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terça-feira, 23 de julho de 2019

TEXTO: VALE A LEMBRANÇA 1




SETE DE SETEMBRO
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
Mais do que a D. Pedro, o Brasil deve sua independência a uma mulher, a austríaca Leopoldina, conforme veremos abaixo:
Quando as movimentações separatistas contra Portugal começaram, a princesa Leopoldina escreveu ao seu pai, o Imperador da Áustria, que no Brasil “...todos os dias há novas cenas de revolta; os verdadeiros brasileiros são cabeças boas e tranquilas; as tropas portuguesas estão animadas pelo pior espírito, e meu esposo […] não dá exemplo de firmeza...” (CASSOTTI pg. 163)
Essa indecisão de D. Pedro, que chegou a se entusiasmar com a ordem de retornar a Portugal, começou a mudar em fins de 1821, mostrando a crescente influência da esposa e dos irmãos Andrada, resultando no Dia do Fico (09/01/1822).
Dia do Fico
A partir de então os acontecimentos foram se precipitando com a ordem de retenção de todas as determinações vindas de Portugal até a vistoria de D. Pedro (21/01/1822), a não admissão de oficiais portugueses no beija-mão do aniversário da princesa (22/01) e a partida do regente para o Sul em março.
Em 13/08/1822, a fim de viajar para pacificar a província de São Paulo, D. Pedro nomeou Leopoldina presidente dos negócios do governo. Este curto período serviu para estreitar a colaboração da princesa com José Bonifácio de Andrada, com quem compartilhava “...ideias monárquicas e liberalismo moderado […] ideia do Brasil relativamente independente...” (CASSOTTI pg. 178)
Infelizmente, 15 dias após deixar o Rio de Janeiro, D. Pedro conheceu a mulher que destruiria seu casamento e seu governo: Domitila de Castro.
Alheia a mais uma traição, Leopoldina escrevia constantemente sem receber resposta do marido. Estava preocupada, em especial com o desembarque de 600 homens chegados em embarcações militares na Bahia.
Sob a ameaça de ataque que pairava sobre a capital, o Conselho de Estado foi reunido em 02/09/1822 e decidiu, por sugestão de Bonifácio e aprovação unânime de todos os membros, escrever ao regente rogando-lhe a proclamação da independência.

Reunião do Conselho de Estado no qual a Independência de fato foi decidida.
O documento foi assinado e, junto com ele, seguiram cartas de Leopoldina e Bonifácio para o príncipe. D. Pedro as recebeu por volta das 16hs do dia 07 de setembro de 1822, às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo.
Segundo Laurentino Gomes (1822), "...do ponto de vista formal, a Independência foi feita por Leopoldina e Bonifácio, cabendo ao príncipe apenas o papel teatral de proclamá-la na colina do Ipiranga.
Ali o príncipe leu também uma carta de seu pai, o Rei D. João VI, que o conclamava a obedecer às cortes de Lisboa, e outra do Cônsul-Geral da Grã-Bretanha, informando que havia a possibilidade de que fosse destituído em favor do irmão Miguel, “...medida extrema que, ao que parece, contava com o aval de […] Metternich...” (pg. 182)
A carta de Leopoldina, que segundo Cassotti, tocou profundamente o orgulho masculino do marido, terminava com uma daquelas frases capazes de inflamar ainda hoje qualquer coração minimamente patriota:
O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com vosso apoio ou sem vosso apoio, ele fará sua separação. O pomo está maduro, colheio-o já, senão apodrecerá […] Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois. (CASSOTTI pg. 183)

Ao vacilante Pedro só cabia um caminho e ele, sob o peso das Irradiações da Pureza de um daqueles raros momentos em que se percebe a roda da História girar, proclamou a nossa Independência, cumprindo, assim, sua missão. Nascia então, por pressão da princesa Austríaca e de vários outros, o Brasil!
Apesar de importar pouco, é sabido que aquele momento histórico não foi como representado por Pedro Américo no famoso quadro "O Grito do Ipiranga".
D. Pedro não montava o belo cavalo branco, mas uma boa mula baia. A viagem, de Santos a São Paulo, resultaria em roupas amarrotadas e sujas de lama, sem contar as constantes paradas por conta do desarranjo intestinal do príncipe.
O testemunho presencial do Padre Belchior, que leu as cartas para D. Pedro, conta que este tremeu de raiva, tomou-lhe os papéis das mãos, amassou e pisou. Perguntada sua opinião, Belchior sugeriu a proclamação da independência como único caminho.
O Padre conta que D. Pedro parou depois, ainda desmontado no meio da estrada, e declarou, conforme descreve Laurentino Gomes (1822):
Padre Belchior, eles o querem, eles terão a sua conta. As cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações. Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal.

Assim, este momento Histórico da primeira declaração do príncipe não incluiu o famoso grito “Independência ou Morte!” e nem estavam ao redor dele os soldados.
A frase célebre só seria proferida depois, já na presença dos soldados de sua escolta, os futuros Dragões da Independência quando, depois de retirar de seu chapéu os símbolos de Portugal e atirá-los ao chão, D. Pedro gritou “E viva o Brasil livre e independente!”, acrescentando, só então e logo após “Será nossa divisa de ora em diante: Independência ou Morte!
O gesto histórico da Proclamação da Independência foi jubilosamente aclamado pelo povo, agora brasileiro, mas foi mal visto na maioria das cortes europeias, em especial na Áustria, impressão que Leopoldina tratou logo de combater, em cartas escritas ao pai.
Coroação de D. Pedro I - Leopoldina está no alto à esquerda.
Quando D. Pedro foi coroado Imperador, D. Leopoldina estava à sua frente, vestindo “...um longo manto de cetim verde e amarelo bordado de ouro...”, ocupando um lugar de destaque que, certamente, fizera por merecer. 
Uma vez restabelecida a verdade dos fatos, convém celebrar nossa independência com esse olhar de gratidão ao passado, mas sem esquecer da necessária reflexão no presente, com vistas ao futuro. 
A cada brasileiro, cumpre avaliar fatos inegáveis:
1) Nossas maiores empreiteiras, que competiam com as maiores do mundo, foram quebradas, não pela corrupção que praticaram, e não há santos em nenhum lugar do mundo nesse meio, mas por nosso sistema judicial politizado;
2) Nossa maior empresa pública, a Petrobrás, hoje não serve mais ao seu dono, o povo, mas aos acionistas que precisam ter lucro com a gasolina caríssima que pagamos;
3) A Embraer, empresa nossa que competia pelo mercado mundial de aviação, foi vendida pelo preço pouco maior que o de um hotel;
4) Nossos campos de petróleo do Pré-Sal, cujo dinheiro estava destinado em parte à educação e saúde, hoje são leiloados a preço de banana, para empresas que ainda recebem isenção de impostos!
5) O governo é avisado de que fazendeiros vão tocar fogo na Amazônia com 3 dias de antecedência e nada faz; 
6) Países estrangeiros recebem isenções tributárias para nos exportar leite, trigo e etanol, prejudicando nossos próprios produtores e sem nenhuma contrapartida; 
Reflita o caro leitor se nossa independência é uma certeza ainda e se o futuro ainda é algo a ser esperado com otimismo. 
Neste 7 de setembro de 2019, cada brasileiro deveria refletir e se perguntar: 
Como tudo isso está realmente acontecendo diante dos meus olhos, o que eu vou fazer a respeito? Ou não vou fazer nada e começar a pagar uma conta de sofrimento que depois será cobrada infinitamente dos meus filhos e netos? 
ACORDA BRASIL!

1Marsilio Cassotti. A biografia íntima de Leopoldina: a imperatriz que conseguiu a independência do Brasil. São Paulo: Planeta, 2015
2GOMES, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.






NASCE NAPOLEÃO BONAPARTE

No ano de 1769, no dia 15 de agosto, na pequena cidade de Ajaccio, na Ilha da Córsega, nascia o filho do casal Carlo e Maria Letícia Ramolino, uma criança destinada a mudar o mundo: Napoleão Bonaparte!
Carlo Maria Buonaparte e Maria Letícia Ramolino eram pequenos nobres italianos, cujas famílias haviam chegado à ilha no século XVI. Carlo era advogado e chegou a ser nomeado representante da ilha na corte de Luis XVI em 1777.

A educação do menino Napoleone di Buonaparte (nome original depois afrancesado para a forma que ficou famosa) foi rígida e muito boa e as conexões políticas de seu pai permitiram que entrasse nas escolas militares onde se destacou em matemática, história e geografia.
A partir dai sua ascensão foi meteórica.
Félicitations Majesté! Vive l'Empereur!



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