver os postos de comando, o que não fizeram. E o Senado não tinha como forçá-los sem iniciar uma guerra civil.7
Para garantir o apoio do partido popular, ambos fizeram acordo com um dos sobrinhos de Mário que conseguira escapar da perseguição de Sila. Seu nome? Júlio César!8
O acordo político dos três garantia “assistência mútua entre si para dividir o poder” entre eles mesmos e seus aliados nascendo, assim, o sistema que ficou conhecido como Primeiro Triunvirato.9
Este sistema de alianças permitiu que César chegasse ao Consulado e conseguisse, depois, o mandato para atuar na Gália. Esta guerra, como se sabe, lhe garantiu imensa riqueza e fama, equiparando-o, e até superando, seus dois parceiros de poder.
Apesar dos imensos egos que suportava, o acordo correu bem até que a morte os separou. Em 54 a.C. a esposa de Pompeu, Júlia, morreu de parto. Ela era filha de César.10 E no ano seguinte, 53 a.C., quem morreu foi Crasso, quando seu exército foi massacrado na Partia.11
Com esta morte, o equilibrio do Triunvirato acabou pois “A graça do triunvirato residia na sua inerente estabilidade, pois nenhum dos seus membros podia contra os outros dois”.12
O iminente retorno de César vitorioso e super rico da Gália fez com que seus adversários do Senado instigassem Pompeu contra ele. A estratégia consistiu, segundo Sheppard, em fazê-lo voltar a Roma sem a imunidade do cargo de Cônsul, para poder acusá-lo e derrotá-lo, apesar de um acordo ter sido aprovado “...por ampla maioria: 370 votos contra 22.13
Os 22, porém, conseguiram vetar os votos dos 370 e “O fato de os poucos senadores poderem vetar uma medida com apoio tão amplo era apenas um dos sinais do estado de deterioração das instituições democráticas de Roma.14
Lissner compara Roma a uma nau sem piloto, entregue à anarquia: “O Senado era corruptível, a Constituição estalava por todos os lados e as tribunas dos oradores estavam muitas vezes manchadas de sangue...15
Quando Pompeu finalmente aderiu aos inimigos de César, o confronto direto deixou de ser apenas uma das opções, passando a ser a única.16
Os primeiros embates da Guerra Civil, porém, ocorreram não nos campos de batalha, mas no piso do Senado. Uma série de medidas legislativas, algumas apenas de fachada, outras aprovadas e depois vetadas, resultou, por fim, na declaração de César como fora da lei.17
Com suas conquistas e a própria vida em risco, César dirigiu-se a Ariminum, onde o Rio Rubicão marcava a fronteira da Itália, na qual pela lei ele não poderia entrar liderando tropas.18
Plutarco descreve assim o momento decisivo: “Havendo, pois, chegado ao Rio Rubicão, […] parou pensativo e esteve por algum tempo meditando sobre o atrevimento de suas ações. Depois […] sem articular mais palavras do que esta expressão […] - A sorte está lançada...- fez com que as tropas atravessassem o rio.”19
César estava voltando pra casa!

1    SHEPPARD, Si. Grandes Batalhas - Farsália 48 a.C. César contra Pompeu. Osprey – Espanha 2010. pg. 10
2      Idem
3    MENDES, Norma Musco. Roma Republicana. São Paulo: Ática, 1988. pg. 67
4    BRANDÃO, José Luís (coord.); OLIVEIRA, Francisco de (coord.). História de Roma Antiga volume I: das origens à morte de César. Coimbra-Portugal: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015. pg.373
5    GRIMAL, Pierre. História de Roma. Trad. Mª L. Loureiro. São Paulo: UNESP , 2011. pg. 106
6    (MENDES: 1988) pg. 67
7    (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.373
8    (MENDES: 1988) pg. 67
9    (GRIMAL: 2011) pg. 111
10  SUETONIUS. Roma Galante – pg. 16
11  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.384
12  (SHEPPARD: 2010) pg. 11
13  BRUNS, Roger. Os Grandes Líderes – Júlio César. São Paulo: Nova Cultural, 1988. pg. 64
14    Idem
15  LISSNER, Ivar. Os Césares – Apogeu e Loucura: Tradução de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964. pg.79
16  (BRANDÃO; OLIVEIRA: 2015). pg.385
17  (SHEPPARD: 2010) pg. 12-16
18  Ibid. pg. 16
19  PLUTARCO. Vidas Paralelas - Tomo V - Pompeyo: LX


17 DE SETEMBRO
ASSINATURA DA CONSTITUIÇÃO DOS EUA
A primeira e única constituição dos EUA até hoje foi discutida entre os dias 25 de maio e 17 de setembro de 1787 na Filadélfia-Pensilvânia, sendo sinal da estabilidade política daquela nação, onde quase não há espaço para golpes e afrontas à democracia como aqui onde as constituições só valem enquanto beneficiam os poderosos. 
O documento original estadunidense é composto por sete artigos que dão as linhas básicas da divisão dos três poderes, os direitos dos estados dentro do sistema federalista adotado e o formato de ratificação pelos mesmos.
A Carta Magna americana recebeu 27 alterações ao longo dos séculos e as dez primeiras emendas estabeleceram os direitos civis, ampliados por emendas posteriores.
A nosso ver, a emenda mais significativa foi a XIII, aprovada durante a Guerra Civil, no governo de Abraham Lincoln, que aboliu a escravatura:
Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.
É a segunda Carta Magna mais antiga do mundo ainda em vigor e a mais curta delas. O povo americano aprende, desde a mais tenra idade, o valor de suas leis e o juramento de defesa da Constituição é presente até mesmo em muitas escolas.

Neste ponto, os EUA são um bom exemplo que o Brasil deveria seguir, em especial nossa classe política. Mas, olhando o governo que temos hoje isso seria, nos parece, esperar demais.


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31 DE AGOSTO
SURGE JACK, O ESTRIPADOR
No ano de 1888, no dia 31 de Agosto, Jack Estripador fazia sua primeira vítima, de acordo com estudiosos do tema.
A vítima foi Polly, apelido de Mary Ann Nichols, como era conhecida em Whitechapel. Ela nascera em Shoe Lane (26/08/1845) e era mãe de 05 filhos, 03 homens e 02 mulheres.
Polly morreu na noite de 30/08 ou madrugada de 31/08 na rua Buck's Row, atual Durward Street, onde seu corpo foi descoberto às 03:40hs.

Sua morte foi extremamente violenta, ocasionada por cortes profundos na garganta além de vários cortes no abdomen e esviceração.
Registro de Óbito de Mary Ann Nichols
Várias outros assassinatos foram cometidos depois, sempre com violência extrema.
A partir de Setembro o assassino teria escrito cartas à Scotland Yard, sendo 03 delas consideradas genuínas. Na primeira, de 25/09/1888, o assassino se autodenominou Jack, o Estripador.

Na segunda carta, datada de 01/10/1888 ele assumiu um duplo homicídio e na terceira, de 15/10/1888, Jack enviou junto com a carta um pedaço do rim de uma das vítimas, alegando ter comido o restante.
A primeira carta de Jack

A famosa carta, intitulada "Do Inferno".
A polícia não conseguiu encontrar o assassino e a investigação da época, em torno de sete, depois doze suspeitos, não levou a nada.

Mas em 2014, através de exames de DNA mitocondrial realizado no xale de uma das vítimas (Catherine Eddowes), que nunca fora lavado, Russell Edwards e Jari Louhelainen afirmaram que Jack Estripador seria Aaron Kosminski, um dos suspeitos da polícia na época.
Aaron Kosminski era um “...imigrante judeu de 25 anos, que veio do então Império Russo, que vivia com sua mãe e irmãs.”(1)

Jack Estripador não foi o maior serial killer da História mas foi, com certeza, o mais famoso de todos, embora (e talvez por isso mesmo) sua suposta identidade só tenha sido conhecida mais de um século após os crimes que cometeu. Que esteja bem quente ai embaixo Jack!

Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jack,_o_Estripador
https://pt.wikipedia.org/wiki/Suspeitos_do_caso_Jack,_o_Estripador
(1) http://seuhistory.com/noticias/apos-mais-de-um-seculo-identidade-de-jack-o-estripador-e-finalmente-revelada
http://www.aljazeera.com/mritems/Images/2014/9/8/2014983945211734_20.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/55/Wanted_poster.jpg

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/02750/ripper_2750609b.jpg



CAÇA ÀS BRUXAS EM SALÉM
Em um dia 19/08, no ano de 1692, ocorriam as execuções por enforcamento de Martha Carrier, George Jacobs Sr., George Burroughs, John Willard e John Proctor, acusados e condenados por prática de bruxaria.
A Vila de Salém, atual cidade de Danvers em Massachusetts, era habitada por puritanos fugidos da perseguição religiosa na Europa. Eles viviam sob leis bíblicas em um tempo de raro conhecimento científico e muita superstição.
Também eram comuns as desavenças internas, nas quais os membros constantemente entravam em disputa pela posse de terras, por estabelecimento de limites, etc, bem como disputas com a vizinha Cidade de Salém, que mantém o nome até hoje.
Acima e abaixo, sítios onde ficavam as antigas construções de Salém.

O Reverendo, ou Primeiro Ministro, cargo mais importante da comunidade por conta de sua autoridade religiosa, era escolhido pelos moradores que deveriam pagar a ele uma taxa anual, o que por vezes não ocorria, levando a renúncias ao cargo. Quando Samuel Parris assumiu o posto ele era o quarto a ocupar o cargo.
Os problemas começaram em fevereiro de 1692, quando Betty Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, respectivamente filha e sobrinha do Reverendo Samuel Parris, começaram a apresentar comportamento agressivo, emitir sons estranhos e a ter espasmos violentos, sintomas hoje reconhecidos como oriundos da provável contaminação por um fungo.
A casa onde a bruxaria começou em foto do século XIX.
O médico consultado, sem encontrar resposta, afirmou que as meninas estavam enfeitiçadas e logo outras meninas da vila passaram a apresentar os mesmos sintomas. Dai para a histeria coletiva foi um pequeno passo, principalmente porque poucos anos antes, em 1689, um livro sobre feitiçaria, descrevia sintomas semelhantes, relacionando-os à ação de feiticeiras.
Quando foram examinadas e interrogadas as meninas acusaram a escrava do reverendo Parris, Tituba, além de “Sarah Good, uma moradora de rua; e Sarah Osborne, uma idosa pobre.[1]
Obviamente nenhuma das acusadas era bruxa, mas, com objetivo de escapar da forca, a escrava Tituba confessou e ainda afirmou ter feito pacto com o demônio. Quando Martha Corey, uma cristã muito devota e frequentadora dos cultos, foi acusada, o pânico se instalou pois agora qualquer um poderia estar sob influência direta do cramunhão tinhoso!
Qualquer comportamento minimamente fora dos padrões, marcas de nascença e cicatrizes pelo corpo passaram a ser motivo de denúncia e até Dorothy Good, de míseros 4 anos de idade, foi detida e interrogada! Testemunhas de defesa não eram admitidas!
Certamente não descartamos o uso destas denúncias como estratégia para livrar-se de inimigos ou adversários, o que sempre ocorre nestes casos.
Em Maio daquele ano Massachusetts teve um novo governador nomeado, Sir William Phips, que instaurou um tribunal para processar e julgar os casos de Salém.
Samuel Parris e William Phips.
Entre 200 e 300 pessoas foram acusadas de bruxaria. A primeira a ser condenada foi Bridget Bishop, enforcada em 10 de junho, seguida de outras 18 vítimas até 22 de setembro. 
O enforcamento de Bridget Bishop.


Execução de Giles Corey, esmagado por pedras.
Em 29 de outubro o governador dissolveu o tribunal proibindo novas prisões e libertando vários acusados.
Quando outro tribunal foi instalado, no ano seguinte, quase todos os que ainda permaneciam presos foram inocentados e libertados.
Acima e abaixo, documentos do processo contra as Bruxas de Salém.

Quando o leitor se deparar com pessoas defendendo que nosso país seja governado por uma lei religiosa, ou atacando alguém por sua prática de fé, lembre-se do caso das Bruxas de Salém, onde fé e ignorância levaram tantos inocentes à morte.


[1]  A bizarra história por trás das famosas Bruxas de Salem
  https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm


Fontes e Imagens:
http://andandonolimbo.blogspot.com.br/2012/07/verdadeira-historia-das-bruxas-de-salem.html
https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-foram-e-como-morreram-as-bruxas-de-salem/
http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/bruxas-de-salem.html
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/feiticeiras.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_Salem_witch_trials
https://en.wikipedia.org/wiki/Salem_witch_trials


QUEDA DE TENOCHTITLÁN
No ano de 1521, provavelmente no dia 13 de agosto, ocorria a queda da grande cidade asteca de Tenochtitlán, tomada pelos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortéz.
Os Astecas, também chamados Mexicas, viveram onde hoje é o México e o auge de sua civilização foi entre os séculos XIV e XVI.
Os mexicas, originários de Aztlán, chegaram às margens do lago Texcoco, vindos de Chapultepec, de onde haviam sido expulsos. Junto ao lago se estabeleceram e formaram uma aliança de três cidades que viria a dominar o futuro Império Asteca: Texcoco, Tiacopan e Tenochtitlán.
A sociedade asteca era formada pelo Imperador e Chefe Militar (eleito), sacerdotes, demais chefes militares, artesãos, trabalhadores urbanos e camponeses. Uma outra divisão comumente aceita pela historiografia era entre nobres (pipiltin), camponeses, (calpulli) e o povo, (macehualtin). Os pochtecas eram os comerciantes, que viajavam e faziam as vezes de espiões para o governante.
A região onde se estabeleceram os astecas era alagada, mas eles desenvolveram técnicas agrícolas impressionantes, construindo ilhas de cultivo, denominadas Chinampas, canais de drenagem e aquedutos que traziam água das montanhas.
A própria cidade de Tenochtitlán, que possuia templos imensos, largas e retas avenidas, foi construída no meio de um pântano!
Os astecas também se desenvolveram imensamente nas artes, confeccionando ricos tecidos, trabalhando com ouro e prata, realizando grandes avanços na pintura e também na matemática, astronomia e criando uma escrita pictórica.
Eles eram politeístas, adoravam os astros e as forças da natureza e realizavam sacrifícios humanos em larga escala.
Em 1519, ano da chegada dos espanhóis, residiam cerca de 300 mil pessoas em Tenochtitlán e a cidade jamais seria tomada por menos de 700 europeus, mesmo que reforçados por aliados, se antes não tivessem aberto as portas a eles. Quando tentaram voltar atrás já era tarde.
O Imperador Asteca, Montezuma, recebeu e hospedou os espanhóis com grande deferência quando estes se apresentaram como representantes do Rei da Espanha, Carlos I. Nestes primeiros contatos, os espanhóis já deixaram atrás de si o principal inimigo que haveria de ajudar na dizimação dos astecas: a varíola.
Quando a guerra veio, os europeus se fortaleceram fazendo alianças com povos rivais dos astecas, para o que contaram com a ajuda da índia Malinche, que era tradutora dos espanhóis e se tornou amante de Cortéz.
Tenochtitlán foi cercada durante sete meses, mas o armamento superior dos espanhóis e o enfraquecimento dos astecas por conta das doenças, fez com que a resistência chegasse a um fim. Mais um genocídio europeu nas Américas estava começando.
Fontes:
http://reino-de-clio.com.br/Hist-Geral.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Tenochtitlan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_do_Imp%C3%A9rio_Asteca

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Conquest_of_Tenochtitlan.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=hKeTFa4m7cQ
http://www.dailystormer.com/the-history-of-the-conquest-of-mexico-the-battle-on-the-causeway-and-the-fall-of-tenochtitlan/

https://ensaiosfragmentados.com/2013/05/09/tenochtitlan-o-planejamento-urbano-asteca/

70 ANOS DE UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE
(Republicado)
Nos últimos dias 06 e 09 de agosto, em 2015, completaram-se 70 anos do bombardeio atômico às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A nosso ver, a manipulação da energia nuclear para fins militares e, pior ainda, o seu uso efetivo, foi um dos piores crimes da História humana.
Os ataques foram as últimas etapas de uma corrida iniciada anos antes, em 1939, que contrapusera o III Reich e os Estados Unidos na disputa pelo domínio da energia nuclear.
Mobilizando uma astronômica quantidade de recursos humanos e materiais, os americanos ergueram uma super-secreta base de construção em Los Álamos, no deserto do Novo México, mais as gigantescas fábricas de processamento de urânio e plutônio em Oak Ridge, Tennessee e Hanford, Washington, respectivamente.
O Laboratório de Los Álamos - Novo México.
Sob o comando militar do General Leslie Richard Groves e do Físico Julius Robert Oppenheimer, os americanos prepararam duas bombas, a Little Boy, com carga de urânio, e a Fat Man, carregada com Plutônio e alguns dos parâmetros para a seleção de alvos potenciais deixa clara a natureza sinistra do planejamento: área urbana que fosse um importante alvo estratégico, com tamanho maior que 4,8km de diâmetro.
O Físico Oppenheimer e o General Groves.
Em outras palavras, uma cidade de médio ou grande porte, bem povoada, que seria transformada em um laboratório para testar a arma e, depois, fazer a máxima propaganda de seus efeitos.
Hiroshima, com cerca de 350 mil habitantes, que era sede de várias unidades militares, que possuia um centro de comunicações e um movimentado porto, foi atacada em 06/08, às 08:15hs, pela bomba Little Boy, transportada pelo avião bombardeiro B-29 Enola Gay, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Coronel Paul Tibbets.
A bomba Little Boy, a equipe do bombardeiro B-29 Enola Gay e a explosão sobre Hiroshima.
Nagasaki, que abrigava cerca de 260 mil habitantes no dia do ataque, que também era uma cidade industrial e portuária, era o alvo secundário do segundo bombadeio atômico (o principal era Kokura) e foi atacada em 09/08, às 11:00hs, com a bomba Fat Man, lançada pelo avião bombardeiro B-29 Bockscar, do 393º Esquadrão de Bombardeio, sob comando do Major Charles W. Sweeney.
A bomba Fat Man, a equipe do bombardeiro B-29 Bockscar e a explosão sobre Nagasaki. 
Os efeitos devastadores causaram a morte instantânea ou consecutiva de 140 mil pessoas em Hiroshima e de 80 mil pessoas em Nagasaki, aproximadamente.
A obra “O Último Trem de Hiroshima”, de Charles Pellegrino1, fazendo uso de documentos e relatos coletados entre os sobreviventes, reconstitui de forma brilhante e terrível, os bombardeios e seus momentos posteriores.
É uma leitura assustadora, e reveladora do quão fundo o ser humano desceu na capacidade de causar o mal a seus semelhantes.
Pellegrino descreve a vaporização de pessoas antes mesmo que seus cérebros pudessem emitir a sensação de dor:
Sob o hipocentro, o sangue no cérebro da senhora Aoyama já começava a vibrar, na iminência de virar vapor. O que ela experimentou foi uma das mortes mais rápidas de toda a história humana. Antes que algum nervo começasse a perceber a dor, ela e seus nervos deixaram de existir. (pg.29)2
Muitas dessas vítimas desapareceram completamente, deixando como lembrança de sua presença apenas sombras impressas no chão ou em paredes, como negativos de uma fotografia.


Para os que não foram diretamente expostos, o horror de presenciar outros sendo diretamente atingidos, como a Srª. Teruko Kono, que não enviara seu filho à escola naquele dia:
Quando veio o golpe, ela o observava brincar em uma balsa, da janela do segundo andar de casa, à margem do rio. A casa ficava dentro da zona de Sadako, a menos de dois quilômetros do hipocentro. A senhora Kono foi escudada contra o raio de calor, mas o garoto foi completamente exposto. Ela o viu ser transformado em um relâmpago branco e pálido e emitir uma coluna de fumaça negra para o alto... (pg.37)
Qualquer coisa de cores mais escuras, como cabelos e roupas, pareciam atrair de forma mais forte os efeitos da explosão. Quem vestia roupas brancas parece ter sido atingido menos intensamente, se é que isso fez alguma diferença mais significativa.
Em sua obra,  Pellegrino reconstitui relatos de premonições assustadoras de crianças que imploraram para não serem enviadas à escola por suas mães, mas que não foram atendidas. Um dos casos foi o da jovem Etsuko Kuramoto que, diante da determinação irrevogável de sua mãe, de que iria para escola de qualquer forma, pediu para usar sua melhor roupa:
Quando Sumi Kuramoto viu a filha pela última vez, sua sagrada, adorada filha caminhava em direção à Escola Primária Nacional, rumo ao hipocentro, com sua "melhor roupa de domingo", e chorava. (pg.38)
Outra premonição, ainda mais arrepiante, foi a do garoto Hiroshi Mori. Ele disse à Yoshiko, sua mãe, que Hiroshima seria completamente destruída naquele dia. Mas ela não foi demovida da ideia de que o filho não poderia perder a aula e o enviou à escola:
...o garoto disse à mãe que se cuidasse e pediu que não colocasse comida em sua mochila, porque ele não precisaria de almoço naquele dia. (pg.38)
Relatos do momento da explosão dão conta do barulho ensurdecedor para alguns e quase silencioso para outros. Pessoas sendo erguidas do solo como folhas ao vento e depois novamente arremessadas ao chão com força esmagadora.
Para o Sr. Kita, que assistiu a explosão de uma estação meteorológica no monte fora da cidade, o barulho chegou em dois segundos e a onda de choque, segundo seus cálculos, viajava a setencentos metros por segundo. Após conseguir levantar, e usando um binóculo, ele pode ver toda a devastação que se abatia sobre Hiroshima:
Tudo no sul e no leste parecia ter-se tornado um deserto de areia amarela. No norte, e rio acima, o mundo era uma escuridão que mesmo à distância podia ser sentida, interrompida apenas por raios e turbilhões incandescentes que às vezes alcançavam a altura de cinco a dez andares. Havia estranhas correntes de vento ascendentes e descendentes junto à fumaça; e com os binóculos Kita pôde divisar grandes camadas de granizo negro ou neve descendo violentamente de cima. (pg.46-7)
Havia muitos sobreviventes, inclusive pessoas bem abaixo do local do chamado grau zero, onde ocorrera de fato a explosão. Estavam sob uma cúpula de concreto, ou ficaram dentro de bolsões de ar sob estruturas desmoronadas e escaparam no primeiro momento.
O caso do garoto de 13 anos, Yoshitaka, foi surpreendente. A escola inteira desabou ao seu redor, mas ele conseguiu sair “rápido o suficiente para testemunhar a nuvem ainda radiante que crescia no céu, quase diretamente acima de sua cabeça.”(pg. 58). Ele relatou o calor e as cores do arco-íris, o que chegou a considerar uma bela visão.
Os filhos da Srª Matsuyanagi, que escaparam praticamente ilesos da explosão e da onda de calor, não escaparam dos raios gama. A morte por hemorragia generalizada ocorreu poucas horas depois. (pg.60)
Além dos efeitos nocivos dos raios gama, os sobreviventes que podiam andar ainda foram submetidos à visão que pode ser classificada como o inferno na terra:
...a rua estava cheia de pessoas transformadas em carvão e pilhas de cera ardente. À primeira vista, a rua parecia simplesmente vazia, mas, quando ela olhou de novo por entre a fumaça e as chamas, era fácil ver como as pessoas que estavam caminhando na direção do banco jaziam caídas umas por cima das outras. Várias pareciam ter caído aos pedaços, como sacos de folhas queimadas e esparramadas pelo chão. (pg.62)
Depois dos primeiros efeitos, veio a chuva. Chuva negra com pingos grandes que machucavam a pele. Os relatos dão conta que os sobreviventes sentiam uma sede tão incontrolável que, contra todo bom senso, erguiam a cabeça para o alto e bebiam a chuva negra que, depois, iria lhes tirar a vida. (pg. 63).
Pellegrino segue trazendo horror sobre horror à medida que a leitura avança. Os relatos sobre a explosão em Nagasaki não são menos terríveis.
Não é uma leitura a ser recomendada como fazemos com um livro de aventuras ou mesmo de História. Não queremos que nossos amigos sofram. Mas é uma obra que deve ser lida, para que o repúdio à existência de armas nucleares cresça, se fortaleça e jamais desapareça.

Aqueles terríveis momentos parecem bem distantes de nós, no tempo e no espaço, mas há, espalhados pelo mundo, milhares de silos, plataformas e submarinos carregados com armas que fariam a Little Boy e a Fat Man parecerem brinquedos de criança.
As manchas brancas no chão da ponte, à direita, são tudo que restou de um grupo de pessoas que transitavam por ali no momento da explosão.
Nosso mais forte repúdio, no aniversário de 70 anos, àquele crime que foi cometido contra a humanidade, do passado, do presente e do futuro.
Marcello Eduardo.
Ps. Quem quiser ler a obra, pode fazer o download aqui. E quem quiser ler relatos de sobreviventes, recomendamos visitar este site aqui.
1PELLEGRINO, Charles. O Último Trem de Hiroshima : os sobreviventes olham  para trás. Rio de Janeiro : Leya, 2010.
2Versão em pdf, disponibilizada pelo site LeLivros



BATALHA DE KURSK
Em um dia 05/07, no ano de 1943, começava a maior batalha de tanques da História, a Batalha de Kursk, ocorrida após a terrível derrota alemã em Stalingrado.
De um lado as temíveis divisões Panzer da Wehrmacht, comandadas por Erich von Manstein, Kurt Zeitzler, Hermann Hoth e Walther Model. Eles estavam à frente de 38 divisões, a maioria blindada e dispunham de 780.900 homens e 2.928 tanques.
Do lado soviético, os comandantes Georgy Jukov, Nikolai Vatutin, Konstantin Rokossovsky e Ivan Koniev, que tinham ao dispor 1.910.361 homens e 5.128 tanques.
Tal disparidade de material bélico entre as duas forças demonstram o quanto desgastado já estava o Exército Alemão após Stalingrado e como a URSS podia mobilizar uma avalanche inesgotável de homens e material, uma produção que a Alemanha Nazista, mesmo com todos os escravos que possuía, não conseguia igualar.
A tática de Stalin de desmontar e transferir para o interior longínquo do país fábricas inteiras, surtiu o efeito desejado de retirá-las do alcance alemão e manter a produção em alta, diferente das fábricas do III Reich, que sofriam com os bombardeios aéreos e não tinham para onde mudar.
A posição do Japão de não atacar a URSS pelo Leste também prejudicou os planos de Hitler, pois permitiu que Stalin trouxesse várias divisões que estavam estacionadas na Sibéria para lutar em Stalingrado, Kursk e em todas as batalhas seguintes.
Depois de perder o VI Exército inteiro em Stalingrado, os alemães planejaram formar uma linha defensiva para barrar o avanço soviético enquanto recuperavam suas próprias forças. 
O Comandante Erich von Manstein, que cortara o contra ataque soviético em Kharkov, sugeriu uma ofensiva em direção a Ucrânia, mas Hitler optou por atacar Kursk, de onde poderia dominar uma linha férrea para Moscou.
Esses planos, porém, seriam o oposto da célebre tática da Blitzkrieg, que previa ataque de surpresa, rápido e maciço. A mobilização alemã, porém, deixou óbvio seu destino de ataque. E, para além da obviedade, a despeito de ter sido marcado para 04 de maio, só foi ocorrer dois meses depois.
Do ponto de vista soviético os planos alemães eram tão óbvios que eles só se convenceram de que o alvo nazista era mesmo Kursk após receberem confirmação através de um espião que estava na Suíça. Então passaram a fortificar a área de forma maciça.
Na noite de 04 para 05 de julho os alemães iniciaram ataques preliminares e os soviéticos responderam com suas 20 mil peças de artilharia.
Já no dia 05 de julho a Força Aérea Soviética iniciou ataque contra as bases da Luftwaffe para ganhar a supremacia aérea, tática que aprenderam com os alemães. Essa batalha aérea durou horas e os alemães conseguiram manter o equilíbrio. Mas essa iniciativa soviética vinha provar que não haveria surpresas naqueles dias.
O avanço alemão nos dias subseqüentes só obteve mais sucesso ao Sul, pois no centro e ao Norte foram barrados pela resistência e as medidas defensivas soviéticas e as perdas foram grandes de ambos os lados pois as forças aéreas não apoiavam o suficiente uma vez que os pilotos não conseguiam enxergar o solo envolto em poeira, fogo e fumaça, os comandantes não tinham controle em tempo real sobre as tropas e os confrontos partiam mais de iniciativas isoladas das unidades de combate.

A despeito disso os alemães acabaram se saindo melhor no quesito baixas, no entanto o ritmo daquele avanço inicial ficou muito aquém do planejado.
No entanto, com a invasão aliada na Sicília em 11 de Julho, Hitler decidiu deslocar tropas e a situação alemã decaiu. Os ataques diminuíram, o que permitiu ao Exército Vermelho um tempo de para recuperação.

Em agosto os soviéticos começaram a avançar e os alemães a recuar. Em 20/08 o recuo alemão se transformou em retirada e no dia 23 de agosto de 1943 terminava a Batalha de Kursk.

Os soviéticos venceram com perdas muito maiores: 863.000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados, 6.064 armas pesadas e tanque destruídos ou seriamente avariados, entre 1.626 e 1.961 aeronaves perdidas e 5.244 canhões perdidos.
Os alemães perderam com perdas bem menores: 198.000 mortos, feridos ou desaparecidos, 760 armas pesadas e tanque destruídos e 681 aeronaves perdidas. A diferença é que os soviéticos tinham uma capacidade de reposição quase ilimitada, como já foi dito, e os alemães não.

Destacamos três conseqüências fundamentais da Batalha de Kursk. A primeira é que, pela primeira vez, o Exército Vermelho reconquistou territórios no verão e sem ajuda do “General Inverno”.
A segunda é que a derrota tirou dos alemães a capacidade de tomar a iniciativa, passando a constantes recuos até Berlim menos de dois anos depois.
E a terceira e mais importante: enquanto Hitler, desconfiado da capacidade militar de seus generais, passou a assumir cada vez mais o comando direto das tropas. Do lado soviético, porém, Stalin percebeu a imensa habilidade de seus principais generais, afastando-se do planejamento militar.
Essas duas decisões opostas revelaram-se históricas e catastróficas para as forças armadas do III Reich.
Nossa homenagem a todos os guerreiros que lutaram e tombaram nos campos de Kursk. Que possam ter encontrado a paz que certamente desejaram.


Fontes e Imagens:
https://br.sputniknews.com/portuguese.ruvr.ru/2013_08_22/batalha-de-kursk-um-combate-de-titas-da-segunda-guerra-mundial-2313/
http://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-kursk.htm
https://seuhistory.com/hoje-na-historia/chega-ao-fim-maior-batalha-de-tanques-da-historia
https://gazetarussa.com.br/arte/2013/07/12/batalha_de_kursk_atraves_dos_olhos_de_quem_presenciou_tudo_20401
http://www.historiailustrada.com.br/2014/08/a-maior-batalha-de-tanques-da-historia.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Kursk

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Battle_of_Kursk?uselang=pt

3 comentários:

  1. Adorei!! Mas perdoe-me e o dia dos namorados se relaciona como?? klausprovenzano@hotmail.com

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  2. Ah! Porque foi em 12 de junho! A data do dia dos namorados varia conforme o pais. Na Bolívia é em setembro, nos EUA em fevereiro, aqui... klausprovenzano@hotmail.com

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    1. O dia dos namorados brasileiro se refere apenas à publicação anterior, do saque a Roma pelos Vândalos. Este post é atualizado sempre que há algo interessante sobre determinado dia de junho. Mas pode clicar no link acima e ler a postagem imediatamente anterior a esta.

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