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terça-feira, 23 de julho de 2019

TEXTO: HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA 2


UM DOS MOMENTOS MAIS TOCANTES DA HISTÓRIA
Neste ano da graça do Senhor de 2019 o início da I Guerra Mundial, ou Grande Guerra, completou 105 anos e, com isso, completam-se 105 anos também de um dos momentos mais tocantes da História, a nosso ver. É um evento que me toca profundamente, ao ponto das lágrimas, se me permitem um toque pessoal.
Em Dezembro de 1914 um grande número de soldados da frente de batalha deixou suas armas de lado, saiu das trincheiras e confraternizou com os inimigos, trocaram presentes, cantaram juntos, assistiram missas e jogaram futebol. Nunca, desde o início do calendário que temos hoje, o tão falado “Espírito do Natal” foi tão real e tão presente.
Naquele ano, após atravessar a Bélgica, os alemães invadiram a França chegando aos arredores de Paris, onde foram rechaçados na Primeira Batalha do Marne, em setembro.
Com o recuo alemão até o Vale do Aisne e o fracasso aliado em fazê-los recuar mais, começou a construção de linhas de defesa que levou o conflito à fase da Guerra de Trincheiras.
Com a chegada de Dezembro, algumas iniciativas de Cessar-Fogo para o Natal foram adotadas, mas sem sucesso, com destaque para o pedido do Papa Bento XV, de que as armas calassem diante do canto dos anjos. Os governantes e generais não estavam a fim de ouvir anjos cantando, a menos que fossem os hinos de seus países.
Mas, se os grandes esqueceram da noite estabelecida (erradamente) como a do nascimento de Jesus, o mesmo não se pode dizer dos pequenos. Muitos soldados ignoraram as ordens, a paz reinou, as armas se calaram e os anjos puderam cantar em muitos pontos da frente. E como cantaram de forma maravilhosa!
Na noite de 24/12/1914, na região de Ypre, na Bélgica, os alemães enfeitaram suas trincheiras com velas e árvores de Natal, iniciando a celebração com cânticos natalinos. Do outro lado os britânicos cantaram em resposta e não demorou muito para que estivessem atravessando a Terra de Ninguém (espaço entre as trincheiras dos dois lados).
Sob o silêncio das artilharias os inimigos trocaram fumo, bebida, comida e lembranças. Os mortos foram enterrados em funerais que contavam com soldados dos dois lados.
A Wikipedia traz o relato de um desses soldados. O britânico de nome Bruce Bairnsfather nos conta da própria troca de souvenires com um oficial alemão e do corte de cabelo de um alemão (que ele chama de Boche) por um inglês:
Eu não perderia aquele único e estranho dia de Natal por nada deste mundo... encontrei um oficial alemão, um tenente penso eu, e sendo um colecionador, disse a ele que havia gostado de alguns de seus botões. Eu trouxe meu cortador de arame, retirei um par de botões e coloquei-os no bolso. Então eu lhe dei dois dos meus em troca... depois reparei num dos meus artilheiros, que era cabeleireiro amador na vida civil, a cortar o cabelo bastante longo de um boche dócil, que estava pacientemente ajoelhado no chão, enquanto a máquina de corte deslizava em volta de seu pescoço.1
A duração da trégua variou. Em alguns lugares se encerrou depois do Natal mas, em outros, foi até o Ano Novo. Sabe-se, porém, que um dos alemães presentes em Ypre foi contra a confraternização.
Era um cabo que recebera recentemente a Cruz de Ferro de segunda classe, por bravura. Servia como um dos mensageiros da 16ª Reserva Bávara de Infantaria. Seu nome era Adolf Hitler.
Frelinghien - Fronteira França-Bélgica. Atrás dos galpões, a área onde ocorreu o encontro dos soldados.
Nos anos seguintes a quantidade de tréguas e confraternização entre soldados inimigos diminuiu bastante, por conta da repressão dos oficiais mas, sobretudo, porque a desumanidade dos combates foi endurecendo os corações dos soldados.
Apesar disso, elas ainda ocorreram. Sobre o Natal de 1915 temos o relato do alemão Richard Schirrmann, escrevendo na região dos Vosges:
Quando os sinos de Natal soaram nas aldeias do Vosges atrás das linhas... aconteceu uma coisa nada militar. As tropas tropas alemãs e francesas fizeram espontaneamente as pazes e cessaram as hostilidade; eles se visitaram uns aos outros através de túneis de trincheira em desuso, trocaram vinho, conhaque, cigarros, pão-preto da Vestefália, biscoitos e presunto. Eles permaneceram bons amigos mesmo depois do Natal.2
E sobre o Natal de 1916 temos as palavras de Ronald MacKinnon, que estava em Vimy Ridge:
Eu tive um bom Natal, considerando que eu estava na linha de frente. A véspera de Natal foi muito dura, serviço de sentinela até os quadris na lama, claro .... Tivemos uma trégua no dia de Natal e os alemães foram bastante amigáveis. Eles vieram para nos ver e nós trocamos corned-beef por charutos.3
Há quem diga que tais confraternizações não ocorreram na II Guerra Mundial. Mas temos conhecimento de pelo menos um acontecimento semelhante, ocorrido na região das Ardenas, durante a Batalha do Bulge.
Elisabeth Vincken, e seu filho Fritz, de 12 anos, cuja casa (Aachen – Alemanha) fora destruída por uma bomba, refugiam-se em sua cabana de caça, na Floresta das Ardenas.
Eles abrigam um grupo de soldados americanos, que traziam um companheiro ferido quando um grupo de soldados alemães chega. A hostilidade inicial é contida por Elisabeth Vincken e todos celebram o Natal em conjunto.
Fritz Vincken (à direita) reencontra um dos militares americanos que cearam com ele e sua mãe em 1944.
Fritz Vincken disse, em entrevista, que jamais esqueceu daquela noite na qual a força interior de sua mãe impediu um potencial derramamento de sangue. Recordando aquele momento especial ele diz que:
Agora e depois, em uma clara noite de inverno tropical, eu olho para o céu, para a brilhante Sirius, e parece que sempre nos cumprimentamos como velhos amigos. Então, infalivelmente, lembro-me (de minha) mãe e esses sete jovens soldados, que se reuniram como inimigos e se separaram como amigos, bem no meio da batalha do Bulge.4
Apesar da incorreção histórica, a humanidade escolheu celebrar o nascimento de Jesus nesta data de 24 para 25/12. Por isso o Reino de Clio envia a todos os seus leitores uma reflexão:
A humanidade precisa, urgentemente, reavivar o Espírito do Natal, que foi tão presente nas trincheiras de Ypre, 100 anos atrás. Fazemos votos que todos os nossos leitores possam, nesta noite que deve ser de reflexão, pensar no aniversariante e no “presente” que Lhe pode ser dado: viver de acordo com Sua mensagem: Amar ao próximo como a si mesmo!
Feliz Natal a todos!
Marcello Eduardo
Cruz marca o local, próximo a Ypres, onde ocorreu um jogo de futebol entre os soldados inimigos.


1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A9gua_de_Natal
2 Idem
3 Idem
4 http://ba-ez.org/educatn/LC/OralHist/vincken.htm

Imagens:
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Christmas_Truce_1914_IWM_HU_35801.jpg
http://ba-ez.org/educatn/LC/OralHist/vincken.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Christmas_Truce_1914.png
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Khaki-chums-xmas-truce-1914-1999.redvers.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Illustrated_London_News_-_Christmas_Truce_1914.jpg
http://www.vets-cars.com/20141209-100th-anniversary-christmas-truce/
http://chuto.pt/a-tregua-de-natal-de-1914/
https://forum.ableton.com/viewtopic.php?f=40&t=200541
http://www.mercattoursinternational.com/christmas-truce-centenary.asp


















17 DE SETEMBRO
ASSINATURA DA CONSTITUIÇÃO DOS EUA
A primeira e única constituição dos EUA até hoje foi discutida entre os dias 25 de maio e 17 de setembro de 1787 na Filadélfia-Pensilvânia, sendo sinal da estabilidade política daquela nação, onde quase não há espaço para golpes e afrontas à democracia.
O documento original é composto por sete artigos que dão as linhas básicas da divisão dos três poderes, os direitos dos estados dentro do sistema federalista adotado e o formato de ratificação pelos mesmos.
A Carta Magna americana recebeu 27 alterações ao longo dos séculos e as dez primeiras emendas estabeleceram os direitos civis, ampliados por emendas posteriores.
A nosso ver, a emenda mais significativa foi a XIII, aprovada durante a Guerra Civil, no governo de Abraham Lincoln, que aboliu a escravatura:
Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.
É a segunda Carta Magna mais antiga do mundo ainda em vigor e a mais curta delas. O povo americano aprende, desde a mais tenra idade, o valor de suas leis e o juramento de defesa da Constituição é presente até mesmo em muitas escolas.
Neste ponto, os EUA são um bom exemplo que o Brasil deveria seguir, em especial nossa classe política. Mas, olhando o governo que temos hoje isso seria, nos parece, esperar demais.




QUEDA DE TENOCHTITLÁN
No ano de 1521, provavelmente no dia 13 de agosto, ocorria a queda da grande cidade asteca de Tenochtitlán, tomada pelos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortéz.
Os Astecas, também chamados Mexicas, viveram onde hoje é o México e o auge de sua civilização foi entre os séculos XIV e XVI.
Os mexicas, originários de Aztlán, chegaram às margens do lago Texcoco, vindos de Chapultepec, de onde haviam sido expulsos. Junto ao lago se estabeleceram e formaram uma aliança de três cidades que viria a dominar o futuro Império Asteca: Texcoco, Tiacopan e Tenochtitlán.
A sociedade asteca era formada pelo Imperador e Chefe Militar (eleito), sacerdotes, demais chefes militares, artesãos, trabalhadores urbanos e camponeses. Uma outra divisão comumente aceita pela historiografia era entre nobres (pipiltin), camponeses, (calpulli) e o povo, (macehualtin). Os pochtecas eram os comerciantes, que viajavam e faziam as vezes de espiões para o governante.
A região onde se estabeleceram os astecas era alagada, mas eles desenvolveram técnicas agrícolas impressionantes, construindo ilhas de cultivo, denominadas Chinampas, canais de drenagem e aquedutos que traziam água das montanhas.
A própria cidade de Tenochtitlán, que possuia templos imensos, largas e retas avenidas, foi construída no meio de um pântano!
Os astecas também se desenvolveram imensamente nas artes, confeccionando ricos tecidos, trabalhando com ouro e prata, realizando grandes avanços na pintura e também na matemática, astronomia e criando uma escrita pictórica.
Eles eram politeístas, adoravam os astros e as forças da natureza e realizavam sacrifícios humanos em larga escala.
Em 1519, ano da chegada dos espanhóis, residiam cerca de 300 mil pessoas em Tenochtitlán e a cidade jamais seria tomada por menos de 700 europeus, mesmo que reforçados por aliados, se antes não tivessem aberto as portas a eles. Quando tentaram voltar atrás já era tarde.
O Imperador Asteca, Montezuma, recebeu e hospedou os espanhóis com grande deferência quando estes se apresentaram como representantes do Rei da Espanha, Carlos I. Nestes primeiros contatos, os espanhóis já deixaram atrás de si o principal inimigo que haveria de ajudar na dizimação dos astecas: a varíola.
Quando a guerra veio, os europeus se fortaleceram fazendo alianças com povos rivais dos astecas, para o que contaram com a ajuda da índia Malinche, que era tradutora dos espanhóis e se tornou amante de Cortéz.
Tenochtitlán foi cercada durante sete meses, mas o armamento superior dos espanhóis e o enfraquecimento dos astecas por conta das doenças, fez com que a resistência chegasse a um fim. Mais um genocídio europeu nas Américas estava começando.
Fontes:
http://reino-de-clio.com.br/Hist-Geral.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Tenochtitlan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_do_Imp%C3%A9rio_Asteca

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Conquest_of_Tenochtitlan.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=hKeTFa4m7cQ
http://www.dailystormer.com/the-history-of-the-conquest-of-mexico-the-battle-on-the-causeway-and-the-fall-of-tenochtitlan/

https://ensaiosfragmentados.com/2013/05/09/tenochtitlan-o-planejamento-urbano-asteca/






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