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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

OS CRISTÃOS CANIBAIS DE MAARA

OS CRISTÃOS CANIBAIS DE MAARA
Em 02/06/1098, por meio da traição do fabricante de armaduras Firouz, que abriu uma passagem por onde os cruzados puderam entrar, os cristãos conquistaram Antioquia.
Uma vez dentro da cidade, as tropas cruzadas promoveram um massacre sem precedentes até aquele momento. Muçulmanos, judeus e até mesmo cristãos foram passados à espada, “Homens, mulheres e crianças tentam fugir pelas ruelas lamacentas, mas os cavaleiros os alcançam sem esforço e cortam-lhes o pescoço imediatamente. 1
Após a vitória que lhes rendeu a tomada de Antióquia, os líderes cruzados disputaram o poder político sobre a cidade e, por fim, Raimundo de Toulouse decidiu partir rumo a Jerusalém. Boemundo ficou com a cidade para si, estabelecendo o segundo estado cruzado.
Antes de partir para Jerusalém, os cruzados voltaram os olhos para a cidade de Maara al-Numan (na atual Síria), sob domínio fatímida.2
Mesmo após a tomada de cidades grandes, e o massacre de suas populações, os cruzados continuavam sofrendo com a falta de alimentos (e com uma epidemia3), de modo que passaram a enviar expedições aos arredores das cidades para saquear.4
Maara sofreu ataque antes de Antioquia (Julho/1098) mas repeliu os invasores que rumaram para o Sul, deixando-a em paz. Em Novembro eles voltaram.
Mas a cidade resistiu por duas semanas, apesar de seus defensores serem poucos , pois “Maara não possui exército, tem apenas uma simples milícia urbana a qual se juntam rapidamente centenas de jovens sem experiência militar.5
A sorte só mudou quando, em 11/12/1098, os cruzados construíram uma torre que permitiu transpor as muralhas externas.6 Os habitantes se esconderam na área interna da cidade e os saques começaram.
No dia seguinte, 12/12/1098, foram iniciadas as negociações. Os muçulmanos e Boemundo de Taranto acordaram que os primeiros se renderiam e o segundo lhes garantiria salvo-conduto. Os muçulmanos, então, se renderam aos cruzados que...os massacraram impiedosamente.7
O historiador muçulmano Ibn al-Athir, descreve em sua obra “Al-Kamil Fi tem Tarikh” (História Completa) que 100 mil muçulmanos foram mortos. Amin Maalouf discorda. Para ele “Os números de Ibn al-Athir são evidentemente fantasiosos, pois a população da cidade, na véspera de sua queda, era provavelmente inferior a dez mil habitantes.8. Contudo, sejam quantos forem, milhares de pessoas foram covardemente assassinadas.
Mas Maara não tinha recursos tantos que pudessem encerrar os problemas de alimentação dos cruzados. E, para complicar, as disputas pela posse de Antioquia fizeram a marcha para Jerusalém demorar mais que o necessário para partir.
O resultado foi que, em pleno inverno, a fome se instalou entre as tropas cruzadas. Em Maara eles literalmente devoraram os muçulmanos mortos.
Esses eventos terríveis não são fruto da imaginação de algum exagerado cronista muçulmano. O relato vem do cronista franco, portanto cristão, Raoul de Caen: “Em Maara, os nossos faziam ferver os adultos em caldeira, fincavam as crianças em espetos e as devoravam grelhadas”9
A notícia é confirmada em carta escrita ao papa, por chefes cruzados francos. Eles informaram ao sumo pontífice que “Uma terrível fome assolou o exército de Maara e o colocou na cruel necessidade de se alimentar dos cadáveres dos sarracenos”10.
Esses atos terríveis marcaram de forma indelével o inconsciente coletivo do povo muçulmano. Até os dias atuais a “Invasão Franca”, como as cruzadas são chamadas no mundo muçulmano, causam comoção por lá e, recentemente, o Estado Islâmico justificou decapitações de cristãos como uma vingança pelos massacres das cruzadas, o que é absurdo, mas ilustra o caso.
Voltando ao passado, pelo que se percebeu na época, as notícias dos eventos de Maara al-Numan correram a região e reduziram a resistência ao avanço cruzado. Cidades maiores e menores passaram a enviar suprimentos e tesouros como presentes aos invasores, visando mantê-los longe de seus muros. O caminho para Jerusalém estava aberto... 11


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1  MAALOUF, Amin. As Cruzadas vistas pelos Árabes. 4ª ed. SP: Brasiliense. 1994.  pg. 41
2  MICHAUD, Joseph-François. História das Cruzadas – Volume I. Trad.: Pe. Vicente Pedroso. SP: Editora das Américas. 1956.  pg. 348
3  Ibid. pg. 341
4  Ibid. pg. 343
5  (MAALOUF: 1994) pg. 46
6  RUNCIMAN, Seteven. Historia de las Cruzadas I. 6ª edição. Madrid: Alianza Universi-dad. 2002. pg. 246 (Tradução Livre)
7    (MAALOUF: 1994) pg. 46
8    Ibid pg. 46
9    Ibid pg. 47
10  Ibid. pg. 47
11  Ibid. pg. 48 

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