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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

GRANDE SÉRIE - WINSTON CHURCHILL

WINSTON CHURCHILL  [1] [2]
Iniciamos, caros súditos do Reino de Clio, uma nova grande série. Desta feita vamos mergulhar no universo da vida do grande estadista inglês Sir Winston Churchill, que liderou a Gran Bretanha em seu momento mais difícil, que foi um dos líderes mundiais no combate ao nazi-fascismo que ameaçou dominar o mundo nos anos 40 do século XX.
Talvez seja possível dizer, se me permitem sair do campo da ciência por alguns instantes, que Churchill poderia ter sido a reencarnação do Rei Arthur, se é que este existiu. Pois, como preconizava a antiga profecia, ergueu-se sobre a nação, que vivia seu momento mais sombrio e de maior dificuldade, como um poderoso comandante guerreiro, acreditando, incentivando, confortando e liderando rumo a uma vitória que parecia quase impossível.
Este é o Churchill que encontramos em nossas leituras e que vamos colocar ao seu dispor nesta série. Nossa série é baseada na obra Winston Churchill – Uma Vida, de Martin Gilbert [3] (edição eletrônica – dois volumes), um trabalho ambicioso (até pretensioso eu diria) conforme as palavras do próprio autor não parecem deixar margem à dúvidas: “É meu objetivo dar nestas páginas um retrato completo e perfeito da vida de Churchill, tanto em seu aspecto pessoal quanto político.” (pg. 8)
Gilbert afirma ter usado como fontes de seu trabalho a correspondência de Churchill, documentos da esposa Clementine, arquivos governamentais, arquivos pessoais de amigos, colegas e opositores bem como “recordações pessoais da família de Churchill, de seus amigos e de seus contemporâneos.” (pg. 9), o que, por si só, já inviabiliza a pretensão de compor “um retrato completo e perfeito” do biografado, considerando-se a natureza incompleta e distorcida dos registros da memória humana.
A despeito disso, ainda que sempre desconfiando das ambições de qualquer autor que afirme poder reconstruir à perfeição o passado, vamos trazer um resumo dessa obra sobre a vida de um dos maiores estadistas da História. Vamos complementar o trabalho com informações básicas sobre pessoas e eventos a partir das notas de rodapé.


[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
[3]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
Palácio de Blemhein
Quanto ao nosso personagem, seu próprio nome, Churchill, dispensa maiores apresentações, de modo que vamos logo ao texto.
Winston Leonard Spencer-Churchill nasceu em 30 de novembro de 1874 no Palácio de Blenheim, em Woodstock, Oxfordshire, Reino Unido, filho de Jeanette Jerome e Randolph Churchill, este último um membro da aristocrática família do  Duque de Marlborough e ela uma estadunidense. (pg.12)
Randolph Churchill - Jeanette Jerome - O Pequeno Churchill 
Ele nasceu com pouco mais de sete meses de gestação devido a uma queda de sua mãe quando participava de uma caçada.
Pouco tempo antes do nascimento de nosso personagem, seu pai fora eleito para a Câmara dos Comuns pelo município de Woodstock. Quase três anos depois o avô, John Spencer-Churchill, 7° Duque de Marlborough, foi nomeado Vice-Rei da Irlanda e a família mudou-se para Dublin. (pg. 13)
A grande fome da Irlanda no final dos anos 1870, e os consequentes protestos, fizeram com que o jovem percebesse o medo que envolvia a presença de sua família aristocrática inglesa naquele país. (pg. 13)
Os pais de Churchill sempre foram muito ausentes e pouco participaram de sua educação. O menino praticamente foi criado por uma ama (espécie de babá), de nome Elizabeth Ann Everest, a quem ele amava profundamente. O pai, que chegou a ser nomeado Ministro na Índia, passava muito tempo em viagens e raramente visitava o filho, nem mesmo quando estava na mesma cidade. (pg. 20)
Elizabeth Ann Everest
Com relação à sua mãe, Churchill implorava-lhe atenção nas muitas cartas que escrevia. (pg. 17) Antes de completar sete anos ele foi enviado ao internato St. George, onde severíssimos castigos eram aplicados aos alunos:
A chicotada era dada com toda a força que o professor tinha”, escreveu mais tarde, “e bastavam duas ou três para que aparecessem gotas de sangue por toda a parte, mas os golpes se prolongavam por quinze ou vinte chicotadas, quando o traseiro do menino virava uma massa de sangue. (pg. 14)
Tal soma de abandono, desafeto e terror, em oposição a sua natureza indomável que se revelaria ao mundo na década de 1940, ergueram um adolescente rebelde, problemático e com dificuldade de aprendizagem nos primeiros anos da escola, o que se estendeu por vários anos e mais de uma escola, como em Brighton.
Quando começou a se destacar, Churchill apresentou boas notas em disciplinas humanas como História e Geografia, embora fosse mal nas letras. (pg. 16) Os estudos foram interrompidos em 1886 quando uma pneumonia quase o matou. Neste período recebeu a visita do pai duas vezes em dois meses distintos. (pg.21)
Ao longo de seus estudos, quando trocou Brighton por Harrow, Churchill foi tomando mais gosto e seu brilhantismo começou a se revelar, embora seu comportamento fosse quase sempre um dos piores de qualquer turma que tenha participado. (pg.27)

CHURCHILL – Parte II [1] [2]
Em Harrow, iniciou o treinamento militar de Churchill e seu interesse pelas disciplinas envolvidas nesse aprendizado cresceu bastante, principalmente em História. (pg.30) Portanto, quando chegou o momento de decidir ir ou não para universidade, o pai de Churchill fez questão de lhe enviar para o exército, mas não tendo em vista qualquer grande capacitação militar, como revela o próprio rapaz:
Durante anos, pensei que meu pai, com sua experiência e seu instinto, tinha discernido em mim qualidades de gênio militar, mas me disseram mais tarde que ele tinha apenas chegado à conclusão de que eu não era inteligente o bastante para a advocacia. (pg. 33)
Como suas notas em Matemática foram insuficientes, não pôde ir “para Woolwick, a academia para cadetes [...] nas academias reais de artilharia ou engenharia. Em vez disso, teria de se preparar para Sandhurst , [...] para futuros oficiais de infantaria e cavalaria.” (pg. 33)
Mas, apesar de ter se dedicado intensamente aos estudos preparatórios, ele foi reprovado em sua primeira tentativa de entrar em na Real Academia Militar de Sundhurst. (pg. 44) E após estudos ainda mais intensos, foi reprovado novamente (pg. 45)
Nos meses seguintes a esta segunda derrota, Churchill sofreu um grave acidente (uma queda de cerca de 10 metros de altura na qual quebrou a perna), do qual se recuperou, e passou a frequentar eventos sociais, sessões parlamentares e a conhecer políticos influentes. (pg. 47-49)
Em sua terceira tentativa ele finalmente conseguiu ser aprovado em Sundhurst. Não obteve pontos suficientes para entrar na infantaria, mas ficou na 4ª colocação para a cavalaria. (pg. 49) Contudo, por, influência de seu pai, Churchill recebeu licença especial para compor a infantaria. (pg. 51) Naquele momento, tudo o que Winston queria era entrar em Sundhurst e se era na infantaria, tudo bem. Algum tempo depois ele iria preferir a cavalaria, desejo interrompido pelo pai, provavelmente por conta do custo alto de se ter e manter um cavalo.

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
No meio militar Churchill finalmente se decidiu pelo empenho e a disciplina, em especial depois que as cartas de seu pai, mentalmente afetado pela Sífilis, passaram a desancá-lo de maneira brutal. (pg. 50) Suas notas passaram a ser condizentes com esse esforço.
Em 24 de janeiro de 1895 Randolph Churchill morreu aos 45 anos com a mente e o corpo devastados pela Sífilis. Sem saber a doença que matara seu pai, o jovem Winston passou a acreditar que os homens de sua família estavam fadados a morrer muito cedo. (pg. 61-62)
A despeito disso, um mês após a morte do pai, Churchill entrou para a cavalaria tendo seu cavalo sido pago por sua tia, a Duquesa Lily. (pg. 63) Naquele mesmo ano, em 03 de julho, faleceu a ama de criação de Churchill, Srª. Elizabeth Ann Everest, possivelmente a pessoa a quem ele mais amava depois da família. 
Envolvendo-se diretamente na tentativa de cuidar dela, Winston alternou idas e vindas entre seu regimento e a casa da velha ama, providenciou médico e enfermeira mas tudo em vão. Após a morte, o rapaz cuidou dos preparativos para o funeral, comprou a coroa de flores que adornou o caixão, bem como a lápide que identificava o túmulo. “nunca mais voltarei a ter nenhum amigo como ela”, escreveu Churchill à sua desatenciosa mãe sobre a Srª. Everest. (pg. 65)
Com o tempo, a imobilidade da vida militar em tempo de paz começou a entediar Churchill que passou a se interessar pela política e iniciou estudos autodidatas neste sentido. Essa rotina foi interrompida quando viajou a Cuba para acompanhar a repressão espanhola a uma insurreição dos habitantes da ilha. (pg. 67-68)
Nesta viagem, Churchill visitou pela primeira vez os EUA, onde anotou a seguinte impressão:
Imagine o povo americano como uma grande juventude vigorosa, que calca aos seus pés todas as nossas suscetibilidades e comete todos os horrores possíveis de mau comportamento, para quem nem a idade nem a tradição inspiram qualquer reverência, mas que cumprem seus afazeres com uma ingenuidade bondosa que pode fazer inveja às nações mais antigas da terra. (pg. 70)
Uma vez em Cuba, Churchill foi recebido no Estado-Maior do General Valdez e foi parar praticamente na linha de frente dos combates. Em artigos escritos para o jornal inglês Daily Graphic Winston reconhece que não havia uma simples rebelião em Cuba, mas uma verdadeira guerra e que as melhores forças estavam ao lado dos cubanos, contra os dominadores espanhóis. (pg. 71-72)
Guerra em Cuba
De volta a Inglaterra Churchill foi acusado de atos homossexuais por um desafeto que fora expulso da academia. Winston levou o caso aos tribunais, a acusação foi retirada e o acusador pagou nada menos que 400 libras de indenização. (pg.73)
Sempre em busca de estar em locais de conflito, onde poderia adquirir a experiência e o reconhecimento que não teria permanecendo no quartel da Inglaterra, Churchill tentou, sem sucesso, viajar para a África do Sul e o Egito. Foi deslocado, junto com seu regimento, para a Índia, onde uma tediosa rotina o engoliu por um bom tempo. 
Churchill na Índia - Em pé, faixa branca no peito.
 Essa monotonia só era interrompida pelos artigos caluniosos da Revista Truth, que ainda repercutia as acusações pelas quais Churchill já fora indenizado e os passeios com Pamela Plowden, filha de um funcionário público sediado em Hydebarad. A amizade de ambos durou a vida inteira. (<pg. 77-78) 
Pamela Plowden



Ao mesmo tempo, crescia em Churchill, junto com o tédio da inação na Índia, o desejo pela ação política, uma candidatura por um dos municípios nos quais o pai tivera influência. (pg. 79) Sua nomeação ao posto de Major, porém, reascendeu um pouco seu entusiamo pelo exército. (pg. 82)
Naqueles primeiros anos de interesse pela política Churchill se auto denominava liberal e defendia:
...o alargamento do direito de voto a todos os homens adultos, educação universal, igualdade entre todas as religiões e um imposto de renda progressivo. [...] a não intervenção na Europa, [...] Defender as colônias com “uma Marinha poderosa” e criar um sistema de defesa imperial. A leste de Suez, contudo, “não pode haver governos democráticos. A Índia deve ser governada segundo os velhos princípios”. (pg. 82)
Contudo, ao mesmo tempo em que defendia “...uma educação igual para todos, sem que qualquer grupo seja beneficiado.” e com professores não religiosos, mas “instrutores seculares nomeados pelo governo.”, Churchill era contra o movimento sufragista pois “Uma vez que se conceda o voto a um grande número de mulheres, que constituem a maior parte da sociedade […], todo o poder passará para as mãos delas”. (pg. 84)



CHURCHILL – Parte III [1] [2]
Dividido entre a paixão política e suas atribuições no exército, Churchill procurava conciliar ambos os lados. Quando foi juntar-se às tropas deslocadas para sufocar uma rebelião tribal no noroeste da Índia, manobrou para tornar-se também correspondente de guerra para dois jornais. Seu intuito era ir se tornando conhecido e popular. (pg. 86-87) Durante o conflito Winston viu-se diversas vezes envolvido em combate real. Em cartas à mãe, a quem ele escrevia compulsivamente, falava sobre suas experiências em combate:
Eles matam e mutilam todos os que capturam, e nós não hesitamos em acabar com os inimigos feridos. Desde que estou aqui, tenho visto coisas que não são muito bonitas, mas, como pode imaginar, nunca sujo minhas mãos com trabalho sujo, embora reconheça a necessidade de algumas coisas. (pg. 82)
Nesta época, e depois, o interesse de sua mãe parece ter aumentado, pois ela passou a atuar fortemente junto à alta sociedade londrina para fazer seu filho conhecido. Divulgava seus artigos, procurava um bom editor para o livro que ele escrevera sobre os combates, enfim, estava empenhada em concretizar os planos de Churchill para uma futura vida pública. (pg. 95-96)






[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Em 1898 ela arranjou uma reunião política em Bradford na qual Churchill discursou por quase uma hora e seus dotes de grande orador cativaram a audiência, como ele escreveu:
Fui ouvido com grande atenção durante 55 minutos”, [...] “ao fim dos quais houve gritos altos e generalizados de ‘Continue’. Cinco ou seis vezes aplaudiram-me por cerca de dois minutos sem interrupção”. Quando acabou, “muitas pessoas subiram para as cadeiras e houve realmente um grande entusiasmo” (pg. 102)
A discordância entre mãe e filho girava, nesta época, nos gastos excessivos da mãe, que Churchill criticava a ponto de recorrer a uma espécie de interdição parcial que protegia sua herança de um eventual segundo casamento da mãe. A despeito disso, Winston começava a ter bons resultados financeiros com sua produção literária. (pg. 97-100)
Foi bem remunerado, por exemplo, por suas cartas ao jornal Morning Post, que ele negociou enviar do Egito, para onde foi enviado após usar toda influência possível, inclusive oriundas do círculo mais próximo ao próprio Primeiro Ministro Salisbury.[3] O comandante das tropas no Egito, Lorde Kitchener,[4] não queria aceitar a presença de Churchill de forma nenhuma, mas acabou cedendo às inúmeras pressões após a morte de dois oficiais. (pg. 104)






[3]    Robert Arthur Talbot Gascoyne-Cecil, 3º Marquês de Salisbury (Hatfield, 3 de fevereiro de 1830 – Ibid., 22 de agosto de 1903), conhecido como Lord Robert Cecil até 1865 e como Visconde Cranborne entre 1865 e 1868, foi um político britânico, por três vezes Primeiro-ministro do Reino Unido, totalizando 13 anos como chefe de governo. Foi o primeiro primeiro-ministro do século XX no Reino Unido.

   https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Gascoyne-Cecil,_3.%C2%BA_Marqu%C3%AAs_de_Salisbury

[4]    O Marechal-de-campo Horatio Herbert Kitchener, 1º Conde Kitchener, (24 de junho de 1850 — 5 de junho de 1916) foi um militar graduado do Exército Britânico e administrador colonial que ganhou notoriedade por suas campanhas imperiais, incluindo ordens dadas de "terra arrasada" contra os bôeres e estabelecimento de campos de concentração na África do Sul durante a Segunda Guerra dos Bôeres. Ele mais tarde se envolveu no comando de operações militares no começo da Primeira Grande Guerra, na posição de Secretário de Estado para assuntos de guerra.
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Horatio_Herbert_Kitchener
Primeiro Ministro Salisbury - Lorde Kitchener
Nesta campanha no Egito, parte da chamada Guerra Madista,[5] onde serviu muito bem como observador das tropas dos rebeldes dervixes, Churchill viu a morte muito de perto durante a Batalha de Omdurman,[6] quando a cavalaria ficou sob fogo cruzado e, embora  “Dos 310 oficiais e soldados que haviam participado da carga, um oficial e vinte soldados haviam morrido, e quatro oficiais e 55 soldados tinham ficado feridos.”, Winston não sofreu sequer um arranhão. (pg. 110)






[5]    A Guerra Madista foi uma Guerra Colonial travada no final do Século XIX. O confronto foi inicialmente travado entre sudaneses Madistas e egípcios e mais tarde com as forças britânicas. Também foi chamado o Guerra Anglo-Sudanesa ou Revolta do Sudão Madista. Os britânicos chamam a sua participação no conflito do Campanha do Sudão.
      
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Madista

[6]    Na Batalha de Omdurman (02/09/1898), um exército comandado pelo general britânico Sir Herbert Kitchener derrotou o exército de Abdullah al-Taashi, sucessor do autodenominado Mahdi, Muhammad Ahmad. Kitchener estava buscando vingança pela morte de 1885 do general Gordon. Foi uma demonstração da superioridade de um exército altamente disciplinado equipado com rifles modernos, metralhadoras e artilharia sobre uma força duas vezes maior, armada com armas mais antigas, e marcou o sucesso dos esforços britânicos para reconquistar o Sudão.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Omdurman
Acima e abaixo, a Batalha de Omdurman

Apesar de tantas vezes passar incólume por situações como essa, Churchill não era religioso e, embora compreendesse a necessidade da religião para o homem comum, via a religião, especialmente a católica, como um narcótico:
Posso imaginar uma pobre paróquia, com operários que vivem suas vidas em feias fábricas caiadas, labutando dia após dia entre cenários e ambientes destituídos de qualquer elemento de beleza. Consigo simpatizar com eles e com sua ânsia por alguma coisa não infectada pela miséria geral, alguma coisa que gratifique seu amor pela mística, alguma coisa um pouco mais próxima do belo, e acho insensível roubar de suas vidas essa aspiração nobilitante, mesmo que ela encontre expressão no incenso queimado, no uso de batinas e em outras práticas supersticiosas.
As pessoas que pensam muito no outro mundo raramente prosperam neste mundo; os homens devem fazer uso da mente sem matar suas dúvidas por meio de prazeres sensuais; a fé supersticiosa das nações raramente promove sua indústria. O catolicismo — todas as religiões, se preferir, mas o catolicismo em particular — é um delicioso narcótico: pode atenuar nossas dores e afugentar nossas preocupações, mas reprime nosso crescimento e esgota nossa força. E uma vez que a melhoria da raça britânica é meu objetivo político nessa vida, não posso permitir demasiada indulgência, se a puder impedir sem atacar outro grande princípio, a liberdade. (<pg.116-117)
Após ser liberado da Índia e uma nova passagem pelo Egito, Churchill retornou à Inglaterra onde iniciou sua carreira política.




CHURCHILL – Parte XI [1] [2]
No decorrer de janeiro/1915, embora Churchill ainda defendesse priorizar seu plano de ação no Mar do Norte, já começava a ver com bons olhos uma ação em Galipoli. Entretanto foi o Primeiro Ministro Asquith quem decidiu que as prioridades seriam uma ação no Mar Adriático, para pressionar a Itália, bem como o ataque a Galipoli, estipulando, inclusive, a data: fevereiro. (pg. 322)
O bombardeio começou em 19/02/1915 e visava destruir as defesas costeiras do estreito para poder adentrar a frota sob menor resistência. A primeira tentativa de entrada ocorreu em 18/03.
Dois navios foram enviados, mas encontraram resistência da fortaleza de Kum Kale. Após mais bombardeios preparatórios, os turcos recuaram das defesas na entrada do canal.
Em 25/02 os navios aliados penetraram o estreito seguindo os navios caça-minas. A medida em que avançavam, atacavam as defesas turcas e enviavam equipes de demolição para destruir as fortificações. Mas os turcos mudaram de estratégia.
Se as fortificações eram fáceis alvos estáticos, eles passaram a utilizar artilharia móvel, puxada por cavalos. Esses canhões disparavam nos navios e logo se deslocavam, tornando quase impossível aos inimigos acertá-los da água.






[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Sob fogo constante o trabalho dos navios caça-minas ficou bastante prejudicado e a situação piorou quando os navios de guerra começaram a bater nas minas não desarmadas e “...um dos pré-couraçados franceses bateu em uma mina e afundou em menos de dois minutos, matando praticamente toda a tripulação.[3].
Com vários outros navios danificados pela artilharia turca, a frota invasora foi obrigada a se retirar.
Em 18/03 nova incursão foi realizada. A frota entrou com 12 navios formados em três linhas de quatro embarcações, mais uma linha com quatro navios de apoio e uma quinta linha, com duas naus de reserva, seguindo os caça-minas.
Mas os turcos haviam implantado, secretamente, uma linha de minas paralela à costa, bem perto do curso dos navios invasores. Desconhecendo o perigo, estes adentraram o estreito e avançaram.
Porém, quando foram manobrar perto da linha minada, o inferno começou. Os navios começaram a bater nas minas e explodir. O primeiro afundou matando toda tripulação. Outros ficaram seriamente danificados e um deles ficou à deriva, tendo que ser abandonado. E os turcos ainda nem tinham usado todo seu potencial defensivo, localizado na parte mais estreita do canal, em Çanakkale.
Logo ficou claro que o estreito não seria tomado apenas pela marinha e que “Para limpar os Dardanelos seria necessário empregar forças terrestres que ocupariam as praias: a Península de Galipoli à esquerda e a costa da Turquia asiática à direita.[4].






[3]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 177.

[4]   PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 34. Tradução livre.
No dia 22/03 os ingleses tomaram a decisão de realizar o desembarque de uma grande quantidade de tropas terrestres e os locais escolhidos foram as praias do Cabo Helles, de Gaba Tepe e da Baia de Suvla. Mas os turcos previram os locais de desembarque e posicionaram tropas para defender a península a partir de posições mais elevadas em trincheiras e com artilharia.
Em 25/04/1915 os desembarques começaram e, nos próximos nove dias, os invasores sofreram uma média de mil mortes por dia. Em agosto, quando a retirada começou, as mortes já atingiam a marca de quarenta mil.
Foi um massacre, pois os turcos “...lhes fizeram frente com um mortífero fogo de artilharia e metralhadoras a partir de posições ocultas em terreno alto.[5].
A Batalha de Galipoli terminou oficialmente em 09/01/1916 e, dos cerca de 480 mil homens que participaram dos combates em mar e terra, nada menos que 220 mil foram feridos ou mortos.
Churchill não foi o responsável direto pelo planejamento e nem pela operação de Galipoli, mas levou a culpa que se espalhou a despeito da documentação com provas em contrário das acusações que recebia. (pg. 335-336)
Quando falou na Câmara dos Comuns sobre a operação, o Primeiro Ministro Asquith, apesar de munido destes documentos, não “defendeu Churchill da principal acusação que faziam a ele, de passar por cima de seus conselheiros navais.” e quando um novo Gabinete foi formado, Winston não foi incluído. Pediu para ser nomeado para outro posto mas não obteve sucesso. Também não foi demitido até que pediu demissão em caráter irrevogável. (pg. 355-356)
Não sabemos se serviu de consolo, mas Bonar Law,[6] que não era aliado comum de Churchill, declarou:
Ele tem os defeitos de suas qualidades, e, como suas qualidades são grandes, a sombra que lançam é também grande, mas afirmo deliberadamente, na minha opinião, que em poder intelectual e em força vital ele é um dos homens mais notáveis de nossa nação. (<pg. 357)
Vendo que sua atuação política como simples parlamentar durante a guerra seria inútil, e reconhecendo que precisaria se afastar para recuperar sua influência, Churchill foi juntar-se ao Regimento dos Hussardos nos campos de batalha, de onde escreveu:
Não parti porque desejava desligar-me da situação ou porque temia o peso desse golpe, mas porque estava e estou certo de que minha utilidade está exaurida por enquanto e de que apenas posso recuperá-la por meio de um definitivo e talvez prolongado afastamento. Se eu tivesse previsto a mais breve possibilidade de ser capaz de influenciar os acontecimentos, eu teria ficado. (pg. 358)
CONTINUA






[5]  PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 34. Tradução livre.. pg. 35.

[6]   Andrew Bonar Law (Kingston, 16 de setembro de 1858 — 30 de outubro de 1923) foi um político britânico, foi primeiro-ministro do Reino Unido pelo Partido Conservador. Foi, até hoje, o único primeiro-ministro britânico nascido fora da Grã-Bretanha. […] Abalado pela morte da esposa, não se deixa abater em sua vida pública e torna-se, em 1911, líder dos Conservadores, com a renúncia de Arthur Balfour. Durante a Primeira Guerra Mundial, causou grande embaraço a Bonar Law o fato de sua empresa ter vendido ferro para a Alemanha até 1914, para seu programa de armamamento.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andrew_Bonar_Law


CHURCHILL – Parte XII [1] [2]
Uma vez na frente de batalha Churchill alternava, como todos, dias nas trincheiras intercalados por dias na retaguarda. No início se empolgou com as novidades e chegou a ser nomeado comandante de batalhão. Era comum que fosse recebido com desconfiança pelos veteranos da frente, mas depois de algum tempo seu carisma e sua coragem conquistavam a todos.
Enquanto comandante de batalhão, sua prioridade foi a segurança dos homens, garantir que não ficassem sob disciplina rígida demais e tivessem momentos de lazer quando na reserva.
Mas os acontecimentos em Londres não deixavam de atrair sua atenção e ele queria retornar ao centro das decisões tanto quanto se via cada vez mais um opositor da forma como o governo Asquith conduzia a guerra.
Neste período sua esposa, Clementine, teve papel fundamental em representá-lo junto a todos os contatos políticos. Mas ela tentava demovê-lo da ideia de retornar logo pois temia que seu pouco tempo na frente de batalha fosse visto como um mero oportunismo. (<<<pg. 359-390)






[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).
Churchill chegou à França para combater em 18/11/1915 e retornou definitivamente a Londres em 07/05/1916. Quando partiu, sobre a despedida de seus comandados, um deles escreveu: “acredito que cada homem naquela sala sentiu sua partida como uma verdadeira perda pessoal”. (pg. 393)


Em seu regresso, como não possuísse qualquer cargo no governo, Churchill só podia fazer discursos na Câmara dos Comuns e lá ele passou a defender o recrutamento de irlandeses bem como o fim de operações inúteis, que só serviam para levar milhares de soldados à morte. 
Também trabalhou em sua defesa tentando publicar todos os documentos referentes ao planejamento e execução da Batalha de Galipoli, mas o Primeiro Ministro Asquith impediu a publicação pois eles apontavam sua própria culpa no episódio.
Sem poder se defender corretamente Winston não podia limpar seu nome e sem limpar seu nome não tinha condições políticas de ser nomeado para qualquer cargo importante. (<<pg. 393-396)
No início de dezembro de 1916 Asquith deixou o governo e em seu lugar assumiu, dois dias depois, Lloyd George,[1] amigo de Churchill. Entretanto, essa amizade não rendeu, de início, a nomeação de Winston para qualquer cargo, embora ele aceitasse qualquer nomeação, desde que pudesse ajudar no esforço de guerra.




[1]   David Lloyd George, 1.º Conde Lloyd-George de Dwyfor (Chorlton-upon-Medlock, 17/01/1863 — Llanystumdwy, 26/03/1945) foi um estadista britânico e o último membro do Partido Liberal a ser Primeiro-ministro do Reino Unido. Ele está enterrado na Abadia de Westminster.  Embora nascido em Manchester em 1863, David Lloyd George falava galês, e foi o único galês a ocupar o cargo de Primeiro Ministro no governo britânico. Substituiu Asquith como primeiro-ministro de um novo governo de coalizão em tempo de guerra entre os liberais e os conservadores. Este foi um movimento que dividiu seu Partido Liberal em duas facções; os que apoiavam Asquith e os que apoiavam o governo de coalizão. Apesar desta oposição, Lloyd George guiou o país politicamente pela guerra, e representou a Inglaterra na Conferência de Paz de Versalhes, não concordando com o Premier francês Georges Clemenceau e com o Presidente americano Woodrow Wilson. Lloyd George queria punir a Alemanha politicamente e economicamente pela devastação da Europa durante a guerra, mas não queria destruir totalmente o sistema econômico e político alemão do modo que Clemenceau e muitas outras pessoas da França queriam fazer.
https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Lloyd_George
O Ex Asquith e o novo Primeiro Ministro Lloyd George
O Partido Liberal estava dividido entre os partidários do ex Primeiro-ministro Asquith e os apoiadores do novo governo.
O grupo de Asquith era frontalmente contra a nomeação de Churchill para qualquer cargo, assim como o Partido Conservador e a imprensa a esse ligada. Assim Winston foi sendo escanteado com a desculpa de que deveria esperar a publicação do relatório da Comissão de Dardanelos, que investigava a Batalha de Galipoli, a qual ele já apresentara um monte de documentos. (<pg. 400-403)
Quando o relatório da Comissão de Dardanelos finalmente saiu, não respondia a muitas das acusações que vinham sendo feitas contra Churchill de forma sistemática. Ele se defendeu perante o parlamento quando do debate sobre o relatório e como a verdade mostrasse que Asquith fora um entusiasta do ataque, seus correligionários passaram a apoiar a operação. A situação começava a mudar. (pg. 403-404)
Livre das acusações, Churchill passou a advogar, junto às autoridades e no Parlamento, que nenhuma ofensiva nova fosse posta em prática em 1917, aguardando a chegada das tropas estadunidenses cujo pais tinha entrado na guerra.
Ele queria evitar um novo banho de sangue como a Batalha do Somme, na qual dezenas de milhares haviam morrido sem qualquer avanço. Ao mesmo tempo começou a colaborar extra-oficialmente com o Primeiro Ministro Lloyd George que o enviou para visitar as tropas na linha de frente. 
A oposição à nomeação de Winston para qualquer cargo, contudo, crescia e agora contava com pessoas muito próximas a Lloyd George. Este, no entanto, contra tudo e contra todos, nomeou Churchill para Ministro das Munições. E silenciou os opositores próximos com a ameaça de demitir-se. (<<pg. 405-408)
Nem mesmo os funcionários do Ministério da Guerra estavam satisfeitos com o novo ministro, e pareciam dispostos a demonstrar isso quando este fosse apresentado em seu primeiro dia de trabalho. Mas, como observou um dos presentes, em seu discurso Churchill:


iniciou suas observações mencionando que “sabia que estava partindo ‘da estaca zero em questão de popularidade’. Continuou afoitamente, mencionando sua política para uma produção ainda mais rápida de munições. À medida que elaborava seus planos, a atmosfera foi mudando perceptivelmente. Aquilo não era um pedido de desculpas, e sim um desafio. Aqueles que tinham vindo para insultá-lo ficaram para aplaudi-lo”. (<pg. 409)
Poucos dias depois, Churchill já tinha negociado o encerramento de uma greve no setor de produção de munições e esboçado um projeto de Lei das Munições de Guerra, que beneficiava e protegia os trabalhadores deste setor, como parte importante do esforço de guerra.
Embora fosse criticado pelo acordo que costurou, os trabalhadores que deixaram a greve logo tinham subido a produção para o nível mais alto do país. (<pg. 410-411)
Sempre em movimento, Churchill reestruturou internamente seu ministério, criando equipes de trabalho na qual empresários do ramo da produção bélica também colaboravam, viajou à França para coordenar a produção, inclusive com os EUA, e atender melhor as necessidades da frente de combate, ouviu e abraçou as reivindicações das mulheres que trabalhavam nas fábricas, preparou a instalação de uma fábrica de munições na França, articulou a implantação de uma fábrica de tanques perto de Paris e iniciou a compra dos materiais de que precisariam as tropas americanas ao chegar na Europa. (pg. 410-415)


CHURCHILL – Parte XIII [1] [2]
Em oposição a esta atividade frenética os adversários de Churchill gastavam o tempo em atacá-lo. Os Conservadores e a imprensa atacavam publicamente. Os liberais e até mesmo membros do governo procuravam o Primeiro Ministro Lloyd George com reclamações e picuinhas.
Alguns reclamavam por Winston falar nas reuniões do Gabinete, das quais ele só participava quando eram tratados assuntos relativos ao seu Ministério das Munições. (<pg. 421)
Enquanto isso os alemães planejavam ganhar a guerra depois da saída da Rússia do conflito, por decisão do novo governo bolchevique, após a Revolução de 1917.
Os alemães planejaram vencer na primavera-verão de 1918 com uma grande ofensiva que visava romper as linhas defensivas dos aliados e tomar o rumo de Paris.
Essa ofensiva foi dividida em etapas que levaram a batalhas menores, fruto de partes específicas do plano geral, e que foram travadas ao longo da frente ocidental.
Entre 21/03 a 05/04/1918 o Plano Michael deslocou 700 mil soldados, “...6.600 canhões e quase 1.100 aeronaves, contra um setor de 113 km entre Arras e o rio Oise.[3]  para enfrentar um terço disso na Segunda Batalha do Somme.
Utilizando apenas um bombardeio prévio, e  aproveitando-se do nevoeiro, os alemães conseguiram expulsar os britânicos e avançar “...até 50km em seis dias...[4].
Diante da catástrofe iminente, os comandantes ingleses e franceses se reuniram em 26/03 e mudaram o comandante geral, nomeando o General Foch para o posto. E ele logo começou a agir.
Foch deslocou tropas francesas e da reserva para reforçar a linha. Os alemães, contudo, seguiam avançando e haviam conquistado, até 05/04, mais terreno, chegando a apenas 110km de Paris.
O custo desse avanço foi que “...eles sofreram 239 mil baixas, mas infligiram 248 mil (178 mil à Grã-Bretanha e seu império, 70 mil à França), enquanto faziam 90 mil prisioneiros...[5]. O butim veio na forma de nada menos que “1.300 canhões.”.
Na sequência do Plano Michael, os alemães colocaram em ação o Plano Georgette, que levou à Quarta Batalha de Ypres, entre 09 e 29/04/1918.
Também se valendo da concentração de efetivos muito superiores em um local específico, as forças do Kaiser conseguiram avançar 20km em cinco dias. A linha defensiva aliada não foi rompida, mas Passchendaele e Ypres foram retomadas.
Menos de um mês depois nova etapa do plano alemão começou. Entre 27/05 e 06/06/1918 foi executado o Plano Blücher-Yorck, com a Terceira Batalha do Aisne.
Desta vez não houve segredo e os alemães pulverizaram as defesas aliadas quando nada menos que “...3.700 canhões dispararam dois milhões de projéteis em apenas quatro horas e meia...[6]. O avanço foi de espetaculares 20km em um único dia, crescendo para 50km oito dias depois. Estavam novamente no Marne e, agora, a 90km de Paris.
A desesperada resposta do comando aliado foi colocar boa parte da capacidade de navegação aliada na tarefa de transportar tropas americanas para a Europa e no final de junho“...mais de 250.000 soldados estadonidenses […] haviam chegado...[7].
Cada vez mais divisões norte-americanas começavam a participar dos combates retomando áreas conquistadas pelos alemães.
Em 09/06 começou a quarta etapa do avanço alemão, o Plano Gneisenau que conseguiu avançar 10 km no primeiro dia. Mas desta vez os defensores franceses conseguiram bloquear o avanço e contra-atacar. A batalha decisiva estava prestes a começar.
A Segunda Batalha do Marne foi o ponto culminante da tentativa alemã de obter a vitória final na guerra. Quando o momento finalmente chegou, porém, as condições das forças opositoras eram bem diferentes das iniciais.
Do lado aliado, o General Foch deslocara tropas de várias frentes para reforçar a região do Marne, contando também com as divisões norte-americanas, que possuiam muito mais soldados que o usual na Europa.
Do lado alemão, a Gripe Espanhola dizimava as tropas, exaustas e mal alimentadas. A despeito disso o comandante alemão, Ludendorff, ordenou novo ataque.
Em 15/07 tropas alemãs avançaram em Champagne, enfrentando os franceses e os americanos. Também avançaram em Reims, onde atacaram tropas francesas.
Na Quarta Batalha de Champagne os aliados conseguiram barrar o avanço, mas em Reims os alemães conseguiram cruzar o Rio Marne em vários pontos utilizando barcos e conquistaram várias áreas, iniciando a construção de pontes.
Somente em 17/07 as forças francesas e americanas combinadas conseguiram deter o ataque. Em 18/07 os aliados contra-atacaram pesadamente.
O General Foch mobilizou “...quatro exércitos franceses [...] reforçados por oito grandes divisões da AEF (americanos – inserção nossa), quatro divisões britânicas e duas italianas.[8] e mais 350 tanques que avançaram sobre os alemães em Château-Thierry,  obrigando-os a recuar.
A retirada alemã começou em 20/07 e uma linha defensiva foi estabelecida entre Ourcq e Marfaux. Novo recuo, em 27/07 trouxe a frente até Fère-en-Tardenois. Em 06/08 o contra-ataque foi detido e os alemães se estabeleceram entre Soissons e Reims.
A batalha terminou em 08/08/1918 e as perdas dos aliados, embora muito superiores às alemãs, bloquearam o último grande avanço inimigo e salvaram Paris. Em números, “...os franceses tiveram mais baixas, com 433 mil, seguidos pelas forças britânicas e seu império, com 418 mil...[9].
A despeito disso, o lado aliado comemorou uma grande vitória, apesar de não decisiva. O General Foch foi promovido a Marechal da França.

[1]    GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.

[2]    Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

[3]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 522.

[4]   Ibidem.

[5]   Ibid. pg. 526.

[6]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 527.

[7]   PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 31. Tradução livre.

[8]   SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 529.


[9]   Ibid. pg. 530.

Do lado alemão o ânimo foi abatido e a derrota já era visível no horizonte. A partir do Marne, só haveria recuos para os Exércitos do Kaiser.
Neste período Churchill atuou vivamente na articulação com as forças aliadas onde passou a ser companhia constante do Primeiro Ministro Francês Clemenceau [10] bem como dos Marechais Foch [11] e Pétain.[12]
Quando em Londres ele passou a praticamente viver em seu gabinete no ministério, visando manter a produção de munições para suprir as necessidades das forças armadas, atuou contra as greves nas fábricas de armas por conta do constante envio de operários para lutar na frente de batalha, causando assim uma queda na produção.
A essa atividade ele intercalava seguidas viagens à França e visitas às frentes de combate. Também incentivava o uso de bombardeios aéreos sobre cidades alemãs como forma de forçar uma rendição.   (<<pg. 426-431)
CONTINUA

[10]   Georges Benjamin Clemenceau (Mouilleron-en-Pareds, 28/09/1841 — Paris, 24/11/1929) foi um estadista, jornalista e médico francês. Formado em medicina, ciência que cedo trocou pelas actividades políticas. Entre 1902 e 1920 Clemenceau foi eleito senador. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França nos períodos 1906-1909 e 1917-1920. Neste último, chefiou o país durante a Primeira Guerra Mundial e foi um dos principais autores da conferência de paz de Paris, que resultou no tratado de Versalhes, dentre outros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Clemenceau

[11]   Ferdinand Jean Marie Foch (Tarbes, 02/10/1851 – Paris, 20/03/1929) foi um General e Acadêmico francês, Marechal da França, da Grã-Bretanha e da Polônia. Ele foi o Comandante-em-Chefe das forças aliadas no fronte Oeste durante a Primeira Guerra Mundial. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_Foch

[12]   Henri Philippe Benoni Omer Joseph Pétain (Cauchy-à-la-Tour, 24/04/1856 – Île d'Yeu, 23/07/1951), geralmente apelidado de Marechal Pétain, foi um oficial general francês que alcançou a distinção de Marechal da França e posteriormente atuou como chefe de estado da França de Vichy de 1940 a 1944. Pétain, que tinha 84 anos em 1940, classifica-se como o mais velho chefe de estado da França. Hoje, ele é considerado por muitos como um colaborador nazista, o equivalente francês de seu contemporâneo Vidkun Quisling na Noruega. Ele às vezes era apelidado de Leão de Verdun. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_P%C3%A9tain

CONTINUA
[1]   GILBERT, Martin. Churchill : uma vida, volume 1. tradução de Vernáculo Gabinete de tradução. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2016.
[2]   Em relação às referências das páginas, que fazemos ao final de alguns parágrafos, por uma questão estética e de não ficar sempre repetindo, criamos um código simples com o símbolo “<”. Sua quantidade antes da referência da página indica a quantos parágrafos anteriores elas se relacionam. Exemplo: A referência a seguir se refere ao parágrafo que ela finaliza e mais os dois anteriores  (<<pg.200-202).

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