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terça-feira, 23 de julho de 2019

TEXTO: HISTÓRIA DO DIA 1


CONFERÊNCIA DE WANNSEE
Em um dia como este 20 de janeiro, em 1942, ocorria a reunião que iria detalhar o planejamento da Solução Final para o destino dos judeus dentro da Alemanha Nazista e territórios conquistados. A Conferência de Wannsee foi um encontro de líderes nazistas, realizadas no subúrbio berlinense de Wannsee, em uma mansão às margens do lago denominado Grosser Wannsee.
O encontro foi marcado pelo diretor do Gabinete Central de Segurança do Reich, SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich e destinou-se a estabelecer a cooperação de todos os setores envolvidos, especialmente no transporte, na eliminação dos judeus que seriam trazidos de todos os lugares para a Polônia, onde seriam exterminados.
Heydrich agia obedecendo uma ordem escrita e assinada por  Hermann Göring determinando que planejasse a solução da questão judaica, embora o extermínio já tivesse começado logo após a invasão da URSS em junho do ano anterior, 1941. 
Hermann Göring e Reinhard Heydrich
Portanto, ao contrário do que alguns pensam, não foi na Conferência de Wannsee que a decisão de exterminar os judeus foi tomada, pois a reunião teve, como primeiro objetivo, apenas determinar a participação de cada órgão do governo nazista envolvido no processo como, por exemplo, os Ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Interior e a SS. Em outras palavras, organizar o que já estava acontecendo.
A perseguição aos judeus começou logo no início do governo de Hitler, em 1933 e se intensificou com as Leis de Nuremberg em 1935. A matança indiscriminada porém começou após a invasão da Polônia, em 1939. O plano nazista para o Leste não previa apenas a morte dos judeus, mas também dos eslavos e a ideia era reduzir a população, pela fome, com a morte de 30 milhões de pessoas!
As colheitas fracas na Alemanha nos anos de 1940 e 1941 levou o governo nazista a calcular que os judeus não se encaixavam no número de pessoas que deveriam ser alimentadas e que incluíam os próprios alemães e os trabalhadores escravos das fábricas do III Reich.  
Quando a invasão da URSS começou, logo Heydrich estava autorizando a morte de membros do partido comunista, comissários do povo, judeus em cargos públicos, adversários políticos, sabotadores, agitadores e membros da resistência. Não demorou para ordenar que todos os judeus fossem considerados membros da resistência, o que autorizava sua morte indiscriminada.
Heydrich enviou as convocações para a reunião em 29/11/1941, marcando a data do encontro para 09/12/1941 no escritório da Interpol. Porém, devido ao fracasso da tomada de Moscou e a declaração de guerra de Hitler contra os EUA, após o ataque japonês a Pearl Harbor, a conferência foi adiada. O local já havia sido alterado dias antes. 
CONVOCAÇÃO PARA A CONFERÊNCIA
Esses eventos levaram Hitler a perceber que a guerra não acabaria cedo como previra e, assim sendo, em 12/12/1941 ele transmitiu aos membros superiores do governo que decidira eliminar os judeus logo, sem esperar pelo fim da guerra.
Os novos convites para o encontro, agora remarcado para 20/01/1942 foram enviados dia 08. Foram 15 participantes, dentre os quais Adolf Eichmann, que depois ficaria famoso por ter sido sequestrado por agentes do Mossad na Argentina, para ser julgado em Israel.
Heydrich iniciou a reunião relembrando as medidas anti-judaicas tomadas desde 1933 e contabilizando a existência de 11 milhões de judeus na Europa com cerca de metade deles fora dos domínios da Alemanha. A intenção era levar os judeus sob domínio da Alemanha para a URSS, onde morreriam “de causas naturais” na construção de estradas. Os restantes deveriam ser “tratados adequadamente”, considerando que poderiam voltar a se reproduzir, o que não era desejado. 
LISTA DE ADOLF EICHMANN - JUDEUS DA EUROPA
Essa remoção em massa era uma exigência do processo de mudança dos alemães que iriam colonizar o Leste, especialmente aqueles que havia perdido suas casas nos bombardeios aéreos aliados. O processo incluiria o transporte para guetos de transição na Polônia e, depois, para a URSS.
Nem todos os judeus, porém, seriam deportados rumo a morte pois, segundo Heydrich, “Judeus com mais de 65 anos de idade, e judeus veteranos da Primeira Guerra Mundial que tivessem sido feridos com gravidade ou que tivessem recebido a Cruz de Ferro, podiam ser enviados para o campo de concentração de Theresienstadt em vez de serem mortos.
Os Mischlings de primeiro grau (mestiços com avós judeus) seriam mortos, porém, se fossem casados e tivessem filhos com não-judeus, seriam poupados. Mesmo caso dos que possuissem isenção concedida por altas autoridades. Mas deveriam ser esterilizados ou deportados caso não aceitassem. 
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS JUDEUS
Os Mischlings de segundo grau (com apenas um dos avós judeu) seriam considerados alemães, a menos que fossem casados com judeus, mischlings de primeiro grau ou tivessem a aparência e o comportamento marcadamente “judaicos”. Casamentos inter-raciais seriam analisados individualmente.
Após a fala de Heydrich a reunião seguiu menos formal. Não foi registrada nenhuma oposição dos presentes, antes, porém, sugestões para “aperfeiçoar” o processo. Heydrich, que esperava muita resistência, ficou satisfeito com a concordância geral. 
PARTICIPANTES DA CONFERÊNCIA DE WANNSEE
O documento final da conferência, denominado Protocolo de Wannsee, foi redigido com termos camuflados, para esconder o terror das decisões que continha. 
Foram feitas 30 cópias da ata, que foram enviadas aos participantes. A maioria delas foi destruída ao final da guerra, mas uma delas sobreviveu e serviu de prova no Julgamento de Nuremberg.
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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Wannsee
https://en.wikipedia.org/wiki/Generalplan_Ost
https://warfarehistorynetwork.com/daily/wwii/the-wannsee-conference-hitlers-final-solution/
https://dirkdeklein.net/2017/07/14/the-minutes-of-the-wannsee-conference-meeting/ 




DEZEMBRO – MÊS DE NAPOLEÃO
Napoleão nasceu em 15 de agosto, mas Dezembro parece ter sido seu mês de sorte. Dizemos isso porque dois de seus momentos mais gloriosos ocorreram neste mês.
Em 10/11/1799 começava seu governo, chamado de Consulado, uma forma de a burguesia consolidar as conquistas da Revolução Francesa através de uma figura popular que eles acreditavam poder controlar.
Nos dias atuais, Napoleão seria italiano, pois nasceu na cidade de Ajaccio, Ilha da Córsega. Mas naquele 15/08/1769 a ilha pertencia à França, de modo que nasceu francês, filho do advogado Carlo Buonaparte e Maria Letícia Ramolino.
Aos 10 anos o menino Napoleão já era aluno da academia militar, onde se destacava em Matemática, Geografia e História. Em 1784, aos 15 anos, já estudava na Academia Militar de Paris, onde também se destacou.
Subiu na carreira após conhecer Robespierre e servir à Revolução Francesa, alcançando o posto de mais jovem general da França.
Suas vitórias militares o tornaram muito popular, a ponto de ser escolhido para governar nos moldes da República de Roma, como um Cônsul.
Assumindo o posto, o Cônsul Napoleão realizou um trabalho fabuloso: organizou o sistema de impostos, fundou o Banco da França, promulgou o novo Código Civil, assinou a Concordata com a Igreja Católica, organizou a educação, dinamizou o comércio interno e externo e implantou um programa de obras públicas que gerou emprego e renda para a população na construção de estradas, modernização de portos, drenagem de pântanos, etc.
Quando, cinco anos depois (1804), foi convocado um plebiscito, Napoleão recebeu apoio maciço do povo para se tornar Imperador, o que ocorreu no dia 02/12/1804.
Naquela ocasião, que teve lugar na Catedral de Notre-Dame, o próprio Papa Pio VII se fez presente para coroar o casal imperial francês. Mas Napoleão, em um gesto político sem precedentes, tomou a coroa das mãos do Pontífice e coroou a si mesmo, mostrando que seu reinado não dependia do apoio de Roma.
Quando a influência francesa passou a ser vista como ameaça, as principais monarquias europeias formaram coligações para combater a França e, neste contexto, Napoleão obteve, também em um 02/12, uma das mais espetaculares vitórias militares de todos os tempos.
Corria o ano de 1805 e os impérios inglês, russo e austríaco formaram a Terceira Coligação, para atacar a França.
Napoleão transferiu seu exército, chamado de Grand Armée, do Canal da Mancha para as margens do Rio Reno, que atravessou. Entre agosto e novembro Napoleão invadiu a Áustria e tomou Viena, capturando vasto equipamento militar inimigo.
Mas a distância da França tornava o abastecimento das tropas muito difícil e o tempo era adversário dos franceses, de modo que Napoleão precisava forçar um combate decisivo, o que os adversários obviamente evitavam.
Napoleão, então, colocou em prática um plano para enganar os aliados mostrando fraqueza, incentivando-os a atacá-lo. Ele dividiu suas tropas, escondeu a maior parte delas, deixando a menor parte exposta aos olhos dos espiões.
Enviou emissário aos adversários manifestando desejo de evitar a batalha e aceitou rapidamente uma proposta de paz feita pelos derrotados austríacos. Não satisfeito, simulou uma retirada desorganizada de Austerlitz, que havia conquistado recentemente, e ainda recebeu emissário do Imperador Russo, simulando ansiedade e nervosismo.
Com tantas demonstrações de fraqueza, logo quase todos os comandantes da Terceira Coligação estavam convictos de que o momento de acabar com o francês era aquele mesmo. Nunca estiveram tão enganados...
A Batalha de Austerlitz ocorreu perto da atual cidade de Brno, na República Tcheca, território que fazia parte do Império Austríaco. Napoleão tinha 72 mil soldados e 157 canhões, enquanto os aliados tinham 85 mil soldados e 318 canhões.
O plano adotado pelos aliados consistia em atacar primeiro o lado direito das tropas francesas, por considerarem esse lado mais fraco, o que de fato era, mas uma fraqueza simulada por Napoleão para enganá-los, pois quando fosse atacado, seu lado direito seria reforçado por tropas vindas de Viena.
Ele também imaginou, corretamente, que o ataque ao seu lado direito seria maciço, o que deixaria o flanco e o centro das tropas adversárias desprotegidos e seria ali que ele iria desferir o ataque com suas tropas escondidas.
Na manhã de 02/12/1805, fazendo exatamente como o Imperador francês previra, os aliados atacaram o lado direito das forças francesas, que recuaram mas resistiram. E quando o centro das linhas aliadas menos esperavam, o ataque francês se abateu sobre eles.
A partir deste momento, Napoleão foi meticulosamente distribuindo suas forças em direção aos setores chave da batalha, aniquilando um a um. Vitória da França!
Restos desta batalha ainda podem ser vistos hoje por quem visita Paris. A Coluna de Vendôme, na praça de mesmo nome, foi feita com o ferro derretido dos canhões capturados pela Grand Armée em Austerlitz.




















COMEÇA O II CONCÍLIO DE NICEIA
O Segundo Concílio de Niceia (atual Iznik - Turquia), que começou em 24 de setembro de 787 d.C. e terminou em 23 de outubro do mesmo ano, foi o 7º Concílio Ecumênico da Igreja Cristã.
Concílios Ecumênicos eram ocasiões em que se reuniam todos os bispos da igreja para discutir e decidir questões relativas à doutrina e à disciplina dentro da igreja.
No caso em tela, o encontro foi convocado por uma questão doutrinária: discutir e abolir ou não a proibição da adoração de imagens de santos.
A adoração de ícones tinha sido proibida a partir do Concílio de Hieria (realizado em 754 d.C. em Hieria, a atual Fenerbahçe-Turquia) e da ação dos Imperadores Leão III, Constantino V e Leão IV.
A destruição de imagens por Leão III
Mas o Concílio de Hieria não contara com a participação dos bispos do Ocidente e nem de qualquer patriarca, de modo que não foi aceito e desqualificado trinta anos depois, quando Tarásio, Patriarca de Constantinopla, assumiu seu posto e demonstrou interesse em uma reaproximação com a Igreja do Ocidente.
A igreja onde foi realizado o Concílio
A convocação do Concílio ocorreu após a morte de Leão IV pois sua esposa, Irene, tornou-se regente por conta da pouca idade do herdeiro do trono, Constantino VI. Irene desejava a volta da adoração de imagens.
Tarásio, com apoio de Irene, convocou o concílio que contaria com a presença do Papa Adriano I.
O encontro começou em Constantinopla, mas distúrbios fizeram com que fosse transferido para Niceia. Ao final, a adoração de imagens foi restabelecida.
Interior da igreja em Niceia-Iznik
O Segundo Concílio de Niceia contou com a participação de 350 pessoas, sendo 308 bispos ou seus representantes. Na cidade ocorreram sete seções e o fragilíssimo embasamento bíblico da decisão de permitir a adoração de imagens foi dado “...a partir das passagens bíblicas de Êxodo 25:19, Números 7:89, Hebreus 9:5, Ezequiel 41:18 e Gênesis 31:34.”

Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Segundo_Conc%C3%ADlio_de_Niceia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_Hieria
https://en.wikipedia.org/wiki/Second_Council_of_Nicaea





RODRIGO BÓRGIA É ELEITO PAPA!
Em um 11 de agosto, do ano de 1492, portanto dois meses antes da chegada de Colombo à América, terminava o Conclave que elegeu o futuro Papa Alexandre VI.

O novo Papa, nascido Rodrigo de Borja, nascera em 01 de janeiro de 1431 em Valência, Espanha e era sobrinho do Papa Calixto III que, na longa tradição de beneficiar a família através do papado, encaminhou a carreira do jovem Rodrigo.


Não que o rapaz fosse incompetente, pois se formara em Leis na Universidade de Bolonha, mas, com ajuda do tio Papa, foi elevado de bispo a Cardeal e Vice-Chanceler da Igreja tendo servido a nada menos que cinco Papas.
Com a nomeação cardinalícia, Rodrigo entrou na linha de sucessão do trono de Pedro.
Em um tempo em que o voto de celibato não era exatamente o mais respeitado entre os clérigos, Rodrigo teve muitas amantes, duas delas famosas, Vanozza Catarei e Giulia Farnese, além de sete a oito filhos aos quais beneficiou de todas as formas possíveis dentro do alcance de seu cargo.

Giulia e Vanozza

A eleição, realizada na Capela Sistina, obra do Papa Sisto VI, contou com outros dois candidatos além de Rodrigo: Ascânio Sforza e Giuliano della Rovere.
E, na melhor tradição dos conclaves da época, o espírito que inspirou o votos do Colégio Cardinalício era dourado como ouro!
Rodrigo Bórgia usou sua fortuna para doar grandes somas de dinheiro e terras aos eleitores e também negociou os principais cargos da Igreja para seduzi-los, além da cessão de bispados, arcebispados e dioceses que rendiam muito dinheiro para quem os comandasse.
Uma vez no posto tratou de nomear quase todos os homens da família como cardeais e acumular para seus filhos postos e fontes de riqueza.
As mulheres também não escaparam de casamentos arranjados no interesse do poder familiar, sendo o exemplo mais eloquente a bela Lucrécia Bórgia, mal afamada filha do Papa.

Lucrécia

Naturalmente a oposição das tradicionais famiglias italianas foi ferrenha, mas contornada com ouro, casamentos, acordos dos mais diversos e até mesmo o veneno ou o punhal.
Girolamo Savonarola, que alcançou grande prestígio com suas pregações moralistas em Florença, acabou desacreditado e enforcado.
O que não impediu que o próprio Papa sofresse diversas tentativas de morte e perdesse um de seus filhos, Pedro, assassinado, com as suspeitas recaindo sobre o irmão Césare Bórgia, aquele a quem Maquiavel considerava exemplo de príncipe.

Césare Bórgia

Quando o Papa Bórgia, Alexandre VI morreu, suspeita-se que envenenado, a Césare também coube a honra da suspeita.
Vale mencionar ainda que foi durante o papado de Alexandre VI que foram assinados a Bula Inter Caetera e o Tratado de Tordesilhas, dividindo o Novo Mundo entre Portugal e Espanha.

Tratado de Tordesilhas






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