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terça-feira, 28 de março de 2017

MARÇO NA HISTÓRIA


A MORTE DE CÉSAR POR SUETÔNIO
Em um dia como este 15/03, no ano 44 a.C., Júlio César era morto no Senado de Roma pelos golpes traiçoeiros de seus inimigos.
O Reino de Clio presta homenagem a um dos maiores políticos e generais da História trazendo o relato de Suetônio sobre a morte do ditador romano.1
A escrita, em antigo português de Portugal, foi mantida. Vamos a Suetônio:
Mais de 60 cidadãos conspiraram contra elle; tinham à frente C. Cassio, Marco e Decimo Bruto. Vacillaram ao principio sobre a forma de se desfazerem do oppressor; se, na assembleia de Campo de Marte, no momento em que chamasse as tribus aos suffragios, uma parte d'entre os conjurados o deitaria por terra, e outra o massacraria então; ou se o atacariam na rua Sagrada ou á entrada do theatro.
Mas quando a assembleia do senado fosse indicada para os idos de março na sala construída por Pompeu, elles concordariam todos a não procurar momento nem logar mais favoráveis.
Prodígios tocantes annunciaram a César o seu fim próximo.
Alguns mezes antes, colonos a quem elle dera terras na Campania, querendo ali edificar casas, escavaram antigos túmulos com tanta mais curiosidade, que de tempos em tempos encontraram monumentos antigos ; acharam n'um sitio, onde se dizia que Capys, o fundador de Capua, estava sepultado, uma mesa de bronze com uma inscrípção em grego cujo sentido era que, quando se descobrissem as cinzas de Capys, um descendente de Júlio seria morto pela mão dos seus parentes, e seria vingado pelas desgraças da Itália.
Não se pôde encarar este facto como fabuloso ou inventado ; é Cornelio Balbo, amigo intimo de César, que o conta.
Pelo mesmo tempo soube-se que os cavallos que César tinha consagrado no dia da passagem do Rubincon, e que deixara pastando em liberdade, se abstinham de todo o alimento e choravam abundantemente. O adivinho Spurinna o avisou, num sacrifício, que estava ameaçado d'um perigo, ao qual se exporia antes dos idos de março.
Na véspera d'estes mesmos idos, pássaros de differentes espécies, voaram d'um bosque visinho e fizeram em pedaços uma carriça que se havia empoleirado em cima da sala do senado com um ramo de louro no bico. Na própria madrugada do dia em que foi assassinado, pareceu-lhe durante o somno, que voava acima das nuvens, e que tocava na mão de Júpiter.
Sua mulher Calpurnia sonhou que o alto da casa caía e seu marido fora ferido com successivos golpes nos braços. As portas da sua camara abriram-se por si mesmo.
Área do Teatro Argentina em Roma, onde ficava o Forum de Pompeu, no qual César foi assassinado.
Todas estas razões e a sua saúde, que sentia já muito enfraquecida, o fizeram hesitar, se deveria ficar em casa e addiar o que resolvera fazer n'esse dia no senado ; mas Decimo Bruto o aconselhou a não faltar ao senado, cujos membros o esperavam em grande numero e desde muito tempo.
Saiu pela quinta hora do dia. Apresentaram-lhe uma memoria que continha um detalhe da conjuração, que elle misturou com outras que tinha na mão esquerda, como se a reservasse para a ler n'outra occasião.
Imolaram-se varias victimas, sem que uma só desse presagios felizes, e arrostando esses terrores religiosos, entrou no senado, zombando de Spurinna: «Afinal, os idos de março chegaram, vindos sem accidente, dizia elle», a que respondeu o adivinho : «os idos não passaram ainda
Quando tomou o seu logar, os conjurados o cercaram como para lhe fazerem a corte, e immediatamente Tullio Cimber, que se encarregara de dar começo á tragedia, aproximou-se como para lhe pedir uma mercê. Tendo-lhe César feito signal para deixar para outra occasião o pedido, Cimber o agarrou pelo alto da túnica. «É uma violência!» exclamou César.
Então, um dos dois Casca o feriu com um punhal um pouco abaixo do collo, César agarrou-lhe no braço, e lhe enterrou um punção que tinha na mão. Quer arremete-lo, mas uma segunda punhalada o detém ; vê de todos os lados o ferro levantado sobre elle; então cobre a cabeça com a sua veste e com a mão esquerda abaixa a túnica para cair mais decentemente.
Deram-lhe vinte e três golpes. No primeiro soltou um gemido sem proferir palavra alguma. Outros, comtudo, contam, que César disse a Bruto que avançava para o ferir: «E tu também, meu filho!» Ficou algum tempo estendido no chão.
Todos haviam fugido. Por fim, três escravos o levaram para casa n'uma liteira, d'onde lhe pendia um dos braços.
De tantas feridas, a única que o seu medico Antiscio achou mortal, foi a segunda que recebera no peito.
Os conjurados tinham resolvido arrastar o cadáver para o Tibre, de declarar os seus bens confiscados e todos os seus actos nullos, mas o receio que tiveram do cônsul António e de Lépido, general de cavallaria, os deteve.
Depois, a pedido de Lúcio Pisão, seu sogro, abriu-se o testamento, que foi lido na casa de António. César havia-o feito no mez de setembro anterior, numa casa de campo, chamada Lavicanum, e confiara-o á primeira das vestaes.
O salão do Senado ficaria ao fundo da imagem, em parte já coberta pela rua, abaixo do prédio rosado.
Q. Tuberon conta que, desde o seu primeiro consulado até ao começo da guerra civil, costumava ter mencionado no testamento C. Pompeu para seu herdeiro, e que tinha até lido esta clausula n'uma arenga que fizera aos soldados.
Mas pelas suas ultimas disposições nomeava três herdeiros, os seus segundos sobrinhos : C. Octávio com três quartos da herança ; Lúcio Pinario e Quinto Pedio tinham a ultimo quarto.
No fim do testamento adoptava Octávio e lhe dava o seu nome. Declarava vários dos seus assassinos tutores de seus filhos, se os houvesse. Collocou Decimo Bruto na segunda classe dos seus legatários, deixava ao povo romano os seus jardins sobre o Tibre e 300 sesterceos por cabeça.
No dia marcado para as exéquias, levantou-se uma fogueira no Campo de Marte, ao pé do tumulo de Júlia, e uma capella dourada defronte da tribuna dos oradores, pelo modelo do templo de Vénus Mãe; ali se collocou um leito de marfim, coberto d'um estofo de ouro e de púrpura sobrepujado d'um tropheo d'armas e da mesma túnica, que vestia quando fora assassinado.
Como se não acreditava que o dia fosse bastante para a multidão daquelles que traziam offertas para a fogueira, se se observasse a marcha fúnebre, declarou -se que, cada pessoa iria sem ordem e pelo caminho que conviesse, levar as suas dadivas ao Campo de Marte.
Nos jogos funerários, cantaram-se vários trechos compostos para excitar a piedade e a indignação, como o monologo de Ajax na peça de Pacuvio, que tem por titulo : As armas de Achilles: Foi o seu salvador para ser sua victima, etc, e o de Electra d'Accio, mais ou menos similhante.
Em logar de oração fúnebre, o cônsul António mandou ler por um arauto o ultimo senatus-consulto que lhe concedia todas as honras divinas e humanas, e o juramento pelo qual todos se obrigavam a defende-lo com risco da própria vida. Accrescentou muito poucas palavras esta leitura.
Magistrados em funcções ou tendo deixado o cargo, conduziram o leito de estado para a praça publica. Uns queriam queima-lo no santuário de Júpiter, outros no senado.
De repente dois homens armados de espadas e trazendo dois chuços, deitaram fogo ao leito com tochas, e logo cada um se apressou a deitar-lhe madeira secca, bancos, cadeiras de juizes, e tudo que se encontrasse á mão.
Dois tocadores de flauta e histriões deitaram os fatos triumphantes de que estavam revestidos para a cerimonia; os veteranos legionários, as armas com que se haviam enfeitado para as exéquias do seu general; as mulheres os seus adornos e os de seus filhos.
Os estrangeiros tomaram parte neste luto publico ; deram uma volta em torno da fogueira, patenteando o seu desgosto cada um ao uso do seu paiz. Os próprios judeus velaram algumas noites ao pé das cinzas.
Logo depois das exéquias, o povo correu com fachos ás casas de Bruto e de Cassio, e só com muito custo foi repellido.
Encontrou um certo Helvio Cinna, que tomaram pelo tribuno Cornelio Cinna, que. na véspera havia arengado violentamente contra César ; foi massacrado e trouxeram-lhe a cabeça espetada no cabo d'uma lança.
Depois, erigiram na praça publica uma columna de mármore de Africa, de vinte pés de altura, com a inscripção:
AO PAE DA PÁTRIA
Durante muito tempo o povo ia ali offerecer sacrifícios, formar votos e terminar certas desavenças jurando pelo nome de César.
[…]
Durante os jogos que o seu herdeiro Augusto celebrou para sua apotheose, um cometa cabelludo brilhou durante sete dias; apparecia pela undécima hora do dia, e dizia-se ser a alma de César recebida nos céus...
É assim que Suetônio narra a morte do homem que, a despeito de sua trajetória sangrenta, salvou Roma de si mesma e concedeu a seus inimigos uma piedade e buscou uma harmonia que poucos antes e depois dele praticaram. O pagamento por isso foi a traição e a morte.
Contudo, a diferença é que, enquanto César vive no panteão dos grandes líderes políticos e militares, dentre os quais é um primus inter pares, seus assassinos vivem na infâmia da História e ali permanecerão para sempre, pois é lá, MT, o lugar dos traidores.


AVE CÉSAR!

1 Obra Roma Galante – Crônica escandalosa da corte dos doze Césares, tradução de Guilherme Rodrigues, publicado pela João Romano Torres & Cia, de Lisboa, pgs. 34 - 38

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Imagens:
http://seuhistory.com/hoje-na-historia/assassinado-julio-cesar-de-roma
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http://fadomduck2.blogspot.com.br/2015_08_01_archive.html
http://m.megacurioso.com.br/saude-e-beleza/69925-novo-diagnostico-aponta-que-julio-cesar-nao-sofria-de-epilepsia.htm
http://www.biography.com/people/julius-caesar-9192504

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http://www.heritage-history.com/index.php?c=academy&s=char-dir&f=antony
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KATYN: UM MASSACRE - MUITAS HISTÓRIAS
O turista que pegar seu carro, em uma ensolarada tarde da primavera russa, saindo de Smolensk em direção à pequena cidade de Katyn, pela excelente estrada P 120 verá, cerca de 20km após Smolensk, à esquerda, duas simpáticas igrejinhas em estilo ortodoxo.


Se resolver parar no estacionamento, poderá contemplar uma placa, em russo e inglês, com os dizeres: Memorial de Katyn. A bucólica beleza do local esconde uma das muitas terríveis histórias da II Guerra Mundial.


Em 05/03/1940 a Polônia estava dividida entre o III Reich e a URSS. Na parte leste do ex-país, atuava a polícia secreta soviética, denominada Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), chefiada por Lavrentiy Beria.
Neste dia o Sr. Beria, que na foto abaixo aparece perto do chefe, ao fundo, com a filha deste no colo, pediu e Stalin autorizou (com apoio de outros 3 membros do Politburo: Vyacheslav Molotov, Kliment Voroshilov e Anastas Mikoyan), a execução de mais de 20 mil prisioneiros poloneses, a nata militar do país, policiais e intelectuais.
Entre os meses de abril e maio daquele ano a ordem foi cumprida e os corpos enterrados justamente no bucólico local, hoje marcado pelo memorial.
A uma média de 250 por noite, os prisioneiros foram executados com tiros na cabeça em salas acusticamente isoladas. Os corpos eram colocados em caminhões que os transportavam para a floresta.
Em 1943, quando a Alemanha já invadira a URSS, as covas foram descobertas e uma grande operação de propaganda nazista foi montada, inclusive com peritos de vários países e prisioneiros de guerra como testemunhas, para denunciar o crime dos soviéticos.
Nas imagens abaixo os prisioneiros poloneses, as covas coletivas onde foram enterrados, a exumação promovida pelos alemães e os prisioneiros de guerra que foram trazidos pela Wehrmacht como testemunhas do crime soviético.


Quando a URSS retomou o território, conduziu investigações fraudulentas nas quais as conclusões culpavam os alemães.
Várias investigações foram feitas e sabe-se que Churchill e Roosevelt sabiam que os soviéticos eram os culpados. Porém, no contexto da guerra, preferiram não culpar o aliado Stalin, em detrimento da história verdadeira dos inimigos alemães. Os resultados que culpavam os soviéticos foram ignorados ou censurados. A “operação abafa” durou, surpreendentemente, até os anos 70, em plena Guerra Fria.
Apenas em 1989 a verdade veio à tona e em 1990 o massacre foi admitido por Mikhail Gorbachev.
Nas imagens abaixo pode-se ver detalhes do memorial. Sob as árvores, placas de metal sinalizam a localização das covas coletivas das quais os corpos foram retirados. Ao final, a solicitação de execução dos prisioneiros enviadas por Beria a Stalin.


Que descansem em paz aqueles que tombaram sem chance de defesa, diante da suprema covardia.


Fontes e Imagens:
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Lavrenti_Beria_Stalins_family.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fe/KatynPL-kontury.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/dc/KatynPL-wejscie.jpg
http://en.auschwitz.org/m/index.php?option=com_content&task=view&id=758&Itemid=8
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8f/Je%C5%84cy1.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c1/Katyn_-_decision_of_massacre_p1.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Katyn_Massacre_-_Mass_Graves_2.jpg
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b8/Katy%C5%84%2C_ekshumacja_ofiar.jpg

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/82/Katyn_massacre_4.jpg
http://www.nydailynews.com/news/world/poland-commemorates-75th-anniversary-katyn-massacre-article-1.2172561

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